DEL II - TEORI
6.1 Hva motiverer oss?
As dificuldades de coleta de dados sobre a realidade da população canina e felina dificultam o planejamento, a execução e a avaliação das políticas para o equilíbrio populacional e para o controle de zoonoses transmitidas por esses animais. Mundialmente não há dados de populações caninas e felinas confiáveis. O número de famílias que possuem cães e/ou gatos e o número médio desses animais
em cada uma ou por domicílio constituem uma maneira de conhecer as demografias desses animais. Diversas técnicas para o estudo das populações caninas e felinas têm sido sugeridas para dimensionamento e classificação dessas populações e planejamento e monitoramento de ações técnicas de captura e recaptura (BECK, 1982; DAVIS; WOMSTEAD, 1980), licenciamento animal, aplicação de questionários, observação direta (técnicas visuais) (WHO, 1988; WHO; WSPA, 1990; WSPA, 2008), inquérito e classificação segundo restrição (MATOS et al., 2002), sistemas de informação geográfica (DIAS, 2001; SHIMOZAKO et al., 2006; GRISI- FILHO et al., 2008), entre outros (BECK, 1982). Modelos matemáticos (AMAKU; FERREIRA; DIAS, 2002; AMAKU; DIAS; FERREIRA, 2009; FERREIRA, 2009) têm sido desenvolvidos para orientar ações para o equilíbrio populacional de cães e gatos, principalmente no que tange ao impacto do controle da reprodução e/ou da eliminação.
O planejamento de programas de controle animal envolve o conhecimento da dinâmica populacional, incluindo taxas de natalidade, mortalidade, fertilidade, migração, estrutura da população animal e demografia humana, o conhecimento da cultura local e a percepção da comunidade em relação a esses animais, conhecer as causas da existência de cães e gatos sem controle e/ou não supervisionados, seus números, suas origens, qual a melhor intervenção para o controle e como avaliar a sua efetividade (WHO, 1987; WHO, 1988; WHO; WSPA, 1990; SLATER, 2001). Dados sobre a dinâmica da população de cães e gatos são escassos, principalmente no que diz respeito à avaliação do impacto do controle da reprodução para o controle populacional (SCHNEIDER, 1975). A análise do custo e do beneficio das estratégias de controle populacional não podem ser feitas sem informações reais sobre a distribuição da população canina e a acessibilidade desses animais (WHO, 1988).
O sucesso de programas para o equilíbrio populacional depende do conhecimento da ecologia populacional e da relação com o ser humano (WHO, 1984; WHO; WSPA 1990; FEKADU 1993; WANDELER et al., 1993).
A maioria dos grandes centros urbanos na América Latina convive com cães e gatos soltos em vias públicas. Esse quadro, considerado mais grave quando da presença de zoonoses, retrata uma problemática complexa, com causas multifatoriais, relacionadas ao vínculo do ser humano e da comunidade com os animais de estimação, e que está sob a influência dos fatores econômicos, sociais,
ambientais, culturais e políticos.
A escassez de informação sobre as dinâmicas populacionais canina e felina, suas demografias e interações com o ambiente, comunidades, famílias e indivíduos, traduz-se em planos de ação dos órgãos públicos ou do terceiro setor fundamentados empiricamente, não tendo, portanto, uma correlação entre os recursos econômicos envolvidos e o objetivo a ser alcançado para o controle populacional.
Aspectos sociais, econômicos e culturais da população humana determinam o comportamento demográfico da população canina em áreas urbanas, independentemente dos esforços que institucionalmente se possam gerar.
Poucos estudos sobre as características demográficas das populações de cães e gatos foram realizados na América Latina. Dentre eles, os de Rodolfo Martin, Francisco Marin e Miguel Rivera (1977), Fernández (1985,1986), Larrieu et al. (1990; 1992), Nunes et al. (1997), Lima Junior (1999), Gomez (2001), Amaku, Ferreira e Dias (2002), Garcia e Lopez (2002), Matos et al. (2002), Paranhos (2002), Dias et al. (2004), Flores-Ibarra e Estrella-Valenzuela (2004), Bogotá (2005), Sallum (2005), Branco et al. (2006), Soto et al. (2006), Magnabosco (2006), Molento, Lago e Bond (2007), Serafini et al. (2008), Amaku, Dias e Ferreira (2009), Ferreira (2009), Garcia et al. (2009a, 2009b), merecem destaque.
A fórmula utilizada pela saúde pública veterinária em outros países para o controle populacional de animais de estimação e que envolve a educação, o controle da reprodução, o registro e a identificação animal, legislações pertinentes e controle ambiental tem sido aplicada em algumas cidades do Brasil. Mas a escassez de estudos sobre o controle das populações de cães e gatos e sua relação com a promoção da saúde impede que tais ações regionalizadas sejam expandidas e inseridas em políticas públicas.
Para tanto, se faz necessário caracterizar e conhecer essas populações por meio de estudos descritivos que revelem o cenário de vinculação entre humanos, cães e gatos. Estudos semelhantes foram conduzidos por outros pesquisadores visando promover o controle populacional e das zoonoses em outras regiões e países (BERAN, 1982; WHO, 1987; BERAN; FRITH, 1988; WANDELER et al., 1988; WHO, 1988; LARRIEU et al., 1992; ORIHUELA; SOLANO, 1995a; NUNES et al., 1997; PATRONEK; BECK; GLICKMAN, 1997; LIMA JUNIOR, 1999; DIAS, 2001;
KITALA et al., 2001; PARANHOS, 2002; WSPA; IDESPO, 2003; DIAS et al., 2004; GRISI-FILHO et al., 2008).
Em levantamento na área estudada sobre a percepção da comunidade em relação aos problemas do bairro, a questão dos animais soltos em vias públicas foi reconhecida como a quarta maior, ficando atrás da falta de saneamento básico e de transporte e da não pavimentação de ruas e calçadas, e à frente da violência, da falta de pronto-socorro e do desemprego. Essa situação deveria servir de base a um amplo debate sobre a utilidade das ações estratégicas oficiais de controle canino e sobre as características e funções que deveriam adquirir os serviços municipais em um novo rol de centros de controle de zoonoses urbanas.
O presente trabalho objetiva caracterizar a demografia das populações canina e felina e testar ações de saúde para o equilíbrio populacional.
Os objetivos específicos envolvem:
1. Caracterizar as famílias que possuem cães e gatos quanto aos cuidados dispensados aos mesmos;
2. Caracterizar a percepção da comunidade quanto aos animais em vias públicas;
3. Verificar as taxas de natalidade, mortalidade, expectativa de vida das populações canina e felina;
4. Implantar e avaliar ações de saúde para o controle reprodutivo, o registro e a identificação permanente e de atenção à saúde animal. 5. Avaliar ações de saúde para o controle reprodutivo.