4 Et trendbasert scenario 2007-2030
4.3 Hvor stor blir omsorgsutfordringen?
Com o propósito de avaliar as preferências de modelos/entidades qualificadoras, e de acordo com a questão nº 3 do questionário (Q3), os inquiridos que responderam afirmativamente à
questão nº 2 (Q2), foram questionados em relação ao referencial normativo e entidade
qualificadora. A respetiva análise de conteúdo evidenciou que 75 % dos respondentes preferem a qualificação dos sistemas de gestão da qualidade por entidades Nacionais (reconhecidas no âmbito do SPQ), e de acordo com o referencial normativo NP EN ISO 9001:2008.
Verificou-se também que 6,8 % dos respondentes optaram pelas metodologias da JCI e da CKHS, enquanto que 11,4 % optaram por outras abordagens de qualificação baseadas noutros referenciais normativos (ISO 13485, ISO 15189 e ISO 17025).
A data de qualificação dos estabelecimentos de saúde em estudo, bem como as respetivas renovações, constituem indicadores de monitorização das políticas da qualidade. Assim, a análise da questão 3.3 do questionário permitiu avaliar essa apetência (Tabela H9), verificando- se a existência de alguns hospitais qualificados nos finais da década de 90, sendo em 2010 o período em que, de acordo com as respostas, os hospitais apresentaram maior número de qualificações, correspondendo a 19 % de qualificações hospitalares (Figura 4. 4).
Figura 4. 4: Número de hospitais qualificados (1998-2011).
A adoção de políticas de gestão da qualidade, por parte dos gestores hospitalares, pode apresentar um enquadramento exógeno cuja influência pode induzir a políticas diferenciadas. Nesse contexto, a renovação das qualificações é um indicador das políticas de qualidade das organizações. A análise desse parâmetro, através da questão nº 3.4 permitiu quantificar em 2010 dezanove renovações dos sistemas de gestão da qualidade e em 2011 cinco renovações.
• Relação da tipologia dos hospitais com os sistemas de qualificações
Sendo a tipologia dos hospitais um fator diferenciador na adoção e implementação de sistemas de gestão da qualidade, considerou-se oportuno avaliar essa relação.
Assim, tendo em consideração a caracterização da tipologia do hospital (questão nº1), importa também avaliar a relação entre essas duas variáveis: tipologia de hospital e sistema de gestão da qualidade.
Face à aplicabilidade do teste do Qui-Quadrado como medida de associação na análise da relação de independência entre variáveis qualitativas, o mesmo foi utilizado para verificar se a
tipologia dos hospitais influenciava a decisão de qualificação, ou seja, importava avaliar se o referencial de qualificação estava relacionado com o facto de o hospital ser oficial ou privado. Para o efeito, através de uma tabela de contingência avaliou-se a frequência com que os elementos da amostra se distribuíam pelas duas variáveis (tipologia de hospitais/sistemas da qualidade). Esta avaliação foi conduzida de acordo com: a) facto de o hospital ser oficial ou privado; b) implementação de certificação e/ou acreditação da instituição; c) adoção de sistemas de qualificação por serviços.
Assim, foi considerada a seguinte hipótese: A tipologia dos hospitais e a implementação de sistemas de gestão da qualidade são independentes.
Foram estabelecidas as seguintes hipóteses nula e alternativa: a)
H0: A certificação do hospital é independente da sua tipologia H1: A certificação do hospital não é independente da sua tipologia
b)
H0: A acreditação do hospital é independente da sua tipologia H1: A acreditação do hospital não é independente da sua tipologia
c)
H0: A qualificação setorial é independente da sua tipologia
H1: A qualificação setorial do hospital não é independente da sua tipologia
O nível de significância foi fixado em 5%, que representa o erro do tipo I. Assim, se o valor calculado para a estatística do teste pertencer à região de rejeição, a hipótese nula será rejeitada, isto é, H0 é rejeitada se p-value ≤ α. Se tal não acontecer é porque as variáveis são
independentes, ou seja, a diferença entre os valores esperados e os obtidos não é significativa. O teste χ2 pressupõe que nenhuma célula tenha frequência esperada inferior a 5. Tendo-se verificado que algumas células não cumpriam com esse requisito (Tabelas H10, H11 e H12), houve necessidade de considerar-se o teste de Fisher, em substituição do teste χ2. Todos os pressupostos referidos anteriormente foram mantidos.
