Motivar é criar a necessidade de aprender e de atuar. Para isso, existem diversas fontes que podem ser classificadas em motivação internas e externas (Balancho et. al. 2006). As fontes de motivação interna são:
» O instinto – ele depende de complexos fatores ambientais e
internos. Por instinto, o indivíduo reage impulsivamente, sem dirigir racionalmente as suas ações, a fim de conseguir qualquer coisa que lhe dê prazer ou que ele acha que vai lhe fazer bem. Por instinto você pode não tomar determinado caminho para casa, porque “algo lhe diz” que é perigoso. Essa é a sua motivação para tomar outro caminho.
» Os hábitos – eles são consequência de aprendizagens
de costumes sociais e educacionais e condicionam inconscientemente a forma de atuar. Eles são adquiridos desde pequenos e como regras internas podem motivar algumas das ações dos indivíduos. Por exemplo, você é ensinado desde pequeno que deve tratar com respeito as pessoas mais velhas (Figura 9). Esse ensinamento é sua motivação para o bom tratamento.
Figura 9. Devemos respeitar os mais velhos, uma regra que motiva uma ação
» As atitudes mentais - certos tipos de motivação tornam-se
intimamente associados à afirmação do eu. Por exemplo, há pessoas que gostam de realizar tarefas difíceis ou que poucas pessoas tenham conseguido (Figura 10), para que o seu bom desempenho constitua uma prova de afirmação e de auto- estima, de que ela é capaz de realizar tal ação ou, até de que ela pode se destacar com relação a outras pessoas.
» Os ideais - existem pessoas que estabelecem um padrão
como objetivo a atingir (Figura 11). Essa aspiração, por si só, pode motivar o indivíduo a dar o máximo de si mesmo. Neste caso específico, o fracasso, quando acontece, faz descer o seu nível de aspiração, enquanto o êxito o eleva consideravelmente, é aquele dizer popular “nunca estamos satisfeitos, queremos sempre mais”.
Figura 11. Ter um objetivo a atingir pode ser um fator de motivação
» O prazer - é um reflexo automático, fora do controle consciente,
que procura situações agradáveis. O indivíduo, ao avaliar um objeto, pessoa ou uma situação, desencadeia um processo emotivo, do qual resulta o desejo de executar uma ação. A avaliação emocional de que aquilo pode levar ao prazer, motiva-o para a ação. Por exemplo, a vontade de conquistar uma pessoa, de provar uma determinada comida ou de comprar determinado objeto, tal qual uma roupa (vide Figura 12), tem como fator motivador o prazer que se vai sentir depois de executada a ação em questão.
Figura 12. A busca por situações/sensações agradáveis é um fator motivador
Destas fontes de motivação interna, as que podem ser trabalhadas para motivar alunos são as atitudes mentais (por exemplo, elogiar o aluno cada vez que ele consegue realizar algo correto, para que ele queira mais) e os ideais dos alunos (deixando claro para o mesmo o quanto é importante ter um bom desempenho na disciplina, para que ele coloque esse bom desempenho como um ideal a atingir). Agora, vamos falar um pouco das fontes de motivação externas. São elas:
» A personalidade do professor - influencia consideravelmente
a aprendizagem dos alunos. Estabelecer relações de empatia e de afetividade favorece o prazer de aprender e facilita a aquisição de conhecimentos. Pare para pensar, na sua vida até hoje, na maioria das vezes, não foi mais fácil aprender, quando você simpatizava, gostava do professor (Figura 13)? E quando você antipatizava com o professor, tudo não se tornava mais difícil?
Figura 13. A boa relação professor-aluno pode ser um motivador para os estudos
» A influência do meio - O aluno depende quase totalmente
do ambiente familiar e do meio social em que vive. Deles depende, por conseguinte, a formação do seu caráter e o desenvolvimento de gostos e de aptidões. Também o humor da pessoa e sua disposição para realizar alguma ação vão ser influenciados pelo meio em que a pessoa vive. Por exemplo, se você tem uma família que vive brigando (Figura 14) ou que está com problemas financeiros, você com certeza vai ter mais dificuldade para estudar, porque o meio estará tirando a sua motivação.
» O objeto ou assunto em si - Quando um objeto é mostrado
ao aluno, pode despertar-lhe emoções estéticas ou constituir, para ele, uma novidade, isso pode motivar o aluno a saber mais sobre o objeto ou a adquirir aquele objeto. Quando um assunto chama a atenção do aluno por algum motivo, ele desperta o interesse do mesmo (Figura 15), daí surge a motivação para estudar, pesquisar, ir mais a fundo naquele assunto.
