1. Innledning og problemstilling
6.1 Hva bruker kriseledelsen sosiale medier i krisehåndtering?
Na sétima série, lembro-me de ter impressionado o meu professor de Ciências ao dar a resposta certa à sua pergunta sobre matéria alternativa. “Existe algo além da matéria no universo?”, “Antimatéria!”, respondi. Ele
desembestou numa preleção sobre como era importante a leitura fora da sala de aula, usando-me como um bom exemplo, até me perguntar onde eu havia lido sobre antimatéria. As risadas dos alunos por eu ter lido sobre antimatéria em um número de Justice League [“Liga da Justiça”, grupo de super-heróis do qual fazem parte Super-Homem, Batman, Mulher-Maravilha entre outros] poderia ter puxado o tapete debaixo do professor – mas ele era inteligente demais para não se sair bem. Recomendou que todos nós lêssemos gibis, se estivessem repletos de informações úteis (GRESH, 2005, apud VILELA, 2009, p. 92-93.)
Nos últimos anos, temos percebido o delineamento da relação entre quadrinhos e Ciências no tocante ao desenvolvimento de trabalhos acadêmicos e publicação de artigos em periódicos de relevância na área de ensino de Ciências, o que aponta para a emergência desta temática.
No Brasil, um dos precursores desta associação CN – HQ é Francisco Caruso, que através do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF), elaborou pequenas histórias que abordam temas da Física Clássica e Moderna, objetivando motivar o aluno a estudar e/ou aumentar o seu interesse pela Física. Os quadrinhos são elaborados por professores e alunos que fazem parte do Projeto de Educação de Ciências Através de Histórias em Quadrinhos (EDUHQ) e, segundo Fábio Luís Alves Pena, em reportagem para a revista Física na Escola, do ano 2003, a EDUHQ é “uma nova forma de interação com os alunos – as ‘Tirinhas da Física’ – podem auxiliar o professor a melhor incentivar os alunos para discutir Ciência em sala de aula” (PENA, 2003, p.20).
Caruso, Carvalho e Silveira (2005) escreveram um artigo com os mesmos tópicos contemplados por Pena (2003), explicando-os de forma mais acurada, apontando que se trata de um “[...] projeto multidisciplinar que tem como meta principal o ensino das ciências através de procedimentos didáticos não formais, que articulam conteúdos cognitivos e produção artística através de uma raiz comum: a ênfase na criatividade operando no campo pedagógico”. (CARUSO; CARVALHO; SILVEIRA, 2005, p. 33)
O projeto citado está em consonância com o pensamento do epistemólogo Gaston Bachelard, ao valorizar a razão e a imaginação. A proposta é audaciosa e tem dado certo, disponibilizando as tirinhas na internet, contribuindo tanto para a formação de alunos quanto como material de apoio para centenas de professores.
Um outro exemplo, no âmbito de trabalhos desenvolvidos em Programas de Pós- graduação, que tratam da relação entre Ciências e quadrinhos, é a tese de Anabela Henriques de Anabela Henriques de Matos Soares, que foi defendida na Universidade do Minho, em Portugal, no ano 2004. A tese é intitulada “A química e a imagem da Ciência e dos cientistas
na banda desenhada”, que objetivou caracterizar a prática de professores do 3º ciclo ao inserir em suas aulas as HQs, identificando o conteúdo científico presente neste material. A pesquisadora observou a prática leitora de 370 alunos do 9º ano e de 89 professores que lecionavam a disciplina Ciências Físico-Químicas. Em um segundo momento, analisou 46 HQs do Tio Patinhas, na busca de conteúdos científicos nas mesmas. Num terceiro momento, a pesquisadora analisou uma amostra com oito alunos e oito professores que interagiram com trechos das HQs que continham conhecimento científico, concluindo o seu estudo apontando os aspectos positivos desta inserção. A visão deturpada da ciência e do cientista também foi alvo de análises, apontando para o papel crucial do professor na mediação das bandas desenhadas no contexto escolar.
