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4. Virkninger av en raskere nedbygging av petroleumsaktiviteten petroleumsaktiviteten

4.4. Hva kan vi lære av virkningsberegningene?

O estigma social se configura no tratamento dispensado por um grupo que domina uma determinada situação social, a um segundo grupo que não apresenta as condições julgadas ideais para ser tratado como seu igual. Neste item que trata sobre a construção do estigma social da deficiência, procurarei demonstrar como se constrói o estigma da deficiência nas relações entre os grupos. Essa discussão visa substanciar a compreensão da caracterização do estigma da deficiência na relação entre pessoas que compõem a rotina de trabalho que envolve as pessoas com deficiência ou surdas, a ser desenvolvida no próximo capítulo.

A caracterização do estigma social se faria por meio do processo de estigmatização que, grosso modo, transita pelas vias do preconceito e da discriminação, ou seja, da negação e da não aceitação daqueles que fazem parte do

PRECONCEITO

 Uma ideia preconcebida que se constrói a respeito de algo ou alguém, de caráter avaliativo, infundado, com conteúdo emocional, e que pode se estender a todo um grupo ou categoria. Pode ser negativo ou positivo.

 Diz respeito ao comportamento das pessoas. Por isso pode-se punir a discriminação, ato expresso do preconceito, mas não se consegue punir o preconceito.

DISCRIMINAÇÃO  Em sua forma negativa é a efetivação prática do preconceito, por meio de atitudes e ações que visam impedir pessoas e grupos a gozarem de direitos e igualdade à que fazem jus por força de lei.  A agudização da

discriminação se faz presente nas práticas de segregação e extermínio. ATRIBUTO  Caracteriza e distingue o indivíduo.  Nasce com ele

ou é adquirido ao longo de sua vida.

ESTEREÓTIPO

 Padrões mentais com os quais um grupo procura qualificar outro grupo como tentativa de justificar as diferenças existentes entre eles.  Nasce por meio de caracterizações que são

repetidas via automatismo.

 De cunho cognitivo, de forma racional, tem a função de fundamentar e justificar os preconceitos, que estão na base (Allport, 1962).

ESTIGMA

 Surge a partir de uma relação entre atributo e estereótipo (Goffman, 2008).  São valores culturais criados estabelecidos que permitem identificar as

―outro grupo‖ em razão de condições de etnia, raça, religião, idade, posição social, posição hierárquica em uma organização, deficiência, gênero, enfim, de inúmeras situações com as quais se buscam justificar os elementos de segregação imputados àqueles julgados diferentes. É a situação vivenciada por Aparecida quando começou a trabalhar no Sistema FIEP, que apontou na entrevista, a aceitação pelos demais colegas de trabalho. ―A aceitação. As pessoas olharem para você como uma pessoa

profissional, que tem diferença, mas não olhando para aquela diferença, entendeu?‖5. A dificuldade de aceitação pelos colegas de trabalho, que representam

um grupo já estabelecido em termos de rotinas, tarefas, conhecimentos e valores grupais, está diretamente ligada a diferença, à marca de distinção que passa a ser considerada por esse grupo como algo fora dos padrões de normalidade até então presentes no ambiente administrativo em que a pessoa com deficiência ou surda passa a desenvolver suas atividades. Dolores, outra deficiente entrevistada, apresenta situação semelhante pela qual passou o que reforça o ritual de discriminação pelo qual passam as pessoas com deficiência no processo de inserção no emprego: “Vou falar quando fui inserida no SENAI. Quando eu cheguei ali a maioria foi legal comigo, mas o meu grupo, ali fui excluída bastante. Umas me olhavam de lado, não conversavam comigo. Fiquei meio assim, sabe, como se fala? Deixada ali, de lado, meio perdida, isolada, me deram um gelo. Ligava o computador e ficava olhando para o computador, sem saber o que fazer, me ignoravam bastante”.6

Nas situações vivenciadas por Aparecida e Dolores, a norma não estava em algum regulamento ou manual da instituição, mas estava presente, implícita e tacitamente nas relações informais de cada uma das equipes de trabalho em que foram inseridas. Analisando os depoimentos acima, nota-se que a demarcação dos limites das relações entre os membros de um grupo, definindo quem pertence ou não a esse grupo pode se fazer por duas estratégias: pela via silenciosa expressada no tratamento dispensado àquele ou àquela, considerados ―estranhos‖ ao grupo, utilizando-se de táticas como isolar, não estabelecer comunicação; ou pela via contundente que fere e expõe as diferenças entre um e outro.

