5. Arbeidsmåter i konsultasjonsteam 58
5.4. Temaer for sakene som behandles i konsultasjonsteam
5.4.1. Hva var utgangspunktet for mistanken i saken? 64
Galileu Galilei contribuiu de forma significativa à física e desenvolveu inúmeros trabalhos na área da astronomia e dos fundamentos da mecânica. Galileu é considerado quase sempre como um dos criadores do método experimental adotado na ciência. Esta concepção é muito bem conhecida, e de fato tem seus fundamentos, pelo fato do próprio físico relatar e descrever os experimentos que teria realizado. Alguns cientistas, contudo, começaram a lhe impor certas dúvidas. Estes cientistas acreditam que as experiências de Galileu tiveram papel secundário na elaboração de sua mecânica. Eles sugerem que com os instrumentos de medida que Galileu possuía, jamais poderia ter realizado experiências eficazes.
Até o início do século XX, Galileu era considerado o pai da ciência experimental, sendo que os historiadores davam bastante crédito aos relatos dos experimentos que ele disse ter realizado. Daremos ênfase ao experimento do plano inclinado, relatado por Galileu em seu livro Duas Novas Ciências.
Neste experimento, considerado clássico e que será descrito em detalhes ainda neste capítulo, Galileu utiliza uma esfera de bronze para rolar ao longo de um plano inclinado e com um recipiente que vaza água, ele mede o tempo de sua queda em trechos deste mesmo plano. Quanto maior a massa de água coletada, maior seria o tempo de percurso. Dessa forma ele teria conseguido experimentalmente mostrar que o movimento no plano corresponde a um movimento uniformemente variado, medindo distâncias e tempos de percursos.
A grande disputa dos historiadores da ciência se deu em relação às medidas experimentais relativas ao tempo de percurso da esfera de bronze no referido plano inclinado.
Alexandre Koyré, em sua obra Estudos galilaicos, acredita que as bases da nova ciência foram criadas pela transformação da maneira do homem vislumbrar a natureza e assim poder descrevê-la matematicamente e não experimentalmente como era então considerado.
Koyré “(...) acha que há uma tendência exagerada a crer que este grande físico descobriu seus principais esquemas teóricos graças à observação e à experiência”. (THUILLIER, 1994, p.121).
O epistemólogo acredita ainda que devido aos instrumentos de medidas e as condições nas quais o experimento do plano inclinado foi realizado na época, não teria sido possível a obtenção dos resultados que Galileu disse ter conseguido. Segundo ele é inaceitável
alguém fazer medições de qualidade utilizando um relógio de água como o descrito pelo grande físico. As fontes de erros e incertezas seriam imensas.
Ainda segundo a visão deste epistemólogo, Galileu elaborou sua mecânica do ponto de vista racionalista, sendo este e outros experimentos secundários ou mesmo irrelevantes em seu trabalho. Ele acredita ainda que muitos dos experimentos descritos por Galileu foram imaginados, ou seja, são experimentos de pensamento e estão longe de terem sido realizados na prática.
Thuillier (1994) descreve também a concepção de outra corrente de historiadores da ciência, antagônica a de Koyré, e embasada principalmente nos trabalhos de Thomas B. Settle em 1961, e posteriormente pelos trabalhos do professor Stillman Drake no início dos anos 70, que acreditam num Galileu mais experimentalista. Para tanto estes cientistas reproduziram alguns experimentos do grande físico em condições semelhantes às descritas no livro Duas Novas Ciências, obtendo resultados muitos condizentes com os relatados por Galileu.
Os resultados de Settle confirmando a possibilidade da realização do experimento do plano inclinado por Galileu são descritos em Thuillier (1994):
“Segundo Settle, em todo caso, os resultados foram excelentes; mesmo ao experimentar sem grandes minúcias, verificava ser possível confirmar eficazmente certos “teoremas” de Galileu por meio de um método praticamente idêntico ao que este havia indicado. A medição do tempo (grande tema das disputas!) não parecia apresentar maiores dificuldades. As médias das medidas obtidas para cada distância correspondiam perfeitamente às predições” teóricas (as diferenças sendo, no máximo, da ordem de 1 ou 2%).” (THUILLIER,1994, p. 124).