No ano seguinte (2005), encontramos outro artigo que aponta a utilização dos quadrinhos nas aulas de Ciências Naturais como recurso didático, escrito por Kamel e La Rocque (2005). As autoras descrevem de forma sucinta uma experiência utilizando a Turma da Mônica em um projeto interdisciplinar em duas classes do atual 5º ano, utilizando os quadrinhos para abordar o tema “alimentação”. Embora as autoras não apontem quais quadrinhos foram utilizados, nem os desdobramentos que se efetivaram, o trabalho contribui para tratar da temática na área das Ciências Naturais, haja visto que o artigo foi publicado no número extra da revista Enseñanza de las Ciencias. É essa mesma revista que traz um trabalho de Gonçalvez y Machado (2005), que investigam os conteúdos paleontológicos presentes nas histórias de Mauricio de Sousa, apontando para os acertos e equívocos que se delineiam neste material. Foram classificados 15 termos paleontológicos, distribuídos em 94 situações presentes em 55 revistas, apresentando alguns erros, como também sugestões para professores, apontando que “los errores y los aciertos de los cómics pueden utilizarse em comparación com los conocimientos de los alumnos o bien como tema generador de discusión y trabajo” (GONÇALVEZ; MACHADO, 2005, p. 271). Contudo, o trabalho apresentado só fornece informações sobre os quadrinhos, não apresenta a aplicabilidade no ambiente escolar.
Também foi defendida no ano de 2005 na Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (FEUSP) a dissertação intitulada “Um corpo que cai: as histórias em quadrinhos no ensino de Física”, por Leonardo André Testoni. Em seu trabalho, o pesquisador apresenta a implementação de uma HQ – de sua autoria – para ensinar o princípio da inércia, em duas turmas do 9º ano, apontando que o avanço conceitual dos alunos no aprendizado do conteúdo proposto se deu com a leitura e discussão da HQ em sala de aula, considerando-a como uma
“faísca de explosão”, que desencadeia discussões em sala. O autor também aponta para a importância de uma boa formação do professor em sala de aula.
Seguindo a mesma temática, Kamel e La Rocque (2006) elaboram o artigo “As histórias em quadrinhos como linguagem fomentadora de reflexões – uma análise de coleções de livros didáticos de Ciências Naturais do Ensino Fundamental”, na Revista Brasileira de Pesquisa em Educação em Ciências, da Associação Brasileira de Pesquisa em Educação em Ciências (ABRAPEC). No artigo, as pesquisadoras analisaram 12 livros de Língua Portuguesa e 12 livros de Ciências, analisando a frequência com que os quadrinhos apareciam e o tratamento didático que lhes era dado, concluindo que, na maioria dos casos, a HQ tem apenas a função ilustrativa, não ampliando os conceitos por meio dessa linguagem.
Nesse mesmo ano, no Instituto Oswaldo Cruz (FIOCRUZ), Kamel escreveu sua dissertação, intitulada: “Ciências e Quadrinhos: explorando as potencialidades das histórias como materiais instrucionais”, que objetivou propor a inserção das HQs para o ensino de tópicos de Biologia, introduzindo, elaborando e complementando os conhecimentos científicos. Para tanto, analisou 392 revistas da Turma da Mônica, das quais 274 tratavam de um dos eixos norteadores de conteúdos propostos pelos PCNs, porém a autora deu ênfase para o conteúdo “ambiente”. A autora evidenciou a relevância das HQs para desenvolver diversas competências cognitivas nos educandos (e, por que não, nos educadores).
No ano de 2007, a revista Ciência e Ensino trazia o artigo de Linsingen intitulado “Mangás e sua utilização pedagógica no ensino de Ciências sob a perspectiva CTS23”, focalizando nas características positivas deste gênero e nos discursos recorrentes de mangás, apontando um mangá e dois animes de uso didático, concluindo que esse material é fértil em concepções científicas. Entretanto, em um levantamento preliminar, a autora não percebeu a discussão sobre sua utilização no ambiente escolar por parte dos principais eventos nacionais sobre pesquisa em ensino de Ciências, como o do Encontro Nacional de Pesquisa em Educação em Ciências (ENPEC).
