3 Resultater
3.3 Oslo
3.3.4 Hovedplan avløp og vannmiljø
• Tradução do instrumento: não houve nenhuma intercorrência no processo de tradução, retrotradução e versão final traduzida da VoiSS para ESV.
• Avaliação da equivalência cultural: apenas uma questão (número 2: você tem dificuldades para cantar?) foi considerada não aplicável por um indivíduo. Contudo, este paciente era advogado e não utiliza a voz em nenhum tipo de atividade de canto, mesmo que por diletantismo. Desta forma, não houve necessidade de modificação ou eliminação de nenhuma das questões, chegando-se a versão final traduzida e culturalmente adaptada da ESV (Figura 4).
Figura 4. Versão final traduzida e culturalmente adaptada da ESV
Nome completo: _______________________________________________ Data de nascimento: _____/_____/________
Data de hoje: _____/_____/________
Por favor, circule uma opção de resposta para cada pergunta. Por favor, não deixe nenhuma resposta em branco.
1. Você tem dificuldade de chamar a atenção das pessoas? Nunca Raramente Às vezes sempre Quase Sempre 2. Você tem dificuldades para cantar? Nunca Raramente Às vezes sempre Quase Sempre 3. Sua garganta dói? Nunca Raramente Às vezes sempre Quase Sempre 4. Sua voz é rouca? Nunca Raramente Às vezes sempre Quase Sempre 5. Quando você conversa em grupo, as pessoas têm dificuldade para ouví-lo? Nunca Raramente Às vezes sempre Quase Sempre 6. Você perde a voz? Nunca Raramente Às vezes sempre Quase Sempre 7. Você tosse ou pigarreia? Nunca Raramente Às vezes sempre Quase Sempre 8. Sua voz é fraca/baixa? Nunca Raramente Às vezes sempre Quase Sempre 9. Você tem dificuldades para falar ao telefone? Nunca Raramente Às vezes sempre Quase Sempre 10. Você se sente mal ou deprimido por causa do seu problema de voz? Nunca Raramente Às vezes sempre Quase Sempre 11. Você sente alguma coisa parada na garganta? Nunca Raramente Às vezes sempre Quase Sempre 12. Você tem nódulos inchados (íngua) no pescoço? Nunca Raramente Às vezes sempre Quase Sempre 13. Você se sente constrangido por causa do seu problema de voz? Nunca Raramente Às vezes sempre Quase Sempre 14. Você se cansa para falar? Nunca Raramente Às vezes sempre Quase Sempre 15. Seu problema de voz deixa você estressado ou nervoso? Nunca Raramente Às vezes sempre Quase Sempre 16. Você tem dificuldade para falar em locais barulhentos? Nunca Raramente Às vezes sempre Quase Sempre 17. É difícil falar forte (alto) ou gritar? Nunca Raramente Às vezes sempre Quase Sempre 18. O seu problema de voz incomoda sua família ou amigos? Nunca Raramente Às vezes sempre Quase Sempre 19. Você tem muita secreção ou pigarro na garganta? Nunca Raramente Às vezes sempre Quase Sempre 20. O som da sua voz muda durante o dia? Nunca Raramente Às vezes sempre Quase Sempre 21. As pessoas parecem se irritar com sua voz? Nunca Raramente Às vezes sempre Quase Sempre 22. Você tem o nariz entupido? Nunca Raramente Às vezes sempre Quase Sempre 23. As pessoas perguntam o que você tem na voz? Nunca Raramente Às vezes sempre Quase Sempre 24. Sua voz parece rouca e seca? Nunca Raramente Às vezes sempre Quase Sempre 25. Você tem que fazer força para falar? Nunca Raramente Às vezes sempre Quase Sempre 26. Com que frequência você tem infecções de garganta? Nunca Raramente Às vezes sempre Quase Sempre 27. Sua voz falha no meio das frases? Nunca Raramente Às vezes sempre Quase Sempre 28. Sua voz faz você se sentir incompetente? Nunca Raramente Às vezes sempre Quase Sempre 29. Você tem vergonha do seu problema de voz? Nunca Raramente Às vezes sempre Quase Sempre 30. Você se sente solitário por causa do seu problema de voz? Nunca Raramente Às vezes sempre Quase Sempre
2) Validade de construto
• Validade de conteúdo: assegurada pelo processo de tradução e avaliação da equivalência cultural (etapa 1 do processo de validação).