Relatando sobre outros trabalhos de verificação do experimento do plano inclinado e também de outros experimentos galileanos, Thuillier (1994) ainda afirma:
“Outro historiador, Stillman Drake, professor da Universidade de Toronto, investigou, no início dos anos 70, os manuscritos inéditos de Galileu da Biblioteca Nacional de Florença e refez as experiências que Galileu teria realizado. Mencionemos ainda James MacLachlan, que por várias vezes praticou este tipo de controle. As conclusões são idênticas: de modo geral, Galileu foi um experimentador muito mais eficiente do que dizia Koyré.” (THUILLIER, 1994, p.124)
Mostra-se assim a possibilidade de que Galileu tenha realmente realizado o experimento do plano inclinado.
A análise da obra de Galileu é rica e suscita o debate. Qualquer conclusão definitiva acerca do caráter científico e comportamental de Galileu pode ser destituída de valor. Estamos de acordo com Zylbersztajn (1988) quando diz que:
“O que distingue o tratamento que Galileu dá ao problema da queda dos corpos no “Duas Novas Ciências” é a apresentação da célebre experiência do plano inclinado. Trata-se aqui, sem dúvida, de uma contribuição original de Galileu, visto que pela primeira vez se buscava comprovar empiricamente um desenvolvimento teórico cujas origens remontavam ao Século XIV. Reconhecer a importância desta contribuição não implica em aceitar a tese empirista, segundo a qual Galileu teria chegado à lei da queda dos corpos experimentalmente”. (ZYLBERSZTAJN, 1988, p.39).
Percebemos que de acordo com Zylbersztajn (1998) os historiadores da ciência encontraram assaz complexidade ao analisar o trabalho de Galileu, sendo impossível enquadrá- lo num determinado arquétipo. Existem diversas concepções e interpretações dadas às obras galileanas. O plano inclinado pode ter sido de extrema importância na confirmação das hipóteses de Galileu, porém isto não quer dizer necessariamente que ele teria elaborado a lei dos corpos totalmente de maneira experimental.
Galileu é um personagem contraditório. O físico é visto a partir de concepções que consideram que seu trabalho tenha sido quase de cunho totalmente empirista, passando por um Galileu herdeiro de concepções da física medieval, que sendo assim já havia rompido em parte com as ideias aristotélicas, até concepções de um Galileu quase que totalmente platônico, onde a experimentação teria sido totalmente irrelevante em sua obra.
Este enorme debate é enriquecedor e sem dúvida nos faz refletir sobre o processo de desenvolvimento científico ser algo bem menos trivial e muito mais subjetivo do que é propagado pelo método científico. Como professores, podemos fornecer a nossos alunos o acesso ao conhecimento das múltiplas versões do cientista italiano.
É importante ressaltar que a visão essencialmente empirista do cientista, ainda é a versão geralmente adotada em sala de aula, o que sem dúvida empobrece a discussão da obra do grande físico, pois limita sobremaneira diversos aspectos do comportamento científico de Galileu, e isto deve ser considerado.
Em nosso trabalho, decidimos realizar uma adaptação do experimento do plano inclinado citado na obra Duas Novas Ciências, visto que os estudos realizados por diversos cientistas demonstram que Galileu poderia sim ter realizado este experimento, sem deixar de considerar as críticas que lhe foram impostas, afinal de contas mesmo que seja pouco provável é sim possível que o experimento do plano inclinado tenha sido um exemplo do forte poder imaginativo e de argumentação que Galileu demonstrava possuir, podendo nunca ter sido realizado na prática.
Utilizaremos o experimento com fins didáticos e investigativos, sempre tentando chamar atenção para as discussões epistemológicas que o cercam, comentando sobre a grande controvérsia existente entre os historiadores da ciência que analisaram a possibilidade de Galileu ter ou não realizado na prática este experimento.