3 Kunnskap om hvordan fedre kvoten benyttes
3.1 Hvordan brukes og oppleves fedrekvote i Norge?
Segundo as pesquisas mencionadas no documento, realizadas para a elaboração da Proposta Curricular – 2º Segmento da EJA, o ensino da História tem sido fundamentado numa concepção de tempo linear e numa visão determinista e
eurocêntrica da História. Trata-se de um ensino verbalista, com aulas expositivas sobre temas desvinculados das problemáticas da vida real, resumindo-se as aulas a mero repasse de conhecimentos aos estudantes. Conhecimentos esses que se restringem à memorização de fatos do passado, destacando-se as atuações de sujeitos históricos ligados às classes dominantes, ou apresentação de um processo histórico que opera na lógica de causalidade e conseqüências.
As pesquisas realizadas para elaboração do documento indicam, ainda, a presença de novas perspectivas que surgiram na década de 1980, rompendo com as linhas tradicionais de ensino da História – um movimento representado por quase 37% dos professores de História, que procuram “... trabalhar conteúdos de História do Brasil e do mundo, estimulando o aluno a compreender os problemas contemporâneos para um posicionamento frente à realidade” (Brasil, COEJA – Parte II, p. 198).
Cumpre ressaltar que essa tendência de reformulação das práticas do ensino de História foi reforçada também com o lançamento dos PCN de História, na segunda metade da década de 1990.
Nesse sentido, os desafios lançados indicam que a construção de mudanças para o ensino de História na EJA, parte da reflexão sobre a especificidade dessa modalidade de ensino em suas relações com a história da disciplina e da educação escolar.
A contribuição desse documento consiste em aproximar o atual conjunto de reflexões sobre a História e seu ensino, apresentando diretrizes para o trabalho dos professores, objetivos gerais, critérios de seleção e organização de conteúdos, além de orientações didáticas para o professor de História refletir sobre as diferentes possibilidades de práticas de ensino de História no âmbito da EJA.
Portanto, esse documento propõe uma busca, por parte dos professores, para o entendimento da complexa realidade do mundo atual junto com seus alunos, na tentativa de incentivá-los à participação social como cidadãos ativos nas suas comunidades e de resgatar os valores humanísticos que estão esquecidos e desvalorizados no atual contexto das sociedades capitalistas.
Assim, segundo o documento analisado os objetivos do Ensino de História consistem em:
→ Estabelecer relações entre a vida individual e social, identificando relações sociais no seu próprio grupo de convívio, na localidade, na região e no país, relacionando-as com outras manifestações em outros tempos e espaços;
→ Situar acontecimentos e localiza-los em uma multiplicidade de tempos;
→ Reconhecer que o conhecimento histórico é parte do conhecimento interdisciplinar;
→ Compreender que as histórias individuais são partes integrantes de histórias coletivas;
→ Questionar sua realidade, identificando e possíveis soluções, conhecendo formas político-institucionais e organizações da sociedade civil que possibilitem modos de atuação;
→ Dominar procedimentos de pesquisa escolar e produção de texto, aprendendo a observar e colher informações de diferentes paisagens e registros escritos, iconográficos, sonoros e materiais;
→ Valorizar o direito de cidadania dos indivíduos, dos grupos e povos, como condição para fortalecer a democracia, respeitando-se as diferenças e lutando contra as desigualdades.
Dessa forma, a seleção e a organização de conteúdos significativos são tarefas fundamentais dos professores, que devem trabalhar com a “periodização histórica quadripartite”, ou seja, com os chamados temas “tradicionais” da História do Brasil, de maneira crítica, buscando estudar como essa periodização e temas foram construídos. È possível trabalhar praticando abordagens que permitam desmontar como tais temas e periodizações tradicionais foram instituídos como memória “oficial” e, assim, desvendar seus comprometimentos ideológicos e sociais.
Esse trabalhar de modo crítico permite pensar novas possibilidades de reflexão sobre a produção do conhecimento histórico nas aulas de História, na relação pedagógica existente entre professores e alunos, mediados por materiais didáticos diversificados que incluam, principalmente, o uso de documentos na sala de aula.
