5 Analyse
5.2 Den modulære organisasjonsform
5.2.1 Hvilke type utfordringer er denne organisasjonsstrukturen et uttrykk for?
131
4. DESENVOLVIMENTO PROFISSIONAL
As particularidades deste estágio tiveram grande impacto no nosso desenvolvimento pessoal e profissional. Foram um conjunto de “estreias”, quer a nível profissional como pessoal. Pela primeira vez iriamos ter um contrato profissional, trabalhar fora de Portugal e da Europa, e assumir um papel de maior responsabilidade na equipa técnica. A nível pessoal iríamos ter a primeira experiência longe da família, partilhar o apartamento com não familiares, e enfrentar hábitos culturais bem distintos. Toda esta diversidade de vivências contribuíram para o desenvolvimento profissional e pessoal.
Desde a primeira semana apercebemo-nos que o contexto não era tão profissional conforme se acreditava. Encontrámos o plantel em greve. A maioria dos jogadores ausentou-se dos treinos nessa semana, apesar de haver a final da League Cup para disputar na semana seguinte. Esta adversidade, nunca antes vivida, foi experienciada inúmeras vezes ao longo do estágio. Este facto tornou-se um desafio para o trabalho a desenvolver. Obrigou que a preparação do treino fosse realizada de modo diferente ao habitual. Os planos de treino tornaram-se mais abertos / flexíveis e passaram a incluir um plano B e C para vários números de jogadores. Ou seja, para um determinado objetivo, eram criados vários exercícios em diversas escalas. Para tal, foi fundamental a nossa mentalidade positiva e focada na solução. Evidenciámos uma postura de concentração da energia e do tempo na procura por soluções para os problemas, pois acreditamos que só assim conseguiríamos ultrapassá-los. Esta atitude promoveu o desenvolvimento ao nível da capacidade de adaptar, gerir e inovar perante as situações, na vertente operacional, mas também social. Este facto possibilita, também, estar preparado para, no futuro, solucionar situações que promovam as mesmas adversidades.
A nossa introdução nas funções e tarefas previstas foi imediata. A autonomia e responsabilidade inerentes fizeram com que não houvesse tempo para intentarmos uma adaptação gradual à cultura e à localidade. Esta veio sem nos apercebermos. Foi relevante a manifestação de rigor e disciplina manifestados na nossa preparação, para que na prática os objetivos fossem
132
obtidos. Acreditamos que um dos contributos para a eficácia do processo se deveu ao facto de, previamente ao treino, nos reunirmos e esclarecermos os objetivos principais de cada componente do treino, definirmos as tarefas de cada elemento na sua operacionalidade, e clarificar a intervenção / feedback a evidenciar no decorrer dos contextos de prática, tornando, assim, o seu decurso fluído e natural. Isto permitiu que todos estivéssemos em sintonia quanto à intencionalidade da sessão e sincronizados naquilo que eram as tarefas a desempenhar. Possibilitou, também, um desenvolvimento relativo às relações dentro da equipa técnica, nomeadamente a capacidade de argumentar e clarificar opiniões / sugestões. Como era de esperar, as opiniões nem sempre foram unânimes, o que resultou numa atitude reflexiva, no momento e à posteriori, acerca das várias opiniões, incluindo a nossa.
Uma das grandes aprendizagens que obtivemos está relacionada com as estratégias de comunicação. Houveram momentos em que sentimos que a intencionalidade que pretendíamos fazer chegar aos jogadores não era alcançada. Acreditamos que tal se deveu, em grande escala, às barreiras linguísticas. Como tal, houve a necessidade de criar outros recursos para que a mensagem chegasse de forma mais aproximada ao que ambicionávamos, fazendo-nos evoluir neste aspeto. Apreendemos que, mais importante que mostrarmos que dominamos o que estamos a dizer, com linguagem sofisticada e / ou científica, importa que os jogadores compreendam a mensagem e evidenciem no campo o pretendido. O foco deve estar na interpretação do jogador, não na nossa. Além disso, percebemos que mais do que demonstrar e explorar os erros dos jogadores, importa criar imagens mentais representativas do que queremos, seja através de um contexto de prática, de uma explicação particular ou da visualização de vídeo. Os jogadores, deste modo, entendem que lhes damos importância e atenção, que preocupamo-nos com a sua evolução e melhoria, e que isso é relevante para nós e para a performance da equipa. Contudo, a recetividade nem sempre foi a desejada. Cada jogador tem uma forma particular de ser e de interpretar as situações. Portanto, esta intervenção era personalizada, sendo que, por vezes, optámos por uma intervenção muita reduzida ou quase nula, por acreditarmos que o efeito seria mais positivo. Para
133
adequar a comunicação, importa atender a indicadores comportamentais como a direção do olhar do jogador, a frequência de questões que o jogador coloca durante a explicação, as reações pós-intervenção, a congruência entre o pretendido / explicado e o manifestado em campo, entre outros. Apercebemo- nos, com esta experiência, que o modo como comunicamos é um dos fatores mais importantes na eficácia do processo de preparação de uma equipa. Neste sentido, julgámos ser determinante aprimorar a comunicação por meio da língua inglesa e, em caso de haver nova experiência futura fora de Portugal, procurar desde o início ser proactivo na aprendizagem da língua oficial dessa região. Para além disso, aprender acerca de estratégias de comunicação como a programação neurolinguística parece-nos importante e está nos nossos planos de futuro.