Figura 15. O interesse no assunto pode ser um fator motivador para os estudos
» A influência do momento - A instabilidade emocional do aluno
leva-o a revelar, a cada momento, atitudes diferentes perante o trabalho a realizar. Ele pode zangar-se com facilidade, pode ficar de mau humor, pode estar feliz e logo em seguida passar para a tristeza. Algumas vezes, essa instabilidade ocorre sem explicação e influencia diretamente na motivação do aluno. Destas fontes externas, esta é a única que não poderá ser trabalhada pelo professor para motivar o aluno. Pois ela é imprevisível e pessoal de cada aluno. Fases ou períodos de instabilidade emocional podem ocorrer, entre outras coisas, relacionados a algum fator físico, como por exemplo, mulheres tendem a ficar mais nervosas e ansiosas quando estão em TPM (Tensão Pré-Menstrual) devido às mudanças hormonais. Também podem ter relação com algum evento ou acontecimento recente na vida do aluno.
Agora, tendo em mente as fontes de motivação internas e externas, é possível destacar algumas estratégias que poderão ser utilizadas por você, futuro professor, para motivar seus alunos na realização das atividades da disciplina (French e Raven, 1967; Abreu, 1996; Carrasco e Baignol, 1993; Jesus, 1996B; Lens e Decruyenaere, 1991; Balancho et. al. 1996), a fim de melhorarem seu desempenho. São elas:
» Manifeste entusiasmo nas atividades realizadas com os alunos,
constituindo um modelo ou exemplo de motivação para eles;
» Deixe claro no início do semestre letivo, o “porquê?” e “para
quê?” da sequência dos conteúdos programáticos da disciplina pela qual é responsável, levando os alunos a perceberem a coerência interna entre as matérias a aprender e à adquirirem uma perspectiva global dessas aprendizagens;
» Sempre que possível, crie situações em que os alunos tenham
um papel ativo na construção do seu próprio saber, além de incentivar a pesquisa (lembre da sabedoria popular: “se ouço
esqueço, se vejo lembro, se faço aprendo”). Essa estratégia
é importante principalmente em cursos na modalidade a distância.
» É possível aproveitar as diferenças individuais entre os alunos
de uma mesma turma, levando os alunos mais motivados, com mais conhecimentos (ou que já compreenderam as explicações do professor e/ou aqueles que leram e compreenderam todo o material) a apresentarem os conteúdos aos outros alunos com mais dificuldades e a participarem ativamente de chats e fóruns, contribuindo para uma maior compreensão da matéria por parte dos primeiros e para a fixação dos conteúdos aprendidos pelos últimos. A troca de conhecimentos e experiências sempre são válidas e devem ser incentivadas.
» Utilize metodologias de ensino e materiais didáticos
diversificados, que tornem a explicação das matérias mais clara, compreensível e interessante para os alunos.
» Proporcione vários momentos de avaliação formativa aos alunos,
levando-os a sentirem satisfação por aquilo que já conseguiram aprender e motivação para aprenderem as matérias seguintes.
» Reconheça o progresso dos seus alunos, arrumando formas
de comparar os seus conhecimentos atuais com os seus conhecimentos anteriores, levando-os a perceber as melhorias ocorridas e a acreditar na possibilidade de poderem melhorar ainda mais os seus desempenhos se se esforçarem.
» Promova a realização de tarefas de um nível de dificuldade
intermédio, pois as tarefas demasiado fáceis ou demasiado difíceis não fomentam o envolvimento do aluno, nem a
percepção de competência pessoal na sua realização.
» Leve os alunos a atribuir os seus fracassos a causas instáveis
(por exemplo, falta de esforço, falta de estudo) e não a causas estáveis (por exemplo, falta de capacidade), de forma a aumentar as expectativas de sucesso e o empenho em situações futuras e para evitar desmotivá-los.
» Você deve definir objetivos razoáveis para cada semana de
aula que permitam que os seus alunos progridam e possam alcançá-los. Objetivos difíceis de serem alcançados podem
se tornar uma fonte de desmotivação.
» Incentive os estudantes a discutir os novos materiais e assuntos
de aula, trazendo à tona o que eles sabem sobre o tópico para discussão e fazendo com que eles aprendam com as suas próprias experiências.
» Ainda é possível fazer uso de recompensas exteriores ao gosto
e à competência que a realização das próprias tarefas poderiam proporcionar, indo ao encontro dos interesses dos alunos (tais como prêmios físicos – tais como uma revista, um cd, um boné - ou pontos extras na disciplina), quando os alunos apresentam uma motivação muito baixa. Na verdade, recompensas e privilégios são ótimas ferramentas motivacionais para o trabalho árduo. A título de sugestão, seria possível usar um esquema de recompensas que permitisse que os alunos ganhassem pontos (tipo um “cartão fidelidade”) que poderiam ser acumulados a cada atividade cumprida na disciplina e, posteriormente, trocados por prêmios como, por exemplo, lápis, blocos de anotações, camiseta, boné, um lanche, x pontos valem 1 ponto real na nota da disciplina e assim por diante.
Apresentamos essas estratégias porque é importante que você tenha uma perspectiva global das hipóteses de trabalho ou estratégias possíveis para poder decidir por aquela que considere mais adequada num determinado momento, em sintonia com o seu estilo pessoal e as situações com que se depara.