1.4 Lønnsomhetsutvikling i ulike sektorer og bransjer
1.4.2 Hvitfiskindustrien – fryserier og filetindustri
assistência social do estado do Paraná” (2008)
O estudo apresenta como foco conhecer as particularidades do trabalho do assistente social vinculado ao setor público estatal, operando a Política Pública de Assistência Social no Estado do Paraná a partir da organização do SUAS que atua nos CRAS, aproximando-se e conhecendo as respostas profissionais que vêm sendo dadas às demandas postas.
O Estado do Paraná cofinanciou 22 CRAS, em municípios que apresentavam maiores índices de vulnerabilidade social e alta concentração de pobreza e mais 59, em regiões onde as famílias apresentavam renda per capita de até ½ salário-mínimo. O Estado com 399 municípios – 18 regiões administrativas, em 2008, possuíam 199 CRAS, com 81 cofinanciados.
A pesquisa foi realizada através de 167 formulários distribuídos aos profissionais de Serviço Social, participantes de uma capacitação estadual em Curitiba em 2006. O retorno foi de 76 questionários. Foram realizadas também sete entrevistas com profissionais da área no Estado do Paraná.
Em relação às condições de trabalho nos CRAS, constatou-se:
- o Estado conta com 418 trabalhadores assistentes sociais, sendo 281 efetivos, demais contratados, terceirizados, comissionados e/ou cedidos;
- 78% possuem somente graduação;
- 46% estão formados entre um mês e cinco anos;
- 58% trabalham na esfera estatal de um mês a cinco anos;
- 62% são funcionários efetivos;
- 61% realizaram cursos de especialização, 53% realizaram cursos de qualificação técnica, 45% realizaram cursos de aperfeiçoamento;
- 77% afirmam que há incentivo pelo município à qualificação, 60% são liberados sem prejuízo de salário para realização de cursos, 21% recebem bolsas parciais e/ou totais como incentivo, 2% recebem auxílio para despesa com cursos;
- 90% trabalham 40 horas semanais, sendo que 72% permanecem as 40 horas nos CRAS, 25% trabalham divididos entre órgão gestor e CRAS;
- 48% recebem de quatro a seis salários-mínimos, 44% dos assistentes sociais recebem de um a três salários mínimos;
- 53% afirmam que em seu município não há Plano de Cargos e Salários, e 44% afirmam que existe;
- 78% estão parcialmente satisfeitos;
- em relação aos motivos que o levaram a trabalhar ou permanecer na esfera pública estatal, 59% alegam identidade com o trabalho desenvolvido, 50% colocam a possibilidade de um bom trabalho com população, 46% defendem a estabilidade profissional.
Sobre as condições técnicas para o desenvolvimento do trabalho:
- 80% é constituída por equipes fixas e 14% por equipes volantes;
- 66% estão atuando no CRAS há um ano, 25% até dois anos;
- 39% trabalham por programas, 32% por equipe;
- 40% realizam capacitações, 30% não realizam e 29% realizam eventualmente;
- 69% possuem zeladoria, 64% possuem funcionário administrativo, 36% motorista, 25% secretaria;
- 92% possuem sala de atendimento reservado, 73% possuem sala para trabalho em grupo, 63% acessibilidade, 60% carro a disposição, 57% computadores com internet;
- Quanto à autonomia e existência de espaço para criação de novas alternativas e propostas de trabalho, 78% afirmam que contam com essa possibilidade e 15% não vivenciam essa situação;
- no que diz respeito ao acato das decisões técnicas, 80% afirmam que ocorrem e 12% declaram que não;
- no cumprimento das determinações do órgão gestor, 80% concordam e 9% discordam com essa postura;
- se o trabalho é realizado em equipe e esta é integrada, 78% responderam que sim e 17% que não;
- se há interferência política nas decisões técnicas, 40% declaram positivamente e 49% defendem que não;
- das questões que mais interferem no trabalho profissional do CRAS, 48% dos profissionais citam os encaminhamentos feitos por políticos para inclusão em programas e benefícios, 47% relatam a falta de conhecimento da população da existência do CRAS, 43% apresentam o pouco conhecimento e valorização do trabalho do CRAS pelo gestor municipal, 27% apontam a gestão da primeira-dama.
Quanto às ações urgentes para implantação nos CRAS, os profissionais priorizaram: melhoria salarial, a separação do CRAS do órgão gestor, contratação de técnicos e profissionais de apoio, mais investimento em infraestrutura, aquisição de equipamentos de trabalho. As dificuldades que enfrentam para desenvolver as ações citadas foram:
- 61% indicam falta de sistema de monitoramento e avaliação;
- 59%, reduzido número de profissionais;
- 47%, inexistência ou insuficiência de recursos para demandas;
- 43%, ausência de veículo e recursos para realizar visitas e encaminhamentos;
- 36%, ausência de estrutura para trabalho técnico (instalações e equipamentos);
- 38%, grande demanda de atendimentos;
- 38%, ausência de metodologia sistematizada;
- 34%, falta de espaço adequado;
- 31%, ausência de articulação com rede;
- 31%, falta de entendimento do gestor sobre a PNAS;
- 22%, convivência diária com miséria e sofrimento;
- 70%, não possuem diagnóstico socioterritorial;
- 79%, não possuem, ou parcialmente, instrumentos para monitoramento do trabalho.
