Segundo Gonzales (2005), considerando a situação internacional, a EaD tem um histórico e uma dimensão que difere do cenário brasileiro em três aspectos
principais: número de aprendizes atendidos, quantidade de universidades envolvidas e diversidade de cursos.
A primeira alternativa que permitiu as pessoas comunicarem-se sem estarem face a face foi a escrita. Landim (1997) sugere que as mensagens, manualmente escritas, trocadas pelos cristãos para difundir a palavra de Deus são a origem da comunicação educativa, por utilizarem a escrita com o objetivo de propiciar aprendizagem a discípulos fisicamente distantes. Nesse contexto, é possível considerar que a EaD é uma modalidade de ensino tão antiga quanto as primeiras epístolas bíblicas.
Entretanto, no âmbito mundial, considera-se como marco histórico que a EaD começou no século XV, quando Johannes Guttenberg, em Mogúncia, na Alemanha, inventou a imprensa, e fez com que o “livro manual” desse lugar ao “livro copiado”, possibilitando uma maior flexibilidade de acesso ao conteúdo para um número maior de pessoas. Com o desenvolvimento dessa tecnologia, tornou- se desnecessário ir às escolas para assistir ao “venerado mestre” ler o raro livro para adquirir conhecimentos (ALVES; NOVA, 2003; RODRIGUES, 1998).
A partir da invenção da imprensa, foi possível que as bibliotecas criadas passassem a concentrar a produção cultural e difundi-la por meio dos empréstimos dos exemplares. Nesse contexto, o acesso à informação começou a ocorrer distante do espaço onde se encontrava o documento original, geralmente manuscrito, que podia ser lido a qualquer momento e não apenas na presença de um dos responsáveis.
É por essas duas características - “distante no espaço e no tempo” – que o advento da imprensa é considerado um marco histórico que muito contribuiu para
a criação de uma modalidade educacional diferenciada da existente até então que era o modelo presencial.
Mesmo sendo a invenção da imprensa considerada uma avanço técnico- social e cultural incomensurável, a situação de resistência a essa nova tecnologia não foi muito diferente da enfrentada no século XX, quando a EaD começou a ser considerada, efetivamente, no cenário educacional.
No século XV muitas pessoas resistiram, durante anos, ao livro impresso mecanicamente, pois tinham receio de que isso tornaria desnecessária a figura do mestre. Anos depois, a mesma insegurança e as mesmas discussões começaram a ser levantadas com a disponibilização de conteúdo didático pelas tecnologias da informática e da comunicação.
Moore e Kearsley (2005) destacam que o livro impresso permitiu que as pessoas aprendessem em lugares diferentes e alternativos e, mais tarde, com a diminuição dos preços e a melhoria na qualidade e confiabilidade dos serviços de correio no mundo todo, foi possível acreditar num processo interativo, por meio da comunicação escrita entre quem ensina e quem aprende. Esses três fatores – imprensa, correios e a estruturação do conceito de interação - possibilitaram a criação de cursos com qualidade considerável e mensurável.
Isso influenciou um novo momento histórico, uma vez que a respeitabilidade da academia na formatação de cursos por correspondência “foi formalmente reconhecida quando o estado de Nova Iorque autorizou o Chatauqua Institute, em 1883, a conferir diplomas” por meio do ensino por correspondência (MOORE e KEARSLEY, 1996, p. 20)
É claro que há algumas divergências com relação ao pioneirismo das iniciativas dos cursos a distância, mas o ponto comum com relação à iniciativa de
maior destaque na área está relacionado à Open University da Inglaterra (OU), criada em 1969, que é considerada não só como um fato histórico significativo, mas como um modelo de sucesso em formação a distância (OPEN UNIVERSITY, 2007).
O grande diferencial da OU, com relação a outras iniciativas, foi seu pioneirismo em usar, integradamente, algumas tecnologias de comunicação e núcleos espalhados pelo país como pontos responsáveis pelo contato pessoal entre educador e educando, garantindo uma formação controlada e de qualidade (OPEN UNIVERSITY, 2007).
É possível fazer uma relação direta entre o número crescente das iniciativas em EaD e os avanços e a acessibilidade tecnológicos, pois, na mesma medida em que ficava mais fácil a comunicação entre lugares distantes, ficava também mais fácil promover e prover oportunidades .
