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a) A Entrada do PROINFO

De acordo com Projeto de Adesão do Estado do Amapá (SEED/UNIFAP/1997) quando aderiu ao PROINFO em 1997, foram aprovados inicialmente os projetos de adesão de 64 escolas (estaduais e municipais), sendo as mesmas selecionadas para receberem um total de trezentos e trinta (330) computadores que seriam liberados em três (03) etapas: 25%, 35% e 40%, respectivamente. Até dezembro de 2005, chegaram às escolas 242 computadores,

totalizando 73,33% da meta inicial, atendendo a trinta e oito (38) escolas, sendo vinte e uma (21), na capital e 17 no interior.

Esse quantitativo de computadores 05 (cinco por escola) para atender um quantitativo de 1.200 de alunos matriculados por escola não foi suficiente para prover as escolas de equipamentos necessários, para o bom desenvolvimento de projetos que pudessem criar impactos na qualidade do ensino. Entretanto, foi um processo inicial que favoreceu pelo menos o conhecimento de novas estratégias de aprendizagem desenvolvidas, nas escolas, que aderiram ao programa, através de projetos de aprendizagem que mobilizavam os alunos para outros ambientes existentes na escola, tais como: TV Escola, Brinquedoteca, biblioteca entre outros. Diante disso, as dificuldades eram maiores quando as escolas não tinham outros ambientes, além da própria sala comum para atender o sistema de rodízio necessário para levar todos os alunos a terem acesso aos laboratórios de informáticas, pelo menos uma vez por mês.

A opção de distribuir cinco computadores por escola foi uma decisão da Comissão estadual instituída na época, para criar o projeto de adesão da Secretaria de Educação (SEED/UNIFAP/AP/1997). Essa comissão era constituída de dois professores do antigo CIED (no ano de 1997 ainda estava em atividade) uma técnica pedagógica da SEED/AP e uma técnica pedagógica da UNIFAP.

Baseado nessa proporção de computadores que entrariam no Estado, através do PROINFO/MEC que por sua vez baseou-se sua distribuição por meio dos relatórios de alunos matriculados do último censo escolar antes da implantação do PROINFO em 1997 o Estado do Amapá justificou, na época, que enviou os relatórios com erros de alunos matriculados, ocasionando uma deficiente entrada de mais computadores que poderiam suprir as reais necessidades das escolas do ensino fundamental e do ensino médio (que tinha, no período, cursos de formação de professores, o antigo magistério). Entretanto, infelizmente, o quadro não foi alterado e com isso o Estado não conseguiu captar mais equipamentos para as escolas faltantes.

Portanto, as estratégias de divisão foram baseadas pela comissão para distribuir a mais escolas possíveis, tanto da capital, quanto do interior do Estado, apenas cinco computadores por laboratórios de informática e implantando

juntamente com os equipamentos projetos que agregassem outros espaços em um sistema de rodízio, o qual todos os alunos pudessem ter uma chance de usufruir dessa tecnologia. Na mentalidade da comissão da época da entrada desses equipamentos, o importante era ter mais escolas com computadores, sem saber muito bem como fazer para atender o número levados de alunos por máquina.

Hoje podemos entender tais escolhas afinal o Estado não tinha um projeto sólido de adesão ao programa maior do MEC foram baseadas em apenas um documento, realizado por uma comissão que apenas validava a questão do recebimento tecnológico, uma vez que são recursos que um Estado carente não poderia abrir mão de recebê-los. Desse modo, sem avaliar com essa entrada seria feita de fato, essa responsabilidade recaiu sobre o recente criado NTE/AP e a equipe de multiplicadores, em substituição ao antigo CIED, criado no programa anterior ao PROINFO.

Em 1997, foi constituída a equipe multidisciplinar de 12 professores de diversas áreas do conhecimento, especialistas em informática, na educação, como professores-multiplicadores, nos Núcleos de Tecnologias Educacionais, para dar suportes pedagógicos, ao longo desse tempo aos professores e às escolas da rede pública de ensino, através do programa de Formação Continuada de modo a lhes formar e assessorar.

O NTE por sua vez desde 1998 vem capacitando professores para o uso da informática, na educação, habilitando professores nos cursos de formação continuada para atuarem como coordenadores de ambientes de aprendizagem13. Porém, a partir de 2002, atendendo às diretrizes do Programa Nacional de Informática na Educação, o programa estadual passou por ajustes na metodologia das capacitações de maneira a integrar as tecnologias e as mídias. Neste período (2002 – 2007), foram capacitados através dos programas estaduais de formação continuada 3.919 professores no uso das Tecnologias Educacionais.

