Encontram-se distribuídas irregularmente em meio a sequência metavulcanossedimentar, podendo ser associadas aos mármores, quartzitos, anfibolitos e metarriolitos. Ocorrem como blocos soltos de escala decimétrica a métrica (Figura 4.6 A), em pequenos cortes de estrada (Figura 4.6 B) e em lajedos não muito extensos, exibindo foliação de baixo ângulo (Figura 4.6 C).
leucocráticas que denotam fusão parcial (CM-204: 314791 mE/ 9512429 mN); B) Pequeno corte de estrada mostrando rocha calcissilicática intercalada com anfibolito e sheets graníticos (CM-206: 314616 mE/ 9512218 mN); C) Lajedo de rocha calcissilicática intercalada a anfibolito e sheets graníticos (CM-206: 314616 mE/ 9512218 mN).
Fonte: Elaborada pelos autores.
São caracterizadas como rochas mesocráticas a melanocráticas de colorações esverdeadas. Sob aspecto mineralógico, são representadas por associações de minerais cálcio-silicatados, quartzo, plagioclásio, k-feldspato e granada. Entre os minerais cálcio-silicatados destacam-se diopsídio e anfibólio, e, em menores proporções, cristais de epidoto. Exibem granulação fina a média e textura granoblástica com domínios granonematoblásticos. Neste último caso, os cristais de diopsídio, anfibólio e feldspatos (k-feldspato e plagioclásio) estão alinhados preferencialmente segundo uma orientação linear.
Apresentam-se também sob a forma de corpos maciços, assim como por corpos bandados (Figura 4.7 A), marcados pela alternância entre bandas constituídas por diopsídio, anfibólio e epidoto com estreitas bandas compostas por plagioclásio, k-feldspato e quartzo. Por vezes, junto aos corpos bandados,
são observadas intercalações delgadas de camadas tabulares de anfibolitos e
sheets graníticos com espessura centimétrica (Figura 4.7 B). Nesse contexto,
essas intercalações demonstram uma atual configuração S1, de direção NE e mergulho de baixo ângulo, paralela a S0, sendo possível perceber desta forma a disposição original dessas rochas metassedimentares em camadas tabulares, com estratificação plano-paralela.
Figura 7 - A) Bloco centimétrico de rocha calcissilicática finamente bandada, apresentando bandas melanocráticas dominadas por diopsídio e anfibólio, intercaladas com finas bandas leucocráticas integradas por plagioclásio, k-feldspato e quartzo (CM-209: 312155 mE/ 9512155 mN); B) Bloco expondo camadas de espessuras centimétricas de anfibolito e sheets graníticos, intercaladas com rocha calcissilicática (CM-206: 314616 mE/ 9512218 mN).
Fonte: Elaborada pelos autores.
Apresentam também fraturamento em várias direções, que podem ser acompanhados por injeção de material magmático de composição quartzo- feldspática que lhe imprimiram uma alteração potássica, marcada pela neoformação de k-feldspato acompanhado de biotita. Este material magmático félsico ocorre sob a forma de diques ou sheets graníticos de espessura centimétrica, concordantes ou não com a estrutura S1 (Figura 4.7 B). Toda a manifestação magmática ácida relacionada a esse tipo litológico é decorrente do magmatismo granítico que intrudiu a sequência metavulcanossedimentar.
As rochas calcissilicáticas exibem ainda feições de dissolução cárstica que ressaltam seus planos de foliação, facilitando sua identificação em campo. Feições de migmatização (Figura 4.8) também são comuns, onde o processo de fusão parcial in situ levou a neoformação de massas leucocráticas de formato irregular, dominadas por plagioclásio e quartzo.
leucocrática como produto da fusão parcial das partes restíticas esverdeadas (CM-204: 314791 mE/ 9512429 mN).
Fonte: Elaborada pelos autores.
Microscopicamente, as rochas calcissilicáticas bandadas apresentam textura granoblástica, inequigranular, de granulação média, compostas por minerais essenciais de clinopiroxênio (35%), plagioclásio (20%), microclina (20%), anfibólio (5%) e biotita (5%), com minerais acessórios representados por opacos (4%), apatita (3%), xenotímio (3%), zircão (1%) e titanita (1%), além de minerais de alteração como epidoto (1%), mica branca (1%) e carbonatos (1%). Os cristais de plagioclásio aparecem turvos, na forma de grãos
justapostos, medindo aproximadamente 0,26 mm. O clinopiroxênio aparece na forma de porfiroblastos de até 1 mm, subédricos a anédricos, frequentemente fraturados e em processo de substituição por minerais como biotita cloritizada (Fig. 4.9 A), anfibólio, epidoto e carbonato. O anfibólio dominante é a hornblenda, que representa, em parte, produto de alteração do diopsídio (Fig.
