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Em termos de características ou da natureza das inovações tecnológicas e administrativas, Schmidt e Rammer ([s.d.]) apontam semelhanças e diferenças. Como semelhanças: o risco de imitação das inovações tecnológicas e mercadológicas, devendo ser protegidas por patentes e marcas, e a capacidade de ambas propiciarem vantagem competitiva promovendo lucros extras em curto prazo, seja mudando “a curva de demanda dos produtos (aumento da qualidade, oferta de novos produtos ou abertura de novos mercados) ou a curva de custo (redução dos custos unitários de produção, compras, distribuição ou transação)”. As duas diferenças apontadas apresentam relativa desvantagem para as inovações tecnológicas, em termos de risco e incerteza sobre os resultados, que restringem financiamentos e seguros, além de necessitarem de maior montante de investimentos, normalmente fixos e de retorno em longo prazo (imobilizado, intangíveis, P&D).

A PINTEC revelou preocupação com a proteção das inovações pelas indústrias brasileiras que utilizam: marcas (24,3%), patentes (9,1%), segredo industrial (8,7%), tempo de liderança sobre os competidores (2,1%), complexidade no desenho (1,6%) (IBGE/PINTEC, 2010). Damanpour, Walker e Avellaneda (2009) ressaltaram que relações entre os tipos de inovação têm sido afirmadas na literatura: para Fritsch e Meschede (2001) e Kotabe e Murray (1990) estão tão interligados que a melhoria contínua de uma leva à outra, e Rosenberg (1982) afirmou que “em geral os tipos de inovação são interdependentes e podem ser vistos como conjuntos conexos, onde a introdução de um tipo poderia aumentar o valor de outro tipo”.

O reexame da classificação das inovações de produto e de processo de Gopalakrishnan, Bierly e Kessler (1999) pode auxiliar no entendimento das relações entre inovações tecnológicas e administrativas. O fato de inovações de produto serem relativamente mais sistêmicas que as de processo, aliado ao entendimento de Chesbrough e Teece (1996) de que inovações autônomas independem da adoção de outras inovações e inovações sistêmicas consistem nas implantadas apenas em conjunto com inovações complementares, sugere que cada tipo de inovação técnica se relacionará de forma diferente com inovações administrativas, que devem influenciar ou serem influenciadas mais por inovações de produtos/serviços que por inovações de processos tecnológicos.

Schmidt e Rammer ([s.d]) investigaram as atividades e relações entre inovações tecnológicas e administrativas em survey de corte transversal das empresas da Alemanha. Encontraram relações entre inovações tecnológicas e não tecnológicas nos níveis de setor e da organização. Apontaram a prevalência de inovações não tecnológicas em relação às tecnológicas, sendo as organizacionais mais introduzidas que as de produto, de processo e mercadológicas, nesta ordem. Cerca de um terço adotaram somente inovações não tecnológicas e cerca de um quinto apenas tecnológicas. A maioria das indústrias alemãs (58%) inovam em ambas. Os autores concluíram que as tecnológicas são indutoras das inovações organizacionais, e que inovações de produto e de processo são ligadas a inovações organizacionais e mercadológicas. Sugeriram que o impacto da inovação não tecnológica na tecnológica, a coexistência dos sentidos e a intensidade das ligações sejam pesquisadas, além de seu impacto no desempenho organizacional.

Os resultados de Schmidt e Rammer ([s.d]) corroboram que diferentes inovações tecnológicas se relacionam de forma distinta com as inovações administrativas, comprovando empiricamente que as inovações tecnológicas influenciam as administrativas, especialmente as organizacionais, que se relacionam predominantemente às de processo, aprofundando o entendimento destas relações ao desdobrar também as inovações administrativas.

No Brasil, a PINTEC revelou que no período de 2006 a 2008, das indústrias brasileiras, 38,1% foram inovadoras, predominando a inovação em produto e processo (16,8%), seguida da inovação apenas em processo (15,3%), e da apenas em produto (6%). Apenas 4,1% dos produtos inovadores (22,9%), foram novos ou significativamente melhorados para o mercado nacional e apenas 2,3% dos processos inovadores (32,1%) foram novos para o setor no Brasil (IBGE/PINTEC, 2010).

Entre as indústrias brasileiras inovadoras em produto e processo neste período, 68,7% realizaram ao menos uma inovação organizacional e 59,3% alguma inovação de marketing. Entre as inovações organizacionais, 47,1% inovaram em técnicas de gestão, 45,2% em métodos de organização do trabalho, 29,1% em técnicas de gestão ambiental e 18,5% em relações com outras empresas ou instituições. Entre as inovações mercadológicas, 45,8% inovaram em estética, desenho ou outras mudanças e 35,7% em conceitos ou estratégias de

marketing. Em comparação às inovadoras, indústrias não inovadoras realizaram menos

inovações organizacionais e de marketing: 19% em conceitos e estratégias de marketing, 30,3% em estética, desenho ou outros, 23,5% em técnicas de gestão, 21,3% em métodos de organização do trabalho, 19,4% em técnicas de gestão ambiental, 10,4% nas relações com outros. Tais dados demonstram a influência positiva das inovações organizacionais e mercadológicas nas inovações de produto e de processo nas indústrias de transformação nacionais (IBGE/PINTEC, 2010).

As indústrias brasileiras inovam mais em inovações administrativas que técnicas, adotando mais inovações organizacionais que as demais, assim como as empresas alemãs, na seguinte ordem decrescente: mercadológicas, em processo e em produto.

Apesar de a PINTEC ter avançado ao distinguir quatro tipos de inovações organizacionais e dois tipos de mercadológicas, que podem ser considerados dois conjuntos de práticas organizacionais, apenas comparou os efeitos da adoção destas inovações administrativas em relação às inovações tecnológicas entre empresas inovadoras e não inovadoras, sem qualquer menção aos seus efeitos individualizados no desempenho destas organizações. Demonstrou haver relações entre inovações tecnológicas e administrativas em ambos os sentidos.

A utilização de diferentes tipos de inovação nas pesquisas se justifica por possuírem características, determinantes e efeitos diferentes: “A necessidade de identificar diferentes tipos de inovação em pesquisa deve ser auto evidente, uma vez que cada tipo de inovação provavelmente exija diferentes recursos e competências essenciais para ter qualquer efeito” (DARROCH; McNAUGHTON, 2002, p. 213). Apresentadas as características, os próximos itens tratam dos determinantes e dos efeitos da inovação, incluindo a questão da mediação da inovação e do desempenho organizacional.