3 Analyse og konklusjoner
3.1 Analyse
2.4.2 Hvordan kan resultatene foran forklares?
Nesse contexto, a juventude rural pertencente ao MST vive vários dilemas: permanecer ou não no campo, ampliar sua escolarização em busca de oportunidades de emprego na cidade entre outros, e, ao mesmo tempo, vivencia experiências de formação na participação da luta pela terra e por direitos que os diferencia de outros jovens que vivem nos meios urbano e rural.
Desde as primeiras ocupações de terra, os jovens participam da organização do Movimento. As falas dos jovens participantes da presente pesquisa explicitam o conflito que vivenciam entre o desejo de construir seus projetos de vida nos assentamentos e a falta de condições objetivas para isso.
De acordo com o Egresso 9:11 Por enquanto tenho que morar na cidade, mas eu gosto do interior. Tenho vontade de morar na roça. A gente viveu a vida inteira no interior. Mesmo antes de ir para o acampamento, de ir para o MST, a minha família sempre foi do interior.
Este egresso está trabalhando atualmente no Frigorífico Aurora, em seu município. Todos os demais egressos responderam que gostariam de viver no campo, conforme veremos mais adiante.
A fala do egresso explicita uma realidade que está cada vez mais presente no campo. Diante da falta de condições necessárias para a permanência nos territórios, o que parece estar em curso é um processo de migração da juventude rural, em condições precárias, dada a crise aguda do trabalho. Essa circunstância os faz querer retornar ao campo.
Os jovens entrevistados afirmam que a falta de geração de renda é o principal motivo que os levam para a cidade, mas se tivessem escolha gostariam de permanecer no campo. Assim se expressou o Egresso 10: Se mudasse alguma coisa no campo eu ficaria. Alguma coisa diferente para ganhar um lucrinho para fazer a faculdade. A fala de que teria que mudar alguma coisa explicita as contradições existentes no campo e no modo de organização da sociedade. A forma como está organizado o campo não comporta os projetos de vida dessa juventude.
11 Egresso se refere ao participante da presente pesquisa, que concluiu o Ensino Médio na Escola 25 de Maio,
Outro aspecto que merece destaque é a participação da juventude rural no movimento social como elemento educativo. Ao participar do MST, os jovens têm a oportunidade de compreender como se dão as relações entre o Estado, a economia, a política etc. Por exemplo, ao participar de atividades como: marcha, mobilização, acampamento ou assentamento, da luta por escola, pela agroecologia, o jovem pode reconhecer as contradições existentes na sociedade.
Assim, a escola é um dos elementos para a construção de uma visão crítica do mundo, mas não é a única. Há um conjunto favorável de elementos que mostram na prática as contradições, como se expressa na fala da Egressa 1: Considero que a Escola 25 de Maio influenciou muito na visão de mundo de todos que passaram por lá, é um local de formação na prática, lá conseguimos entender não só a matemática e o português, mas discutir as várias contradições que existem no sistema que vivemos, proporcionando uma formação mais humana, não simplesmente para o mercado de trabalho.
As falas trazidas até o momento evidenciam que, ao contrário do discurso corriqueiro, os jovens não estão deixando o campo pela influência da mídia ou porque consideram a cidade um lugar melhor para se viver. Esses jovens, que participam do processo de luta pela terra, através da organização de um movimento social da envergadura do MST, vivenciam as contradições que envolvem questões de ordem social e, principalmente, econômica, que estão além da escola.
A pouca literatura a respeito do tema juventude rural dificulta o aprofundamento de tais questões. Embora a partir dos anos 2000 essa categoria passe a fazer parte de algumas pesquisas acadêmicas e programas de governo, como o Programa Nacional de Inclusão de
Jovens (ProJovem) Campo, de esfera federal, não há muita visibilidade desses jovens, consequência também da pouca visibilidade econômica dos assentamentos rurais.
Uma pesquisa que contribui para o debate sobre a juventude rural é a realizada pela professora pesquisadora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Elisa Guaraná Castro, “Os jovens estão indo embora?”. A autora pesquisou jovens que participam dos movimentos sociais do campo MST, Federação Nacional da Agricultura Familiar (Fetraf) e Pastoral da Juventude Rural (PJR), a partir da participação desses jovens em grandes eventos de tais movimentos, como encontros, seminários, congressos.
A autora fala da invisibilidade da juventude rural nas políticas públicas e de como se dá a relação desses jovens na participação dos movimentos sociais como processo de construção de um ator político.
A juventude rural é constantemente associada ao problema da migração do campo para a cidade. Contudo, ficar ou sair do meio rural envolve múltiplas questões mediante as quais a categoria jovem é construída, e seus significados, disputados. A própria imagem de um jovem desinteressado pelo meio rural contribui para a invisibilidade da categoria como formadora de identidades sociais e, portanto, de demandas sociais. (CASTRO, 2009, p. 23)
As falas dos jovens egressos da Escola 25 de Maio, participantes do presente estudo, corroboram com a afirmação da autora. Em nenhum momento afirmam ser a cidade um atrativo, citam, como exemplo, a falta de investimento por parte do governo nos assentamentos onde vivem.
Atribuir à influência da mídia ou à busca de lazer como causa da migração da juventude do campo para a cidade, seria reduzir a questão e encobrir os reais fatores que dificultam e até impossibilitam a permanência dos jovens no campo.
Na pesquisa realizada por Castro (2009), os jovens apontam como fatores que os distinguem dos jovens urbanos os elementos identitários, que reforçam laços com o espaço rural como lugar de vida, de trabalho, de relação com a natureza.
Em relação ao recorte geracional, a pesquisa demonstra que há uma maior valorização da escolarização, um processo que teve início há três gerações e que se consolida através de estratégias familiares e dos próprios movimentos sociais, muitas vezes associada à formação técnica e política, o que pode estar se consolidando como uma escolarização acima da média dos jovens do meio rural como um todo. A valorização da escolarização no campo é vista como parte das lutas dos movimentos sociais. (CASTRO, 2009)
A pesquisa de Castro (2009) apontou ainda que há uma maior participação da juventude rural em sindicatos, inclusive com uma desvinculação da figura paterna, historicamente responsável pela representação da família em termos de direitos associativos e políticos. Também houve uma quantidade expressiva de eventos específicos da juventude dos movimentos sociais e organizações, como encontros, seminários, paralisações entre outros.
A maior visibilidade dos jovens dentro dos movimentos sociais e organizações, não chega a alcançar a esfera pública efetivamente. Para esta que é considerada uma população minoritária são poucas as políticas públicas voltadas para as suas demandas.
O acesso à educação pública é reivindicado amplamente pelas famílias assentadas. Em pesquisa realizada em 2005, intitulada Pesquisa Nacional da Educação da Reforma
Agrária (Pnera) (BRASIL, 2005), mostrou que de um total de 5.500 assentamentos pesquisados em todo o país, em 87,8% deles o acesso é feito por estradas de terra. O principal meio de transporte utilizado para ir à escola é percorrer o trajeto a pé para 57%, seguido de apenas 27% com acesso a transporte escolar. Apesar do quadro desastroso, a escolarização aparece como muito valorizada. Entre os entrevistados, 97% discordam que os filhos que trabalham na roça não precisam de estudo (ibid., p. 126) e 70% “esperam que a maioria dos jovens entre na universidade” (ibid., p. 124).
Os dados contribuem para ilustrar as tensões vividas cotidianamente pela juventude. Um contexto que demonstra as contradições mais amplas de um campo que precisa se reorganizar para oferecer possibilidades para os jovens que desejam permanecer no campo e ali construir seus projetos de vida.