4.9 B), ocorrendo cristais bem formados ou em agregados junto a epidoto e carbonatos (Fig. 4.9 C). Alguns cristais de hornblenda encontram-se parcialmente alterados para tremolita devido à liberação de Fe (Fig. 4.9 D). A microclina, associada a uma fase de potassificação tardia, associada ao hidrotermalismo, é subédrica e encontra-se formando massas, com geminação periclina bem desenvolvida. Biotitas cloritizadas aparecem alinhadas em algumas porções da lâmina. Zircão, apatita e xenotímio, aparecem como minerais acessórios junto ao plagioclásio turvo (Fig. 4.9 E). Os minerais opacos são subédricos e parecem provir em parte dos cristais de ferromagnesianos. Hornblenda e opacos podem liberar titânio, gerando titanitas (Fig. 4.9 F).
Figura 9 - A) Clinopiroxênio sendo substituído por biotita cloritizada – LN 10X; B) Diopsídio anfibolitizado nas bordas, circundado por microclina – LP 10X; C) Feições em cúspide mostram carbonato substituindo o anfibólio – LP 10X; D) Hornblenda parcialmente transformada em Tremolita, anfibólio empobrecido em Fe – LN 10X; E) Concentrações importantes de minerais acessórios xenotímio, zircão e apatita – LN 10X; F) Anfibólio alterado para titanita – LP 10X.
Fonte: Elaborada pelos autores.
4.1.4 Migmatito
É um dos tipos litológicos dominantes da sequência metavulcanossedimentar, ocorrendo de norte a sul junto ao limite leste da área. Aflora como lajedos (Figura 4.10), em cortes de estrada de escala métrica e em blocos soltos.
Os migmatitos são rochas híbridas geradas em alto grau metamórfico, onde o mecanismo de fusão parcial in situ transforma uma rocha monofásica em bifásica, com porções metamórficas e porções ígneas. Em termos genéticos, são compostos por duas partes, o paleossoma representado por porção melanocrática que representa o protólito metamórfico que não passou por processo de fusão parcial ou foi pouco afetada por ele e o neossoma, que é a porção leucocrática neoformada da rocha, com características ígneas. O neossoma é dividido em leucossoma, porção mais clara rica em quartzo e feldspato, melanossoma, com minerais mais máficos e resistentes a fusão, como biotita e anfibólios e o mesossoma, uma mistura de porções leuco e melanossomáticas.
Figura 10 - Lajedo de metatexito (CM-138: 317239 mE/ 9516874 mN).
Fonte: Elaborada pelos autores.
São representados por metatexitos (até 35% de fusão parcial) e diatexitos (65-90% de fusão parcial). No caso dos metatexitos (Figura 4.11 A) são verificadas segregações de porções leucocráticas e melanocráticas sublinhando um bandamento metamórfico, por vezes em padrão anastomosado, de direção geral NW com mergulhos de alto ângulo. Os diatexitos (Figura 4.11 B) tem configuração semelhante à dos metatexitos, porém em virtude de representarem um maior percentual de fusão, suas
porções melanocráticas são restritas e suas texturas e estruturas metamórficas estão bastante obliteradas, se encontrando comumente mais leucocráticos e isotrópicos.
Figura 11 - A) Bandamento metamórfico sublinhado por segregação de porções leucocráticas e melanocráticas no metatexito (CM-28: 317503 mE/ 9516033 mN); B) Diatexito dominado por porções leucocráticas (CM-126: 316676 mE/ 9518722 mN).
Fonte: Elaborada pelos autores.
Ambos possuem mineralogia semelhante, entretanto os diatexitos são compostos por uma porcentagem maior de minerais félsicos, pois apresentam mais leucossoma. Assim, esses migmatitos são constituídos por plagioclásio, k- feldspato, quartzo e biotita, podendo os feldspatos estarem caulinizados.
O leucossoma apresenta coloração branca a branca acinzentada, com granulação fanerítica inequigranular, variando de média a grossa, podendo atingir proporções pegmatíticas. São compostos essencialmente por plagioclásio, quartzo e k-feldspato, este último pode ocorrer subordinadamente. Os cristais são em geral subedrais. Assim, esse leucossoma varia de composição albítica-granítica a granodiorítica. Ainda, franjas biotíticas são características bordejando esses leucossomas.
O mesossoma, de cor cinza, é composto por plagioclásio, k-feldspato, quartzo e biotita, geralmente predominando a biotita. Tem granulação fina a média e exibe textura granolepdoblástca equigranular.
O melanossoma é constituído essencialmente por biotita de granulação fina a média e exibe textura lepidoblástica, característica em tipos litológicos
metamórficos dominados por minerais micáceos. Normalmente, se desenvolve em franjas bordejando as porções leucossomáticas.
As estruturas mais comuns identificadas nos migmatitos da área são dobrada, flebítica, lit par lit (estromática) e schlieren, as quais podem ser verificadas na figura 4.12.
Figura 12 - A) Estrutura dobrada (CM-138: 317239 mE/ 9516874 mN); B) Estrutura flebítica (CM-30: 316608 mE/ 9516197 mN); C) Estrutura lit par lit (estromática) (CM-28: 317503 mE/ 9516033 mN); D) Estrutura schlieren (CM-82: 318317 mE/ 9513902 mN).
Fonte: Elaborada pelos autores