O território abrangido pelo programa ―Aldeias de Xisto‖ coincide o que normalmente se designa como Pinhal Interior (ver figura 6) composto pelas com o conjunto territorial abrangido pelas NUT III25 ―Pinhal Interior Norte‖ e ―Pinhal Interior Sul‖, os quais partilham características estruturais (CCRC, 2003:94). Trata-se de uma área maioritariamente de xisto, montanhosa, florestal, atravessada por cursos de água importantes (rios Mondego, Alva, Ceira, Zêzere e Ocreza) e dotada de um importante conjunto de aproveitamentos hidro-eléctricos, tais como barragens do Alto Ceira, Santa Luzia, Cabril, Bouçã, Aguieira, Fronhas e Castelo de Bode; o que lhe dá uma identidade muito específica em termos de recursos naturais (CCRC, 2003:94).
Do ponto de vista demográfico e do povoamento, esta área caracteriza-se, pelos seguintes aspectos (CCRC, 2003:94):
Baixa densidade populacional (42 hab/km2, isto é, 1,7 vezes menos a média da região Centro);
Pequenos aglomerados populacionais (71,4% da população do ―Pinhal Interior Norte‖ e 74,1% da população do ―Pinhal Interior Sul‖, vive em aglomerados com menos de 500 hab);
Decréscimos acentuados (entre 1981 e 1991 a população diminuiu 8,3% do ―Pinhal Interior Norte‖ e 16,1% no ―Pinhal Interior Sul‖).
25 NUT significa Nomenclatura de Unidade Territorial, utilizada pela União Europeia para fins estatísticos e
Figura 6 – Mapa do “Pinhal Interior
Fonte: Elaboração Própria com base em mapas de commons.wikimedia.org
No que se refere á actividade económica, a distribuição da população activa é mais equilibrada no ―Pinhal Interior Norte‖ (16,9% no sector primário, 43,4% no sector secundário e 39,6% no sector terciário) do que no ―Pinhal Interior Sul‖ (33,7% no sector primário, 30,8% no sector secundário e 35,5% no sector terciário) (CCRC, 2003:95).
Importa, ainda, acentuar outros aspectos como sejam (CCRC, 2003:97):
No que se refere á estrutura urbana existe uma triangulação, destacando-se a norte Tábua-Arganil, a poente Lousã-Miranda do Corvo e a sul Sertã-Proença-a-Nova; Relativamente às acessibilidades fundamentais, existe uma ―bordadura‖ de estradas
(Itinerário Complementar (IC) 8, Estrada Nacional (EN) 17) e as grandes ―lacunas‖ em termos de ligações internas no sentido Norte-Sul e Este-Oeste.
Em forma de síntese, pode afirmar-se que as maiores dificuldades do ―Pinhal Interior‖ são (CCRC, 2003:34):
Acessibilidades difíceis;
Tendência exponencial para a desertificação humana e o envelhecimento da população residente;
Défice de agentes produtivos;
Falta de articulação inter-sectorial e de lógicas de ―fileira‖ na exploração das actividades económicas;
Presença significativa de actividades em declínio (resinosos e serrações);
Degradação dos espaços florestais (incêndios) e tendência de monocultura (eucaliptal); Presença dominante de um agente institucional: o município;
Poucas habilitações literárias da população.
Já em 1990 o Quadro Comunitário de Apoio do Programa Operacional do Pinhal Interior, mencionava como principais potencialidades da região (CCRC, 1990:33):
Existência de recursos endógenos importantes (a nível florestal e mineral); Grande capacidade florestal (mais de 87% da área tem aptidão florestal); Existência de albufeiras para a pratica de alguns desportos náuticos;
Existência de algumas infra-estruturas de alojamento turístico (parques de campismo, hotéis, estalagens, pousada).
É um facto que na área do ―Pinhal Interior‖, pela presença de recursos naturais importantes, existem oportunidades de desenvolvimento, no entanto, pela sua localização e orografia, apresenta problemas particulares de ―encravamento‖ e graves deficiências de acessibilidades locais e sub-regionais. Pelas suas características singulares, afiguram-se as potencialidades para que esta área possa transformar-se numa das grandes manchas florestais da Europa, complementada com actividades de turismo e lazer (CCDR, 2003:97).
