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O estudo do empreendedorismo ganhou proporção e despertou maior interesse a partir da década de 1980 e, diferentemente de outros, tem sua origem e contribuições provenientes de pesquisadores de diversos campos do conhecimento, especificamente, da economia, da psicologia e das ciências sociais.

Sobre a disciplina de empreendedorismo, Filion (1999, p. 20) defende que:

[...] nenhum campo acadêmico pode prescindir de teoria. Entretanto, para criar uma teoria do empreendedor, provavelmente será necessário separar pesquisa aplicada de pesquisa teórica, estabelecendo uma nova ciência, empreendedologia. Esta nova ciência talvez possa criar um corpo teórico composto de elementos convergentes de estudos teóricos de empreendedores por empreendedologistas em várias disciplinas. O próprio empreendedorismo permaneceria como um campo de pesquisa aplicada, produzindo resultados de interesse para empreendedores potenciais e empreendedores de fato. Entretanto, haverá milhares de publicações e talvez décadas passarão antes que tenhamos atingido este ponto.

De acordo com Bernardes e Martinelli (2003), existem, na realidade, duas distintas áreas de interesse no campo do Empreendedorismo e da Gestão de Pequenas e Médias Empresas - que vão se intercalando à medida que a empresa avança no tempo e em desenvolvimento. Devido a este fator, muitos estudos em Empreendedorismo estão diretamente associados à Gestão de Pequenas e Médias Empresas, já que, normalmente, os negócios iniciam-se pequenos, fruto de motivações do empreendedor.

Segundo Zapalska, Perry e Dabb (2003), diversos aspectos são contemplados na pesquisa em empreendedorismo, como, por exemplo, tempo de existência e tamanho dos negócios, práticas utilizadas pelos empreendedores, aspectos relacionados com o potencial empreendedor regional, condições políticas e econômicas, tipo de personalidade e comportamento dos empreendedores.

Já para Brush et al. (2003), uma característica fundamental no campo do empreendedorismo é a pesquisa com foco em criação, ou seja, criação de novos negócios, novas combinações de bens e serviços, dentre outras.

De acordo com Dolabela (1999), no Brasil, o ensino de empreendedorismo em instituições de ensino superior teve sua primeira experiência na Escola de Administração de Empresas da Fundação Getúlio Vargas, em São Paulo, no ano de 1981. Sua origem partiu do

curso de especialização em Administração para Graduados, na disciplina "Novos Negócios". Após três anos, em 1984, passou-se a trabalhar o conteúdo no curso de graduação da mesma instituição de ensino, com o nome de "Criação de Novos Negócios – Formação de Empreendedores".

No início de 1990, o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas de Minas Gerais (SEBRAE-MG) participou da criação do Grupo de Estudos da Pequena Empresa na Universidade Federal de Minas Gerais (GEPE), grupo este que desenvolveu estudos na área de empreendedorismo e que, durante o período de 1992 a 1994, ofereceu

workshops liderados por professores do Canadá, dentre os quais, Louis Jacques Filion.

Em 1992, a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) criou a Escola de Novos Empreendedores (ENE), um projeto universitário voltado para o ensino do empreendedorismo no país. Nesse mesmo ano, a Universidade Federal de Pernambuco (UFPe), por intermédio do Departamento de Informática, instituiu o Centro de Estudos e Sistemas Avançados do Recife (CESAR), cuja finalidade era ser um núcleo de aproveitamento industrial baseado no resultado de trabalhos acadêmicos.

No ano de 1993, o Programa Sociedade Brasileira para Exportação de Softaware (SOFTEX), do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), desenvolveu uma metodologia do ensino de empreendedorismo para ser utilizada no curso de graduação em Ciências da Computação da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), tendo sido uma experiência de sucesso e que ganhou alcance nacional em 1996.

Em 1995, a Universidade de Brasília (UnB) fundou a Escola de Empreendedores. Em 1997, com o objetivo de distribuir o ensino de empreendedorismo nas universidades do Estado de Minas Gerais, criou-se o Programa Reune – Rede de Ensino Universitário de Empreendedorismo, programa este que se expandiu em 1998, tornando-se o Reune – Brasil, com a participação do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas, do Instituto Euvaldo Lodi e da Confederação Nacional da Indústria.

Estima-se que, em 1999, os diversos programas de empreendedorismo em atuação no Brasil tenham atingido em torno de dez mil alunos.

Passados, aproximadamente, vinte e cinco anos da primeira experiência acadêmica com empreendedorismo no Brasil, o estudo do tema pode ser considerado algo recente e, em diversos casos, incipiente. A principal metodologia de ensino nas instituições de nível superior brasileira está a cargo da metodologia conhecida como "Oficina do Empreendedor", desenvolvida pelo professor Dolabela, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG),

tendo sido amplamente difundida a partir do ano de 1999, com a publicação de sua obra de mesmo nome.

Devido à própria ligação do professor Dolabela com o curso de Ciência da Computação, a metodologia teve sua implantação, bem como agregou adeptos nos cursos de Ciência da Computação, posteriormente, atingindo outros cursos, como no caso do Centro Universitário do Triângulo, em Uberlândia, MG, onde a metodologia é utilizada nos cursos de administração, ciências contábeis, fisioterapia, secretariado executivo, dentre outros.

Particularmente, os cursos de administração, no Brasil, têm preparado profissionais para atuarem em grandes empresas, sendo que os métodos de ensino e o material didático têm sua sustentação nos modelos de organizações norte americano, que têm como fundamento a formação voltada, principalmente, para a capacitação do corpo gerencial. Mudar essa realidade é o grande desafio dos estudiosos do empreendedorismo.

Dessa forma, percebe-se a necessidade de uma mudança metodológica para o ensino do empreendedorismo nos cursos de administração, pois como Ferreira e Mattos (2003) argumentam, "na educação gerencial, enfatiza-se a aquisição de know-how, e na

empreendedora a aquisição de autoconhecimento”.

Assim, o estudante/empreendedor lida com o conhecimento de forma diferente do estudante/gerente, pois o estudante/empreendedor busca o conhecimento por si só, tendo metas, mesmo que não muito explícitas, já pré-determinadas em mente, o que lhe permite buscar o conhecimento que mais lhe aprouver, tendo-o como um fim útil, enquanto que o estudante/gerente busca o conhecimento mais por uma imposição da sociedade do que pela vontade de empreender.