• Validade de construto: na tabela 2 observam-se os valores referentes aos escores do grupo sem queixa vocal e do grupo com queixa vocal de acordo com a autoavaliação para determinação da validade de construto da ESV.
Tabela 2. Médias dos escores dos grupos com queixas (N=160) e sem queixas vocais (N=140) de acordo com a autoavaliação da voz
Grupos e escores
Autoavaliação
p-valor Voz excelente Voz boa Voz ruim
Média DP N Média DP N Média DP N Com queixas vocais
limitação 9 -x- 1 22,51 7,06 43 33,12 10,64 116 <0,001 emocional 1 -x- 1 4,23 3,54 43 10,63 8,14 116 <0,001 físico 11 -x- 1 10,09 3,65 43 10,59 5,49 116 0,852 total 21 -x- 1 36,84 10,02 43 54,34 18,99 116 <0,001 Sem queixas vocais
limitação 3,33 2,38 101 4,92 2,41 39 0 0 0 0,001 emocional 0,31 0,70 101 0,36 0,67 39 0 0 0 0,691 físico 2,84 1,70 101 3,49 1,92 39 0 0 0 0,054 total 6,48 3,05 101 8,77 3,17 39 0 0 0 <0,001 Teste ANOVA 3) Confiabilidade
• Consistência interna: na tabela 3 observam-se os dados da confiabilidade do protocolo por meio dos valores do coeficiente de alfa dos escores limitação, emocional, físico e total da ESV.
Tabela 3. Consistência interna da ESV para os escores limitação, emocional, físico e total (N=86) Coeficiente Alfa de Cronbach p-valor Escores da ESV limitação 0,950 <0,001 emocional 0,810 <0,001 físico 0,913 <0,001 total 0,960 <0,001 Coeficientes de correlação de Cronbach
• Reprodutibilidade teste-reteste: na tabela 4 observa-se a reprodutibilidade do protocolo por meio da comparação de valores das avaliações teste e reteste.
Tabela 4. Escores parciais e total da ESV para reprodutibilidade teste e reteste (N=86)
Média Mediana DP Min Max N IC p-valor Limitação teste 27,2 27,5 10,3 9 56 86 2,2 0,265 reteste 27,4 27,5 10,5 8 57 86 2,2 Emocional teste 7 5,5 6,2 0 31 86 1,3 0,481 reteste 6,9 5 6,0 0 30 86 1,3 Físico teste 10,1 9 4,4 1 24 86 0,9 0,585 reteste 10 10 4,4 0 24 86 0,9 Total teste 44,3 43 16 18 99 86 3,4 0,905 reteste 44,3 43,5 16 18 101 86 3,4
Teste T-Student Pareado
4) Sensibilidade
• Individual das questões do protocolo: Na tabela 5 observam-se os resultados de cada questão da ESV de acordo com os grupos com e sem queixas vocais.