5 Depoimento de pessoa com deficiência, coletado por mim em 13 de julho de 2011, na cidade de

Curitiba.

6

Depoimento de pessoa com deficiência coletado por mim em 14 de julho de 2010, na cidade de Curitiba–PR.

No caso das pessoas com deficiência, ou surdez, a forma contundente de exposição poderá se realizar pelo manejo de duas táticas. A primeira delas visa depreciar esses indivíduos expondo-os publicamente pelo indicativo de sua limitação mediante o uso de pejorativos: cego, manco, ―manquetola‖, aleijado, perneta, retardado, louca, abobada etc. e seus diminutivos. A segunda se realiza pela depreciação da pessoa com deficiência ou surdez, colocando em dúvida sua capacidade produtiva, seu desempenho, seu talento, suas habilidades e sua competência, expondo-os publicamente por meio de depreciativos, xingamentos, demonstrações comparativas com as pessoas sem deficiência ou aos padrões considerados ideais de desempenho, sempre aliados a sua limitação física, sensória ou intelectual. Essas duas situações podem se perpetuar no grupo por meio de mexerixos, usando o termo de Goffman (2008), ou de fofocas, transcendendo os limites daquele grupo. Baseando-se em Crocker, Major e Steele (1998), pode-se afirmar que a situação suportada em silêncio por uma pessoa que sofre a estigmatização, no caso de Dolores, contribui para aceitar e perpetuar sua identidade social de estigmatizada perante o grupo.

As estratégias utilizadas visam demarcar os limites das relações entre os membros e demonstrar quem está afiliado ou não. Têm a finalidade da manutenção do equilíbrio grupal que se encontra estabelecido, em relação aos componentes de outro grupo que podem ameaçar a sua estabilidade e seu domínio. Segundo Falk (2001) essa situação já pode ser encontrado na visão de Durkheim (2007) quando escreveu, nas Regras do Método Sociológico: "Imaginem uma sociedade de santos, um claustro perfeito de indivíduos exemplares. Crimes ou desvios, propriamente ditos, serão desconhecidos, mas as faltas que parecem veniais para o leigo criarão o mesmo escândalo que os crimes comuns nas consciências comuns. Se, então esta sociedade disponibilizar do poder de julgar e punir irá definir esses atos como criminosos [ou desviantes] e os tratará como tal.‖ (Idem: 69-70).

Refletindo sobre os motivos que levam as pessoas, ou grupos, ao processo de reciprocidade de ação, ou interação, a se valerem de elementos de distinção negativos tais como o estigma, o estereótipo, o preconceito, a discriminação e a segregação para marcar o outro e denotá-lo como diferente, como estranho, perigoso, pode-se compreender que essa forma de agir é inerente ao processo de sociação, pois estarão, segundo Simmel (1983), se utilizando de forças conservadoras com a finalidade de manterem unidos os elementos que assegurem a

coesão do grupo do qual fazem parte; uma forma de defesa deste grupo, caso contrário as mesmas forças poderão destruí-lo.

Os depoimentos de Aparecida e Dolores, citados anteriormente demonstram, ainda, as dificuldades que demarcam a diferença no processo de interação, ou de sociação conforme Simmel (1983). O olhar dos ―normais‖ para o indivíduo não para analisá-lo como profissional, mas como um deficiente que ali está na condição de intruso. Aparecida tem problemas na fala o que torna visível sua limitação, tão logo começa a falar, o que Goffman (2008) aborda especificamente quando trata da intrusibilidade do estigma. Em razão dessa limitação, não se adaptou em sua primeira experiência no Sistema FIEP, tendo de ser readaptada em outra equipe de trabalho. Sua função era atender o público e foi considerada, e desqualificada por sua superior imediata, com o qualificativo de inapta; usou-se como argumento o fato dela não atender bem às pessoas.

