3.8 Drøfting av datering og isotopanalyser
3.8.2 Hvilken tilhørighet hadde individet i graven på Lappnes?
O conceito de periferia foi considerado, por Domingues (2007), difícil de precisar, além de vago. Essa relação pode ser considerada histórica, pois o conceito, ao longo do tempo, recebeu vários nomes: arrabalde, subúrbio, arredores etc. Mas também pode ser caracterizada como geométrica, uma vez que as áreas localizadas fora do centro urbano foram medidas pelo seu grau de afastamento. Em termos sociais, como naturais, elas não se constituem de forma homogênea e circular conforme o autor analisa.
Quase tudo pode ser periferia de qualquer coisa, em tempos e geografias distintas, lugar ou condição. Centro, por oposição, pode ser o mesmo. A questão é que «centro» para além de lugar ou forma, é também um significado de organização – de onde tudo diverge e para onde tudo converge – uma espécie de axis mundi que antropologicamente pode tomar sentidos, representações e rituais diversos (DOMINGUES, 2007, p. 139).
Isso demonstra que existem periferias e periferias, com suas formas, funções, estruturas e processos (SANTOS, 2008), definidas ou por definir-se, podendo relacionar-se com o centro urbano imediato ou mais distante, remetendo para metrópole, numa outra escala de entendimento da cidade, onde o território passa a ser organizado por redes e fluxos.
Alves (2011) destaca que a periferia passou a existir bem antes do processo de metropolização das cidades brasileiras. A autora afirma que o uso corrente do termo se deu após a criação dos primeiros loteamentos populares em São Paulo, ainda na década de 1940. Alves (2011) argumenta que isto foi devido a
característica de loteamento-ônibus, ou seja, assim que era aberto, já se colocava à disposição dos interessados/necessitados a linha de ônibus que os levaria ao trabalho nas centralidades existentes (ALVES, 2011, p. 110).
O ônibus, como modelo de transporte, rompe com aquele que até então era utilizado, o ferroviário. Assim, o território brasileiro vai sendo moldado dentro do sistema rodoviário, constituído por ruas, avenidas, rodovias para a circulação de mercadorias e pessoas.
Posteriormente, na década de 1970, a noção de periferia no Brasil foi incorporada ao discurso da Geografia, após ser influenciada pelas discussões vindas da sociologia, que agregou a dimensão social, uma vez que anteriormente, ainda na década de 1940, "limitava-se a indicar áreas que ficavam muito distantes do centro, mas que não necessariamente eram compostas por populações de baixa renda (ALVES, 2011, p. 113)".
Dessa forma, para Lago (2008), a periferia surgiu como marco da sociologia urbana marxista, na década de 1970 e, posteriormente, foi incorporada ao senso comum, ao qualificar um determinado território metropolitano cujas carências atingem os serviços públicos básicos, infraestrutura urbana, distância do mercado de trabalho, entre outras.
Como lugar onde a vida urbana acontece, as periferias unem as técnicas para estabelecer o diálogo no espaço e no tempo, imprimem identidades, pertencimentos e representações locais e globais. Notadamente, elas são diferentes entre si e contém uma história particular, que se mescla entre a forma e a aparência, definidas e concebidas no espaço.
No caso particular das áreas periféricas europeias e norte-americanas, correntemente associadas à ideia de subúrbio e aos espaços constituídos pós- industrialização, verifica-se, no curso de sua constituição, o planejamento urbano unido às políticas de ordenamento do território, ao criar as estruturas balizadoras para equacionar a localização das áreas para o seu estabelecimento, unindo moradias com semelhança arquitetônica e modos de vida, serviços e estrutura viária para o seu acesso. Com o ideário da produção normativa, a periferia revelou-se na paisagem urbana, através dos bairros sociais (Figuras 10 e 11) erguidos na forma de container, na Europa, e nos subúrbios norte-americanos (Figura 12) destinados às
minorias étnicas, onde foram construídos por meio da inovação dos projetos e políticas sociais estatais. Em ambos os casos, esses espaços servem à população pobre e encontram-se dotados de severos problemas sociais e com inúmeros questionamentos sobre a sua organização, dadas as propostas de intervenção pública, que privilegiaram a relação centro-periferia, esquecendo-se da articulação periferias e periferias.
Figura 10 - Bairro dos Mineiros, São Pedro da Cova, Gondomar, Portugal
Figura 11 - Bairro social em Badajoz, Espanha
Figura 12 - Subúrbio decadente em Detroit, Estados Unidos.
Fonte: Pintura de Rodrigo Andrade. Disponível em
http://www1.folha.uol.com.br/ilustrissima/2013/07/1317254-pesadelo-americano.shtml. Acesso em: 02 out. 2013.
Diferentemente, as periferias na América Latina, tornaram-se visíveis a partir da década de 1930, quando elevou-se o crescimento industrial e a população oriunda do campo migrou em grandes levas para as cidades. Até então, a América Latina era predominantemente rural, tanto em relação às atividades econômicas, como em termos de local de residência. As cidades de São Paulo, Buenos Aires e Medelín por exemplo, prosperaram inicialmente com atividades associadas ao comércio, transporte e exportação de produtos agrícolas. Progressivamente, estas atividades foram substituídas, em grau de importância, pela industrialização. A partir desse momento as cidades se urbanizaram e a distribuição espacial da população sofreu mudanças.
