• No results found

Hvordan forholder funn fra lege og pasient seg til hverandre, og i relasjon til annen

cidade e sociedade montesclarense, devido ao maior acesso às informações (correio, revistas, jornais) que antes eram trazidas pelos tropeiros e pela dinamização do setor financeiro, com a chegada dos bancos.

Montes Claros, na década de 50, já contava com numerosas edificações comerciais e de serviços como bares, restaurantes, padarias, armazéns, cafés, açougues, casas de gêneros alimentícios, barbearias, institutos de beleza, hotéis, farmácias, cinema e importantes prédios públicos tais como: Hospital Santa Casa, Hospital Regional, Hospital Santa Teresinha, orfanato, Colégio Diocesano, Banco Comércio e Indústria de Minas Gerais, Banco Mineiro da Produção, Banco de Crédito Real de Minas Gerais, Banco Hipotecário e Agrícola de Minas Gerais, Agência Ford, Correios, Telégrafos, e outros (PAULA, 1979).

A ferrovia foi um importante agente transformador da economia de Montes Claros, pois fomentou a expansão do setor comercial e produtivo e permitiu uma maior mobilidade da população intra-regional. Mesmo após a década de 40, quando a cidade perdeu a posição de “ponta de trilhos” devido à retomada da construção da ferrovia em direção ao município de Monte Azul, Montes Claros não perdeu seu dinamismo econômico e já era o maior centro regional do Norte de Minas. Montes Claros consolidava-se como importante entreposto comercial e centro administrativo e se configurava como uma Cidade Mercantil.

1.2.5 – O processo de industrialização e de urbanização de Montes Claros

O processo de industrialização de Montes Claros, desencadeado a partir de 1965, contou com o capital mobilizado através da SUDENE e se deu de forma tardia em relação a outras cidades mineiras. Nesse período, a cidade de Montes Claros ainda não dispunha de infra-estrutura suficiente para atender o setor industrial, visto que a aglomeração espacial das atividades industriais e o seu

volume de produção, além de matéria-prima e de um mercado consumidor, necessitavam de uma ampla infra-estrutura (incluindo os setores de transporte, energia, abastecimento, armazenamento, saneamento, comunicação e outros), como suporte.

Em 1965, a CEMIG e, posteriormente, a TELEMIG, implantadas em Montes Claros através de recursos da SUDENE, garantiram a distribuição de energia e desenvolvimento dos meios de comunicação, fatos importantes para apoiar as atividades do setor industrial. O sistema ferroviário, já existente na região, era o principal responsável pelos transportes de cargas e de passageiros. A melhoria do sistema de transporte rodoviário foi concretizada em 1972, com a pavimentação asfáltica da estrada que liga Montes Claros à Belo Horizonte (BR-135).

Apesar do processo de industrialização de Montes Claros ter se iniciado na década de 70, antes disso, no início do século XX, já havia algumas fábricas espalhadas na cidade, cujos principais ramos de atividades eram: produtos alimentares (manteiga, óleo vegetal), tecido de algodão, têxtil, vestuário, mobiliários e outros.

GRÁFICO 6 - Estabelecimentos por gênero de indústrias de Montes Claros - 1960

Fonte: Gráfico desenvolvido pela autora com base em dados da FJP, 1982.

A maior parte das indústrias que se instalaram em Montes Claros, utilizando os investimentos da SUDENE, foram implantadas no Distrito Industrial de Montes Claros, criado no final da década de 1960 e localizado na região Norte da cidade, a 5 km do centro. O Distrito Industrial foi implantado, estrategicamente, entre eixos

minerais não metálicos metalúrgica material de transporte madeira mobiliários couros e peles quimica perfumaria e sabões têxtil vestuário produtos alimentares bebidas editorial e gráfica

rodoviários da cidade, na saída para Januária e Janaúba. À leste do Distrito Industrial, está localizado o eixo ferroviário da Estrada de Ferro Central do Brasil.

As indústrias, então implantadas, eram, em geral, de médio e grande porte, e se destinavam, principalmente, às seguintes atividades ou ramos: têxtil, farmacêutico, produtos veterinários, produtos alimentícios, bebidas, estrutura metálica, materiais de construção, óleos vegetais e produtos de origem pecuária. A maior parte delas utilizavam tecnologia avançada, aparelhagem moderna, destinavam-se a um mercado consumidor extra-regional e eram pouco absorvedoras de mão-de-obra.