O PROINFO/AP (1997) introduziu computadores em grande parte da rede pública de ensino tanto a estadual, quanto a municipal, dando suporte técnico e pedagógico para as escolas da zona urbana e rural, com recursos estaduais

13 É o título dado aos professores responsáveis pelo LIED, Telessala, Teleposto, Sala de Leitura,

destinados à manutenção dos programas. Nessa perspectiva de suporte técnico e pedagógico, no Estado do Amapá, existem apenas dois NTEs: o primeiro é o Núcleo de Tecnologia Educacional Marco Zero de responsabilidade estadual e é que atende todas as escolas adesas estaduais e municipais do Estado; enquanto o segundo é o Núcleo de tecnologia Equinócio, pertencente ao município de Santana e que ficou sob sua responsabilidade apenas as escolas municipais daquele município. Hoje, porém esse NTE encontra-se desativado e em seu lugar existe a Casa Brasil14 que atende outro programa federal criado atualmente pelo governo federal. Recentemente, a Secretária Municipal de Educação de Macapá em parceira com a SEED/AP instituiu o NTE municipal que vem atuando ao lado do NTE estadual, no atendimento das escolas.

Abaixo a tabela 03 demonstra os quantitativos de professores formados pelo NTE/AP no período de 9 anos de capacitações, para professores da rede pública de ensino do Estado.

Tabela 3

Professores participantes da formação continuada no uso das tecnologias educacionais pelo NTE marco zero

Anos 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 Professores

Capacitados

1.119 304 323 590 1.480 1.870 876 1.897 1.200*

Fonte. Gerência de Tecnologia NTE Marco Zero. *Dados não conclusivos pela gerência geral do NTE/AP, os cursos de formação ainda estão sendo executados.

14 É um telecentro criado com unidades funcionando em áreas de baixo índice de desenvolvimento

humano, o projeto Casa Brasil leva às comunidades computadores e conectividade, e privilegia, sobretudo, ações em tecnologias livres aliadas à cultura, à arte, ao entretenimento, à articulação comunitária e à participação popular.

O NTE/AP apesar de grandes problemas na sua estrutura de atendimento por não ter professores multiplicadores suficientes, para atender de uma forma diferenciada o grande volume de novos programas, que estão sendo colocados à disposição das escolas públicas, é, responsável por suas implantações. Dessa maneira, quando foi criado o NTE/AP o objetivo era apenas cuidar da formação, assessoramentos e manutenção do PROINFO, nas escolas de sua competência. Entretanto, com o passar dos anos foram sendo agregados outros programas também federais como TV Escola para atendimento do NTE/AP e com a resolução da Secretaria a Distância do MEC em promover a unificação de vários programas em um só através do Programa Proinfo Integrado. Portanto, o núcleo precisou se estruturar novamente, para atender um volume maior de escolas e de professores.

O MEC (2007d) possibilitou o aumento de número de multiplicadores com cursos de especialização em Tecnologias na Educação. Com isso o NTE/AP ganhou mais multiplicadores somando um número de vinte e dois (22) para atender um universo de cento e vinte e cinco escolas (125) do Estado, em uma variação de metodologia que agora passa a contar com a ajuda da plataforma e-Proinfo, que possibilitou cursos online a distância na formação continuada dos professores.

Na próxima seção, será abordado como essa nova dinâmica afeta a estrutura do NTE/AP e o atendimento às escolas com a entrada no Proinfo Integrado no Amapá.

b) Proinfo Integrado

Com a criação do programa Proinfo Integrado, que foi consolidado em Lei nº 11.273, de 06 de fevereiro de 2006, e implementado em regime de parceiras entre União, os Estados, Distrito Federal e os Municípios foi possível tratar de um conjunto de ações abrangentes, com um orçamento de cerca de um bilhão de reais em quatro anos (2006-2010). Até o primeiro semestre de 2009, cerca de 750 milhões de reais já foram investidos e o restante consta no planejamento orçamentário de 2010. Dessa maneira, o programa tem como objetivo promover o uso pedagógico das

tecnologias de informação e comunicação, nas redes públicas de educação básica, atuando em três vertentes: a) implantação de ambientes tecnológicos equipados com computadores e recursos digitais nas escolas públicas de educação básica; b) capacitação dos professores, gestores e outros agentes educacionais para a utilização pedagógica das tecnologias nas escolas e inclusão digital; c) oferta de conteúdos educacionais multimídias e digitais, soluções e sistemas de informação disponibilizados pela SEED/MEC (2007a).

