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O segundo experimento teve por escopo examinar a compreensão dos papéis temáticos nas posições sintáticas de sujeito e de objeto de verbos psicológicos das classes

Temer, Preocupar, Acalmar e Animar e de verbos de Ação;

O desenho do experimento 2 se configurou como do tipo fatorial 3X3, uma vez que temos duas variáveis independentes manipuladas dividindo-se em três níveis, papel temático do sujeito (Experienciador/Causa/Agente) e papel temático do objeto (Objetivo/Experienciador/Paciente) - os verbos de ação foram utilizados como grupo controle. Como variáveis dependentes, temos: a) tempo de fixação e b) índice de acerto.

O experimento 2 contou com 6 condições experimentais: 1) Papel temático de sujeito Experienciador: A Maria ama a mãe; 2) Papel temático de sujeito Causa: O rato apavora a menina; 3) Papel temático de sujeito Agente: A Maria encanta os garotos/O

João puxa a vaca; 4) Papel temático de objeto Experienciador: O João aborrece a Maria; 5) Papel temático de objeto Objetivo: O João detesta o gato; 6) Papel temático de objeto Paciente: O João empurra o boi.

Assim sendo, visando a uma tarefa exequível para crianças pequenas, o desenho experimental foi composto por 4 sentenças experimentais para cada tipo de verbo – as quatro classes de verbos psicológicos mais os verbos de ação – de forma que os estímulos experimentais, em sua Estrutura Argumental, contemplavam as 6 condições experimentais.

Nesse experimento, inicialmente, o participante visualizou uma imagem congruente ao sentido do verbo. Em seguida, foi feita uma pergunta focando no sujeito da sentença, Quem_______? (verbo na voz ativa), por exemplo, para a sentença A Maria ama a

mãe, tínhamos a pergunta: Quem ama?, como resposta teremos sempre o sujeito da sentença. No momento da pergunta, foram apresentadas duas imagens, com os dois argumentos do verbo, um em posição de sujeito e outro em posição de objeto. A tarefa do participante era identificar a imagem congruente à pergunta. Vejamos, a seguir:

Figura 13 – Estudo-piloto: Ilustração das telas do experimento 2.

Fonte: Dados da pesquisa

Tendo em vista os procedimentos da Técnica de Fixação Preferencial do Olhar Intermodal, inicialmente, o participante ouvia a sentença experimental e, ao mesmo tempo, visualizava a imagem correspondente à sentença em uma das telas dos computadores (Primeira exibição). A tela em que não era exibida a imagem permanecia com um fundo preto. Posteriormente, o participante ouvia a pergunta e, ao mesmo tempo, visualizava as duas

Primeira exibição

imagens (uma imagem em cada tela), correspondentes aos argumentos do verbo (segunda exibição).

Nesse experimento do estudo-piloto, todos os participantes ouviram a mesma pergunta para cada frase experimental. Com isso, tínhamos apenas uma lista experimental. Com a finalidade de analisar o tempo médio de resposta para a pergunta, calculamos a diferença entre o tempo em que o áudio finalizou a pergunta e o tempo em que o participante apresentou sua resposta.

O gráfico 15 apresenta o tempo médio de reação em cada item experimental. Ao responder à pergunta: Quem________? (verbo na voz ativa), para os verbos da Classe

Temer, temos como resposta o papel temático de Experienciador, para os verbos da Classe

Preocupar, o papel temático de Causa, e para os verbos das Classes Acalmar, Animar e os verbos de Ação, temos o papel temático de Agente.

Gráfico 15 – Estudo-piloto: Tempo de reação – Experimento 2.

Fonte: Dados da pesquisa

Segundo os dados estatísticos, 60% dos verbos demoraram um tempo médio entre 1 e 2 segundos para serem processados. Apenas os verbos Amar e Encantar, das classes 1 e 2, respectivamente, apresentaram alto tempo de fixação.