No ano de 2009, na Universidade Estadual Paulista (UNESP), foi defendida a dissertação intitulada “Histórias em quadrinhos e o ensino de Ciências nas séries iniciais: estabelecendo relações para o ensino de conteúdos curriculares procedimentais”, da autoria de Mariana Pizarro. Seu objetivo foi “caracterizar práticas e estratégias de ensino e avaliação relevantes na aprendizagem de conteúdos curriculares procedimentais preconizados para a Educação Científica nas séries iniciais”, (PIZARRO, 2009, p. 8). Para tanto, utilizou 4
histórias da Turma da Mônica e viabilizou a elaboração por parte dos alunos de HQs que tratassem da temática proposta e indicassem a alfabetização científica da turma do 5º ano do Ensino Fundamental. A autora conclui que a atividade com HQs comerciais é viável e contribui para a alfabetização científica dos alunos, “[...] para formar alunos constantemente curiosos, capazes de se posicionar diante de questões científicas, autônomos em suas decisões e participativos em sala” (PIZARRO, 2009, p. 106). Aponta, ainda, para a necessidade de o professor estar preparado para as demandas recorrentes desta prática em sala de aula.
Em nosso levantamento, encontramos poucos artigos que tratassem da relação entre Ciência e Quadrinhos. Assim sendo, para apontar como tais discussões têm se delineado em eventos voltados para a área de Ciências, realizamos um levantamento nos anais do ENPEC dos anos de 1999 a 2009, com a finalidade de analisar trabalhos que foram apresentados e que tratavam sobre a associação dessas duas áreas. O evento bienal foi escolhido por se tratar do maior encontro de ensino de Ciências do Brasil, reunindo um grande número de pesquisadores renomados da área.
Nos anos de 1999 e 2001 não encontramos nenhum artigo que fizesse alusão aos quadrinhos. No ano de 2003, foi apresentado no evento um artigo intitulado: “A utilização das histórias em quadrinhos no ensino de Física”, por Abib e Testoni, trabalho esse que em vários momentos é utilizado como referência para quem estuda essa relação temática. Além de falar sobre a importância dos quadrinhos e o conteúdo científico presente nas HQs, os autores discursam sobre a relevância deste material em sala de aula, apresentando uma proposta concreta de ensino, implementando uma HQ sobre o princípio da inércia, que foi elaborada para fins didáticos por Testoni, mas que, em nossa opinião, contempla todos os aspectos necessários para a leitura com fruição de uma HQ já comercializada.
Em princípio, os autores categorizam as HQs em ilustrativas – com a função catártica primordial; as de categoria explicativa – com um conteúdo conceitual escolhido a priori; a categoria motivadora – que serve para ilustrar um conteúdo que o professor deseja ensinar; e a categoria instigadora – que traz uma questão para que o aluno reflita e busque resolver. Nesta última categoria se enquadra este trabalho. Além disso, argumentam de forma coerente sobre a inserção da HQ na escola, pelas suas vertentes lúdicas, cognitivas e a linguagem, apresentando em seguida as etapas da pesquisa, a qual utilizou a HQ com um texto do GREF (Grupo de Reelaboração do Ensino de Física), propondo aos alunos a confecção de uma nova HQ, tendo como eixo motivador o princípio da inércia. Os autores chegam à conclusão que os
alunos deixaram de tratar a inércia como uma força, o que não era percebido antes da aplicação, sinalizando o benefício da proposta.
No ano de 2005, foi apresentado um painel intitulado “Educação científica de hanseníase: histórias em quadrinhos para o ensino da doença”, por Cabello e Moraes. No entanto, utilizando as categorias de Testoni e Abib (2003), a HQ citada pelos autores se relaciona com a categoria explicativa, como um folheto educativo, o que para nós tira o caráter lúdico dos quadrinhos. Além disso, os autores não apresentam a HQ utilizada, o que dificulta a nossa compreensão do processo de acercamento e avanço conceitual por parte dos alunos tendo como estratégia o uso de HQs.
