10.5 Forskernes vurdering av bruk og virkning av forskning
10.5.3 Hva forklarer bruk og virkning av forskning?
Ao abordar-se a temática relativa às aglomerações empresariais, alguns aspectos são relevantes para a acuidade da identificação da tipologia de arranjo em foco. Para tanto, Cassiolato e Lastres (2003) apontam seis aspectos importantes para a caracterização mais exata de um APL. Estes aspectos compõem-se de dimensões conceituais inseridas no conceito de APL e são descritas a seguir:
Dimensão territorial: Essa dimensão tem relação com os aspectos conjunturais do ambiente geopolítico em que o APL se encontra, encerrando variáveis quanto ao número de postos de trabalho, potencial de crescimento, produção, quantidade e qualidade da matéria- prima e mão-de-obra qualificada. Levam-se ainda em consideração, aspectos relacionados à configuração econômica, social e cultural da localidade em que se deseja desenvolver um APL (ALBAGLI; BRITTO, 2006).
Diversidade de atividades e atores econômicos, políticos e sociais: Em uma aglomeração produtiva do tipo APL, sua formação e desenvolvimento envolve mais que empresas. Simplesmente, são necessários incentivos de instituições públicas e privadas voltadas para o desenvolvimento e as ações empreendidas coletivamente, como a formação e treinamento de mão-de-obra especializada; investimento em P&D e financiamentos para construções das instalações empresariais.
Conhecimento tácito: O conhecimento tácito é aquele entranhado nos indivíduos de uma organização, ou mesmo de uma região específica, que não está explicitamente codificado em livros e manuais, por exemplo (ALBAGLI; BRITTO, 2006). Desse modo, é razoável esperar que numa aglomeração produtiva a interação entre os atores locais, o conhecimento tácito seja peculiar e inerente àquela localidade, ou seja, os atores que compõem determinada localidade têm um conhecimento aprofundado daquela região, possuem uma identidade cultural ou características intrínsecas.
Inovação e aprendizados interativos: Num Arranjo Produtivo ocorre troca intensa de informação e conhecimento entre os atores locais, o que favorece o desenvolvimento de novos produtos, processos, métodos e formatos organizacionais (ALBAGLI; BRITTO, 2006). Há uma ligação intrínseca entre esse fenômeno e o contexto globalizado, pois há uma demanda mais criteriosa dos formatos e utilidades dos produtos que estão no mercado, o que induz os
empresários a investirem mais intensamente em P&D, como foco tanto em novos produtos como em novas formas de produzi-los (CASSIOLATO; LASTRES, 2003).
Governança: refere-se à maneira de coordenação, comando, intervenção e participação dos atores do arranjo nas decisões coletivas, bem como tem a ver com as diversas atividades que envolvem a organização dos fluxos logísticos e à gestão do conhecimento (GARCIA; MOTTA; NETO, 2007). A governança também alude ao grau de hierarquia e liderança entre os atores, segundo os mesmos autores. No entanto, a análise dos aspectos relativos à governança de um APL será coerente apenas quando os objetivos, dos atores componentes, superam os ganhos advindos das economias externas (de caráter incidental ou, em outras palavras, retornos crescentes de escala), que emergem da especialização dos agentes participantes.
Grau de enraizamento: Essa dimensão diz respeito às articulações e ao grau de entrosamento dos diferentes atores locais com os fatores (capacitações e recursos humanos, naturais, técnico-científicos, empresariais e financeiros), assim como com outras organizações e com o mercado consumidor local. Em outras palavras, é o grau de sobreposição da cultura local à empresarial (ALBAGLI; BRITTO, 2006).
Ademais a essas considerações sobre os APLs, Albino (2009) acrescenta mais algumas, a respeito das tipologias de APLs sugeridas pela literatura, fruto da dinamicidade e variedade desses aglomerados. Acerca do assunto, a autora cita Mytelka e Farinelli (2000), com sua classificação dos APLs em três categorias, a saber: informais, organizados e inovativos.
A definição de Arranjos Informais proposta por Mytelka e Farinelli (2000) defende que estes são constituídos de micro e pequenas empresas, com baixos níveis tecnológicos e geridos pelos próprios proprietários, caracterizados por reter reduzida capacidade gerencial e formação gerencial e administrativa rudimentar.
A definição de Arranjos Organizados sugere que esses são compostos, geralmente, por pequenas e médias empresas, nas quais a capacidade tecnológica encontra pequena defasagem com relação ao mercado, estando o arranjo em expansão e, em alguns casos, muito próxima da excelência em equipamentos e processos.
Arranjos Inovativos são aqueles, como o próprio nome sugere, baseados em setores nos quais a capacidade inovativa é uma competência chave para seu desempenho competitivo. A elevada capacidade gerencial e adaptativa, maior nível e treinamento da mão-de-obra, estrutura disseminada, estreita ligação com o mercado externo e superior grau de confiança e
cooperação entre os agentes fazem desse tipo de arranjo produtivo detentor de uma dinâmica distinta em relação aos anteriores.
O quadro 4 ilustra sumariamente as tipologias de APL, segundo Mytelka e Farinelli (2000).
Quadro 4 - Tipologias de APLs
APLs informais APLs organizados APLs inovadores Tamanho das
empresas Micro, pequenas e médias Pequenas e médias
Pequenas, médias e grandes
Existência de liderança
Baixo nível de
liderança Baixo a médio
Alto nível de liderança
Capacidade inovadora
Pequena capacidade
inovadora Alguma Contínua
Cooperação Baixos índices de cooperação e especialização
Alguma a alta Alta
Competição Alta competição Alta Média a alta
Exportação Pouca ou nenhuma exportação Média a alta Alta
Confiança
interna Pequena Alta Alta
Nível de
tecnologia Pequena Média Média
Ligações entre
empresas Algum Algum Difundido
Novos produtos Poucos ou nenhum Alguns Continuamente
Fonte: Mytelka e Farinelli (2000), p. 5.
Essa abordagem de Mytelka e Farinelli (2000), no sentido de classificação dos APLs nessas três categorias, pode auxiliar na identificação de quão estruturado pode estar um APL em análise. Em outras palavras, viabiliza uma análise espectral de quão organizado está o APL.
Torna-se também relevante tomar conhecimento de como o ambiente local estimulou o surgimento dos APLs, para além de um ponto de vista especificamente econômico. Nesse sentido, Barroso e Soares (2009) listam alguns fatores que, embora não componham um conjunto suficiente, são considerados imprescindíveis para o desenvolvimento desses arranjos, são eles:
• Sedes administrativas das empresas estarem no APL;
• Parte significativa das decisões de financiamento a investimento estarem no APL (com capital próprio ou de terceiros). Não pertencer a sistemas industriais periféricos;
• Propriedade de marcas e tecnologia de produtos serem, principalmente, de empresas cuja sede está no APL;
• Desenvolvimento de produtos, máquinas e insumos especializados a ser realizado no APL;
• Cooperação institucionalizada oferecendo serviços fundamentais;
• Sensibilidade de entidades governamentais às necessidades do APL e estreita cooperação entre essas entidades e o representante das empresas;
• Planejamento estratégico permanente e participativo no APL;
• Acesso à mão-de-obra especializada com capacitação para atividades criativas ou estratégicas do setor;
• Elevado grau de confiança mútua preexistente no local.
Segundo os autores supracitados, esses fatores são essenciais ao desenvolvimento dos APLs, principalmente, para a conversão daqueles que se encontram em estágios iniciais (informais), em APLs organizados e inovativos, dotando-os de maior competitividade.