Em vista dos fatos apontados anteriormente, poder se ia alegar que à época
de sua pesquisa, Duarte encontrou um já avançando entre
os falantes do Rio de Janeiro. Os resultados a que a análise variacionista nos permitiu chegar com relação ao português brasileiro da comunidade de João Pessoa é que em grande parte dos contextos analisados a mudança já se revela mais prontamente, caminhando para uma estabilidade de uso.
A comparação entre as duas pesquisas leva a crer que no dialeto pessoense, a mudança está mais avançada do que no do Rio de Janeiro.
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3
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A investigação do apagamento do sujeito pronominal na fala do pessoense, cuja hipótese é de que os fatores estudados teriam relevância sobre a mudança em pauta, ofereceu subsídios para descrever, de forma mais precisa, o comportamento do falante de João Pessoa no presente momento. Diante dos resultados encontrados, verifica se que o antecedente do pronome sujeito e o nível de escolarização são irrelevantes em relação ao preenchimento ou não do sujeito pronominal na fala; e que as demais variantes são favorecedoras ao preenchimento.
Ao iniciar uma seqüência discursiva, o falante pode optar por usar ou não o sujeito pronominal. Ao escolher uma pessoa verbal, observa se que na fala da comunidade de João Pessoa há predominância do preenchimento quando ocorre a segunda pessoa indireta do singular – & A< no momento em que se opta pelo preenchimento do sujeito pronominal. A primeira pessoa, tanto do singular quanto do plural, também favorece ao fenômeno em análise. Isso mostra que o processo em estudo, encontra se num estágio de mudança avançado.
Com respeito a segunda pessoa direta do singular, pode se verificar sua pouca aplicação (vide tabela 1), sendo, pois, considerado sem relevância para esta análise.
A terceira pessoa do plural aparece como inibidora do fenômeno em estudo. Dos tempos verbais analisados, o que mais favorece ao processo em análise é o pretérito imperfeito do indicativo seguido do pretérito perfeito e do presente. Já
os tempos do modo subjuntivo favorecem, por sua vez ao sujeito pronominal nulo. A forma nominal infinitiva favorece o sujeito nulo.
Quanto ao tipo sintático de oração, verifica se que a variante em estudo não é favorecida quando o falante usa as orações subordinadas, principais e absolutas. Em contrapartida, ao empregar as orações que compõem o grupo “outras” observa se que o mesmo opta pelo preenchimento do sujeito pronominal.
Tendo como enfoque a faixa etária, constata se a possibilidade de se estar diante de um processo em mudança mais avançada em relação aos falantes da região Sudeste, mais precisamente da cidade do Rio de Janeiro, uma vez que os resultados apontam o grupo dos mais velhos, como favorecedores ao preenchimento do sujeito pronominal, na fala, diminuindo gradativamente o uso entre os grupos de menor idade.
A partir dos resultados obtidos através das análises realizadas, verifica se, que se pode estar diante de um processo de mudança com vistas ao preenchimento
do sujeito pronominal na fala. Resta, portanto, esperar que, somado a outros já
existentes, este trabalho seja mais uma contribuição para os estudos de cunho variacionista, a fim de assim se poder traçar um perfil lingüístico do falante brasileiro, explicando se a ocorrência de determinados comportamentos frente a fenômenos os mais distintos.
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