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Segundo Marit ain,

“ ... o t om ism o cont ém um a subst ancia que dom ina o t em po, por causa do seu alcance universal. Ele responde aos problem as m odernos, na ordem especulat iva e na ordem prát ica, t em um a virt ude form at iva e libert adora do pont o de vist a das aspirações e inquiet udes do t em po present e. Assim , o que esperam os dele é, na ordem especulat iva, a salvação at ual dos valores da I nt eligência; na ordem prát ica, a salvação at ual dos valores hum anos” .

“ Resum indo, é com um t om ism o vivo e não

com um t om ism o arqueológico que devem os lidar. Nosso dever é t om ar consciência da realidade e das exigências de t al filosofia” .

Com efeit o, “ é preciso que dem onst rem os que

est a Sabedoria é sem pre j ovem , invent iva e t raz em si um a necessidade profunda, consubst ancial, de engrandecer- se e renovar- se; ist o cont ra os preconceit os daqueles que gost ariam de fixá- la em dado est ado de seu

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desenvolvim ent o e desconhecem sua nat ureza

essencialm ent e progressiva” .92

Na filosofia tom ista, viver ( para o hom em ) é o m esm o que se realizar na exist ência ext ram ent al, é vivenciar o outro; afinal, em tal concepção possuím os a capacidade cognoscent e de além do próprio Ser, possuir im at erialm ent e out ros seres que conhecem os; logo, a “ int eligência é a vida” .

Ent ão, surge a quest ão: vivenciam os porque int eligim os ou int eligim os porque vivenciam os?... A respost a é capit al na filosofia t om ist a! ... Ora, int eligim os porque vivenciam os! ...

A afirm ação “ I nt eligim os porque vivenciam os” , é em pregada considerando a exist ência ext ram ent al ( aquela na qual nos realizam os) ; exist ência que é fundam ent ada na concepção de Sant o Tom ás de Aquino, que a part ir da Sum a Teológica ( I , q. 85, a. 2 rep) , dem onst ra que as “ espécies int eligíveis” abst raídas das nossas “ representações im aginárias se referem a nosso int elect o com o aquilo que é conhecido” .

As “ espécies int eligíveis” ( ou idéias) referem - se ao nosso int elect o ( aquilo pelo que nós conhecem os) com o aquilo que é conhecido ( exist ência extram ent al, coisas reais) .

Tal concepção é considerada com o problem át ica na filosofia de um m odo geral, pois m uit os filósofos alegam que não conhecem os as coisas reais, que não atingim os a exist ência ext ram ent al; ent ret ant o, afirm am que só conhecem os nossas im pressões; por exem plo, “ o sent ido não sent e senão a im pressão do seu órgão” , com efeit o, o conhecim ent o lim it ar- se- ia ao organism o sensit ivo, sem possuir

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qualquer relação com a coisa ext erior, e as espécies int eligíveis ( as idéias) não passariam de fenôm enos; ent ret ant o, essa conclusão é falsa.

Sant o Tom as de Aquino considera que aquilo que conhecem os é o m esm o que t rat a as ciências, ele alega que:

“ Se aquilo que conhecem os fosse som ent e as espécies int eligíveis ( lim it adas às im pressões sensíveis) , t odas as ciências não seriam de coisas que est ão fora do hom em , m as som ent e das espécies int eligíveis que est ão no hom em ” . 93

Com efeit o, a ciência seria um ideal ou ilusão hum ana! ... Desse m odo, não haveria realização em nada, pois o hom em est aria para si próprio, e sua vivência reduzir- se- ia a ele m esm o. Tudo não passaria de fenôm enos, onde o que parece para cada um é verdadeiro; logo, t odas as afirm ações contradit órias seriam verdadeiras ao m esm o t em po.

Afinal, se o conhecim ent o se reduz à im pressão sensível, só se pode afirm ar sobre ela; pois se cada hom em possui um a im pressão diferent e, nunca haverá conhecim ent o com um , e t oda opinião será dada com o verdadeira.

Sant o Tom as de Aquino exem plifica que:

“ Se o gosto não sente senão a própria im pressão, aquele que t em o gost o sadio j ulga o m el doce, j ulgará com verdade; e igualm ente j ulgará com verdade aquele que t em o gosto im perfeito e que j ulga o m el

93 http://tomismovivo.blogspot.com.br/2006/08/o-realismo-do-conhecimento.html#!/2006/08/o-realismo-

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am argo. Um e outro j ulgam segundo é afet ado o próprio gost o. Assim t oda opinião será verdadeira” ; não havendo conform idade

entre um e o outro.94

No t om ism o é de im port ância capit al adm it ir as coisas reais ( a exist ência ext ram ent al) ; ist o é, nele o concret o exist e realm ente com suas not as const it ut ivas, pois enfat iza- se a “ essência da exist ência” , e não a “ exist ência da essência” com o pret enderam ( ou pret endem ) m uit os filósofos. Desse m odo, verificam os que “ int eligim os porque vivenciam os ( exist im os) , e não vivenciam os ( exist im os) porque int eligim os” . Decert o, aqui encont ram os um exist encialism o por excelência, genuinam ent e real; afinal, não se concebe um a pseudo- exist ência, um fenôm eno ou obj et o.