Assim como no experimento 1, acreditamos que o resultado do verbo Amar, se deu em virtude de este verbo ser o primeiro estímulo experimental e, provavelmente, os participantes não terem compreendido a tarefa. Acreditamos, pois, que este dado poderá ser confirmado ou refutado nos testes com o rastreamento ocular, principalmente, porque teremos um número maior de participantes.

A análise de variância intragrupo, a respeito do tempo de reação, não apresentou diferença significativa em nenhuma das classes dos verbos psicológicos ou verbos de ação.

Todavia, na interação dos dados das Classes Temer e Preocupar, cujo o Experienciador alterna no mapeamento da posição sintática de sujeito e objeto, os dados estatísticos revelaram diferença significativa (F[3,88]=6,81, p=0,00035), assim como na interação entre a Classe Preocupar e os verbos de Ação, cujo sujeito é mapeado como Causa e Agente, respectivamente, (F[3,88]=7,54, p=0,00015). Com isso, inferimos que a posição sintática do papel temático de Experienciador pode interferir significativamente na interpretação do sentido do verbo, e ainda podemos inferir que os papéis temáticos de Causa e Agente, em posição sintática de sujeito, são estatisticamente relevantes para a interpretação do sentido dos verbos.

Em relação à nossa segunda variável dependente, Índice de acerto, 65% dos participantes elegeram corretamente a imagem congruente ao sujeito da sentença. Para as sentenças experimentais dos verbos psicológicos, 65,2% responderam corretamente e 64,3% para os verbos de Ação. De modo geral, não houve diferença significativa no resultado dos dois tipos de verbos, psicológicos e ação, uma vez que ambos os verbos apresentaram uma média de 35% de erro.

Tabela 13

Estudo-piloto: Índice de acerto – Experimento 2

Acerto Erro

Bruto % Bruto %

Verbo Psicológico 182 65,2 78 34,8

Verbo de Ação 36 64,3 20 35,7

Fonte: Dados da pesquisa

Quando lançamos nosso olhar para os verbos psicológicos de maneira mais específica (Ver gráfico 16), vemos que apenas o verbo Aborrecer, da Classe 2, apresentou índice de erro maior que o índice de acerto. De acordo com os dados estatísticos, os verbos da Classe Acalmar, Classe 3, apresenta maior índice de acerto (71,4%) e os verbos da Classe

Gráfico 16 – Estudo-piloto: Índice de acerto – Experimento 2

Fonte: Dados da pesquisa

Na interação dos dados do tempo de reação e índice de acerto, gráfico 17, temos o verbo Encantar com o maior tempo de fixação e um índice de acerto e erro em 50%, ao passo que o verbo Aborrecer obteve tempo médio de resposta de 2 segundos e um alto índice de erro, e o verbo Tranquilizar um alto índice de acerto com tempo médio de resposta de 1 segundo.

Gráfico 17 – Estudo-piloto: Tempo de reação X Índice de acerto – Experimento 2

Fonte: Dados da pesquisa

Se observarmos a linha de tendência do gráfico 12, veremos que os valores foram constantes, no que diz respeito ao tempo de reação, porém, apesar do alto de incide de acerto na identificação do sujeito da sentença, notamos uma grande variação nos índices de erro.

Todavia, quando observamos os verbos da Classe Preocupar (Aborrecer, Decepcionar,

Encantar e Magoar) estes apresentam altos índices de erro (44,6%) na identificação do papel temático de Causa em posição sintática de sujeito, o que nos permite inferir que tal classe de verbo é de difícil processamento para crianças de 3 e 4 anos.

Destacamos ainda que, mediante os resultados do estudo piloto, alteramos a pergunta de compreensão do papel temático dos verbos, pois percebemos que apenas a pergunta: Quem? (verbo na voz ativa) não nos oferecia dados suficientes para interpretar a compreensão dos participantes a respeito do papel temático de Experienciador mapeado na posição sintática de objeto. Desse modo, nos testes com o aparelho de rastreamento ocular acrescentamos a pergunta: Quem é? (verbo na voz passiva), a fim de percebermos a compreensão dos papéis temáticos dos dois argumentos dos verbos testados.