Tabela 5. Sensibilidade individual das questões da ESV à presença de queixas vocais
Questões
Com queixas vocais Sem queixas vocais
p-valor
Não Sim Não Sim
N % N % N % N % 1 35 21,9 125 78,1 92 65,7 48 34,3 <0,001 2 4 2,5 156 97,5 85 60,7 55 39,3 <0,001 3 42 26,3 118 73,7 78 55,7 62 44,3 <0,001 4 10 6,3 150 93,7 97 69,3 43 30,7 <0,001 5 39 24,4 121 75,6 100 71,4 40 28,6 <0,001 6 38 23,8 122 76,2 109 77,9 31 22,1 <0,001 7 17 10,6 143 89,4 61 43,6 79 56,4 <0,001 8 35 21,9 125 78,1 105 75,0 35 25,0 <0,001 9 65 40,6 95 59,4 131 93,6 9 6,4 <0,001 10 60 37,5 100 62,5 134 95,7 6 4,3 <0,001 11 44 27,5 116 72,5 117 83,6 23 16,4 <0,001 12 120 75,0 40 25,0 130 92,9 10 7,1 <0,001 13 62 38,8 98 61,2 138 98,6 2 1,4 <0,001 14 29 18,1 131 81,9 93 66,4 47 33,6 <0,001 15 47 29,4 113 70,6 134 95,7 6 4,3 <0,001 16 21 13,1 139 86,9 90 64,3 50 35,7 <0,001 17 26 16,3 134 83,7 111 79,3 29 20,7 <0,001
18 81 50,6 79 49,4 136 97,1 4 2,9 <0,001 19 26 16,3 134 83,7 88 62,9 52 37,1 <0,001 20 26 16,3 134 83,7 99 70,7 41 29,3 <0,001 21 95 59,4 65 40,6 125 89,3 15 10,7 <0,001 22 56 35,0 104 65,0 83 59,3 57 40,7 <0,001 23 57 35,6 103 64,4 139 99,3 1 0,7 <0,001 24 17 10,6 143 89,4 130 92,9 10 7,1 <0,001 25 32 20,0 128 80,0 123 87,9 17 12,1 <0,001 26 34 21,3 126 78,7 45 32,1 95 67,9 0,033 27 25 15,6 135 84,4 113 80,7 27 19,3 <0,001 28 86 53,7 74 46,3 133 95,0 7 5,0 <0,001 29 99 61,9 61 38,1 137 97,9 3 2,1 <0,001 30 123 76,9 37 23,1 139 99,3 1 0,7 <0,001 Teste de Igualdade de Duas Proporções
Legenda:
Não = resposta “nunca” na ESV
Sim = respostas “raramente”, “às vezes”, “quase sempre” e “sempre” na ESV
Questões:
1. Você tem dificuldade de chamar a atenção das pessoas? 2. Você tem dificuldades para cantar?
3. Sua garganta dói? 4. Sua voz é rouca?
5. Quando você conversa em grupo, as pessoas têm dificuldade para ouví-lo? 6. Você perde a voz?
7. Você tosse ou pigarreia? 8. Sua voz é fraca/baixa?
9. Você tem dificuldades para falar ao telefone?
10. Você se sente mal ou deprimido por causa do seu problema de voz? 11. Você sente alguma coisa parada na garganta?
12. Você tem nódulos inchados (íngua) no pescoço?
13. Você se sente constrangido por causa do seu problema de voz? 14. Você se cansa para falar?
15. Seu problema de voz deixa você estressado ou nervoso? 16. Você tem dificuldade para falar em locais barulhentos? 17. É difícil falar forte (alto) ou gritar?
18. O seu problema de voz incomoda sua família ou amigos? 19. Você tem muita secreção ou pigarro na garganta? 20. O som da sua voz muda durante o dia?
21. As pessoas parecem se irritar com sua voz? 22. Você tem o nariz entupido?
23. As pessoas perguntam o que você tem na voz? 24. Sua voz parece rouca e seca?
25. Você tem que fazer força para falar?
26. Com que frequência você tem infecções de garganta? 27. Sua voz falha no meio das frases?
28. Sua voz faz você se sentir incompetente? 29. Você tem vergonha do seu problema de voz?
30. Você se sente solitário por causa do seu problema de voz?
• Mudança com tratamento: na tabela 6 observa-se a sensibilidade à mudança com tratamento da ESV e avaliação perceptivo-auditiva pré e pós-terapia. Já na tabela 7 observam-se as correlações de autoavaliação vocal, escores da ESV e avaliação perceptivo-auditiva nos momentos pré e pós-terapia fonoaudiológica.
