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Hva kjennetegner ledelsens bidrag til innovasjonsarbeid?

Como mostrado nos capítulos anteriores, o discurso é resultado de um processo de enunciação. Para BARROS (2001), todo discurso é sempre ideológico, na medida em que representa uma visão de mundo de um sujeito. Sendo produzido por um sujeito enunciador, localizado num tempo e espaço específicos, o discurso carrega em si elevada parcela de (inter)subjetividade. Por conta desta não- neutralidade discursiva, a semiótica passou a abordar, em seu campo teórico, a questão da do caráter ideológico dos discursos.

O fato de ser a visão de um sujeito, entretanto, não confere necessariamente um caráter ideológico ao discurso. Corre-se o risco, partindo desta premissa, de confundir ideológico com subjetivo.

O primeiro problema que se coloca, como vemos, na abordagem da ideologia, é a definição com a qual se trabalha. O termo ideologia foi criado pelo filósofo francês Destutt de Tracy, no final do século XVIII. Originalmente, se referia a uma ciência de ideias,

“baseada na análise da percepção humana, entendida como uma subdisciplina da biologia, e as idéologues procurariam reformar as práticas educacionais baseadas nela” (EDGAR & SEDGWICK: 2003, p. 174).

Grande parte dos estudos na área de Ciências Humanas se apoia na concepção de ideologia proposta por Karl Marx. Para o autor, ideologia é um tipo de falso pensamento doutrinário produzido por membros de uma (sic) classe, visando a ocultação da realidade. É baseada neste tipo de argumento, por exemplo, que CHAUI (1981), apresenta a seguinte definição:

“A ideologia é um conjunto lógico, sistemático e coerente de repre- sentações (ideias e valores) e de normas ou regras (de conduta) que indicam e preservam aos membros da sociedade o que devem pen- sar e como devem pensar, o que devem valorizar e como devem va- lorizar, o que devem sentir e como devem sentir, o que devem fazer e como devem fazer. Ela é, portanto, um corpo explicativo (representa- ções) e prático (normas, regras, preceitos) de caráter prescritivo, nor- mativo, regulador, cuja função é dar aos membros de uma sociedade dividida em classes uma explicação racional para as diferenças soci- ais, políticas e culturais, sem jamais atribuir tais diferenças à divisão da sociedade em classes, a partir das divisões na esfera da produ- ção. Pelo contrário, a função da ideologia é a de apagar as diferen- ças como de classes e de fornecer aos membros da sociedade o sentimento da identidade social, encontrando certos referenciais identificadores de todos e para todos, como por exemplo, a Humani- dade, a Liberdade, a Igualdade, a Nação ou o Estado” (1981, p. 113- 4).

O mesmo enfoque é dado pelo Dicionário de sociologia, no verbete “ideologia): “Sistema de ideias peculiar a determinado grupo e condicionado, em última análise, pelos interesses desse grupo. A função da ideologia consiste na conquista ou conservação de um determinado status so- cial do grupo e de seus membros. Doutrinas políticas, religiosas, eco- nômicas e filosóficas desempenham, geralmente, funções de ideolo- gia. Raramente, porém, essa função chega à luz da consciência dos que professam a ideologia. Esta será tanto mais forte quanto maior for a convicção e o apego emocional revelados por seus defensores. A eficiência de uma ideologia depende, também de sua aprovação por outros grupos integrados na mesma estrutura social.” (GLOBO: 1974, p. 177)

Um problema deste tipo de definição marxista de ideologia, em nossa concepção, é que ela se apresenta politicamente orientada. Em outras palavras, ela é uma visão, por si só, ideológica sobre a ideologia - a qual se adere por fidúcia. A concepção marxista pressupõe que a ideologia seja uma distorção da realidade. Neste sentido, a ideologia deveria ser confrontada com o verdadeiro conhecimento.

Para uma abordagem discursiva da ideologia, não podemos nos basear na ideia de que exista uma concepção de filosófica “verdade” exterior ao discurso - do qual ele seria uma forma motivada de escamoteamento -, com a qual devemos cotejá-lo.