Em Simmel (1983), ainda, a questão de se desqualificar o outro, pode ser encontrada em mais um momento, quando ele aborda a ideia de que uma pessoa se forma a partir do contato pessoal com a outra. Procura-se vê-lo e compará-lo a si mesmo, pois a tendência é, em certa medida, ver aos demais de forma generalizada, uma vez que não é capaz de representar plenamente uma individualidade diferente da sua. Não se consegue, portanto, conhecer plenamente o outro e diante desta incapacidade, a tendência é tecer conjecturas e passar a olhar a todos e compará-los com o tipo ideal de ser humano que cada um cria em sua mente, de acordo com seus valores. Tende-se ainda a projetá-los a partir de si próprio, apesar da singularidade do outro que é desprezada, pois ao classificá-lo diante daquilo que se compreende ou se entende como ideal, pode-se colocá-lo abaixo de uma categoria que certamente não coincidirá com a sua totalidade como ser humano. Forma-se do outro uma imagem que não coincide com a sua imagem real e tampouco representa um tipo geral de ser humano, que pode pender para o lado bom ou para o lado ruim. De certa forma, isto está em concordância com Goffman (2008) a respeito da abordagem que faz sobre o desacreditado e o desacreditável.

Conforme Simmel (1977), todos os indivíduos são fragmentos, não somente do homem em geral, mas de si próprios. Constituem-se em iniciações, não somente do tipo humano absoluto, não só do tipo de bom e de mau, mas também da individualidade unida de seu próprio eu, que, desenhado por linhas ideais, rodeia

sua realidade perceptível. Todavia, o olhar do outro complementa esse caráter fragmentário e converte-o naquilo que nunca é pura e inteiramente. A partir do que ele expõe, consegue-se compreender que os indivíduos em sociedade apenas veem do outro fragmentos reais e justapostos. As lacunas, ou ―manchas cegas‖, são completadas, preenchidas com os valores e julgamentos individuais e com os dados fragmentários se constrói a individualidade alheia. Como coloca Simmel (1977), ―[...] La práctica de la vida nos obliga a formar la imagem del hombre con los torsos que realmente conocemos de él. Pero justamente por eso resulta entonces que dicha imagen descansa en aquellas modificaciones y complementos, en la transformación que sufren los fragmentos dados, al convertirse en el tipo general y en la plena personalidad ideal. Este método fundamental, que en la realidad raras veces es llevado a la perfección, obra dentro de la sociedad existente, como el a priori de las acciones recíprocas que posteriormente se entretejen entre los individuos.‖ (Idem: 44-45).

Simmel (1977) indica o estrangeiro, o inimigo, o delinquente e também o pobre, como tipos gerais de excluídos. Alguém é chamado de estrangeiro no sentido da diferença, da estranheza que causa no outro. Até mesmo o desconforto que ele imprime nas relações sociais já estabelecidas. Quando se trata de um grupo, estão em jogo os padrões e valores a partir dos quais um determinado indivíduo olha e procura compreender o outro.

Sob o olhar do estrangeiro de Simmel (1983), a forma de proceder das pessoas com relação àquelas que lhes são estranhas ganha entendimento quando se consegue compreender que aos olhos do local, do residente (ou daquele que pertence ao grupo), o que chega traz qualidades diferentes que causam estranheza e desconforto, ―mas sua posição no grupo é determinada, essencialmente, pelo fato de não ter pertencido a ele desde o começo, pelo fato de ter introduzido qualidades que não se originaram nem poderiam se originar no próprio grupo.‖ (idem: 182). Conforme explica Simmel (1983), distância e proximidade envolvida em toda relação humana se organiza, no caso do estrangeiro, que pode ser entendido aqui como o estranho, de uma forma que aquele que está próximo, na verdade está distante (pois não está incluído, não faz parte do grupo) e que aquele que está distante, é o que na verdade está próximo (é um elemento do grupo, que mesmo não estando ali presente, faz parte, é integrado) – uma pessoa com deficiência, em um grupo que lhe é hostil, está distante mesmo estando próxima, mas para uma associação da

qual faz parte, para um grupo daqueles que lhe são iguais, estará próxima mesmo quando estiver distante. ―Assim como o indigente e as variadas espécies de ‗inimigos internos‘, o estrangeiro é um elemento do próprio grupo. São elementos que se, de um lado, são imanentes e têm uma posição de membros, por outro lado estão fora dele e o confrontam.‖ (Idem: 183). Nesse confronto, muitas vezes presente no silêncio, sem palavras, no olhar, na simples presença, é que se desencadeia o processo de alijamento daqueles que nos são diferentes.

