Kapittel 4. Sosialt nettverk
4.14. Hvordan fungerer nettverksarbeidet generelt?
Participar da vida escolar dos filhos, em sintonia com a construção de um projeto político-pedagógico como o descrito anteriormente, vai muito além de acompanhar o boletim com as notas no fim do ano letivo. A participação dos pais e da família, nos dias atuais, é
cada vez mais desejada e incentivada por instituições de ensino que buscam construir um espaço de reflexão no seu cotidiano.
Nos moldes tradicionais de organização escolar, a participação dos pais é bem restrita a momentos pontuais. Eventos especiais que ocorrem em um único dia, reunião individual para fazer crítica ao filho, ou coletiva para a entrega de resultados finais dos meninos, são bons exemplos de como a família é convidada a participar. Essa visão de participação nem sempre faz parte da rotina escolar. A partir das contribuições de autores que tratam deste tema, é possível perceber que a participação dos pais e da comunidade vem sendo alterada de forma significativa. O que se espera é que a família seja co-responsável pelo trabalho desenvolvido na escola.
[...] a família não é convidada da escola, num dia especial do ano, marcado por muita propaganda, mas sujeito ativo do cotidiano escolar e partícipe de suas decisões e orientações. (CNTE, apud VEIGA e FONSECA, 2001, p. 62) A participação se dá em outra esfera, bem diferente de apenas acatar ou ser comunicado de alguma decisão. Participar, assim, significa “fazer parte”. Diretores, coordenadores, professores, funcionários, alunos e pais passam a fazer parte de um grupo que dentre outras ações pode: participar da elaboração do projeto político-pedagógico, do calendário anual, dos eventos escolares, como feiras de ciência ou gincanas, eleger temas importantes para debates e estudos, enfim, um grupo como esse pode gerar grandes possibilidades de crescimento pedagógico para todos que fazem parte da escola. Além disso, relações de afeto e solidariedade são construídas.
Um projeto que deseja atender verdadeiramente uma construção social mais justa e comprometida, necessariamente, precisará incluir formas de participação da família. Não tenho dúvida do quanto esse processo é trabalhoso e demorado, afinal quando tratamos de pessoas, sujeitos, estamos expostos a todos os tipos de opiniões e vivências, sendo que todas precisam ser ouvidas e discutidas. Nesse processo, o questionamento, as divergências farão parte da construção do projeto.
A reunião de pais, além de ser espaço de socialização do desempenho escolar dos estudantes, é o momento em que os pais são convidados a entrar na escola para conhecerem o trabalho pedagógico que lá é desenvolvido com seu filho.
Sendo a crítica, a dúvida e a curiosidade ingredientes fundamentais para o desencadeamento e avanço dos processos pedagógicos, acredito que nossa eterna busca seja por um projeto político-pedagógico que contemple todos esses espaços de forma séria e comprometida. Afinal, nossa finalidade maior é oferecer condições para que nossos jovens tenham uma formação cidadã, e a importância da avaliação nesse contexto é de extrema relevância.
Participei de quatro reuniões de pais, sendo uma coletiva, para todos os responsáveis pelos alunos da escola, com a presença da direção e da equipe pedagógica e três com os pais da turma de 1º ano que acompanhei. O objetivo de observar esses encontros foi analisar como a escola estabelecia relação com a comunidade escolar, se havia uma relação de parceria ou não e também se o tema avaliação era tratado nesses espaços. Destacarei três desses encontros por considerar as situações observadas relevantes para o trabalho em curso.
Para a primeira reunião do ano letivo de 2008 foram convidados todos os pais. A pauta da reunião consistia nos seguintes itens:
Apresentação da equipe; Música “Depende de nós”; Plano de trabalho 2008; Escola inclusiva;
Projeto escola de horário integral; APM – Associação de Pais e Mestres.
Nessa primeira reunião do ano, durante a apresentação da equipe, ficou evidenciada a avaliação informal dentro do próprio grupo de professores. Na medida em que se apresentavam, os olhares e os gestos de alguns declaravam as insatisfações ou as preferências com seus companheiros de trabalho. Nenhuma mediação foi feita por parte da gestora. Ficavam claros os grupos dentro da escola, mas era como se não houvesse.
Quando tratou do item “escola inclusiva”, a diretora solicitou aos pais que não deixassem que os preconceitos os atrapalhassem no dia-a-dia. E citou o caso de uma menina que estava a sua frente, que era cadeirante:
- Nós pedimos para todos os pais que não vejam essas crianças como coitadinhas!
Nessa fala, na frente da criança, do pai da criança e de tantos outros, a diretora deu uma demonstração de que o preconceito é um sentimento que precisamos vencer dentro de nós mesmos.
