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Na construção de estudos da variação linguística, a variação não é vista como um desviante, mas como um processo linguístico e um fenômeno com toda a sua complexidade, que faz parte da organização da gramática de uma língua.

Convergimos, assim, para o constructo teórico da variação em Terminologia, postulado por Faulstich em 2001, assunto que explicaremos mais adiante.

De início, entendemos que o constructo teórico da variação de Faulstich servirá de base para que seja pensada uma proposta do constructo para a LSB, na análise dos termos propostos no presente trabalho. Para tanto, faz-se necessário apresentar alguns pressupostos teóricos defendidos pela autora, para depois explicitar o sistema de classificação das variantes.

 

A definição de termo e conceito é evidenciada por Faulstich:

“termos são signos que encontram sua funcionalidade nas linguagens de especialidade, de acordo com a dinâmica das línguas; são entidades variantes porque fazem parte das situações comunicativas distintas: são itens do léxico especializado, que passa por evoluções, por isso devem ser analisados no plano sincrônico e no plano diacrônico das línguas”. (Faulstich, 1998, p. 93).

A autora Faulstich (1995) observa, que uma diferenciação na análise dos termos implica tratamento diferenciado do corpus de análise. A proposta de uma abordagem funcionalista do termo, a descrição das bases metodológicas para a pesquisa e a defesa dos princípios de estreita relação entre termo e variação são pontos fundamentais na sua pesquisa terminológica. Para a autora, a terminologia sofre variações por fazer parte da língua, que é de natureza heterogênea e de uso social, e acrescenta que a variação indica uma mudança em curso, podendo ser vista sob duas perspectivas: a) a sincrônica, em que as formas variantes apresentam o mesmo significado referencial; b) a diacrônica, em que o termo é descrito no seu percurso histórico, sofre variação e pode mudar.

Faulstich (2001, p. 25) estabelece cinco postulados básicos para uma Teoria da Variação em terminologia. Vejamos: a) dissociação entre estrutura terminológica e homogeneidade ou univocidade ou monorreferencialidade, associando-se à estrutura terminológica a noção de heterogeneidade ordenada; b) abandono do isomorfismo categórico entre termo-conceito-significado; c) aceitação de que, sendo terminologia um fato de língua, ela acomoda elementos variáveis e organiza uma gramática; d) aceitação de que a terminologia varia e de que essa variação pode indicar uma mudança em curso; e e) análise da terminologia em co-textos linguísticos e em contextos discursivos da língua escrita e da língua oral.

Podemos perceber, portanto, com base nos postulados acima, que a terminologia moderna relaciona a variação com o tempo, o espaço e os usuários.

Para ampliar a compreensão do constructo de Faulstich (2001, p. 27-34), registramos uma síntese do que diz a autora. As variantes terminológicas são compreendidas em duas classes: as variantes terminológicas linguísticas e as variantes terminológicas de registro. Ambas as classificações se subdividem, como veremos a seguir.

As variantes terminológicas linguísticas são determinadas pelo fenômeno propriamente linguístico, e podem ser: fonológicas, quando a escrita é decalcada da

 

fala; morfológicas, quando há variação na estrutura morfológica do termo, sem implicar alteração do conceito, sintáticas; quando há variação entre duas construções sintagmáticas de uma unidade terminológica complexa, sem implicar alteração do conceito; lexicais quando algum elemento da unidade terminológica complexa sofre apagamento ou movimento de posição, sem implicar alteração de conceito e gráficas, quando há variação de grafia conforme as convenções da língua.

Já as variantes terminológicas de registro decorrem do ambiente de concorrência, no plano horizontal, no plano vertical e no plano temporal em que se realizam os usos linguísticos, e podem ser geográficas, porque ocorrem no plano horizontal de diferentes regiões em que se fala a mesma língua; temporais, quando duas variantes concorrem durante determinado período de tempo, até que uma forma se fixe como preferida, e de discurso, quando a variação decorre da “sintonia comunicativa” entre elaborador e usuários de textos científicos e técnicos.15

Esses estudos nos ajudam a pensar em um constructo para a pesquisa em língua de sinais, por isso esse assunto é central em nossa pesquisa.

O principal objetivo de um constructo para a pesquisa em língua de sinais é garantir os direitos dos Surdos relativos ao acesso e ao domínio à língua de sinais, reconhecidamente, a língua natural deles, como a forma mais plena de comunicação.

A organização de um constructo deve resultar e culminar nas práticas de interações cotidianas com Surdos. Para isso, no modelo de estudo da variação linguística, é possível pensar um modelo para a pesquisa da variação linguística da LSB.

Nesse sentido, as materializações das ações linguísticas dependem das concepções sobre a língua de sinais, pois as concepções revelam formas distintas de compreender, intervir e interagir com Surdos falantes de LSB. Um construto da variação linguística para a LSB precisa ser compreendido e defendido por profissionais de diferentes campos de interesse da LSB. Essa concepção deve ser inspiradora de alternativas linguísticas, deve ter na base a língua de sinais e as especificidades da comunicação viso-espacial.

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Ler “Aspectos da Terminologia geral e Terminologia Variacionista de Faulstich, em: TradTerm, Humanitas/USP, v. 7, São Paulo, 2001, p. 11-40.

 

Abordar estudos sobre a LSB, em especial, sobre a variação que ocorre na língua, requer que pensemos em um constructo próprio para que se possa ter os postulados que nortearão a pesquisa da variação linguística em LSB, com o olhar voltado para as políticas linguísticas que regulam o ensino, a aprendizagem e os usos da Língua de Sinais Brasileira – LSB.

 

CAPÍTULO 4 – METODOLOGIA

4.1 Introdução

Neste capítulo, descrevemos e explicamos os procedimentos metodológicos adotados para a análise dos dados. Antes serão apresentados os postulados para a pesquisa em LSB e proposta de construção da variação na língua de sinais. Em seguida, a seleção dos termos para a pesquisa, informações sobre o curso de Letras- Libras e discussão dos sinais, a metodologia de coletas de dados, os procedimentos para validação do constructo e organização dos dados. Por último, serão apresentados os critérios de registro dos sinais e estratégias para divulgação.

4.2 Postulados para a pesquisa em LSB e proposta de construção da variação na