Oliveira e Roberts (2009) apontam que até a década de 1930, as vilas e cidades na América Espanhola estavam organizadas em torno de uma praça com órgãos de governo, edifícios religiosos, moradias das elites e o comércio.
(...) os artesões urbanos respeitáveis habitavam o anel seguinte. (...) nas fímbrias da cidade encontravam-se os habitantes urbanos mais pobres. (...) A proximidade da zona rural significava que a periferia urbana se fundia, tanto econômica quanto espacialmente, com o mundo rural, e seus habitantes cultivavam hortas ou trabalhavam como diaristas na agricultura (OLIVEIRA; ROBERTS, 2009, p. 310 e 311).
No momento seguinte, as elites fugiram para as áreas bucólicas, tranquilas e distantes do centro das cidades. A partir da década de 1940, progressivamente, esta parcela da população deixou de sair do centro das cidades para as periferias, devido à escassez de conectividade e baixa infraestrutura urbana.
Por outro lado, a falta de moradia crescente nos centros das cidades, para atender a demanda do restante da população que ali vivia, fez ampliar o número de
assentamentos precários, em terrenos invadidos nas áreas periféricas das cidades latino-americanas. Essa fase, atingiu a década de 1960, e nela ideologias
desenvolvimentistas e nacionalistas floresceram, culminando com o cerceamento e não atendimento das reivindicações por melhores salários e melhores condições de vida para a classe média e trabalhadora.
Nas décadas seguintes, tornou-se visível o enfraquecimento do Estado de bem-estar social e as novas tecnologias do mundo do trabalho foram introduzidas nos países latinos. Nesta fase, e em um processo crescente, a crise econômica se
instaurou, com inflação elevada e a queda dos salários afetou, sobremaneira, a população urbana, impondo às classes sociais, em sua maioria, a busca por moradias mais baratas. Por conseguinte, a ocupação espacial das áreas distantes do centro das cidades na América Latina ocorreu de forma não ordenada, heterogênea social e economicamente, e, em alguns países latinos, mesclou-se a construção de residências de alto padrão destinada a classe média e moradias de autoconstrução, sem infraestrutura urbana, em áreas periféricas.
No caso brasileiro, as periferias multiplicaram-se com o mínimo de planejamento territorial, levando-se em conta, na maioria dos casos, apenas a localização geográfica, estabelecida pelo distanciamento do centro urbano. A precariedade na infraestrutura dessa parte da cidade também se tornou referência na paisagem urbana, onde as moradias (autoconstrução ou conjuntos habitacionais) e ruas dialogam com a reprodução do estigma da pobreza.
Serpa e Santos (2000), ao analisarem a produção do espaço nas periferias brasileiras, afirmam que elas adquiriram, nos últimos tempos, conotação sociológica e vem se redefinindo. Para os autores, a paisagem urbana, no primeiro momento, denuncia a distância da periferia em relação ao centro (urbano ou metropolitano), onde problemas na dimensão espacial e social reproduzem a precariedade das moradias nos inúmeros loteamentos, vários deles clandestinos, ou ainda nos grandes empreendimentos de luxo destinados aos extratos sociais médio e alto da sociedade, como os condomínios (horizontais ou verticais) (Figura 13).
Figura 13 - Vista dos condomínios da Barra da Tijuca, Rio de Janeiro - RJ
Fonte: site do Bairro da Barra de tijuca. Disponível em http://www.barradatijuca.com.br/bairro- barra/fotos-bairro-barra-da-tijuca/o-bairro-barra-da-tijuca/. Acesso em: set. 2013.
As habitações precárias, inacabadas, provisórias e a falta de infraestrutura que coexiste com os objetos de consumo (hipermercados e shoppings), numa dimensão multiescalar, localizados às margens das autoestradas, refletem a paisagem de uma nova imagem periférica. Neste espaço, modos de vida tradicionais e modernos entrecruzam-se com o concreto, o simbólico e a memória. Esse
contraste remete à realidade cotidiana dos lugares, cujos referenciais podem ser próximos e/ou distantes.
Assim, analisar o espaço periférico no momento atual torna-se necessário para dimensionar a escala em que a periferia se consolida no espaço urbano. Os processos oriundos de sentidos e tempos diferentes, caracterizados pela produção e reprodução do espaço urbano periférico, podem auxiliar na "justaposição de elementos tradicionais e modernos, culminando numa cristalização diferenciada de signos" (SERPA, 2000, p. 05).
Nesse sentido, a reprodução da vida humana, presente na periferia urbana, não tem ação neutra sobre o espaço. Ela permite que o espaço periférico construído com suas contradições e conflitos interfira no cotidiano, na cultura e manifeste-se através dos modos de habitar, transitar, consumir, dialogar e refletir sua dinâmica. Por tudo isso, apesar da periferia ser um importante conceito teórico e relevante nas dinâmicas do planejamento urbano, ela é, sobretudo, um lugar e como tal deve ser compreendida dentro do processo de urbanização em suas múltiplas escalas.
Logo, para dar consistência as ideias até aqui delineadas, o estudo busca investigar o conceito de lugar, caro à Geografia, por entender que, como um todo, as pessoas, seja nas sociedades tradicionais ou complexas, vivem em lugares e estes fazem parte de suas vidas cotidianas.