São exemplos de indústrias que foram implantadas com o capital da SUDENE e que ainda estão em funcionamento na cidade24: a Biobrás (hoje Novo Nordisk), Valleé, COTEMINAS (Companhia de Tecidos Norte de Minas), a Matsulfur (Cia. Materiais Sulfurosos), a fábrica de cimento do Grupo Lafarge, Têxtil Paculdino, Metalúrgica Norte de Minas, Fiação e Tecelagem Santa Helena, Cebractex – Cia Central Brasileira de Acabamentos Têxteis, Minaspuma Nordeste, Nansen, e várias outras.

De acordo com Clélio Campolina Diniz (2000), Montes Claros faz parte de uma das 27 áreas industriais do Brasil, que empregam de 10 a 20 mil empregados e que tiveram crescimento positivo do emprego industrial. Para Diniz, a tentativa de localizar um conjunto de indústrias de alta tecnologia em Montes Claros não teve continuidade, mesmo estando na cidade a Novo Nordisk (antiga Biobrás) e a Valleé, duas indústrias de fronteira tecnológica.

Na década de 1960, estima-se que Montes Claros possuía 82 estabelecimentos industriais (e 778 pessoas ocupadas); na década de 1980, havia 170 estabelecimentos; e hoje, estima-se que esse número esteja em torno de 300 estabelecimentos. Verificou-se um aumento da população ocupada no setor industrial de 6%, em 1960, para 16%, em 1970, e ainda para 23%, em 2003. Além disso, a expansão do setor secundário em Montes Claros implicou o desenvolvimento de uma variedade de novos serviços privados e públicos nas

24

áreas de saúde, educação, administração, finanças, contabilidade e outros.

Embora esses dados e informações apontem um incremento do setor industrial para a economia da cidade, que em 2003, contribuiu com 42% do PIB municipal, a discussão sobre a questão industrial de Montes Claros é delicada. Houve, sem dúvida, uma tentativa por parte do Governo Federal e de Minas Gerais de criar, a partir dos anos 70, um pólo industrial em Montes Claros, no entanto, não se sabe com clareza até que ponto essa iniciativa surtiu os efeitos almejados.

Apesar do setor industrial ter surgido sob uma concepção industrial fordista avançada e ter provocado a expansão e melhoria da infra-estrutura e dos serviços na cidade, ele não se desenvolveu como se esperava na época. Estima-se que 30% das indústrias implantadas em Montes Claros, com investimentos da SUDENE, faliram25. Por esses motivos, atribui-se aqui a configuração de Montes Claros como uma Cidade Industrial Incompleta.

O processo de industrialização na cidade foi acompanhado também de alterações no campo. Segundo Oliveira (2000), a partir do final da década de 70, com o desenvolvimento das relações capitalistas e a mecanização no campo, houve mudanças na sua estrutura produtiva: aumento de máquinas agrícolas (tratorização), avanço da agricultura irrigada, investimentos na agroindústria, uso de tecnologia e assistência técnica. Mas apesar dessa modernização, os pequenos agricultores não foram atingidos, gerando, de um lado, segmentos altamente tecnificados, e de outro, baixa capitalização26.

Além disso, a introdução do trabalho assalariado contribuiu para quebrar a antiga relação paternalista, provocar o barateamento e a intensificação do trabalho, e criar novas necessidades de consumo (OLIVEIRA, 2000). A precária condição econômica e social no campo e o desemprego tecnológico intensificaram

25

Dados do escritório da SUDENE em Montes Claros.

26

A concentração de terras, as secas periódicas, a irrigação, a construção de barragens, garimpo, reflorestamento sem critérios para produção de carvão destinados a abastecer os pólos siderúrgicos, contribuíram para a miserabilidade no campo e expulsão de grande parte das famílias de sua terra.

o êxodo rural. A partir da década de 70, houve um crescimento negativo da população na região do Norte de Minas e no estado de Minas Gerais como um todo.

QUADRO 4

Taxas anuais de crescimento da população rural do Norte de Minas e de Minas Gerais - 1960/70 e 1970/80

Verificou-se uma relação direta entre expansão industrial e o processo de urbanização, intensificado pelas relações econômicas e sociais nos principais centros urbanos da região. Os municípios do Norte de Minas com maior número populacional são: Montes Claros, Pirapora, Bocaiúva, Janaúba, Januária, São Francisco. Os três primeiros estão entre os mais industrializados da região.

Montes Claros foi o principal ponto de convergência do fluxo migratório da região, absorvendo camponeses e migrantes do Norte e Noroeste de Minas e de parte do Sul da Bahia. Com base em Pereira (2003), os fatores que contribuíram para isso foram: concentração fundiária; longos períodos de seca; transformações na estrutura produtiva; expansão industrial; e desenvolvimento de um complexo e diversificado setor de serviços, comércio e administração na cidade.