Cert am ent e, a “ espécie int eligível ( ou idéia) est a para o int elect o com o aquilo pelo qual ele conhece” ; e conform e Sant o Tom ás de Aquino, “ o m odo pelo que se realiza a ação t ransit iva no conhecim ent o é a sem elhança da ação; com o por exem plo: o calor do que esquent a é a sem elhança do esquent ado” ; Do m esm o m odo, “ se realiza a ação im anent e no agent e que é a sem elhança da existência extram ental” .

Port ant o, a “ espécie int eligível” ( idéia) é a sim ilit ude da coisa real em nós ( sim ilit ude psíquica) ; e é porque refletim os sobre nós m esm os, que podem os refletir o nosso m odo de conhecer e sua espécie int eligível.

Concebem os a exist ência ext ram ent al ( coisas reais) e secundariam ent e sua sem elhança; ou sej a, a “ espécie int eligível” em nós; o que significa afirm ar que a part ir de um a exist ência dada

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pensam os. Afinal, se não exist íssem os, poderíam os pensar?... Decert o que não, pensam os porque exist im os.

É a reflexão que possibilit a const atar o existir anterior ao pensar; ora, no t om ism o não há pret ensão em alcançar a existência ext ram ent al a part ir do pensam ent o; ist o é, não se part e do ser t al com o exist e na int eligência de m odo que se alcance um plano ôntico ( O “ plano ônt ico” se refere à realidade, às coisas em si, às coisas com o elas são, independent em ente de nosso conhecim ent o delas) ; nele ocorre o inverso, pois se parte do plano ôntico tornando- se conscient e do m odo e ordem da própria const rução do conhecim ent o.

Trat a- se de um t rabalho puram ent e reflexivo, onde ao nos debruçarm os sobre a realidade ext ram ent al, const at am os com o t al realidade m at erial se t orna a sim ilit ude im at erial em nós, ist o é, nos em penham os em conhecer o processo const rut ivo do conhecim ent o sensível e int elect ual.

O conhecim ent o verdadeiro é sem pre a sem elhança da realidade atual ou possível em nós; pois at uam os no real enquant o vivenciam os em conform idade com ele. Sendo assim , o saber que provém da língua lat ina sapere, e significa t ant o "saber" com o "saborear", é valorizado no seu segundo sent ido, pois saboream os, vivenciam os a exist ência dada.

A realidade ( exist ência ext ram ent al) é o pont o de part ida de t odo conhecim ent o nat ural, não há possibilidades de conhecer sem exist ir; e se negarm os a exist ência ext ram ent al por m eio da dúvida; negam os a ordenação essencial da int eligência ao ser exist ent e; o que é equivalente a viver na ilusão, na dem ência, e t ornar- se escravo da própria im aginação.

Desse m odo, ordenam o- nos ao ser das coisas por m eio da sem elhança; ou sej a, pelo m odo com o as coisas est ão present es em

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nós, com o no exem plo usado por Arist ót eles ( em De Anim a) : de que “ A pedra não est a na alm a, m as a espécie da pedra” .

É por m eio das espécies inteligíveis que a alm a conhece as coisas que est ão fora dela, ou sej a, por m eio das sim ilit udes psíquicas que concebem os a exist ência ext ram ent al.

O que int eligim os a part ir de nossas vivências, são as sem elhanças das coisas, o que é a própria form a do nosso int elect o; ora, o int elect o, a int eligência se percebe a si m esm a enquant o t ransport a ou concebe em si m esm a o int eligível ( a sem elhança das coisas) .

Fica evident e que na perspect iva t om ist a o realism o do conhecim ent o é em inent e; pois nele o hom em se realiza na cert eza da sua apreensão, cert eza provenient e da sua at it ude reflexiva na qual int eligim os a própria nat ureza, que consist e em conform ar- se com as coisas reais enquant o conhece.

Sendo que é na vivência que o int elect o at ualiza- se pensando as “ espécies int eligíveis” ( ou idéias) ; assim , const at a- se um processo de ident ificação int encional gradat iva com a exist ência ext ram ent al, e nunca com o diriam alguns filósofos, que apenas possuím os em nossas m ent es ret rat os ou pint uras das coisas reais.

Port ant o, fundam ent ando- se no “ realism o do conhecim ento” , que o t om ism o procura evit ar aquela “ dit adura do relat ivism o” que é t ão com um em nossos dias; assim , fica dem onst rada ( m esm o que de m odo sint ét ico) a im port ância do real ( da exist ência ext ram ent al) cont ra as m irabolant es ilusões de alguns pensadores.

Com o vim os acim a, Marit ain rest aura o verdadeiro sent ido da filosofia, a part ir da concepção t om ist a, e vai além das “ ciências dos fenôm enos” ( problem at ização) livrando- se da concepção do Ser

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“ inút il” da m et afísica im perfeit a inst it uída equivocadam ent e por alguns m odernos.

Por t udo expost o acim a fica evidente const at ar filosoficam ente a sim ilit ude dos pensam ent os de Aquino e Marit ain, onde aquele foi vanguardeiro no século XI I I e este um m ent e brilhant e para o século XX.

2 .3 DI STI N ÇÃO EN TRE I N DI VÍ DUO E PESSOA: O