5.2. Forskningsspørsmål 2: Hvilke faktorer har betydning for studentenes læring?
5.2.3 Hvordan kan refleksjon i gruppe bidra til læring?
Cassirer defende que o fator fundamental para ascensão da auto responsabilidade individual encontra-se na ação (Wirken). No pensamento mítico, ocorre uma mudança básica através do uso de instrumentos técnicos nas atividades práticas. John Michael Krois extrai da obra de Cassirer que a técnica é também uma forma simbólica básica, ao lado do mito e da linguagem. “Técnica, esforço físico com utensílios, é, junto com o mito e a linguagem, uma das três formas simbólicas básicas da cultura” (1987, p.102). A técnica, inicialmente, assim como a linguagem e a arte, surge vinculada ao pensamento mítico. Cassirer expõe, em Linguagem, mito e religião, que as ferramentas inicialmente são concebidas como seres dotados de poderes próprios ao qual inclusive se rendem cultos, mas que esta relação no seu processo de desenvolvimento passa por transformações.
Quando o homem empregou a ferramenta, começou por olhá-la, não como um mero artefato, do qual se sabia e reconhecia criador, mas como algo independente, um Ser provido de poderes próprios. Em vez de dominá-lo com sua vontade, transformou-o num deus ou demônio que lhe contrapunha outra, à qual se sentia submetido e à qual adorava, através de ritos dum culto religioso. (1925, p.73)
O ser humano não tem consciência, a princípio, de que é um produtor autônomo dessas ferramentas. A sua eficiência na utilização está associada ao poder divino que reside na ferramenta e a sua fabricação se deve a uma inspiração de origem divina.
O instrumento nunca é, pois, considerado como algo simplesmente feito, meramente pensado e realizado, mas como um “dom dos céus”; a sua origem não deve procurar-se no próprio homem, mas num “Salvador”, divino ou animal. (1925, p.74)
Mas ocorre com a técnica, o mesmo que ocorre com as demais formas simbólicas que estão a princípio vinculadas ao pensamento mítico e que paulatinamente, através de um processo dialético, vão se desprendendo dessa matriz comum e configurando sua própria individualidade (Cf.1925, p.57). O processo de utilização das ferramentas possibilita a descoberta de uma ordem objetiva no mundo, que irá pouco a pouco se separando da sua matriz mágica-mítica subjetiva. Quando o homem toma consciência de que objetos físicos, como as ferramentas, são formas para produzir mudanças na realidade, independente dos desejos ou do uso de magia, entra também em profunda crise. Essa crise se deve à mudança da relação do homem com o mundo. Na relação mágica do homem com o mundo, existe a crença de que o pensamento ou a vontade influi nos acontecimentos objetivos. Também não há separação nem entre o signo e a coisa, nem entre a parte e o todo. O signo tem o poder da própria coisa que designa, como, por exemplo, assegurar o sucesso da caçada do dia seguinte através de desenhos representando a caçada já realizada. Ter posse de uma parte e ter poder de influir no todo, como, por exemplo, invocar a chuva através da utilização de um pouco de água ou invocar as nuvens através da fumaça do cachimbo. Mas por meio das ferramentas o homem vai se tornando cada vez mais consciente de que é através do uso desses instrumentos técnicos que se realiza a mediação necessária entre a vontade e o fim desejado, entre o “interno” e o “externo”. Muito embora Cassirer afirme também na sua Filosofia das Formas Simbólicas II que, mesmo depois que os instrumentos primitivos são concebidos como os meios necessários para determinados fins, ou seja, quando uma relação técnica com a natureza parece suplantar a relação mágica, estes mesmos instrumentos ainda são vistos como dotados de poderes mágicos na sua forma de operar. Eles são os meios necessários mas o seu funcionamento é concebido de forma mágica.
