7.2 Vindmøllebakken
7.2.4 Hva har opplevdes som utfordrende for initiativtaker i prosessen?
Intuitivamente imagina-se que a relação entre governança e assimetria informacional seja inversa, pois quanto mais fortes os arranjos de governança de uma empresa, menor deveria ser o nível de assimetria da empresa com o mercado. Girox (2006) defende a idéia de que um sistema de governança fraco é mais facilmente dominado pelo CEO, o que pode resultar em uma menor qualidade do lucro (maior gerenciamento de resultados). Contudo, a relação direta entre governança e assimetria tem sido pouco abordada na literatura. O que há, são diversos trabalhos que relatam a influência da governança corporativa no disclosure e do disclosure na assimetria
informacional.
Welker (1995) investiga a relação entre políticas de disclosure e o bid-ask spread no mercado de
ações e encontra evidências que políticas de disclosure bem estabelecidas diminuem o nível de
assimetria e, portanto, aumentam a liquidez das ações. A idéia é que políticas de disclosure
influenciam na liquidez do mercado porque investidores se protegem (na atribuição de preço) em relação à seleção adversa, e esta proteção se manifesta na forma de liquidez dos papéis da empresa no mercado.
Ajinkya et al (2005) e Karamanou e Vafeas (2005) avaliam o impacto da estrutura do Conselho
de Administração na quantidade e na qualidade do disclosure das informações corporativas e
encontram evidências de que empresas com Conselhos mais efetivos aumentam o seu nível de
disclosure ao divulgar com mais freqüência e com maior acurácia suas projeções de lucros. Por
outro lado Lobo e Zhou (2001) encontram evidências de que empresas que divulgam menos informações para o mercado são mais suscetíveis a um maior nível de gerenciamento de
31 Uma cláusula que torna a aquisição hostil inviável, como, por exemplo, aquela que diz que os acionistas da
empresa devem receber ações por um preço muito menor que o de mercado no caso de alteração no controle.
32 Uma cláusula que guarante diversos benefícios muito altos aos executivos da empresa se houver alteração de
resultados. Essas evidências sugerem que um sistema de governança corporativa de maior qualidade deveria estar associado a um menor nível de assimetria informacional.
Kanagaretnam et al (2007) abordam diretamente a relação entre governança e assimetria
informacional. Para isso, os autores utilizam o bid-ask spread como métrica de assimetria para
examinar a relação entre alguns atributos do Conselho que refletem a qualidade da governança da empresa e as mudanças nos níveis de assimetria perto do período de publicação dos lucros. Os resultados encontrados indicam que as alterações na métrica de assimetria são negativamente relacionados com a independência do Conselho, com sua atividade e com o percentual de ações da empresa possuídas pelos conselheiros e diretores. Adicionalmente, Kanagaretnam et al (2007)
mostram que as medidas de depth33 também são positivamente e significativamente relacionadas com a estrutura do Conselho, com sua atividade e com o percentual de ações da empresa possuídas pelos conselheiros e diretores. Esses resultados mostram que empresas com melhores sistemas de governança corporativa têm menor alterações no nível de assimetria nos períodos de publicação dos resultados. Uma das justificativas para este resultado é que o monitoramento mais efetivo do Conselho em relação aos gestores deveria aumentar a qualidade das evidenciações feitas pela empresa. Assim haveria uma diminuição na variância da informação anteriormente divulgada e da variância do erro nas publicações de resultado, fazendo com que aumentos na assimetria informacional sejam menores nas datas de publicação de resultados quando a qualidade da governança é maior (KANAGARETNAM et al, 2007).
Com base nas evidências apresentadas, pode-se concluir que a utilidade da análise de balanços é influenciada em duas direções com relação ao nível de governança corporativa das empresas. A primeira idéia é que sistemas de governança mais fortes impactam positivamente a qualidade das informações contábeis, tornando-as mais críveis e menos sujeitas a gerenciamento. Neste contexto a utilidade da análise de demonstrações contábeis deveria ser maior para empresas com bons níveis de governança. Entretanto, um importante estudo de Doidge et al (2007) mostra que
(i) quase toda a variação nos índices de governança entre as empresas dos países menos desenvolvidos é atribuída às características do país (principalmente legais de proteção do investidor minoritário e de desenvolvimento do mercado) ao invés de características específicas das empresas normalmente utilizadas para explicar as escolhas de governança e que (ii) o acesso
33 Representa a diferença no número de ações ofertadas para o número de ações demandadas.
ao mercado global aumenta os incentivos das empresas para melhorarem sua governança, mas diminui a importância das proteções legais aos investidores minoritários no país de origem. Adicionalmente, os autores relatam que em países menos desenvolvidos, os incentivos para a empresa melhorar seu nível de governança são baixos porque o financiamento externo é caro e a adoção de melhores mecanismos de governança também é cara. Assim, no caso brasileiro, espera-se que as empresas com acesso ao mercado internacional tenham melhores mecanismos de governança.
Contudo, a assimetria de informações é menor para estas empresas (e o preço é maior), portanto o mercado é mais eficiente com relação ao seu preço. Em mercados eficientes, não é possível obter ganhos anormais com base em informações públicas (análise de balanços). Nesse contexto, conjectura-se que a análise de balanço será mais efetiva entre as empresas com menor nível de governança no mercado brasileiro. Este trabalho aborda diretamente esta hipótese.
A seguir, apresentam-se as principais características do mercado de capitais brasileiro com relação ao seu desenvolvimento e às características de seu modelo contábil.