Tabela 6. Escores parciais e total da ESV e valores médios da análise perceptivo- auditiva pré e pós-terapia fonoaudiológica (N=18)
Média Mediana DP Min Max N IC p-valor Escores da ESV limitação pré-terapia 26,6 25,5 10,7 12 46 18 4,9 <0,001 pós-terapia 13,5 12,5 8,5 0 35 18 3,9 emocional pré-terapia 4,8 2,5 6,3 0 24 18 2,9 0,008 pós-terapia 2,5 1 4,4 0 19 18 2 físico pré-terapia 10,3 9 4,1 3 20 18 1,9 <0,001 pós-terapia 6,1 5,5 4,7 1 19 18 2,2 total pré-terapia 41,8 39,5 16,5 18 78 18 7,6 <0,001 pós-terapia 22,1 18,5 15,2 2 67 18 7,0 Avaliação perceptivo-auditiva pré-terapia 58,1 61,5 10,0 40 75 18 4,6 <0,001 pós-terapia 40,9 40,5 10,0 28 56 18 4,6
Tabela 7. Correlações de autoavaliação, escores da ESV (limitação, emocional, físico e total) em porcentagem e avaliação perceptivo-auditiva nos momentos pré e pós-terapia fonoaudiológica (N=18)
autoavaliação limitação emocional físico total Pré-terapia limitação Corr 0,569 p-valor <0,001 emocional Corr 0,533 0,659 p-valor <0,001 <0,001 físico Corr 0,039 0,185 0,202 p-valor 0,627 0,019 0,010 total Corr 0,561 0,904 0,850 0,459 p-valor <0,001 <0,001 <0,001 <0,001 perceptivo-auditiva Corr 0,171 0,343 0,096 0,157 0,297 p-valor 0,499 0,163 0,706 0,535 0,232 Pós-terapia limitação Corr 0,686 p-valor 0,002 emocional Corr 0,406 0,660 p-valor 0,095 0,003 físico Corr 0,574 0,688 0,280 p-valor 0,013 0,002 0,260 total Corr 0,681 0,966 0,748 0,776 p-valor 0,002 <0,001 <0,001 <0,001 perceptivo-auditiva Corr 0,422 0,355 0,193 0,053 0,272 p-valor 0,081 0,148 0,444 0,834 0,275 Correlação de Pearson ANÁLISE FATORIAL
Na tabela 8 observam-se as cargas fatoriais de questão por fator para o grupo com queixas vocais e nomes para cada um dos fatores da versão brasileira da ESV.
Tabela 8. Cargas fatoriais de questão por fator para o grupo com queixas vocais (N=160)
Questões fator 1 fator 2 fator 3 fator 4 fator 5 fator 6 fator 7 fator 8 fator 9 28 0,790 29 0,775 10 0,748 30 0,738 13 0,732 17 0,778 8 0,748 1 0,684 5 0,659 16 0,617 9 0,446 27 0,654 25 0,642 6 0,560 14 0,556 15 0,532 23 0,486 19 0,842 7 0,812 11 0,674 4 0,861 24 0,844 26 0,827 3 0,751 12 0,555 21 0,731 18 0,609 22 0,483 20 0,761 2 0,616
Método de extração: análise de componentes principais Método de rotação: Varimax com Normalização Kaiser Rotação convergiu em 10 iterações
Fator 1 – Emocional
10. Você se sente mal ou deprimido por causa do seu problema de voz? 13. Você se sente constrangido por causa do seu problema de voz? 28. Sua voz faz você se sentir incompetente?
29. Você tem vergonha do seu problema de voz?
Fator 2 – Funcional
1. Você tem dificuldade de chamar a atenção das pessoas?
5. Quando você conversa em grupo, as pessoas têm dificuldade para ouví-lo? 8. Sua voz é fraca/baixa?
9. Você tem dificuldades para falar ao telefone?
16. Você tem dificuldade para falar em locais barulhentos? 17. É difícil falar forte (alto) ou gritar?
Fator 3 – Rendimento vocal 6. Você perde a voz? 14. Você se cansa para falar?