O Estado do Amapá vai contemplar 125 escolas com equipamentos e banda larga até o período de 2010. Essas distribuições, no estado, obedecem a critérios de boa infraestrutura das escolas e locais em que seja viável a instalação de banda larga. As escolas da zona rural do Estado estão na dependência de receber equipamentos por falta de estrutura tecnológica para estabelecer uma conexão. O Estado nesse ponto sofre ainda com a falta de tecnológica que possibilita acesso para os outros municípios mais distantes da capital. Assim, não temos ainda, no decorrer dessa pesquisa, indícios se vão resolver o problema em breve. As escolas que possuem conexão de internet são via o satélite do programa GESAC, que propiciou a conexão de lugares mais distantes com a região fronteiriça do Amapá com a Guiana Francesa e algumas escolas indígenas. As poucas escolas da zona rural que têm acesso, hoje, são por conta dessas antenas.

O Proinfo Integrado com sua estrutura de banda larga para escola não tem como atender essa demanda no presente momento. A empresa OI que é a responsável por promover conexão nas escolas da capital do Estado não habilitou tecnologia e recursos para efetivar banda larga para o restante dos municípios do Estado informações retiradas do informativo sobre o Programa Banda Larga na Escola/ MEC / SEED (2009).

Na tabela 04 abaixo estão os quantitativos de equipamentos que foram distribuídos nas escolas no período de doze anos de atuação do Núcleo de Tecnologia Educacional do Amapá (NTE).

Tabela 4

Os programas distribuídos nas escolas da rede pública da Rede Estadual no período de 1998 a 2009

Municípios N° escolas

Zonas Programas ou origem

15 125 U / R P R O INF O G E S A C P R O M E D E S T A D U A L P R O INE S P D O A Ç Ã O P R O INF O INT E G R A D O T o ta l d e co m p u ta d o re s C O N E X Â O Amapá 02 R 30 01 05 - - - - 36 GESAC Calçoene 04 R 30 05 03 - 06 - - 44 GESAC Cutias 02 R/U 15 01 - - - 16 GESAC F. Gomes 01 U 15 01 - - - 16 GESAC Itaubal 02 R/U 15 01 06 22 GESAC Laranjal do Jari 04 R/Z 65 02 06 35 108 GESAC Macapá 62 R/Z 720 07 59 114 60 82 192 1.234 Oi/GESAC Mazagão 06 R/Z 30 02 04 - 06 18 - 66 GESAC Oiapoque 05 R/Z 30 03 03 03 12 31 90 GESAC Pedra Branca 02 R/Z 15 02 04 - - 10 33 GESAC Porto Grande 04 R/U 15 02 14 02 12 - - 49 GESAC Pracuúba 01 Z 10 - 11 - Santana 14 Z/R 155 02 18 40 24 251 GESAC Serra do Navio 04 Z/R 15 01 10 06 36 GESAC Tartarugal 03 Z/R 25 01 10 10 48 GESAC Vitória do Jarí 03 Z/R 30 02 01 06 42 GESAC Total 119 Z/R 2.700 51 236 180 1.342 110 258 2.085 7.081

Na tabela demonstrativa do Estado quanto à distribuição de computadores e conexão em que as escolas públicas estão sendo abastecidas pelo programas federias há uma pequena porcentagem de recursos estaduais, pois no restante, temos algumas doações de entidades que ajudam com equipamentos em escolas mais carentes das comunidades.

Quanto à distribuição de DVD para a escola, somam praticamente todas as escolas de ensino fundamental e médio, que estejam com o número de no mínimo de 300 alunos matriculados no período, independente se tem TV Escola ou Computadores nas escolas, facilitando assim a entrada de mais equipamentos para a efetivação de projetos, nas escolas envolvidas.

Com a entrada do Proinfo Integrado, que traz além de mais equipamentos para as escolas e acesso à internet, a questão pedagógica vai alicerçar novas dinâmicas nas escolas com formação continuada de professores em Ambientes TIC, que estejam interessados em fazer cursos de formação online, independente de trabalharem diretamente em algum programa específico, como era antes.