Outro aspeto que contribuiu para a nossa evolução enquanto treinador de alto rendimento está relacionado com a influência que a observação da própria equipa e do adversário têm no processo de treino. Sabemos que alguns treinadores optam por uma postura mais centrada no adversário, outros mais centrada na própria equipa. O que acreditamos é que o foco deve ser direcionado para os jogadores e as relações entre si, quer dentro da própria equipa, quer entre equipas. Importa desenvolver os jogadores dentro de um projeto coletivo de equipa, que apesar de partir de ideias do treinador, é influenciado pelo contexto (tipologia do adversários, competições, filosofia do clube, etc.). Ademais, importa aquando da observação do adversário, procurar interpretar e prever prováveis relações entre os jogadores da minha equipa e os do adversário, entre a estrutura e funcionalidade da nossa equipa e a do adversário. A funcionalidade de uma equipa é caraterizada pelos princípios do modelo de jogo e, inerentemente, pelas competências dos jogadores que lhe dão dinâmica. Importa, por isso, perceber e fazer os jogadores perceberem, que em cada jogo, ou momento de um jogo, pode ser mais relevante evidenciar determinados comportamentos em detrimento de outros e / ou que devemos explorar mais uns aspetos em relação a outros, sem com isso alterar a nossa identidade. No fundo, tornar os jogadores e a equipa criadores de soluções e não meros reprodutores.
134
Apesar de não ter sido viável a aplicação continuada da observação do treino, pareceu-nos clara a importância que este aspeto pode ter no desenvolvimento do projeto coletivo, do jogador, e do próprio treinador. O facto de possibilitar fazer uma avaliação objetiva do contexto de prática, possibilita intervir à posteriori no sentido de torná-lo mais eficaz e, com isso, contribuir para a aceleração do desenvolvimento do jogador e da equipa no sentido desejado, bem como para uma melhor compreensão do treino por parte do treinador.
Quanto ao controlo psicofisiológico, o facto de não termos aplicado impossibilitou percebermos a sua influência no processo. Contudo, desafiou-nos para uma relação mais próxima com os jogadores, a atender a indicadores comportamentais através da observação e a desenvolver a nossa sensibilidade percetiva relativa ao estado de prontidão do jogador e ao seu bem-estar. Isto levou-nos a crer que, caso no futuro apliquemos os questionários, não devemos encarar a informação daí resultante como substituta ou mais importante que a informação recolhida através da interpretação direta. Em alguns casos, a informação dos questionários pode ser mais relevante. Por exemplo, quando um jogador possui uma personalidade mais reservada, não expondo as suas emoções, poderá ser bastante útil o questionário. Neste caso, a informação recolhida poderá ajudar-nos a compreender melhor e decifrar as atitudes do jogador. Noutros casos, alguns jogadores poderão omitir ou mesmo mentir nas respostas aos questionários com o intuito de esconder ou alterar algumas informações. Nestes casos, a informação recolhida por meio de interpretação direta de indicadores comportamentais poderá ser determinante para ajustar a interpretação dos dados e a consequente intervenção.
Em suma, apesar de não ter sido um contexto de grande exigência ao nível do profissionalismo e rigor, tornou-se um grande desafio à resiliência, à adaptabilidade, à capacidade de criar soluções situacionais. Permitiu também experienciar uma cultura social e desportiva diferente, que nos fazem ter uma visão do futebol mais ampla e diversa.
135
_______________________________________________________________