Já no ano de 2007 o evento contou com uma comunicação oral e um pôster que tratavam sobre quadrinhos. A comunicação oral, intitulada “A temática ambiental e seu potencial educativo nas histórias em quadrinhos de Mauricio de Sousa”, apresentado por Lisboa, Junqueira e Del Pino, visava avaliar os conteúdos ambientais presentes nas histórias da Turma da Mônica, realizando a análise de quatro histórias com a temática e apontando os problemas conceituais presentes em sua narrativa, como também a sua relevância como veículo da cultura de massa, podendo ser um material utilizado pelos professores, desde que reflitam sobre suas limitações pedagógicas.
Já o pôster, intitulado “Chico Bento, Henry Giroux e Paulo Freire: reflexões sobre a Ciência ensinada na escola”, de autoria de Bueno e Oliveira (2007), não trata diretamente da relação HQ-CN, mas usa essa literatura gráfico-visual para tecer uma discussão sobre o saber científico e o saber proveniente do senso comum, das turmas de Educação de Jovens e Adultos na disciplina de Biologia, uma iniciativa de valorização do capital cultural dos educandos, ancorado nos estudos de Giroux e Freire, como o próprio título sugere.
No ano de 2009, três trabalhos foram apresentados contemplando a temática. Um deles, intitulado “As histórias em quadrinhos como linguagem e recurso didático no ensino de Ciências”, de autoria de Pizarro, faz um levantamento sobre a caracterização das histórias em quadrinhos no ensino de Ciências, analisando periódicos, teses, dissertações e artigos nacionais e internacionais, construindo um estado da arte sobre essa relação. Em tal revisão constam também os trabalhos que aqui foram citados. É da mesma autora, em parceria com Jair Lopes Junior, o artigo intitulado: “A história em quadrinhos como recurso didático no ensino de indicadores de alfabetização científica nas séries iniciais”, que é um recorte de sua dissertação, já apresentada neste trabalho, focalizando cinco aulas que fizeram uso de
histórias em quadrinhos e os indicadores de alfabetização científica nos anos iniciais, estimulados pelo uso de HQs.
Outro trabalho, apresentado por Carvalho e Martins (2009), trata sobre a utilização dos quadrinhos para motivar a discussão sobre história da Ciência na formação continuada de professores, apresentando uma proposta para ser desenvolvida nos anos iniciais do Ensino Fundamental.
Sabemos que outros trabalhos podem ter sido elaborados nessa vertente, ainda que não estejam amplamente divulgados ou ainda não catalogados nas páginas dos Programas de Pós-Graduação. Contudo, essa sistematização que fizemos já aponta para um olhar mais “acadêmico” para os quadrinhos no ensino de Ciências, ainda que a abordagem de utilização destes apresente algumas lacunas, pois:
Independentemente das imprecisões ou distorções que os quadrinhos possam apresentar em relação aos conteúdos de disciplinas como História, Geografia e Ciências, eles podem, no mínimo, fornecer elementos para que os alunos associem ou comparem o que estudam na escola a algo que já viram antes (VILELA, 2009, p. 78-79)
Consideramos as potencialidades formativas da HQ, mas temos em mente a importância do preparo do professor para que haja uma mediação efetiva. Se o educador, por exemplo, não tiver o “domínio da matéria a ser ensinada” (CARVALHO, GIL-PÉREZ 2006), como poderá detectar erros conceituais nas HQs e trabalhar com eles satisfatoriamente em sala de aula? Para que tal relação ocorra de forma satisfatória, se faz necessário buscar meios metodológicos que subsidiem essa prática. Dessa forma, consideramos os aspectos metodológicos de uma pesquisa semelhante a elaboração do esboço e do roteiro de uma HQ, pois estes se constituem a mola-mestra da consolidação da história, que faz uso dos fios já tecidos em nossa segunda parte e têm como estratégia da trama o que já foi elencado em nossa terceira parte. E é nessa perspectiva que vamos à quarta parte de nossa história.
O esboço e o roteiro da
história
4 O ESBOÇO E O ROTEIRO DA HISTÓRIA