Pensar em mudança na forma de organização e seleção dos conteúdos, deixando de lado as organizações curriculares denominadas “cronológicas” permite que o processo histórico seja analisado pelos estudantes. Nesse sentido, o trabalho com eixos temáticos em História permite o rompimento com conteúdos prescritos e a superação da passividade diante do conhecimento histórico e do próprio mundo social.
Contudo, ainda é comum ouvir professores de EJA afirmando que os programas devem ser uma redução ou simplificação dos conteúdos de História Geral e do Brasil, utilizados no ensino regular. Justificam isso dizendo que os estudantes de EJA dispõem de metade do tempo para aprenderem os mesmos conteúdos que os outros alunos do ensino regular.
Diante disso, a proposta apresentada sugere também que a organização de conteúdos seja realizada por planejamento a partir de “eixos temáticos” e, por conseqüência, justifica os cuidados que se deve ter com a escolha dos métodos de ensino-aprendizagem, ou seja, o estudo por eixos temáticos está articulado à apropriação de conceitos que só pode ocorrer por meio de “métodos baseados na investigação histórica”.
Nesse sentido, o documento propõe que os conteúdos de História sejam entendidos na acepção de que incluem fatos, conceitos, procedimentos e atitudes. Tal concepção de conteúdo contribui para demonstrar, para o professor, as intenções do conteúdo que ele ensina e para ajudá-lo a elaborar estratégias didáticas específicas.
De acordo com os PCN (Parâmetros Curriculares Nacionais) para o Ensino de História – 5ª a 8ª série – devem ser considerados pelos docentes três aspectos fundamentais que contribuem para a formação social e intelectual do aluno, no momento de organizar e eleger os conteúdos históricos a serem ensinados para o aluno de EJA:
→ A importância da construção de relações de transformação, permanência, semelhança e diferença entre o presente, o passado e os espaços local, regional, nacional e mundial;
→ A construção de articulações históricas como decorrência de problemáticas selecionada para estudo;
→ O estudo de contextos específicos e de processos, sejam eles contínuos ou descontínuos.
Segundo a proposta, o professor, a princípio, precisa problematizar o mundo social em que ele e o aluno estão inseridos e relacionar isso com as questões políticas, sociais, econômicas e culturais de outros tempos e de outros espaços, de maneira seqüencial e dinâmica, prevalecendo nessa interação o envolvimento e construção de conhecimento sobre a História do Brasil, a História da América, a História da África e de outras sociedades e culturas.
São apresentados, assim, os seguintes critérios para a seleção e organização dos conteúdos:
→ O diagnóstico que realiza dos domínios dos alunos para que estudem e reflitam sobre questões históricas;
→ Aquilo que considera importante para ser ensinado e que contribuirá para a formação intelectual, histórica e social de seu aluno;
→ As problemáticas contemporâneas pertinentes à realidade social, econômica, política e cultural da localidade onde leciona, de sua própria região, de seu país e do mundo. (p.218)
Na proposta para EJA, aqui analisada, foi mantida a mesma organização sugerida nos PCN de História de 5ª a 8ª série. Os conteúdos foram organizados em eixos temáticos e foram desdobrados em sub-temas, favorecendo estudos interdisciplinares e a construção de relações entre acontecimentos e contextos históricos no tempo. Vejamos:
→ Eixo Temático de 5ª a 6ª série – Relações Sociais e Trabalho: migrações e identidade.
Sub-tema 1: Migrações e Identidade Sub-tema 2:Trabalho e Relações Sociais
→ Eixo temático da 7ª e 8ª série – Relações de poder, conflitos sociais, cidadania: cultura e identidade.
Sub-tema 1: Relações de poder e Conflitos Sociais. Sub-tema 2: Cidadania e Cultura
Finalmente, o documento traz orientações didáticas para diferentes formas e possibilidades de trabalho com o ensino de História na EJA; indica o uso de imagens
artísticas presentes em documentos históricos e textos didáticos, bem como o uso de músicas nacionais e internacionais, documentos de época, textos tirados de livros didáticos, leis, artigos de jornais, revistas, sites, fotografias, leitura e discussão de livros paradidáticos, filmes, pesquisas, estudo do meio e visitas.