Em relação à APM - Associação de Pais e Mestres - a diretora não explicou sua importância, somente deixou claro para os pais que seria uma contribuição voluntária, com valores estipulados pela própria família, com boletos mensalmente enviados para casa. Aguardei até o último momento da reunião para ver se iriam ampliar a discussão sobre a importância da APM para a vida da escola, mas não houve esse espaço, apesar do terceiro item do documento que segue abaixo enfatizar a participação dos pais na avaliação das atividades da instituição educacional. No Distrito Federal, conforme Portaria nº. 335, de 11 de setembro de 2007, a Associação de Pais e Mestres, no ano de 2008, possuía diversas finalidades, entre elas:
I. Proporcionar aos pais uma forma de participação ativa na escola, em benefício do desenvolvimento integral dos alunos e do processo educacional; II. Auxiliar a administração escolar, nas questões pertinentes ao
atendimento das necessidades da instituição educacional;
III. Participar das reuniões de planejamento e avaliação das atividades da instituição educacional;
IV. Captar recursos financeiros para prestar assistência suplementar e/ou emergencial à instituição educacional;
V. Promover e apoiar atividades sócio-culturais e lazer à comunidade, visando ampliar o conceito de instituição escolar, transformando-a em um centro de integração e desenvolvimento comunitário;
VI. Proporcionar aos pais oportunidades de participação e proximidade com a instituição educacional na qual seu filho estuda, a fim de assegurar-lhe melhor desempenho escolar;
VII. Promover a obtenção de recursos financeiros para contribuir com os educandos, na medida de suas necessidades;
VIII. Receber, executar, e prestar contas dos recursos financeiros obtidos por meio de repasses governamentais, como também os provenientes de doações, eventos etc.
IX. Participar de festas organizadas pela comunidade em geral, a fim de promover um maior entrosamento e angariar fundos.5
Reduzir a participação dos pais na escola a uma contribuição mensal gerou efeitos que presenciei no dia-a-dia como, por exemplo, no caso dos questionários de pesquisa. Encontrei grande dificuldade em obter pais que se dispusessem a respondê-los. E não por má vontade ou preguiça e sim por desconhecimento e por não perceberem a importância do assunto para a vida de seus filhos.
Esse desconhecimento a respeito do tema avaliação pôde ser confirmado com a análise dos questionários preenchidos. Para a pergunta:
Quem avaliava na escola?
Todos os pais responderam ser o professor o responsável por essa tarefa. E para a questão seguinte:
Quem é avaliado na escola?
A resposta também foi unânime, os alunos.
Para todos esses pais, a avaliação NA escola permanece como a que foi vivenciada por eles quando eram alunos. Ainda entendiam que os professores deveriam ser os únicos responsáveis pelo ato de avaliar e que os alunos seriam os únicos a serem avaliados. Não encontrei nenhum sinal que pudesse sinalizar que os pais entendiam a avaliação como um processo de troca e mediação entre professor e aluno.
A direção e a equipe pedagógica não aproveitaram a presença de um número significativo de responsáveis pelos alunos da escola para tratar de assuntos que tivessem relação com a avaliação que seria realizada ao longo do ano letivo. Nesse encontro a avaliação ficou de fora da pauta da reunião.
5
A segunda reunião de pais da qual participei, também em fevereiro, foi apenas para os responsáveis pelos alunos do 1º ano, turma que eu estava acompanhando. Como neste encontro não houve uma pauta registrada, destaco os seguintes itens:
Apresentação da professora; Adaptação;
Regras e combinados da turma; Deveres de casa;
Dia do brinquedo; Sondagem.
Como era a segunda semana de aula, a professora fez questão de frisar que ainda estava conhecendo o grupo e que não poderia falar muito sobre cada criança, sobre suas impressões iniciais. Interessante ressaltar que, durante suas conversas com os pais, comentou com todos os presentes como algumas mães deixaram seus filhos no primeiro dia de aula. Algumas mães me falaram: - olha, esse aqui é terrível! Apesar de a professora ter relembrado aos pais sobre essas falas, não houve por parte dela nenhuma mediação no sentido de desestimular esse tipo de conduta, pelo contrário, ela apenas afirmou que ainda era muito cedo para saber quem era tranquilo e quem era terrível.
Como é possível analisar, seria apenas uma questão de tempo para a professora realizar junto de seus estudantes a avaliação informal para verificar se as falas das mães no primeiro dia de aula estavam corretas ou não. Só precisava de um pouco mais de tempo para perceber quais crianças eram terríveis. A avaliação informal NA escola, assim tratada nessa reunião de pais, foi percebida durante todo o ano.
