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4. Which factors influence decision-making?

6.1 Main findings

6.1.3 How does the decision-process unfold?

Como o curso de Ciência da Computação possui um número maior de alunos do sexo masculino, totalizando 41 homens e nove mulheres e o curso de Pedagogia um número maior de alunos do sexo feminino, com quatro homens e 39 mulheres, será realizado uma comparação dos escores na perspectiva de gênero.

Tabela 6: Escores da ELASI segundo agrupamento de alunos da

UNESP de Presidente Prudente - gênero. (N = 201), 2011.

Turmas N Variação Mediana Dispersão (Q1 - Q3)

Gênero Feminino 99 88 – 150 136,00 128,00 - 140,00 Gênero Masculino 102 86 – 148 128,00 113,75 - 134,00 Obs.: dois participantes não identificaram o gênero por ocasião da coleta de dados.

Procedendo ao competente cálculo, aplicando-se o teste Mann-Whitney, averiguou-se ao nível mínimo de significância de 5%, a existência de diferença estatisticamente significativa entre os escores dos participantes do gênero masculino e feminino, com valor de p = 0,00, indicando que as mulheres apresentam atitudes sociais mais favoráveis em relação à inclusão do que os homens.

O estudo de Fonseca-Janes (2011), referido anteriormente, apresenta uma síntese da distribuição dos escores obtidos na ELASI por participantes do gênero feminino e do gênero masculino nesta instituição [Faculdade de Ciências e Tecnologia]. O autor concluiu que, nesse quesito, não há diferença estatística significante, pois embora os parâmetros apontem uma tendência à superioridade dos escores dos participantes do gênero feminino, a diferença não chega a ser suficientemente expressiva.

Trata-se de estudos realizados no mesmo campus, ou seja, na FCT/UNESP, porém, contemplando cursos diferentes, sendo que este estudo considerou quatro cursos diferentes (Ciência da Computação, Educação Física, Geografia e Pedagogia, enquanto o da Fonseca-Janes investigou somente o curso de Pedagogia), o que fragiliza a possibilidade de realização de comparações e hipóteses. Contudo, a tendência à superioridade dos escores dos participantes do gênero feminino referido por esse autor, bem como a indicação neste estudo de que as mulheres apresentam atitudes sociais mais favoráveis em relação à inclusão do que os homens, consistem em resultados que convergem para alguns estudos que sugerem que o gênero feminino possui atitudes mais favoráveis em relação à inclusão (AVRAMIDIS; BAYLISS; BURDEN, 2000; OMOTE et. AL., 2005).

Esse pensamento vai ao encontro das reflexões de Gomes (2009), que afirma que as atitudes do gênero feminino são mais positivas em comparação com as do gênero masculino, uma vez que é esperado que as mulheres sejam mais preocupadas, sensíveis e cuidadosas.

Embora o foco de investigação desta seção seja a comparação das atitudes sociais em relação à inclusão entre homens e mulheres, nessa perspectiva de gênero, a título de curiosidade, o autor deste estudo considera oportuno trazer outra consideração concernente à questão do gênero dos alunos com deficiência.

Conforme relato anterior, no exercício de 2011, a instituição de ensino

pesquisada possuía 04 (quatro) alunos com deficiência do sexo masculino, ou seja, não havia alunas com deficiência matriculadas na instituição naquela oportunidade. Estudos anteriores, dentre os quais destacamos os de Bandini, Rocha e Freitas (2001), Oliveira (2003), Pereira (2007), Ferreira e Duarte (2010) e Chahini (2010), apresentaram uma maior concentração de alunos com deficiência do que alunas matriculadas no Ensino Superior.

Neste estudo, das oito salas de aula dos quatro cursos contemplados, o número de alunos e alunas matriculados é praticamente equânime (respectivamente 51,75 e 49,25%).

O IBGE divulgou no censo demográfico realizado em 2010, na análise por sexo, o percentual de 26,5% de mulheres (com prevalência na cor ou raça preta) com algum tipo de deficiência e 21,2% da população masculina. Considerando que o ingresso nas IES tem sido majoritariamente de alunas, e o percentual de mulheres com deficiência é, segundo o órgão oficial, superior, encontra-se aqui um importante foco de investigação a ser aprofundado.

Alguns sites mantidos por associações de pessoas com deficiência, como o “bengala legal”42, denunciam que as mulheres com deficiência possuem menos acesso que os homens à rede de serviços sociais, dentre esses ao Ensino Superior, afirmando que

Comparadas aos homens com deficiência, as mulheres com deficiência têm, em geral, menos acesso a cuidados médicos qualificados e à reabilitação; recebem medicamentos, ajudas técnicas e outros tratamentos que sejam menos dispendiosos; e têm menos acesso a apoios sociais, educação superior e oportunidades de emprego. Uma consequência desta desigualdade é que as

42 Fragmento de texto retirado do Relatório: Violência contra mulheres com deficiência, produzido pela Rede Internacional de Mulheres com Deficiência, publicado em 05/06/2011, traduzido por Romeu Kazumi Sassaki. Disponível em: <http://www.bengalalegal.com/violencia-mulheres-com-deficiencia> Acesso em 01/11/12.

mulheres com deficiência são destituídas de seus direitos à inclusão social e são, com frequência, forçadas a viver em pobreza. (2011)

Isso demonstra a magnitude e complexidade para a necessária transformação social em busca de uma sociedade inclusiva. Essa mesma sociedade historicamente excludente, que por ocasião da colonização tratava como inferiores os negros, as mulheres e os brancos pobres, quando se livrou do julgo do colonizador, continuou tratando-os como cidadãos de segunda categoria, culminando nos graves problemas e abismos sociais que são facilmente visualizados.

Verifica-se, ainda hoje, o baixo índice de alunos pobres nas Universidades públicas, com um acentuado afunilamento quando se trata de alunos pobres negros e pardos (Santana, 2006), e daí por diante, se considerarmos a questão de gênero e da deficiência.

São problemas complexos, mas não impossíveis de solucionar, perpassando pela necessidade de sérias transformações políticas, filosóficas, econômicas e educacionais, cabendo à própria sociedade um importante papel nessa transformação.

Políticas, porque tem relação com a necessidade de aplicação de recursos orçamentários orientados à promoção de investimentos para a transformação que se deseja. Recursos que devem contemplar questões de saneamento básico, de habitação, de saúde e, principalmente, na Educação Básica. Filosófica, porque requer reflexão e a adoção, por toda a comunidade, de uma cultura que respeite a diversidade, que possa se desvencilhar de crenças preconceituosas, em relação aos pobres, aos negros, às mulheres, aos deficientes e de todas as minorias excluídas. Econômica no sentido da emancipação do indivíduo e a democratização da sociedade em conformidade com os avanços das forças produtivas, potencializados pela educação e o conhecimento. Educacionais, porque, sendo a escola um micromundo inserido em uma sociedade maior, que reproduz e perpetua vários problemas sociais, possa, com a adoção dessas três primeiras transformações propostas, orientar a comunidade escolar para a adoção de atitudes sociais genuinamente favoráveis, em busca de uma escola para todos.