15. Seu problema de voz deixa você estressado ou nervoso? 23. As pessoas perguntam o que você tem na voz?
25. Você tem que fazer força para falar? 27. Sua voz falha no meio das frases? Fator 4 – Secreção
7. Você tosse ou pigarreia?
11. Você sente alguma coisa parada na garganta? 19. Você tem muita secreção ou pigarro na garganta? Fator 5 – Som da voz
4. Sua voz é rouca?
24. Sua voz parece rouca e seca? Fator 6 – Sensação na garganta
3. Sua garganta dói?
12. Você tem nódulos inchados (íngua) no pescoço? 26. Com que frequência você tem infecções de garganta? Fator 7 – Agradabilidade vocal
18. O seu problema de voz incomoda sua família ou amigos? 21. As pessoas parecem se irritar com sua voz?
22. Você tem o nariz entupido? Fator 8 – Instabilidade vocal
20. O som da sua voz muda durante o dia? Fator 9 – Voz no canto
Tabela 9. Valor próprio de cada fator da componente principal no grupo com queixas vocais (N=160)
eigenvalue Porcentagem de Variância Porcentagem cumulativa
Fatores 1 - emocional 7,82 26,07 26,07 2 - funcional 2,71 9,03 35,10 3 - rendimento vocal 1,96 6,53 41,63 4 - secreção 1,87 6,22 47,84 5 - som da voz 1,45 4,85 52,69 6 - sensação na garganta 1,21 4,04 56,73 7 - agradabilidade vocal 1,16 3,86 60,60 8 - instabilidade vocal 1,09 3,63 64,23 9 - voz no canto 1,06 3,52 67,75
5 DISCUSSÃO
A Organização Mundial da Saúde – OMS (World Health Organization, 1997) define saúde como um estado completo de bem-estar físico, mental e social, e não se refere simplesmente à ausência de doença, sendo o bem-estar do indivíduo a prioridade desta definição. Medidas de sucesso de um tratamento específico dizem respeito a indicadores tais como morbidade, mortalidade, diagnóstico, etiologia da doença, seleção de tratamento e alívio dos sintomas sendo que qualquer mudança em um desses estados como efeito de um tratamento ou não tratamento é chamado de resultado.
O conceito de saúde foi ampliado nas últimas décadas para que se pudesse incluir o quesito qualidade de vida. Para a OMS, a avaliação da saúde e dos efeitos de tratamentos devem incluir não somente indicadores de mudanças na frequência e gravidade da doença, mas também uma estimativa do bem-estar, que pode ser medido por meio da avaliação da qualidade de vida, que é a percepção do indivíduo de sua posição na vida, no que se refere ao contexto cultural e sistemas de valores, nos quais ele vive em relação aos seus objetivos, expectativas, padrões e interesses. É um conceito muito amplo, que pode ser afetado por inúmeras maneiras de acordo com a saúde física, o estado psicológico, o nível de independência, as relações sociais e as crenças pessoais do indivíduo, além das características relevantes do seu meio- ambiente (World Health Organization, 1997).
A avaliação de aspectos de qualidade de vida fornece dados muito importantes, como limitação em atividades específicas, restrição ou queda de rendimento, desvantagem na realização de atividades em relação a pessoas que não tenham o mesmo problema, avaliação de resultado de tratamentos, monitoramento da qualidade de uma intervenção até mesmo para direcionar os avanços na área da saúde (Roper, Winkenwerder, Hackbarth, Krakauer, 1988; Epstein, 1990).
Na área de voz, a avaliação da qualidade de vida teve seu crescimento nos últimos 15 anos com o desenvolvimento de protocolos de autoavaliação do impacto de uma disfonia (Behlau, Hogikyan, Gasparini, 2007; Verdonck-de Leeuw, Kuik, De Bodt, Guimaraes, Holmberg, Nawka et al 2008). O impacto de uma alteração vocal na qualidade de vida depende da importância da voz para o indivíduo, estando relacionada a fatores particulares, e não necessariamente com o grau do desvio vocal (Behlau, Hogikyan, Gasparini, 2007). A avaliação da qualidade de vida na área de voz permite predizer resultados individuais, verificar a efetividade de programas de terapia, hierarquizar a abordagem terapêutica, identificando as necessidades e preferências do paciente (Higginson, Carr, 2001; Berlim, Fleck, 2003).
