No Brasil, seguido de tendências mundiais, o capitalismo apresenta à população desfavorecida economicamente e exposta às vulnerabilidades sociais e culturais com soluções imediatas, especialmente no que tange às Políticas Sociais.
Quase que cotidianamente se encontra assistentes sociais perplexos e confusos com as deliberações de conselhos e órgão das instâncias federal, estadual e municipal, diante das concessões de benefícios, da aplicabilidade e demandas apresentadas pelos usuários, assim como da organização antidemocrática da assistência.
O profissional de Serviço Social enfrenta ainda a ação reguladora das instituições no âmbito público ou privado. Nessa ótica, a realidade institucional e a prática do assistente social, principia uma reflexão contributiva ao desvelamento das questões relativas à realidade institucional e prática profissional.
No sentido de organizar a prática do assistente social, desvinculando-a da institucionalizada, o Serviço Social, no uso dos seus instrumentos teórico-metodológico
da prática, apreende, interpreta e intervém com e nas imbricações que permeiam a rede institucional, no que se refere à sobrevivência dos usuários de serviços na garantia dos direitos a eles determinados.
No entanto, pretende-se delimitar o questionamento da intervenção do assistente social incorporada ao projeto pedagógico do Serviço Social nas instituições de Ensino Superior especificamente pelo viés da educação gerontológica. A decodificação e a apreensão da ideologia para a educação para velhos nas IES potencializa a ideia central desta reflexão.
A Universidade, além de ser uma organização complexa, se constitui como espaço de construção social onde as mediações encontram ambiente para as interações entre profissional e acadêmico. Por meio daquelas, as relações, objetivos e projetos pessoais adquirem uma função que diminui o peso dos fatores institucionais e sociais, proporcionando novas significações sociais sob o mote da superação e/ou variação da realidade vivida pelos acadêmicos.
O estudo da categoria mediação nos remete a possibilidade de romper com a ideologia institucional de organicismo e mecanicismo, na qual a instituição funciona segundo um modelo de reprodução com cunho organizacional capitalista, repassador de encaminhamentos e de intervenção mecânica por meio de políticas sociais “concedidas”.
O Serviço Social pode atuar na complexidade do processo de envelhecimento, junto à comunicação, informação e estabelecimento de relações sociais, no qual os participantes da UMA possam desvelar identidade e expressar atitudes. Com e por meio da intervenção social a universidade se identifica como um espaço de convergência de sujeitos históricos, nos aspectos, social, político e cultural, tornando-os partícipes e construtores da sua própria história, capazes de reivindicar seus direitos de cidadãos, além de adquirir conhecimento a respeito do processo de envelhecimento e do envelhecer.
Assim, o serviço social, pode adentrar nas realidades concretas dos envolvidos na ação, promovendo superação e/ou mudanças de comportamento num processo interativo, no qual, ambos se reconhecem como atores responsáveis pelo enfrentamento de ações institucionais e das políticas sociais repassadas aos velhos como concessões e não como direitos.
O processo de envelhecimento no Brasil tem crescimento acelerado acrescentando demandas na área da saúde, educação, lazer, acessibilidade, previdência e assistência social e outras necessidades sociais afetivas, psicológicas e congêneres. Traduzidas no
desenvolvimento de respostas por meio de ações via políticas sociais, o que ocasionou uma ampliação da esfera de direitos dos velhos.
Contudo, essa garantia no plano formal nem sempre tem se efetivado, tendo em vista que o Estado neoliberal minimiza-se e desresponsabiliza-se quanto à sua intervenção no campo social junto à sociedade.
Imbuído na busca pela ampliação dos espaços de participação dos velhos, no sentido de também promover a integração efetiva, a preservação da autonomia e o envelhecimento ativo e saudável, conforme diretrizes da Política Nacional do Idoso expõe-se a contribuição do Programa de grande relevância social, a Universidade da Maturidade - UMA, da Universidade Federal do Tocantins como um espaço de mediação e efetivação da política de atenção à velhice.
A integração do velho – que é uma das diretrizes da PNI (BRASIL, 1994) constitui- se num fator potencializador da manutenção da autonomia e consequentemente contribui para o exercício da participação.
Quanto aos aspectos sociais do “ser velhos”, todos os seres vivos estão condicionados ao fator biológico e consequentemente, envelhecer envolve processos que levam à restrição do potencial físico do indivíduo associado às transformações na aparência, no comportamento, nas experiências e na função social. Com isso, o envelhecimento é concebido como parte integrante e fundamental da trajetória de vida de cada pessoa.