A professora continuou explicando para os pais seus procedimentos: eu digo para eles:
– olha, eu tenho essa voz mansa de fada, mas posso ser bruxa também. E mais: nós temos na sala o “grupinho do eu sozinho”. Isso é o que fazemos. Outro tipo de castigo não. O grupo
do “eu sozinho” ao qual a professora se referia era um espaço no canto da sala, isolado das demais carteiras, com a função de receber a criança que desobedecesse ou não cumprisse as regras estipuladas na sala. Essa, sem dúvida, era uma medida que colocava a criança em uma situação de exposição e evidência negativa. O estudante, a partir de condutas que não
eram as aprovadas pela professora, ficava exposto a situações de constrangimento diante seus colegas. Freitas (2003, p.42) afirma:
[...] a avaliação de “valores e atitudes”, que ocorre cotidianamente em sala de aula e que consiste em expor o aluno a reprimendas verbais e físicas, comentários críticos e até humilhação perante a classe, criticando seus valores e suas atitudes. Cabe enfatizar que é no campo da avaliação de valores e atitudes, bem como no da avaliação do comportamento do aluno, que se instala preferencialmente a lógica da submissão. A utilização da avaliação instrucional em articulação com estas duas dimensões cria o campo necessário para que se exercitem relações sociais de dominação e submissão ao professor e à ordem. É o conjunto desses aspectos que denominamos “avaliação em sala de aula”.
Ser fada ou bruxa é uma fala que nos remete a uma maneira que se distancia bastante do que entendemos da sala de aula como um espaço de parceria, respeito, solidariedade, no qual a avaliação formativa se inclui. A avaliação formativa, como destaca Afonso (1999, p. 97),
[...] assenta numa relação de extrema confiança e cumplicidade entre os alunos e os professores – o que exige da parte dos professores a capacidade de fazer todas as articulações e pontes possíveis com os outros atores escolares e não escolares sem deixar que a comunidade signifique uma nova regulação que acabe por impedir aquilo que aqui se propõe: constituir-se como espaço de solidariedade, reciprocidade e emancipação.
Os pais presentes assistiram à reunião calados. Não fizeram comentários nem sobre o ser fada ou bruxa com as crianças, nem mesmo em relação ao “grupinho do eu sozinho”. A maneira de como seria conduzida a questão do “limite” com as crianças, dentro da sala de aula, me pareceu ser um assunto inquestionável. Os pais silenciosos demonstravam concordar com os procedimentos adotados pela professora em relação às regras e aos combinados da turma.
Outro combinado apontado pela professora na reunião relacionou-se aos deveres de casa. Ela perguntou aos pais: quero saber – vocês querem dever todos os dias para casa, ou
um dia sim, outro não? A professora deixou essa decisão para os pais. E nesse momento,
diferente do silêncio percebido anteriormente, uma das mães se mostrou um pouco desconfortável com a pergunta e respondeu: não é a quantidade de dever de casa que
importa, é a qualidade. E nesse momento a professora deu razão à fala da mãe e fechou o
assunto afirmando que iria organizar bem as tarefas de casa para as crianças.
O último item da pauta era “sondagem”. Apesar de esse assunto tratar especificamente sobre avaliação, esta palavra não foi mencionada em momento algum. A professora explicou que estava realizando durante toda a semana a sondagem para identificar quais estudantes conheciam as letras e os números. Essa é uma semana de sondagem. Eu faço um teste, uma
prova individual. Eu testo aluno por aluno. Eles nem sabem que é prova, eu chamo pra eles de bate-papo.
Apesar de a palavra sondagem trazer a idéia apenas de verificação, a professora estava nessas primeiras semanas de aula realizando um diagnóstico minucioso a respeito de cada criança. O diagnóstico individualizado vivenciado pela turma do 1º ano trouxe elementos que sinalizavam aspectos da avaliação formativa dentro da sala de aula.
O olhar cuidadoso, atento, buscando compreender como cada um de seus estudantes se desenvolvia foi realizado pela professora nesse período. Sobre isso Hoffmann (2006, p. 14) afirma. “O grande passo, na verdade, em termos de avaliação mediadora, é deixar de ver todos os alunos de uma sala de aula para pousar o olhar, sereno e tranqüilo, em cada um, porque o „todos‟ é o maior fantasma da avaliação”.
O terceiro encontro de pais de que participei aconteceu em julho. Este também foi restrito somente aos responsáveis pelos alunos da turma do 1º ano que eu estava acompanhando. A pauta estava escrita no quadro:
Mensagem: os limites;
Agradecimento à colaboração na gincana e na Festa Junina; Recesso e início do 3º bimestre;
Uso obrigatório do uniforme Pontualidade na entrada e saída; Saídas antecipadas;
Acompanhamento da família nas atividades e organização do material escolar; Atualização de dados do aluno na secretaria escolar;
Não trazer aparelhos celulares e MP3 para a escola; Reforço escolar;
Envio de advertências;
Resultado do rendimento das habilidades desenvolvidas neste bimestre.