Os resultados obtidos encontram-se na Tabela 4. 10, verificando-se uma relação de independência na situação de acreditação hospitalar, isto é, a tipologia do hospital não interfere na opção de acreditação.
Tabela 4. 10: relação sobre a independência das variáveis Hospital certificado
%
Hospital acreditado %
Alguns serviços qualificados % Oficial Fo 9,1 25,0 52,3 Fe 8,0 8,8 18,3 Rs ± 3,5 ± 1,9 ± 3,5 Privado Fo 13,6 0,0 0,0 Fe 2,0a 2,3a 4,7 a Rs ± 3,5 ± 1,9 ± 3,5 χ2 (bilateral) 12,438 3,771 12,392 Teste de Fischer 0,002 0,085 0,000 p-value ≤ 0,05 → rejeição de H0 0,002 ˂ 0,05 Rejeição H0 0,085 ˃ 0,05 Não Rejeição H0 0,000 ˂ 0,05 Rejeição H0
Legenda: Fo: Frequência obtida; Fe: Frequência esperada; Rs: resíduos estandardizados ajustados; a
Fe ˂ 5 (ver outup no Anexo H, Tabelas H6,H7 e H8)
No que concerne à certificação e à qualificação sectorial, a estatística do teste de Fischer permite concluir que a qualificação depende da tipologia dos hospitais, contudo, o grau de associação não é conhecido por este meio. A análise dos resíduos ajustados estandardizados também permite identificar uma relação entre essas variáveis, designadamente a opção, da parte dos hospitais privados, pela certificação e pela adoção da qualificação sectorial de alguns serviços.
Os dados adquiridos permitem também referir que, os hospitais privados (apesar do reduzido nº de respondentes) enveredaram pela certificação global da organização, através da aplicação da norma NP EN ISO 9001 ao seu sistema de gestão da qualidade. Contudo, em vários hospitais, o referencial dessa qualificação é baseado em suportes documentais, internacionalmente aceites como referências para o domínio da saúde, mas que não são normas no verdadeiro sentido da palavra (item 2.3.3, capítulo 2). Exemplo desse tipo de abordagem são as qualificações atribuídas pela Joint Comission e pela Kings Found, metodologias internacionalmente aceites para o domínio da qualidade em saúde.
Relativamente aos hospitais oficiais, verificou-se que esta tipologia de organizações de saúde optou maioritariamente pela certificação setorial, sendo essa tipologia de hospital aquela que apresenta também algumas unidades acreditadas (10 respondentes), ou seja, alguns serviços são simultaneamente acreditados e certificados (Figura 4. 5).
Figura 4. 5: Tipologia de hospitais vs sistemas de qualificação.
Considera-se que uma justificação possível para esta dupla qualificação assenta na necessidade de dar cumprimento a requisitos internacionais que passam pela evidência da qualificação da competência de certas unidades clínicas como é o exemplo dos serviços de Imunohemoterapia. Contudo, sendo a qualificação um ato voluntário (apesar de recomendado pelas entidades competentes), os estabelecimentos de saúde têm autonomia para decidirem o que consideram mais vantajoso, em conformidade com os protocolos existentes para o setor.
Ainda no contexto da tipologia dos estabelecimentos de saúde, avaliou-se a questão aberta nº 3.4, verificando-se a evolução das renovações das qualificações de acordo com a tipologia dos hospitais. A Figura 4. 6 mostra essa evolução, verificando-se que os hospitais privados foram os que mais investiram na renovação dos processos de qualificação em gestão da qualidade.
Figura 4. 6: Tipologia de hospitais vs renovações
40% 20% 40% 21% 26% 16% 37%
Centra l Distrital Especia lidade Priva do
Renovações de Qualificações
2011 (n=5) 2010 (n=19)