Os textos marcados em Nível 3 são aqueles que demonstram possuir um grau intermediário de engajamento autoral. Eles reconhecem algumas vozes do discurso que norteiam um dado campo, usando recursos de Expansão Dialógica com uma maior complexidade, quando comparado ao nível anterior. Apesar da existência de estratégias de distanciamento do comprometimento autoral, aqui, já é perceptível o incremento na argumentação pela presença de vozes que formulam hipóteses, alargando o diálogo com outras mais, e vozes que interpretam evidências, abrem espaço para outras interpretações e consideram
novas possibilidades. Entretanto, ainda não é verificada a presença constante de pronunciamento autoral que articula a relação entre as vozes acionadas no texto.
Em nosso corpus, 19,3% dos textos possuem um nível intermediário de engajamento autoral, mesma quantidade do nível analisado no tópico anterior. Entre outros motivos, esses textos não atingem o nível superior de engajamento pela inexistência da pronunciação articuladora da voz interna, mas também não são categorizados em um índice inferior devido às interpretações alternativas realizadas pelo produtores textuais. É relevante ressaltar que textos como esses são caraterizados pela presença de avaliações que apresentam ideias de possibilidades alternativas. Os autores não fecham o círculo de discussão, mas alargam o canal dialógico ao não concretizar certezas, dando margem a outros pontos de vista possíveis. A amostra RP29ASC nos dá uma ideia de como esse tipo de produção se manifestou na análise.
RP29ASC
Referencial Teórico
A saúde comportamental é um campo que foca principalmente no desenvolvimento biológico, psicológico e social que são de importância vital para o cidadão. <Monoglossia> Caracteriza-se por uma série de causas e consequências que podem <Heteroglossia/Probabilidade> de certo ponto ajudar na vida social e escolar do aluno. A saúde comportamental pode <Heteroglossia/Probabilidade> ajudar a descobrir alguns problemas psicológicos que podem <Heteroglossia /Probabilidade> estar presentes na população, além de tentar encontrar <Heteroglossia/Probabilidade> alguma forma de melhora a situação das pessoas com problemas.
Em 1999, Guimarães amplia esse conceito dizendo <Heteroglossia/Reconhecimento> que é a área da psicologia <Monoglossia> na qual se ver o homem através de uma ótica biopsicossocial e que objetiva compreender o sistema saúde-doença como interações de fatores biológicos, psicológicos e sociais.
No ambiente escolar, esses problemas ocasionados provavelmente <Heteroglossia/Probabilidade> por alguns fatores que fazem parte de vida do aluno, podem <Heteroglossia/Probabilidade> causar um declínio no desempenho escolar do mesmo. A terapia comportamental está baseada nos princípios da aprendizagem de novos comportamentos e na filosofia de Behaviorista radical <Monoglossia>. Estudos
desse tipo consideram <Heteroglossia/Endosso> o ambiente o principal fator responsável pela aquisição,
manutenção e modificação do comportamento humano.
Consideramos <Heteroglossia/Pronunciamento> importante a identificação de problemas com os
alunos relacionado a escola, e como a família pode <Heteroglossia/Probabilidade> influenciar o desempenho escolar do aluno. O comportamento do aluno precisa <Monoglossia> ser estudado durante seu processo de aprendizagem, pois <Heteroglossia/Expectativa Confirmada > as oscilações comportamentais
podem <Heteroglossia/Probabilidade> prejudicar seu desenvolvimento escolar e sua vida pessoal.
Apesar de <Heteroglossia/Contra-Expectativa> muitos professores reforçarem a ideia de que eles não <Heteroglossia/Negação>são pagos para ter uma boa relação com os alunos e sim pra ensinar, e por isso <Heteroglossia/Expectativa Confirmada > não <Heteroglossia/Negação> tem a obrigação de intervir na
vida mental de um aluno, estamos de acordo <Heteroglossia/Pronunciamento>com o pensamento de
Oliveira-Silva (2008) quando mostra <Heteroglossia/Distanciamento> que
A relação aluno-professor é estabelecida de forma individual e única. É importante construir meios neste relacionamento através dos quais seja possível a solução de impasses, ou seja, a renegociação do contrato em casos especiais. O contrato por si só não garante o reconhecimento e respeito à autoridade do professor (OLIVEIRA-SILVA, 2008).
