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HR-2020-475-A (DnB)

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4.3.5 HR-2020-475-A (DnB)

O segundo momento se constituiu da implementação da sistematização da assistência propriamente dita, o que ocorreu em fases, tais como a discussão sobre os impressos, iniciando-se pelo histórico de enfermagem. Depois se realizaram novas discussões em pequenos grupos com os enfermeiros, a observação participante, as intervenções durante o processo, a elaboração e testagem dos outros impressos introduzidos na prática, além do treinamento com a equipe de enfermagem.

O primeiro impresso: o histórico de enfermagem

Neste momento da ação de implementação da SAE, foi realizado um grupo focal com os enfermeiros, onde foi abordada a temática do histórico de enfermagem. Nessa reunião, não foi possível o comparecimento de todas as enfermeiras, mas estiveram presentes seis delas, o que constituiu 60% da população. A proposta para a discussão em pauta foi apresentada, fazendo-se uma retrospectiva sobre a Sistematização da Assistência de

Enfermagem (SAE), o surgimento do plano de cuidados, a evolução para o processo de enfermagem e a disseminação da nova prática na profissão. As diferenças entre os termos “metodologia da assistência”, “processo” e “sistematização” foram explicadas.

Partiu-se dessa reunião para a elaboração do impresso de histórico de enfermagem, tomando-se por base o modelo constante no Anexo C, anteriormente utilizado na instituição e de prática descartada pelos enfermeiros, com o passar dos anos. Com isso, o instrumento utilizado anteriormente foi reavaliado por esses profissionais, que propuseram mudanças, sugerindo-se um novo modelo para ser testado e aplicado na prática. Esse impresso foi modificado quatro vezes, até chegar à versão final constante no Apêndice E, amplamente aceita pelos enfermeiros da instituição.

Das discussões em pequenos grupos

Segundo Freire (2003), o trabalho no círculo de cultura assume duas vertentes: a liberdade e a crítica. Para o autor, o aprendizado somente ocorrerá no contexto livre e crítico das relações entre coordenador e educandos. Visto isso, optou-se por criar um ambiente de grupo. Um grupo de estudos sobre a SAE já havia sido proposto em situações anteriores pelos enfermeiros, assim, a formação de pequenos grupos para as discussões proporcionou um espaço livre para o despertar da criatividade e da crítica, embora não tenha havido participação integral de todos os membros nos vários momentos de reuniões.

Freire (2003) descreve o círculo como um grupo de trabalho e debate, no qual se aplica a discussão da linguagem dentro do contexto de uma prática livre e crítica, onde a liberdade é compreendida não apenas nos limites das relações internas do grupo, mas necessariamente associada à tomada de consciência que este realiza em uma situação social.

A criação de um grupo de estudos com os enfermeiros para discutir a implantação da SAE se deu de maneira natural, com a autora convidando os enfermeiros a participarem em horários que facilitassem a presença da maioria, o que não ocorreu em todos os momentos, porém na maioria das reuniões obteve-se a presença de quatro ou cinco participantes. Em algumas ocasiões a mesma temática foi repetida em horários diferentes, para que se pudesse atingir o maior número de participantes.

Durante os encontros, a autora optou por trazer uma exposição sucinta sobre um determinado tema, seguindo-se as discussões com o grupo presente e abertura para sugestões

sobre o andamento da pesquisa, e, em alguns momentos, com distribuição prévia de textos sobre a temática, para leitura e reflexão. Cada sessão teve a duração aproximada de 30 minutos, tendo-se estendido esse tempo em algumas situações nas quais houve maior interesse no tema.

Com base nas sugestões, elaborou-se um cronograma para implementação de cada etapa, com revisão do planejamento inicial, construção coletiva dos temas a serem abordados durante a capacitação direcionada a toda a equipe de enfermagem e formas de envolver os auxiliares e técnicos de enfermagem no processo.

Do treinamento para a equipe de enfermagem

Um treinamento sobre a SAE com toda a equipe foi apontado já na construção do projeto de pesquisa, tendo sido também elencada essa necessidade pelos enfermeiros durante o grupo focal realizado para caracterizar o diagnóstico situacional da prática de enfermagem no HOSPED.

Dessa forma, elaborou-se um treinamento para a equipe de enfermagem da instituição, a se realizar no auditório, o qual foi prontamente reservado e disponibilizado para uso, com aulas distribuídas nos meses de maio e junho de 2010, contabilizando uma carga horária de 40 h, com participação semipresencial.

Os seguintes conteúdos foram definidos: Sistematização da Assistência de Enfermagem (SAE), protocolos de enfermagem no HOSPED, diagnóstico de enfermagem em pediatria, exame físico para enfermagem em pediatria e, para finalizar, uma discussão sobre a operacionalização da SAE.

A efetivação do treinamento não ocorreu conforme havia sido planejado inicialmente, visto a equipe de enfermagem não ter comparecido no local e hora previstos, tendo sido necessária uma modificação no plano original para as discussões em pequenos grupos, a fim de envolver a equipe na capacitação. Assim, o treinamento foi realizado, com repetição de aulas em diversos horários, nas dependências da instituição, reunindo grupos pequenos. Algumas das aulas foram desenvolvidas pela autora e outras por professores convidados, que participaram espontaneamente, contribuindo com suas experiências e conhecimentos na construção do saber daquela equipe.

Com a mudança de estratégia de aula para treinamento em pequenos grupos, adotaram-se as seguintes condutas: a aula sobre a SAE foi apresentada pela autora, repetindo a mesma temática em vários turnos, atingindo 19 participantes; os protocolos de enfermagem da instituição foram revisados por sete enfermeiros, produzindo-se um relatório, conforme o Apêndice H, o qual contém as mudanças e sugestões de treinamento sobre curativos e a necessidade de discussão ampliada sobre cateterismo vesical; a aula sobre o diagnóstico de enfermagem foi apresentada por uma professora convidada em apenas um momento, obtendo 15 participantes, assim como a aula sobre exame físico, que também foi ministrada por professoras convidadas, onde obteve-se 17 participantes. A finalização se deu com discussões em pequenos grupos, já com a utilização de todos os impressos testados.