pesquisa elementos para a montagem das mesmas fez com que eles desenvolvessem a curiosidade sobre como era esse cenário no passado e o quanto o ser humano modificou a natureza, no caso, com o desmatamento e a extinção dos animais.
Com relação à história dos zoológicos, os alunos perceberam a evolução no conceito, que passou de um simples lugar de exposição dos animais e de entretenimento do público, para a dimensão de preservar e dar continuidade às espécies.
Além disso, tiveram a oportunidade de realizar o trabalho em grupo, dividir material, pois nem todos trouxeram o que foi combinado. E a alegria deles na hora de tirar foto? Tudo foi muito prazeroso para eles e para mim!
5.4. Atividade com o Caderno de Apoio e Aprendizagem de Português
Com os 7º anos realizamos outra atividade. Aproveitamos o Caderno de Apoio e Aprendizagem (CAA) de Língua Portuguesa do 7º ano24 cujo conteúdo traz orientações para pesquisa bibliográfica para trabalhar as pesquisas (atividade 6, p. 41 a 52).
A primeira etapa dessa atividade envolveu a pesquisa bibliográfica. Conceituar, apontar o objetivo da pesquisa, como fazer e escrever as referências no final de um trabalho, enfim, esses são alguns aspectos enfocados nessa fase. Foi abordado, ainda, um texto intitulado “Dicas para reunir informações sobre um assunto e fazer trabalhos dignos de nota dez!”, no qual se discute a necessidade em se ter organização, concentração e confiabilidade na pesquisa de artigos, principalmente pela internet.
A segunda etapa traz a sugestão para a prática de pesquisa bibliográfica com o tema dengue. Aproveitei o exercício só que com os temas do projeto, a fim de ampliar a pesquisa que os alunos já tinham realizado.
O exercício solicitava que uma ampla atividade de pesquisa: investigação em diferentes fontes impressas (o material oriundo de fontes virtuais eles já tinham), o que levava os alunos à sala de leitura em busca de livros paradidáticos, didáticos e revistas; registro das informações de interesse de forma organizada; resumo das informações recolhidas para posterior articulação das mesmas; e proposição de ações para os problemas já discutidos sobre desmatamento e extinção dos animais.
A terceira etapa é a escrita de um artigo de divulgação científica, reunindo as informações e os resumos dos textos lidos das pesquisas.
Como aconteceu e minhas impressões sobre essa atividade é o que passo a relatar agora.
Depois que li os trabalhos e terminei o assunto que estava sendo trabalhado, iniciei uma dinâmica com a leitura e exercícios de textos científicos sobre a dengue. Em seguida, realizamos atividades que ensinavam como fazer resumos e, posteriormente, como escrever um texto científico.
Enquanto estava trabalhando a leitura e entendimento do texto do CAA, os alunos não sentiram dificuldades. No passo a passo do resumo também não. Decidi, então, retornar às pesquisas feitas por eles sobre os temas para que lessem e realizassem os resumos. Iniciei com a leitura e o procedimento a partir de um trabalho deles. Posteriormente, deveriam terminá-los em casa sozinhos. O prazo para essa atividade foi de uma semana.
O prazo não foi cumprido; poucos foram os que entregaram. Esperei mais alguns dias, mesmo assim alguns não entregaram. Solicitei, então, que buscassem em materiais da Sala de Leitura ou em jornais, revistas outros textos que tratassem do assunto em questão. Poucos trouxeram.
Interrompo essa narrativa apenas para ilustrar com um caso as orientações que o CAA (Livro do professor) propõe sobre a atividade. Observe-se:
Para a pesquisa bibliográfica em grupos, também é interessante a parceria com o professor responsável pela sala de informática e com professor orientador de sala de leitura. Eles poderão orientar os alunos a realizar uma pesquisa mais refinada com base em palavras-chave e em fontes fidedignas. (CAA. 2010, p. 62).