Para Simmel (1983), a vida acontece no dia a dia, nas relações e contatos diários, os mais diversos, renovados, construídos e reconstruídos, entre as pessoas. Fios de tal gênero são tecidos incessantemente. No microcosmo social encontram- se ―[...] as interações que se produzem entre os átomos da sociedade, e que somente são acessíveis ao microscópio psicológico; mas que produzem toda a resistência e elasticidade, a variedade e unidade desta vida da sociedade, tão clara e tão misteriosa.‖ (Idem: 72). Nesse aspecto pode-se perceber que o estigma social em relação à deficiência é um processo que fica evidente na variedade da vida em sociedade. Nas palavras do mesmo autor, ―estes processos primários, que formam a sociedade com um material individual imediato, devem ser submetidos ao estudo formal, junto aos processos e organizações mais elevados e complicados; devem ser examinadas as interações particulares, que se manifestam em massa, mas às quais não está habituada a atual concepção teórica, considerando-as como formas constitutivas da sociedade, como partes da sociação. Sim, precisamente porque a Sociologia as tem somente considerado por alto, por isso mesmo é conveniente consagrar um estudo detido a estas modalidades de relação, aparentemente insignificantes.‖ (Idem: 73). Vale, portanto, o esforço de se dedicar à compreensão desses fenômenos, aparentemente insignificantes para a grande maioria do grupo dos ―normais‖, mas de importância fundamental para o grupo em minoria (estigmatizados), de forma a ressaltar e entender o que permeia o jogo das relações entre os dois grupos.

A questão do estigma da deficiência no emprego pode ser vista sob o ângulo do conflito presente na sociedade que é analisado por Simmel como algo positivo em termos de resultado final para o grupo, pois que nascendo de fatores de dissociação como ódio, necessidade, desejo, inveja – o conflito destina-se a resolver divergências e conseguir unidade – os integrantes dos grupos contentores passam a almejar a paz, a pressionar por isso e a reorganizar uma nova ordem.

Quando Simmel (1983) aborda a sociabilidade como forma autônoma ou lúdica de sociação consegue-se compreender o porquê dos seres humanos utilizarem, uns contra os outros maneiras de alijamento. Diz o autor com relação à sociabilidade: ―[...] Aqui, ‗sociedade‘ propriamente dita é o estar com um outro, para um outro, contra um outro que, através do veículo dos impulsos ou dos propósitos, forma e desenvolve os conteúdos e os interesses materiais ou individuais. As formas nas quais resulta esse processo ganham vida própria. São liberadas de todos os laços com os conteúdos; existem por si mesmas e pelo fascínio que difundem pela própria liberação destes laços. É isto precisamente o fenômeno a que chamamos sociabilidade.‖ (Idem: 167). As matérias, ou conteúdos de sociação, dizem respeito a tudo aquilo que está presente nos indivíduos ―[...] que são os dados concretos e imediatos de qualquer realidade histórica sob a forma de impulso, interesse, propósito, inclinação, estado psíquico, movimento.‖ (Idem: 166), que possam influenciar ou mediar influências de uns sobre os outros.

Contudo, apenas presente nos indivíduos isoladamente, essas formas não são sociais, pois se transformam em fatores de sociação somente quando inserem os indivíduos isolados em um contexto social ―[...] em formas específicas de ser com e para um outro – formas que estão agrupadas sob o conceito geral de interação.‖ (1983, p.166). A sociação, para Simmel, seria a forma, que assume maneiras e aspectos diferentes, nas quais os indivíduos se reúnem para satisfazerem interesses os mais variados e alcançarem objetivos, formando assim a base das sociedades humanas. Desta forma, a partir do jogo de forças pela conquista do poder e, consequente alcance dos objetivos ou interesses, surgiriam os conflitos nos quais os grupos se utilizam de estratégias para suplantar e vencer os rivais de disputa.

