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Kapitel 6.0 Oppsummerende konklusjoner

6.1 Hvordan få trygghet i en kropp som trenger hjelp?

A Arquitetura se insere no campo cultural, quando entendemos a cultura como o “conjunto dos artefatos construídos pelos sujeitos em sociedade (palavras, conceitos, técnicas,

regras, linguagens) pelos quais dão sentido, produzem e reproduzem sua vida material e simbólica” (MARTELETO, 1995, p.2).

O campo cultural tem sido uma das preocupações de Bourdieu (1999): é nele que valores econômicos, mas principalmente simbólicos, são atribuídos aos temas, às técnicas e aos estilos, distinguindo-os como culturalmente pertinentes, sendo capazes de fazer existir culturalmente os grupos que os produzem. Temos, assim, que o campo cultural é um espaço social de conflitos e de concorrência no qual as relações de poder entre grupos se escondem, materializando-se em um jogo de forças pela busca da legitimação do capital pertinente ao

campo.

Essa idéia é igualmente compartilhada por um dos poucos sociólogos da Arquitetura, Garry Stevens (2003). Amparado pelo aparato conceitual de Bourdieu, examina criticamente a prática, o ensino e a evolução da Arquitetura. A partir daqui, acatamos igualmente a visão de Stevens, começando pela análise que o autor faz da cultura: “é uma estrutura estruturante porque, mesmo sendo arbitrária e não podendo refletir a realidade, ajuda a definir o que é real”.

Também Sodré (1983, p.106) define a cultura como “[...] o modo de relacionamento humano com seu real”, que tem de lidar com as determinações geradas num dado espaço social e num tempo histórico preciso. Por trás do campo da cultura há um conjunto de tensões estruturais, alimentadas por esse modo social e histórico de funcionamento. Stevens (2003) identifica dois conjuntos de oposições estruturadas – de massa e restrito, ligados à produção dos objetos (edifícios) do campo da Arquitetura:

Quadro n. 4: Campo da Arquitetura e suas oposições, segundo Stevens (2003)

Subcampo de massa Subcampo restrito

Mercado de massa Objetos únicos Projetistas anônimos Arquitetos de renome Clientes com recursos médios Clientes ricos

Critérios econômicos e funcionais Critérios estéticos e simbólicos Produção para satisfazer demandas

econômicas

Produção para satisfazer demandas simbólicas

A produção de massa está ligada aos bens simbólicos para consumo de massa e a produção restrita destinada à cultura dominante. As dinâmicas internas desses dois subcampos acontecem em função de suas estruturas e das duas formas específicas de capital no campo da Arquitetura. O primeiro é o status profissional, o qual os arquitetos competem pelo sucesso material ou econômico e pelo poder profissional – o capital econômico (ou temporal). O segundo é o status intelectual, o qual os arquitetos competem para serem reconhecidos como grandes criadores ou pensadores – capital intelectual (ou simbólico) (STEVENS, 2003).

O capital econômico e intelectual não só definem o espaço social da Arquitetura, mas também estabelece a hierarquização do campo a partir da quantidade de capital e da possibilidade de cada sujeito acessar o capital. Entretanto, Stevens (2003) aponta que a forma mais valiosa de capital é a simbólica (a intelectual), que fornece o princípio da estratificação. Em função do capital intelectual, o campo é capaz de decidir quem são os seus membros.

O discurso do campo é tal que tem evitado rotular como “arquiteto” aqueles projetistas de edifícios atuantes no mercado de massa (STEVENS, 2003), incluindo-os ao campo da construção. Isso quer dizer que o campo da Arquitetura preocupa-se, de fato, com a sua produção restrita, isto é, os edifícios de grande importância e seus arquitetos.

Reforçamos o entendimento conceitual do espaço social da Arquitetura, se voltarmos à história da Arquitetura transformada pela relação entre o homem, a natureza e Deus, sujeitos que foram às outras áreas principalmente da política, da igreja e da economia. Historicamente, a Arquitetura se construiu em função dos discursos de quem demandava e determinava o que, como e quando se devia construir.

Inseridos nessa história, Stevens (2003) coloca que os arquitetos que produzem para aqueles que ditam regras ou vendem produtos que os consumidores querem comprar abrem mão do capital intelectual, mas garantem o sucesso material e financeiro. Os arquitetos que se dedicam ao capital intelectual negam o capital econômico.

Assim como funciona o campo cultural, o campo da Arquitetura esforça-se para operar independentemente das demandas de outros setores sociais. Stevens (2003) explicita que a autonomia é fraca no campo de massa e mais forte no campo da produção restrita. Entretanto, a total autonomia somente pode ser alcançada pelo campo se o princípio da estratificação estiver inteiramente sob o seu controle (STEVENS, 2003). Sabendo-se que o

outros capitais específicos, cujos valores sejam estabelecidos unicamente pelo campo da Arquitetura.

Segue a representação do espaço social da Arquitetura:

Figura n. 4: O espaço social e as formas de capital na Arquitetura, baseado em Stevens (2003)

Stevens (2003) revela que o esforço do campo da Arquitetura para obter a autonomia tem sido feita por meio da Estética, promovendo comodamente a sua remoção da arena política:

recusando-se a considerar seriamente o “bem-estar social” pela negação de que este seja de responsabilidade dos grandes arquitetos, neutraliza-se como ator político e deixa a fração dominante das classes dominantes livres de crítica (STEVENS, 2003, p.114).

A construção histórica do arquiteto-artista, desde o Renascimento culminando no movimento moderno, suprimiu suas funções sociais mostrando seu produto como sustentação da classificação, ordenação e distribuição da Arquitetura através do reconhecimento e legitimidade do autor da obra de arte – a individualidade do objeto. Por mais que a mensagem da arquitetura seja atender ao homem, seu modo de ação, sua representação e sua significação, isto é, sua produção é definida pela constituição do capital econômico (elitização das idéias) e do capital intelectual (valorização dos desenhos), comandado pelo discurso de quem tem o poder. Stevens (2003, p.115) afirma que o campo da Arquitetura, assim como Bourdieu alerta sobre o campo cultural, funciona na mais “completa ignorância” de suas funções sociais.