As pesquisas sobre esse tema são muito bem-vinda <Monoglossia>, pois
<Heteroglossia/Expectativa -Confirmada> sempre poderão <Heteroglossia/Probabilidade> auxiliar os professores em sua metodologia de dar aula e sua maneira de tratar seus alunos, pois sabemos <Heteroglossia/Expectativa -Confirmada> que a maneira que o professor interage com os alunos pode <Heteroglossia/Probabilidade> influenciar também no sucesso desse aluno na escola.
Com relação ao engajamento autoral, o estilo argumentativo de como essa produção foi construída representa bem os textos enquadrados no Nível 3, em nosso corpus. Logo no primeiro parágrafo, observamos a entrada de uma proposição monoglóssica que se tornará o principal eixo que sustenta o conteúdo delineado no escopo textual. Do ponto de vista avaliativo, ao lermos essas asserções iniciais, por não abrirem espaço para questionamentos, acreditamos que as próximas informações virão fortes e incisivas. Entretanto, isso não acontece. As quatro seguintes avaliações carregam um teor avaliativo de Ponderação. Elas estão baseadas na subjetividade autoral e realizam uma conexão solidária com outras vozes que, possivelmente, possam divergir do ponto de vista apresentado pelo produtor. A tríade de avaliação por
Probabilidade, manifestada pela presença tripla do modalizador epistêmico poder, já manifesta uma abertura dialógica que não reflete um alto grau de responsabilização autoral devido à inconstância da veracidade nas afirmações. Nesse sentido, o campo da Saúde Comportamental, segundo as avaliações atualizadas pelo produtor do texto, é uma área de possibilidades que podem ou não acontecer. Para o arremate dessa conclusão, ainda verificamos a presença da locução verbal tentar encontrar, no final do parágrafo, que, mais uma vez, demonstra o posicionamento incerto do autor com relação ao referido campo de estudo apresentado na asserção monoglóssica, no início do texto.
No segundo parágrafo, logo após a chamada de uma voz externa, o texto mantem o predomínio de valores calcados na subjetividade autoral que pretende atenuar a atitude de responsabilizar o produtor pelas afirmações anunciadas. Pode-se perceber que no trecho “Esses
problemas ocasionados provavelmente por alguns fatores que fazem parte da vida do aluno podem causar um declínio no desempenho escolar do mesmo”, o autor procura uma zona de
escape da responsabilidade enunciativa ao usar o adjunto modal provavelmente e o auxiliar modal podem, respectivamente. Com essa estratégia, ele consegue diminuir o grau de comprometimento de sua fala por reconhecer que outros fatores têm a oportunidade de gerar alteração nos fatos apresentados. Isso abre o diálogo para outros posicionamentos e, consequentemente, protege a face autoral pela abertura de brechas que são, previamente, admitidas pelo locutor.
Esse estilo avaliativo perdura ao longo de todo o texto. Entretanto, é interessante notar a existência isolada de um momento em que a voz autoral inicia uma trilha que caminha para uma forte pronunciação, mas que, logo, volta ao descomprometimento autoral. No quinto parágrafo, o autor coloca em contraposição duas perspectivas. A primeira apresenta a suposta voz de um conjunto de professores que acreditam não serem pagos para ter boas relações com
seu corpo discente. A segunda defende a ideia da importância dessa boa relação para o sucesso escolar. Por meio de uma avaliação de Contra-Expectativa, expressada pela locução apesar de, e duas avaliações de Negação, manifestadas pelo advérbio não, o autor inicia uma tomada de posição. Não obstante, a atualizada pela invocação da voz de autoridade de uma terceira pessoa,
Oliveira-Silva, acionada por uma citação-direta (avaliação por Distanciamento) que retira fortemente o mérito do produtor do texto, visto que o ponto de vista é acoplado na argumentação exatamente como foi pensada pelo intelectual, não havendo, em seguida, nenhuma reflexão autoral sobre o caso. Mais uma vez, tendo em vista a evasiva pela responsabilidade enunciativa, a voz autoral prefere não arriscar comprometer-se, em níveis mais elevados, com o enunciado. No último parágrafo, mais marcas probabilísticas são instanciadas, trazendo o texto para o mesmo campo de possibilidades encontrado no início das argumentações.
As sete produções categorizadas em Nível 3 expressam um grau intermediário de engajamento com o texto, mas, assim como as produções em Nível 2, não representam a maior parcela do corpus, o que já nos antecipa uma grande quantidade de textos classificados em dois avançados níveis de adequação, quanto ao engajamento autoral, para o restante da análise. Vejamos como se articularam os textos classificados em Nível 4 e 5 em nosso material de estudo.