Com tantos assuntos na pauta, a professora pediu licença para tratar de todos que eram administrativos primeiro, para em seguida explicar as questões pedagógicas. Com tranqüilidade e muita segurança pontuou cada assunto, tirando as dúvidas levantadas pelos pais.
Quando chegou o momento de conversar sobre o último item, a professora começou a explicar as etapas da psicogênese da escrita, proposta por Emília Ferreiro aos pais, afinal estávamos em uma turma de 1º ano, com crianças em pleno processo de alfabetização. Nesse momento, retomo a reflexão que fiz no capítulo sobre o conselho de classe em relação ao uso feito sobre esse estudo do processo de aquisição da escrita. Mais uma vez a professora traz, análises equivocadas em relação às etapas de desenvolvimento das crianças. Observem sua explicação aos pais: Se a gente fosse usar a linguagem antiga, da
nossa época, seria como fraco, os pré-silábicos, regular, os silábicos e silábicos alfabéticos e ótimo, os alfabéticos. Destaquei esse momento da reunião por entender que a avaliação
classificatória, que separa e organiza os estudantes de acordo com esses rótulos bem definidos, foi ilustrada de forma singular nessa fala. Sendo esse momento um encontro com os pais, as crianças NA escola e em casa passaram a ser tratadas dessa maneira: fraco – regular – ótimo.
Os pais sempre muito silenciosos procuravam aprender e descobrir em qual dessas categorias seus filhos de encaixavam. E foi nesse sentido que caminhou a reunião, cada responsável perguntando se seu filho era pré-silábico, silábico, silábico alfabético ou alfabético.
Aproveitando as perguntas dos pais, surgiram os nomes dos estudantes que estavam classificados como fracos ou regulares em relação ao desenvolvimento da aquisição da escrita. A professora aproveitou o momento para informar sobre o reforço escolar que era oferecido na escola no turno invertido.
Os dois últimos itens da pauta, “envio de advertências” e “resultado do rendimento das habilidades desenvolvidas neste bimestre”, foram tratados rapidamente. Quanto ao primeiro, a professora apenas repassou o recado da direção aos pais. O bilhete de advertência nas
cadernetas das crianças exigia o comparecimento do responsável pelo estudante à escola, no dia seguinte ao da sua entrega. Todos deveriam ficar atentos quando recebessem esse tipo de comunicado. O item “resultado do rendimento das habilidades desenvolvidas neste bimestre” só constava na pauta para que os pais soubessem que ao fim da reunião levariam para casa o relatório individual e os trabalhos realizados por seus filhos. Não houve nenhuma discussão a respeito desse assunto, a professora apenas comentou que aqueles que tivessem dúvidas poderiam procurá-la para conversar.
À medida que a professora entregava os envelopes aos pais, com tranqüilidade tecia comentários avaliativos sobre cada criança. O Felipe. No bimestre passado foi bom, mas
nesse! Ele tem chutado muito. No refeitório, aqui na sala, eu tenho colocado ele para sentar só; O Matheus está alfabético. A leitura está muito boa, mas o comportamento...; O Miguel, a evolução da aprendizagem é muito boa. Ele gosta mais de Matemática do que de Português. O comportamento dele melhorou 1000%; De um modo geral a turma é um encanto. Eu não tenho um aluno que me desrespeite. O Igor. Esse é uma criança que nós vamos conversar, né pais? Ele ainda está pré-silábico, eu fico preocupada. Não estou vendo a sua evolução.
Todas essas falas são carregadas de juízo de valor e o uso feito da avaliação informal pela professora até aquele momento não se encaminhou na perspectiva de encorajar o estudante a avançar nas suas aprendizagens e sim de colocá-los em situações de constrangimento. Para Villas Boas (2005, p. 24)
É preciso ter cautela com a avaliação informal: ela é uma faca de dois gumes, podendo servir a propósitos positivos e negativos, dependendo da forma de interação do professor com os alunos. O uso da avaliação informal em benefício da aprendizagem do aluno se dá quando, por meio dela, ele recebe encorajamento.
O trabalho desenvolvido com os pais, em todos os encontros dos quais participei, não privilegiou a avaliação como um tema importante a ser tratado NA escola. Em nenhuma reunião citou-se a palavra avaliação das aprendizagens, houve sim uma explicação de como a professora organizava e dividia o grupo de estudantes, restringindo muito a função da avaliação.
A reunião de pais priorizava principalmente assuntos relevantes para a organização administrativa, com recados da direção. Assim a freqüência dos pais a esses encontros, com
o passar do tempo, foi cada vez menor. Um espaço privilegiado como esse, de encontro com os pais, não foi aproveitado para que se discutissem as práticas avaliativas.
O projeto político-pedagógico anunciava como meta envolver toda a comunidade escolar na avaliação institucional, mas não percebi ações nesse sentido.