O papel social exercido pelo velho é relevante na determinação do envelhecimento, por este estar sujeito ao modo de vida que as pessoas tenham levado como também as condições atuais em que se encontram,
Diante desta realidade e partindo da lógica proposta por Meireles (1989) e como instrumento de ação, uma das atribuições do Serviço Social é garantir os direitos, além de desencadear um processo de promoção, capacitação e valorização do “ser”, no intuito de desenvolver sua integração e participação plena na sociedade, com ênfase no seu exercício profissional na devolução da dignidade perdida pelo velho.
Art. 1º. É instituído o Estatuto do Idoso, destinado a regular os direitos assegurados às pessoas com idade igual ou superior a 60 (sessenta) anos. Art. 3º. É obrigação da família, da comunidade, da sociedade e do Poder Público assegurar ao idoso, com absoluta prioridade, a efetivação do direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, à cultura, ao esporte, ao lazer, ao trabalho, à cidadania, à liberdade, à dignidade, ao respeito e à convivência familiar e comunitária. (ESTATUTO DO IDOSO, 2003).
Os desafios provenientes da evolução da longevidade no Brasil tem seu âmbito marcado pela complexidade do papel social do velho, apontando um processo de exclusão por parte de uma sociedade que cada vez mais privilegia o novo, gerando assim, dificuldades no enfrentamento e intermediação nas relações sociais.
Nesse sentido, o Serviço Social, mostrou-se no panorama da atenção ao velho como uma ferramenta essencial das condições de cidadania desta parcela populacional, cujo crescimento se procede de modo cada vez mais célere, configurando-se como aspecto refletido pela melhoria das condições de vida da população em geral.
Ao longo do desenvolvimento na sociedade, o Serviço Social esteve vinculado ao atendimento do velho, por meio de suas vertentes filantrópicas e assistencialistas de atenção aos estratos fragilizados tanto pelas desigualdades socioeconômicas, quanto pela problemática de sua inclusão, seguida pelo estigma da velhice.
Não obstante, por tratar-se de uma profissão que lida diretamente com a intermediação entre as políticas públicas e garantia de direitos dos indivíduos, é notório que o Serviço Social tem como empenho intervir nas situações sociais de conflito relacionadas ou advindas do envelhecimento, atendendo em suas demandas.
Destarte, compondo todo um senso critico a cerca de suas implicações para o círculo social, visto que o envelhecimento populacional é um fenômeno mundial que se compõe de modo a refletir nas relações entre os indivíduos, nas políticas propostas pelo Estado, nas relações de trabalho e na própria percepção do velho frente essa realidade de vida, imposta progressivamente pelo tempo.
O velho busca geralmente da garantia dos direitos, a satisfação de suas necessidades mais essenciais, principalmente no que refere aos estigmas da exclusão cristalizados socialmente.
Dessa forma, a assistência social envolve o engajamento destes indivíduos na organização e intervenção nos conflitos, mas deve primar também pela perpetuação da participação nas decisões políticas oriundas de projetos e programas direcionados aos velhos.
Estas ações podem ser relevantes porque contribui com a ampliação do universo cultural além de oportunizar o intercâmbio entre os outros grupos etários, bem como reafirmar o comprometimento com a garantia de acesso aos direitos sociais, a partir do reconhecimento das esferas que se constituem pela exclusão.
O Serviço Social busca marcar sua presença junto a estes temas não só na construção de novas formas de percebê-los, mas também propondo novas abordagens, considerando as exigências da atualidade.
De acordo com Debert (1999), a gestão do envelhecimento foi historicamente atribuída à esfera familiar e privada, pela previdência individual ou assumida pelas instituições caritativas representadas majoritariamente por associações religiosas.
Ultimamente, seguido de um novo caráter, o da questão social e, mais ainda, o da questão pública, pelo fato de expressar e influenciar o ordenamento legislativo constituído para este grupo etário, sob o modo de encarar o velho socialmente, por meio da sua percepção enquanto sujeito autônomo.
Diante do contexto da mediação do Serviço Social, sob a perspectiva do projeto ético-político da profissão, percebeu-se o papel do assistente social como profissional dotado de competências para intervir no cotidiano dos usuários da assistência construindo com eles superações, historicidades, em busca da realidade concreta e as relações contraditórias dos seus cotidianos.