Esses fatores, em conjunto, motivaram um rápido crescimento populacional em Montes Claros, gerando um descompasso entre infra-estrutura e serviços disponíveis e a crescente demanda. Além disso, a indústria e os outros setores da economia não conseguiram absorver toda a mão-de-obra disponível, ocorrendo assim um aumento das atividades informais e do desemprego na cidade.

De acordo com o quadro 5, percebe-se que em 1960, 59,30% da população do município vivia na zona rural e em 1970, este número caiu para 27%. Em uma

Período Norte de Minas Minas Gerais

1960-1970 0,97% -0,76%

1970-1980 -1,04% -2,07%

década, a zona rural de Montes Claros perdeu quase metade da sua população. Esse dado reforça o êxodo rural registrado no município na década de 1970.

QUADRO 5

Aspectos demográficos do município de Montes Claros entre 1960 a 2000

O grau de urbanização27 do município passou de 40,66%, em 1960, para 73,10%, em 1970, e em 2000, esse valor foi de 94,21%. O crescimento da população do município de Montes Claros entre 2000 e 2006 foi de 2,28% ao ano. Na década de 1990, tal crescimento foi de 2,30% ao ano. Houve, então, uma pequena queda da taxa de crescimento demográfico do município.

A população do município de Montes Claros tornou-se predominantemente urbana em meados da década de 1960. De acordo com Santos (1993), os anos 60 marcam um ponto de inflexão agrário-urbana no Brasil. Já para a região do Norte de Minas, como um todo, só a partir da década de 90 é que o grau de urbanização ultrapassa os 50,0 %. Nos últimos trinta anos, o grau de urbanização da região evoluiu de 27,6% em 1970 para 53,97% em 1991 e atingiu 65,37% em 2000 (IBGE, 2000).

O processo de urbanização do Norte de Minas não se deu de forma homogênea. Apesar do aumento da população urbana, em mais da metade dos

27

O grau de urbanização de um município é definido pelo número da população urbana em relação a população total do município. Este dado se refere a questões estritamente demográficas e não ao grau de desenvolvimento urbano das cidades.

Dados: IBGE / censos demográficos.

População População População Grau de Densidade

Ano Urbana Rural Total (hab.) Urbanizaç. Demográf.

1960 43.097 62.855 105.982 40,66% 29,59

1970* 85.154 31.332 116.486 73,10% 32,52

1980 155.313 21.995 177.308 87,60% 49,5

1991 227.295 22.270 249.565 91,08% 69,67

municípios da região, há uma maior parcela da população vivendo nas áreas rurais e ocupadas em atividades do setor primário, sobretudo na agropecuária.

De acordo com Pereira (2003), uma análise sobre a urbanização das cidades norte-mineiras não deve considerar apenas indicadores numéricos ou a diferenciação rural/urbana, mas também aspectos como a intensidade da concentração urbana, os tipos de relações que as cidades estabelecem entre si, as atividades econômicas da população, o estágio de desenvolvimento tecnológico e os hábitos de vida.

Pode-se apreender o rural na sua duplicidade, ou seja, enquanto espaço físico, considerando as formas de uso e ocupação do território, e também enquanto lugar de vida e de referência identitária. Nesse sentido, Pereira (2004) fala de uma urbanização ideológica e cultural. Para se entender a regionalização do Norte de Minas é preciso recorrer à questão cultural, que é muito marcante na região.

O Norte de Minas, enquanto fronteira, é um lócus de miscigenação de experiências culturais. A identidade mineira e norte-mineira se justapõem em um mesmo espaço social (LESSA, 2007). Embora haja uma proximidade física da cidade em relação ao estado da Bahia, a cultura norte-mineira é diferente da baiana. O norte-mineiro não se considera nem mineiro e nem baiano. Já se criou até uma expressão para se referir ao povo norte-mineiro - os Baianeiros - que seria uma mistura de Baianos com Mineiros.

Nesse estudo do processo de industrialização e de urbanização de Montes Claros, é preciso destacar o papel da SUDENE como agente transformador da estrutura econômica, produtiva e espacial de Montes Claros e do Norte de Minas. A consolidação de Montes Claros em Cidade Industrial, ainda que incompleta, gerou maior diversidade das suas atividades econômicas (expansão e diversificação dos serviços), decorrentes da entrada do capital industrial. A década de 70 foi, portanto, um período de transição entre a Cidade Agrário-Mercantil e a Cidade Urbano-Industrial.