Simmel (1983) coloca que com aqueles que se tem proximidade ou aos quais se está mais organicamente ligado, as relações são baseadas em diferenças específicas com origem nos traços genéricos em comum, os quais poderão existir somente entre aqueles que participam de uma determinada relação particular e, desta forma, totalmente genérico com respeito a ela, porém específicos e singulares no que diz a tudo que se encontra fora dela; ou ainda, os traços desses participantes do grupo serão comuns a eles por serem próprios do seu tipo de grupo ou à humanidade em geral. No caso das pessoas com deficiência, diante de um grupo que lhes tratam com indiferença e hostilidade, eles não são comuns ao grupo, no primeiro sentido apontado por Simmel; estão distantes por não terem construído

laços de pertença. Ao mesmo tempo, existem caracteres gerais de humanidade presentes em todos os indivíduos, que apesar da distância os aproxima, pelas semelhanças que guardam entre si.

A análise de Simmel (2006) sobre ―[...] o significado sociológico da semelhança e da diferença entre os indivíduos‖, aponta que ―[...] acima de tudo o significado prático do ser humano é determinado por meio da semelhança e da diferença.‖ (Idem: 45). Como fato ou como tendência, ―[...] a semelhança com os outros não tem menos importância que a diferença com relação aos demais; semelhança e diferença são, de múltiplas maneiras, os grandes princípios de todo desenvolvimento externo e interno. Desse modo, a história da cultura da humanidade deve ser apreendida pura e simplesmente como a história da luta e das tentativas de conciliação entre esses dois princípios.‖ (Idem: 45). Aqui se encontra o princípio de se aceitar o outro, respeitando-o em suas diferenças, pois para o autor, na ação no âmbito das relações entre os indivíduos, a diferença perante os outros indivíduos tem muito mais importância do que as semelhanças entre eles. Conforme indica, essa diferenciação perante os demais acaba por incentivar e determinar, na maior parte, a nossa atividade. Ainda segundo Simmel, é preciso ―observar‖, aqui não no sentido de apontar, mas no sentido de aceitar e aprender a valorizar as diferenças dos outros indivíduos, caso queiramos conviver e assumir um determinado lugar entre eles.

No estudo de Norbert Elias e John L. Scotson (2000), realizado em Wiston Parva, uma comunidade de trabalhadores da periferia urbana, são encontrados elementos que demonstram o quadro de estigmatização imposto por um grupo estabelecido em uma determinada situação a outro grupo (estranho não reconhecido pelo primeiro), que tenta se instalar mais tarde no mesmo cenário. São demonstradas as relações realizadas entre os membros do grupo estabelecido e os membros do grupo de fora, as relações dos membros no interior de cada um desses grupos, tanto quanto a estratégia de estigmatização lançada aos de fora. Esse estudo possibilita compreender o estigma da deficiência a partir da noção de um processo de estigmatização que se estabelece na relação entre um grupo que domina uma determinada situação e o outro grupo que chega tentando ganhar espaço.

Nessa relação é possível indicar Mclaughlin, Bell e Stringer (2004) que apontam que em conjunto com as mulheres e as minorias étnico raciais, as pessoas

com deficiência, e pode-se acrescentar as pessoas surdas, não são consideradas parte do grupo dominante na força de trabalho que é representada por homens brancos sem deficiência.

No processo de inserção das pessoas deficientes no mercado de emprego, figuram os empresários e colegas de trabalho de um lado, como representantes do grupo de estabelecidos e que dominam as relações de trabalho, e de outro, as pessoas com deficiência, grupo este que sofre o processo de estigmatização como reforço da sua desqualificação social.

Segundo apontam Elias e Scotson (2000), ―[...] o grupo estabelecido cerrava fileiras contra eles [os membros do grupo de fora] e os estigmatizava, de maneira geral, como pessoas de menor valor humano. Considerava-se que lhes faltava a virtude humana superior — o carisma grupal distintivo — que o grupo dominante