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A extracção é um passo crucial em qualquer estudo, quer de uma planta, quer na descoberta de novos fármacos, e desempenha um papel fundamental no resultado final [1,39]. O principal objectivo deste passo é a extracção completa dos compostos de interesse e a sua protecção contra a degradação [40]. O método de extracção deve ser seleccionado de acordo com o material vegetal e com a natureza dos compostos de interesse. Após o processo apropriado de extracção é possível passar aos passos seguintes, de separação, identificação e caracterização dos compostos bioactivos [1].

Aquando da extracção sólido-líquido são necessários alguns passos importantes como a pré-lavagem, secagem ou a liofilização e moagem, de modo a obter uma amostra homogénea, aumentar a superfície de contacto entre a amostra e o sistema de solvente e promover o aumento do rendimento de extracção [41]. Os factores comuns que podem afectar o processo de extracção são as propriedades da matriz, da parte morfológica da planta, o solvente, a temperatura, a pressão e o tempo [1].

O desenvolvimento das técnicas cromatográficas e espectrométricas tornaram a análise dos compostos bioactivos mais fácil. Contudo, o sucesso da análise continua a depender do método de extracção, dos parâmetros de extracção e da parte morfológica da planta a partir da qual é produzido o extracto [1].

Os compostos bioactivos podem ser extraídos a partir do material vegetal, por várias técnicas clássicas de extracção, convencionais ou não-convencionais. Em geral, as características dos solventes utilizados (em especial a polaridade), assim como a aplicação de aquecimento, estão na base destas técnicas.

A escolha do solvente (ou sistemas de solvente) depende da natureza dos compostos bioactivos de interesse. Como tal, o factor mais importante nesta decisão é a polaridade dos compostos-alvo. Outros factores como a afinidade molecular entre o solvente e o soluto, a transferência de massa, o uso de co-solventes, a segurança a

nível ambiental, a toxicidade e o custo, também são importantes na selecção do solvente para a extracção dos compostos bioactivos [1].

Estão disponíveis diferentes sistemas de solventes para extrair os compostos bioactivos a partir dos produtos naturais. Para a extracção de compostos hidrofílicos é imperativo o uso de solventes polares como o metanol, etanol e/ou água. Para a extracção dos compostos mais lipofílicos faz-se uso do diclorometano ou da mistura de diclorometano/metanol (1:1). Em alguns casos, a extracção com hexano é usada para desengordurar os extractos, removendo lípidos simples, ceras e terpenos [41].

3.1.1. Técnicas de extracção convencional

As técnicas convencionais para a obtenção dos compostos bioactivos das plantas são a extracção por Soxhlet, a maceração e hidrodestilação [1]. O primeiro passo desta técnica é a moagem da planta, de modo a aumentar a superfície de contacto e uma mistura adequada com o solvente [1].

A extracção por Soxhlet é, frequentemente, usada para o isolamento de flavonóides a partir de extractos brutos. Os solventes utilizados são misturas aquosas de metanol ou acetonitrilo [12].

A extracção por maceração é geralmente utilizada para extracção de compostos bioactivos que se degradam a temperaturas elevadas. Esta técnica é a mais antiga e a mais simples, pode ser realizada com ou sem agitação e é muito utilizada para a extracção de flavonóides a partir de amostras sólidas. Como solvente, geralmente, é utilizado o metanol ou acetonitrilo [40].

A hidrodestilação é um método tradicional para a extracção de óleos essenciais a partir das plantas. Não estão envolvidos solventes orgânicos e pode ser realizada antes da desidratação da planta [1].

Os maiores desafios destas técnicas são os longos tempos de extracção e os elevados custos associados à aquisição de solventes de alto grau de pureza. A evaporação da grande quantidade de solvente, a baixa selectividade de extracção e a decomposição térmica dos compostos são outros obstáculos que condicionam as técnicas referidas. De modo a superar estas limitações, foram introduzidas novas e

promissoras técnicas de extracção, referidas como técnicas de extracção não- convencionais [39].

3.1.2. Técnicas de extracção não-convencionais

Para além das metodologias convencionais de extracção, um variado leque de técnicas modernas têm sido introduzidas nas últimas décadas [39]. Estas novas técnicas incluem extracção assistida por ultrassons (UAE, do inglês ultrassound assisted extraction), extracção assistida por micro-ondas (MAE, do inglês microwave assisted extraction), extracção por fluido supercrítico (SFE, do inglês supercritical fluid extraction) e extracção por líquido pressurizado (PLE, do inglês pressurized liquid extraction) [39].

Extracção assistida por ultrassons

O ultrassons é um tipo especial de onda de som, que vai para além do que o ouvido humano alcança. Induzido num meio líquido, este processo produz um fenómeno chamado cavitação, que envolve a produção, o crescimento e o colapso de bolhas. O mecanismo de extracção por ultrassons envolve dois tipos principais de fenómenos físicos: (1) a difusão que atravessa a parede celular e (2) a libertação do conteúdo após a sua destruição [1]. A composição da amostra, o tamanho das partículas e o solvente são factores determinantes para uma extracção eficiente. Não obstante, a temperatura, a pressão, a frequência e o tempo de extracção, são factores que regem a acção do ultrassons [1].

Extracção assistida por micro-ondas

A extracção assistida por micro-ondas (MAE) é também considerado um “novo” método para a extracção a partir de diferentes materiais, usando a energia de micro- ondas [1]. As micro-ondas são combinadas com a tradicional extracção com solventes, aumentando permeabilidade da planta previamente triturada, e promovendo a dissolução dos compostos bioactivos [42]. As principais vantagens da MAE sobre os métodos convencionais são (1) a redução do tempo do processo extractivo e (2) a obtenção de uma eficiência de extracção semelhante [43].

Extração por fluido supercrítico

A extração por fluido supercrítico (SFE) pode ser uma alternativa benéfica a nível ambiental, comparativamente às técnicas convencionais com solventes orgânicos. A SFE é uma técnica rápida, automática, selectiva e evita o uso de grandes quantidades de solventes potencialmente tóxicos. O dióxido de carbono (CO2) tem sido o solvente mais utilizado. Por outro lado pode ser também benéfica para a extracção dos compostos bioactivos, já que a ausência de luz e ar durante o processo reduz a degradação que pode ocorrer durante a extracção com técnicas convencionais [44].

Extracção por líquido pressurizado

O conceito da extracção por líquido pressurizado (PLE) é aplicar elevadas pressões de forma a manter o solvente líquido para além do seu ponto de ebulição. A elevada pressão facilita o processo de extracção, diminuindo o tempo de extracção e a quantidade de solvente necessária. Esta técnica requer pequenas quantidades de solvente, dada a combinação da elevada pressão com a elevada temperatura, que proporcionam uma extracção mais rápida. Assim, a elevada temperatura de extracção promove a solubilidade dos analitos, pela diminuição da viscosidade e da tensão superficial do solvente [41].

A PLE tem sido aplicada, com sucesso, à extracção de compostos bioactivos a partir de diferentes plantas, bem como de fontes marinhas [41].