Orientações dessa natureza parecem indicar que o professor é desprovido de conhecimento sobre como proceder em caso de pesquisas com alunos; também parecem não considerar a sua formação, sua experiência, suas escolhas pessoais ao longo da sua profissão.
Voltando ao relato da atividade, pedi que lessem o material e selecionassem as partes mais importantes, exemplos e o que tinha chamado a atenção deles sobre o tema. Todos fizeram.
O próximo passo seria a preparação para a escrita. Voltamos ao CAA (p. 50), pois lá havia algumas orientações de como preparar o texto, por exemplo: “usar
metáforas para explicar um fato desconhecido em termos mais coloquiais; traduzir termos técnicos para a linguagem cotidiana”. Eles não sabiam o que eram metáforas; então, expliquei-lhes o conceito, relacionei com a noção de comparação, para facilitar a compreensão, dei alguns exemplos de ocorrências dos fenômenos na lousa e pedi que também pensassem em outros.
Lembrava das aulas do GEPI, das discussões sobre o uso de metáforas na pesquisa. Gonçalves (2001) explicita-nos o quanto é importante para o pesquisador interdisciplinar descobrir a sua metáfora:
O investigador interdisciplinar, ao ampliar o significado das palavras na construção literária, formula representações não apenas com a finalidade explicita da explicação factual, mas abre-se para transitar no campo da subjetividade, onde as concepções e expressões são despertadas pela sensibilidade. Dessa forma, o fenômeno observado é compreendido também pelas “emoções” e “estados de espírito”, implícitos no próprio fato. (GONÇALVES, 2001, p. 212)
Para mim, metáfora é uma palavra, um símbolo que emerge de nossos sentimentos, fruto da nossa imaginação, mas ao mesmo tempo a verdade, pois une o mais íntimo do ser com o mundo. É por ela que podemos interpretar nossa vida.
Por muitas vezes já questionei se a minha metáfora era o lixo. E por quê? Por ser professora de escola pública, talvez? Por ter morado na periferia de Santo Amaro durante a adolescência? Por ter vivido histórias semelhantes a de meus alunos? Não sei. Ainda não me encontrei, ou talvez, ainda não sei o que já sou.
Gostaria de receber algum trabalho com o uso de metáforas. Disse aos alunos que poderiam fazer com calma essa produção escrita, porque exigia nova leitura dos textos para compor os seus próprios, mas sempre os lembrava que tomassem cuidado para que o trabalho não se perdesse.
Depois de umas três semanas, com intermináveis lembranças para o processo de escrita, solicitei que entregassem a produção. Recebi apenas dois e, mesmo assim, não estavam bem organizados. Estavam com frases soltas; eles apenas tinham copiado partes de um e de outro de referência.
Pedi que trouxessem todo o material que já tinham elaborado e sentei com os dois alunos para organizar novamente a pesquisa. Mesmo assim ainda não estava como eu queria.
Então, pedi que lessem para a sala, a fim de que os alunos pudessem fazer perguntas sobre o que não tinham entendido. Deu resultado: justamente o que estava incompleto nos textos era o que os alunos perguntavam. Pensei comigo: “esta atividade parece uma banca de pesquisa, em que a colaboração dos participantes conduz ao aprimoramento da mesma!”. Mas na hora de escrever, apareceu novamente a dificuldade.
Nesse tipo de trabalho, não houve participação da maioria dos alunos. Sempre questionava o porquê da recusa em fazer as pesquisas. Alguns diziam que como não era para nota, não tinham interesse; outros diziam que ler e fazer os textos era muito “chato”, e outros, que não tinham tempo.
Na verdade, eles se interessavam pelos temas, pelas discussões, mas não pelas tarefas. As atividades que exigem mais concentração ou precisam de mais tempo para sua realização não causam interesse e, por isso, os alunos têm mais dificuldades.
De todo modo, foi possível concluir que essa atividade do CAA é interessante, mas é longa. Penso que poderia ser aplicada para o 9º ano.