A crença na magia inerente a determinados implementos de trabalho, utensílios ou armas, está universalmente difundida por toda a terra. A atividade desempenhada mediante tais utensílios e instrumentos requer de certas ajudas e estímulos mágicos, sem os quais não pode ter êxito completo. (1998b, p.264)
Por outro lado, Cassirer afirma também que numa perspectiva mais ampla da evolução da humanidade, embora não seja possível saber o momento exato em que ocorre a
preponderância de uma concepção técnica do mundo sobre uma concepção mágica, essa passagem é de fundamental importância para edificação da autoconsciência.
[...] não pode assinalar-se o momento determinado na evolução da humanidade no qual essa fase da dominação mágica a uma dominação técnica da natureza, o emprego do instrumento enquanto tal implica uma virada decisiva no progresso e construção da autoconsciência espiritual. (1998b, p.264)
O uso das ferramentas possibilitará um acirramento cada vez maior entre a antítese “eu” e “mundo exterior” e também detonará a crise interna que levará a uma nova relação do homem com o mundo. Entre o desejo e o mundo se interpõem etapas intermediárias, não permitindo o cumprimento imediato dos desejos.
Pois no instante em que o homem trata de influir sobre as coisas por meio de instrumentos, em lugar de fazê-lo por meio de mera magia de imagens ou nomes – ainda que este influxo mesmo inicialmente se mova todavia dentro das rotas da magia –, para ele se há plantado uma separação espiritual, uma “crise” interna. A onipotência do mero desejo se há quebrado agora: a ação está sujeita a determinadas condições objetivas das quais não se pode apartar. (1998b, p.265)
Por meio do uso de ferramentas o homem irá se tornando consciente de uma ordem objetiva do mundo que irá substituir sua visão mágica-mítica do mesmo. Ele reconhecerá a existência de limites aos desejos e que as ferramentas são instrumentos indispensáveis para se realizar certas causalidades. No entanto, a visão mágica, numa perspectiva histórica, segundo Krois, não fica eliminada, mas o homem cada vez mais amplia sua consciência sobre o que segue uma regularidade objetiva e não depende de magia. Tal fato possibilita uma transformação profunda: a troca do mero desejo pelo desenvolvimento do livre arbítrio. “Além do ganho cognitivo de reconhecer um mundo físico objetivo, o uso de ferramentas pavimenta o caminho para outra profunda mudança: o desenvolvimento do arbítrio ao invés do mero desejo” (1987, p.103). Conforme foi abordado, na concepção mágica o desejo se conecta diretamente com o fim desejado sem mediação. As ferramentas como mediação, entre o desejo e o fim, surgem, inicialmente, como entidades míticas, mas através de seu uso vão possibilitando o surgimento da consciência de que são a mediação necessária independente da magia. Tal mediação opõe sujeito e objeto e conseqüentemente a emergência da consciência da decisão e da ação através dos meios apropriados para se atingir determinado fim. Por isso que, segundo Krois, “Cassirer considera este desenvolvimento essencial para a existência de
responsabilidade e a troca de uma mitologia por uma base legal para sociedade humana” (1987, p.103). O homem passa a ser obrigado a decidir e reconhecer-se como participante, através de seu próprio esforço para alcançar uma meta. Essa decisão para a ação é a base para formação da personalidade. Diferentemente das sociedades primitivas em que o sistema de tabus prescreve toda a vida da sociedade, o que é certo e permitido e o que é errado e proibido, onde não existe qualquer responsabilidade individual, apenas coletiva, a abertura para a decisão abre o caminho para a consciência da responsabilidade individual e da moral.
A origem da decisão é um passo fundamental na genealogia do desenvolvimento da moral. [...] Tanto quanto a atividade técnica gradualmente mostra uma ordem objetiva no mundo, a esfera da ação e a visão mítica das coisas começam por separar e cresce a autoconsciência humana. (1987, p.148)
Dessa forma, o uso de instrumentos técnicos tem um papel fundamental no processo de emergência da autoconsciência. No entanto, no desenvolvimento da sociedade industrial moderna, a técnica parece não mais ser o meio para a autoconsciência, mas justamente o instrumento utilizado eficazmente para limitar a autoconsciência, isso porque no século XX foi inventada, segundo Cassirer, uma nova e poderosa arma: a técnica do mito, conforme veremos a seguir.