Um dos críticos desta concepção de ideologia, ao menos parcialmente, foi o sociólogo alemão Karl Mannheim. O autor discorda da ideia de que ideologia esteja ligada a questões como com classe ou a atitudes como dominação, e, ampliando a crítica, contesta a noção de verdade presente na abordagem marxista. Para Mannheim, a diferença entre ideologias numa mesma sociedade é resultado de uma multiplicidade de pontos de apreensão de sentido, através dos quais diferentes setores da sociedade entenderão o mundo de formas igualmente divergentes. Para o autor, todas as visões de mundo resultantes deste aspecto multifacetado da sociedade são válidas, uma vez que não existe uma verdade única que deva servir de parâmetro. Assim, “cada ideologia terá os próprios padrões de verdade e precisão, dependentes das circunstâncias sociais em que ela é produzida”. (idem, p.174)

Esta concepção de Mannheim se mostra mais próxima da abordagem discursiva de FONTANILLE:

"Nossa perspectiva, que é a do discurso em ato de comunicação "viva", convida particularmente a considerar o ponto de vista como uma modalidade de construção do sentido. A esse respeito, cada ponto de vista organiza-se em torno de uma instância. Portanto, a co- existência de vários pontos de vista no discurso supõe, ao mesmo tempo, que cada ponto de vista corresponda a um campo posicional específico e que o conjunto desses campos particulares seja compa- tível, de uma forma ou de outra, no interior do campo global do dis- curso." (p. 134)

Embora a concepção de Mannheim apresente pontos de intersecção com a Semiótica do Discurso, uma vez que compreende que cada discurso é um objeto em si, trazendo consigo não a expressão de uma verdade objetiva, mas sim a veridicção, impressão de verdade interna sancionada na relação estabelecida entre enunciador e enunciatário, ela ainda deixa a desejar se tomarmos a questão pelo viés estritamente semiótico. Neste sentido, propomos aqui nossa concepção de

ideologia que será adotada neste trabalho, buscando estabelecer o que existe de elementar no discurso ideológico, independente de concepções políticas ou filosóficas.

Uma abordagem semiótica sobre a ideologia deve procurar estabelecer, primeiramente, a oposição de base segundo a qual todo o discurso se articula. Nas definições anteriores, vimos que a ideia básica na qual as acepções políticas e filosóficas se apoiam é a do contraste entre “verdade x mentira”. É exatamente neste ponto que reside o problema para adotarmos este tipo de definição em Semiótica. Esta oposição, presente no quadrado semiótico das modalidades veridictórias, é uma interpretação de um sujeito destinador-julgador, a posteriori, sobre um conteúdo ideológico qualquer, mas não é a observada na gênese da questão. Em nossa proposta, a oposição de base de um sistema ideológico qualquer é a relação que se estabelece entre “natureza x cultura”, representada pelo quadrado semiótico.

Como natureza, entendemos aqui tudo aquilo que existe, independente do fazer de um sujeito. Cultura, por sua vez, é tudo o que adquire existência em função do fazer de um sujeito. Tanto a natureza quanto a cultura são objetos de discurso, na medida em que são potencialmente interpretadas e enunciáveis. É justamente no discurso que estes elementos de base se transformam em ideologias.

Ideologia, em nossa concepção, é uma inversão interpretativa, produzida por um sujeito enunciador, na atribuição de valores da relação natureza x cultural. Neste sentido, o discurso ideológico pode ser de dois tipos. No primeiro caso, temos a ideologia que trata como cultural algo que é da ordem da natureza. Neste tipo de discurso ocorre a negação da natureza e a afirmação da cultura. É o caso, por exemplo, do discurso racista. A base do racismo é o estabelecimento de correlação entre valores culturais e a cor da pele. Para o racista, um elemento que é da natureza, como a porcentagem de melanina em um indivíduo, estaria atrelado a crenças, modos de ser e agir específicos, algo iminentemente cultural.

objeto da natureza → valores de cultura

No segundo tipo de discurso ideológico ocorre exatamente o oposto, que é a interpretação de algo cultural como sendo da ordem da natureza, a afirmação de que algo cultural é, na verdade, natural.

objeto da cultura → valores de natureza

O que temos, neste caso, é a negação da cultura e a afirmação da natureza. Um exemplo desta orientação ideológica discursiva será o nacionalismo. Toda nacionalidade é um elemento cultural, na medida em que a delimitação de países ou mesmo a ideia de nação é estabelecida pela ação do homem. No caso alemão, por exemplo, em que prevalece a jus sanguinis (direito à nacionalidade por hereditariedade, e não por territorialidade) estabeleceu-se, como vemos na análise de nosso corpus, que existiria o chamado “sangue alemão”, e que haveria uma correlação entre “possuir o sangue alemão” e “ser alemão”. A nacionalidade, algo cultural, é expressa e transmitida pelo sangue, algo natural.

Longe que querermos desconsiderar as diferentes conceitos de ideologia consagrados pelo uso, propomos este, no presente trabalho, uma vez que ele nos ajuda a compreender, semioticamente, diversas ocorrências observadas no corpus de nosso estudo.