Para Moore e Kearsley (2005) e Prates e Loyolla (1998, 2006b), considerando os dados sobre EaD no Brasil e no mundo e seus momentos relevantes, é possível identificar e dividir os acontecimentos existentes em 3 (três) gerações e elas estão diretamente ligadas aos avanços de diferentes tecnologias3.
• 1ª Geração: caracterizada pelo material impresso. Teve início no século XIX, na Inglaterra, com a implementação dos primeiros cursos por correspondência. No Brasil, esta geração foi iniciada em 1939, com a criação do Instituto Universal Brasileiro e do Instituto Monitor.
3 Tecnologia, segundo Filatro (2004, 2008), é um corpo de conhecimento que usa o método científico
para manipular o ambiente, realizando uma fusão entre ciência e técnica. No campo educacional, considera-se que a escola, a sala de aula, os livros são tecnologias tanto quanto retroprojetor, vídeo e computador. Tecnologia da informação pode ser definida como processo de produção, armazenamento, recuperação, consumo e utilização de informações dinâmicas em constantes atualizações. Envolve a digitalização de textos, imagens e sons. As tecnologias de comunicação dizem respeito aos processos de transmissão de dados através de dispositivos técnicos, como fios elétricos, circuitos eletrônicos, fibras e discos óticos.
• 2ª Geração: caracterizada pela popularização do rádio, da televisão, das fitas de vídeo, dos programas gravados, etc. Teve início do século XX. A comunicação síncrona predominou nesse período. No Brasil, esta geração foi marcada pela criação das TVs Educativas, em meados dos anos 60.
• 3ª Geração: caracterizada pelo uso das chamadas novas tecnologias de informação e da comunicação (TICs), especialmente Internet. Teve seu início no final do século XX e início do século XXI. Aconteceu, simultaneamente, no mundo e no Brasil. Essa geração modificou o conceito de educação “a distância” por eliminar, definitivamente, a necessidade da sincronicidade no processo de aprendizagem. Essa geração é baseada na construção de comunidades de aprendizagem, na pesquisa e no desenvolvimento de novas práticas educacionais, nas quais a informática, aliada à tecnologia da comunicação em rede, direciona a novas oportunidades educacionais.
No Apêndice A está descrita a cronologia da evolução da EaD no mundo, assim como a relação estreita entre as iniciativas, implantadas como forma de resposta a uma necessidade local de formação social, cultural e econômica. Essa necessidade de criação de oportunidades pela modalidade a distância ainda atualmente é uma realidade.
No que diz respeito às iniciativas brasileiras, não é tão fácil descrevê-las cronologicamente quanto se poderia imaginar, pois poucos são os registros históricos dessas iniciativas.
O que se tem registrado é que o processo iniciou-se na década de 30, voltado para o ensino de profissões, e foi evoluindo em função da disponibilidade dos meios de comunicações e das políticas educacionais, que legalizaram a modalidade no país. (Apêndice B)
Segundo Brasil (2008), muitas instituições de ensino superior brasileiras desenvolvem programas de EaD e a tendência é que durante o século XXI aconteça um contínuo movimento de consolidação e expansão dessas iniciativas.
Nos contextos mundial e brasileiro de desenvolvimento da educação a distância, é importante salientar que novas metodologias e técnicas são incorporadas à educação quase diariamente; isso permite que diferentes estratégias sejam desenvolvidas e implementadas nos cursos de modalidade presencial e/ou a distância.
A tecnologia vem para enriquecer e facilitar o processo de ensino e aprendizagem e as pessoas são capazes de aproveitar as facilidades promovidas por elas nas práticas profissionais e atividades de lazer. Assim, é fácil perceber a vantagem que se tem ao utilizar esse know-how para promover um processo educacional mediado pela tecnologia - sem, contudo, esquecer as bases teóricas pedagógicas que o sustentam.
Nesse contexto, especificamente para a EaD, novos horizontes se abrem, pois a tecnologia começa a ser observada como uma estratégia alternativa e competitiva no setor, desde que sua implementação considere os aspectos didático-pedagógicos do processo educacional.