Abordando o significado do CRAS, os profissionais apontam:
- 81% como possibilidade de efetivação da PNAS;
- 75% a possibilidade de trabalhar com população local na perspectiva dos direitos e da autonomia;
- 60% um espaço privilegiado de atuação em equipe interdisciplinar;
- 59% como possibilidade de efetivação do projeto ético-político;
- 38% a ampliação do mercado profissional;
- 32% um novo espaço de trabalho;
- 27% como retomada do trabalho com comunidade;
- 6% mais um local de práticas assistencialistas.
Sobre a organização do Suas e a inserção dos profissionais de Serviço Social nos CRAS, há um debate significativo sobre as inquietações profissionais acerca do trabalho, por outro lado, houve significativo aumento da contratação de assistentes sociais para trabalho em CRAS. Os profissionais citam inúmeros problemas e dificuldades enfrentadas para efetivar suas propostas:
- falta de recursos financeiros e humanos,
- gestor não investe em novos projetos,
- pressões e cobrança para o cumprimento de metas, às vezes acompanhado de valorização do trabalho profissional e importância das atividades desenvolvidas,
- autonomia relativa do profissional na condução do trabalho,
- burocratização,
- ênfase na emergência,
- busca ativa pouco praticada,
- precariedade de recursos,
- quantidade versus qualidade da atenção.
Enquanto ações desenvolvidas nos CRAS, são apontadas: aproximação das associações de moradores e lideranças da comunidade, intersetorialidade com educação e saúde, porém a construção de redes e articulação das políticas é uma realidade difícil de ser efetivada, pois depende da gestão pública.
O CRAS, enquanto espaço de garantia de direitos, deveria prover e ofertar a garantia universal e indiscriminada de benefícios, inserção no mercado de trabalho, ações socioeducativas, acolhida, escuta, encaminhamento, inserção em programas, informações, orientações, desenvolvimento familiar. Porém, esse panorama é efetivado dependendo da atitude do profissional que atua no CRAS e de sua concepção de direito.
Os processos de descentralização e hierarquização por nível de complexidade, a nova organização dos serviços, programas, projetos e benefícios, as mudanças nos processos de trabalho, o desenvolvimento de novas competências e saberes, a busca de novos saberes e conhecimentos são itens revelados pelos profissionais em relação aos desafios cotidianos.
A caracterização dos usuários pelos profissionais é concebida da seguinte forma: população em risco social e econômico, vulnerabilidade social decorrente de pobreza, privação ou fragilização de vínculos afetivos. Principais demandas: cesta básica, vale- transporte e leite especial, PBF, problemas familiares, curso de capacitação. Principais dificuldades: desemprego, baixa escolarização e qualificação, problemas de saúde física e mental.
As formas de enfrentamento citadas pelos profissionais, diante das dificuldades de falta de recursos são: utilização da rede socioassistencial, visitas domiciliares, busca de
apoio em outros municípios para serviços que não dispõem de entrevista social, busca no sistema de informações.
O processo de trabalho nos CRAS é desenvolvido através de: plantão social; trabalho com grupos de famílias; cadastro único; acompanhamento das famílias do Agente Jovem, PETI; processos do BPC; ações socioeducativas; programas de geração de renda; viabilização de benefícios; acompanhamento de casos da Proteção Social Especial; relatórios para Ministério Público, Conselho Tutelar e recursos socioassistenciais.
Sobre a autonomia versus dependência dos usuários, os profissionais revelam as seguintes opiniões: plantão social é reforço da dependência; trabalhos em grupo e discussões sobre direitos são sinais de emancipação; cursos motivam e elevam aspirações, mas dependem da pessoa, desejo e vontade; qualificação da equipe técnica é essencial para o desenvolvimento do trabalho.
Quanto às atividades desenvolvidas nos CRAS, o levantamento dos dados socioeconômicos, pela necessidade de sistematizar informações sobre condições de vida dos usuários e famílias, é realizado com instrumentos, como entrevistas, questionários, formulários cadastrais, fichas sociais, e constitui-se como a primeira etapa do atendimento do assistente social.
A autora conclui que os profissionais incorporaram a proposta de autonomia e de estímulo ao protagonismo popular, contudo, suas ações tendem a atingir metas, controlar condicionalidades, lidar com a seletividade, onde o CRAS opera num modelo assistencial-emergencial com um novo discurso. O CRAS apresenta-se como um espaço de concretização de direitos, porém vinculado à existência de recursos.
A prática revela duas situações: avanços na conquista de autonomia e protagonismo dos usuários, e reitera velhas práticas de controle social e moral, atendendo a exigências institucionais. Os profissionais imprimem diferenças e deixam marcas significativas na historia da profissão.
2.1.3 Dissertação de Elizete de Fátima Rangel - “A implementação e implantação