O quadro que segue apresenta uma análise SWOT do território do PAX, com as respectivas análises dos Forças, Fraquezas, Ameaças e Oportunidades:
Quadro 7: Análise SWOT do território do PAX
Forças: Fraquezas:
▪ Património histórico, Cultural e natural (recursos geológicos, hídricos, florestais, ambientais e paisagísticos únicos) de grande valor e a ser aproveitado;
▪ Existência de artes e ofícios tradicionais únicos;
▪ Boas zonas para prática de actividades ao ar livre (Turismo Activo, turismo de Natureza, …);
▪ Produtos tradicionais e Gastronomia regional.
▪ População envelhecida e em declínio; ▪ Níveis baixos de qualificação dos recursos humanos e elevadas taxas de abandono escolar;
▪ Insuficiente valorização e dinamização do património, que se traduzido pela sua precária divulgação e dinamização; ▪ Especialização em sectores tradicionais com dificuldades competitivas, resultantes de modelos de negócio esgotados e das dificuldades de reestruturação e
modernização;
▪ Baixa qualificação dos empresários e falta de iniciativa empresarial;
▪ Empresas de reduzida dimensão e com funcionamento atomizado;
▪ Debilidade das infra-estruturas de apoio às actividades económicas;
▪ Insuficiência do mercado local; ▪ Persistência de algumas insuficiências infra-estruturais (alojamento, sinalização e equipamentos básicos), equipamentos sociais (Por ex: emergência médica) e serviços de proximidade, que permitam fixar e atrair pessoas;
▪ Dificuldades acrescidas de cooperação (público-público, público-privado, privado- privado) por escassez de actores e défice de cultura de cooperação;
▪ Diversidade e dinamismo institucionais incipientes;
▪ Deficientes acessibilidades intra-regionais ▪ Certificação dos produtos regionais, ainda reduzida.
▪ Ligação deficiente entre diferentes pontos de interesse
▪ Falta de promoção e divulgação de projectos de dinamização do território, como o PAX e o Programa de Aldeias Históricas.
Oportunidades: Ameaças: ▪ Valorização crescente dos processos de
desenvolvimento sustentável, onde se torna central a conservação e protecção da natureza;
▪ Reconhecimento da EU da importância do meio rural;
▪ Processo de reorganização dos actores regionais à volta das agências de
desenvolvimento regional;
▪ Qualificação de mão-de-obra pela acção das estruturas do ensino superior;
▪ Acréscimo da atractividade do turismo decorrente do aumento da procura mundial de produtos turísticos, culturais, de lazer, agro-alimentares e gastronómicos; ▪ Acréscimo da procura de recursos do território associada à melhoria das acessibilidades;
▪ Possibilidade de recuperação do património em Meio rural;
▪ Aplicações das novas tecnologias de informação a novos serviços/actividades em meio rural;
▪ Diáspora emigrante como factor de divulgação regional e nó de articulação internacional.
▪ Qualificação d o tecido social das aldeias; ▪ Desejo de novas experiências da população citadina;
▪ Pouca animação turística existente; ▪ Inserção de animações diversificadas durante o ano;
▪ Guias e monitores com domínio de línguas estrangeiras (criação de novos postos de trabalho);
▪ Criação/melhoramento de rotas turísticas; ▪ Promoção de venda de produtos regionais; ▪ Aproveitamento de fuga ao stress urbano;
▪ Declínio demográfico nacional pelo envelhecimento da população;
▪ Crescente mobilidade internacional de recursos humanos qualificados que favorece o brain drain26;
▪ Esgotamento da competitividade baseada em mão-de-obra não qualificada;
▪ Deslocalização de empresas dos sectores tradicionais, com perda de emprego; ▪ Incapacidade de proteger os recursos naturais, designadamente a água e a floresta ▪ Urbanização rápida e drástica dos espaços; ▪ Forte possibilidade de Incêndios devido á vasta área circundante;
▪ Desertificação Humana
▪ Perda da identidade cultural das aldeias
Fonte: Elaboração Própria com base em Análise SWOT de IESE27 (2008, citado por PROVERE, 2008:6)
26 Fuga de cérebros 27
Estudo de Avaliação de Impactos das Intervenções do QCA III, com incidência específica nos territórios de Baixa Densidade, na dinamização empresarial