No entanto, de acordo com o projeto de Plano de Capacitação para os Professores do Amapá (2008), a escola vai precisa rever seu projeto político pedagógico para contemplar as novas necessidades da integração dos programas e seus ambientes que antes eram separados, assim como rever a questão da adoção de projetos de aprendizagem para articular alguns dos objetivos prioritários que é integrar mídias e programas nos mesmos ambientes. Dessa maneira, cria-se assim uma mudança para promover a integração das tecnologias ao currículo, às atividades e às práticas dos professores, favorecendo mudanças na adoção das novas tecnologias para educação.

No Amapá, o Proinfo Integrado ainda se encontra na primeira fase de implantação com recebimento de equipamentos nas escolas com acesso à internet através da Banda Larga e com a formação de professores para o uso pedagógico dos ambientes TIC.

O NTE/AP até o primeiro semestre de 2010 já alcançou um efetivo de mil e duzentos (1.200) professores em suas formações através da plataforma e-Proinfo com os cursos de Introdução a Educação Digital de 40horas e depois com o curso de Tecnologias na Educação de 100horas, formando turmas com uma média de 20

a 25 cursistas por módulo. A plataforma virtual e-Proinfo facilitou o acesso dos professores, gestores para formação continuada em TIC, no decorrer dos últimos anos, incrementado uma nova proposta para cursos, assessoramentos e visitas técnicas para dar conta de atender as novas demandas das escolas e dos programas que vêm gradualmente introduzindo nas escolas outras maneiras de trabalhar com as TICs - informações retiradas dos relatórios de capacitação do NTE/AP de 2009.

A estrutura para atender essa nova realidade mudou a forma como o NTE/AP trabalhava. Na atualidade, além de contar com 22 multiplicadores, há também mais 12 professores formadores, bolsistas do Proinfo Integrado, que são responsáveis por formar professores, nos cursos; uma gerência técnica e pedagógica de 5 professores responsáveis pelo planejamento e execução das ações do programa; e ainda tem mais seis técnicos responsáveis pelo suporte nas escolas. Com relação aos recursos financeiros, conta a cada semestre com um valor igual ao de uma escola estadual, para a manutenção do prédio e dos cursos realizados, em sua sede, do mesmo modo que também disponibiliza para os multiplicadores uma ajuda de custo para as viagens fora da capital, no assessoramento das escolas de outros municípios.

A infraestrutura do NTE/AP, no presente momento, garante a sua equipe um trabalho junto às escolas com grandes possibilidades. A questão que se apresenta neste trabalho não é meramente estrutural, mas sim entender como temos um grau de organização de recursos financeiros e humano e o NTE/AP em conjunto com SEED/AP razoáveis, se o Estado ainda não instituiu de forma oficial uma política de inserção de tecnologias, na educação, para a rede pública de ensino, ficando a ele apenas canalizar as orientações do MEC, para execução a nível local - informações retiradas dos relatórios de atividades do (NTE/AP/2009).

Neste trabalho vamos focar, na questão da formação de professores para o uso das TIC nas escolas e se toda essa estrutura estadual juntamente com NTE consegue alcançar as necessidades das comunidades escolares e promover com eficácia uma renovação curricular, criando assim a tão desejada cultura digital no âmbito escolar para a nova geração.

CAPÍTULO III

ANÁLISE DOS DADOS DA PESQUISA

3 DETALHAMENTO DA PESQUISA

Neste capitulo, o objetivo é expor os processos de análise da pesquisa realizada, apresentando os documentos e instrumentos utilizados. Essa análise leva em conta os conceitos e as reflexões propiciadas no decorrer do desenvolvimento do Capítulo I que norteiam toda a pesquisa e suas teorias.

No capítulo anterior, que tratou da pesquisa e sua metodologia, norteamos toda a análise que foi realizada com base nos documentos abaixo descritos, cujos conteúdos selecionados posteriormente, foram separados de acordo com suas categorias.

1. Entrevistas e depoimentos dos professores responsáveis pelos ambientes TIC das escolas;

2. Questionários distribuídos para os professores que estavam fazendo os cursos de formação para Ambientes TIC;

3. Produção escrita dos professores nos fóruns do curso Tecnologias na Educação na plataforma online do e-Proinfo;

4. Depoimentos dos professores formadores dos cursos do NTE/AP; 5. Documentos sobre a implantação do Programa Proinfo Integrado; 6. Relatórios pedagógicos do NTE produzido nas reuniões de

3.1 ESTRATÉGIAS E ANÁLISE DOS DADOS COLETADOS