Rapidamente os protocolos de autoavaliação do impacto de uma disfonia ganharam força e se disseminaram pelo mundo nos últimos anos, em diferentes idiomas, com diferentes perspectivas de avaliação (Jacobson, Johnson, Grywalski, Silbergleit, Jacobson, Benninger et al 1997; Carding, Horsley, Docherty, 1999; Hogikyan, Sethuraman, 1999; Ma, Yiu, 2001; Deary, Wilson, Carding, MacKenzie, 2003; Verdonck-de Leeuw, Kuik, De Bodt, Guimaraes, Holmberg, Nawka et al 2008; Carding, Wilson, MacKenzie, Deary, 2009). Os protocolos de avaliação da qualidade de vida foram surgindo sem regras muito bem estabelecidas, por vezes excessivas, outras insuficientes, para seus desenvolvimentos e utilização em idiomas diferentes dos originais (Young, Kirchdoerfer, Osterhaus, 1996; Costet, Lapierre, Benhamou, Le Galès, 2005; Gauer, Picon, Vasconcellos, Turner, Beidel, 2005; Novak, Mah, Molnar, Ambrus, Csepanyi, Kovacs et al 2005; Toth, Sakagychi, Mikami, Hirose, Tsukuda, 2005), o que também aconteceu especificamente com os protocolos de autoavaliação do impacto de uma disfonia na qualidade de vida (Branski, Cukier-Blaj, Pusic, Cano, Klassen, Mener et al 2010).
Na tentativa de organizar e padronizar critérios para o desenvolvimento e utilização de protocolos de qualidade de vida em outros idiomas, o Comitê do Conselho Científico da Organização de Resultados Médicos publicou um artigo com normas para desenvolvimento e validação destes protocolos em outros idiomas diferentes do original, com critérios rígidos de adaptação linguística e equivalência cultural, validade, reprodutibilidade, sensibilidade e confiabilidade (Scientific Advisory Committee of Medical Outcomes Trust, 2002).
Sabidamente grande parte dos protocolos de avaliação da qualidade de vida na área de voz são desenvolvidos na língua inglesa, adaptados para a cultura em questão.
Desta forma, para a utilização destes protocolos em outros idiomas, faz-se necessária a validação para o idioma e cultura em questão, e não a simples tradução (Scientific Advisory Committee of Medical Outcomes Trust, 2002), pois cada país possui uma determinada cultura, com seus hábitos, comportamentos, crenças dos indivíduos, que se refletem nas questões dos protocolos de autoavaliação (Gasparini, Behlau, 2009).
A escolha da validação da Voice Symptom Scale – VoiSS para o português brasileiro deu-se pelo fato deste protocolo avaliar a questão da presença de sintomas vocais nos indivíduos disfônicos, além das questões relacionadas ao impacto de uma disfonia, o que fornece informações fundamentais para complementar a avaliação vocal. Além disso, o protocolo VoiSS teve uma base sólida de desenvolvimento, com suas propriedades psicométricas comprovadas (Scott, Robinson, Wilson, MacKenzie, 1997; Deary, Wilson, Carding, MacKenzie, 2003; Wilson, Webb, Carding, Steen, MacKenzie, Deary, 2004), é considerado o mais robusto protocolo de autoavaliação do impacto de uma disfonia da atualidade (Branski, Cukier-Blaj, Pusic, Cano, Klassen, Mener et al 2010) e é amplamente utilizado (Wilson, Webb, Carding, Steen, MacKenzie, Deary, 2004; Jones, Carding, Drinnan, 2006; Webb, Carding, Deary, MacKenzie, Steen, Wilson, 2007; Steen, Webb, Deary, MacKenzie, Carding, Wilson, 2008; Carding, Wilson, MacKenzie, Deary, 2009). Por fim, a VoiSS é o único protocolo de autoavaliação vocal que engloba questões relacionadas ao trato aerodigestivo superior, como pigarro, sensação de corpo estranho na garganta, catarro, nariz entupido, comumente associados às alterações de voz (Deary, Wilson, Carding, MacKenzie, 2003).
A VoiSS é considerada um questionário robusto de autoavaliação de voz e sintomas vocais com 30 questões que visa evidenciar respostas clínicas a tratamentos nas disfonias (Branski, Cukier-Blaj, Pusic, Cano, Klassen, Mener et al 2010; Bos-Clark, Carding, 2011). O questionário é preenchido por uma escala de frequência de ocorrência: nunca, cuja pontuação é zero; raramente (1), às vezes (2), quase sempre (3) e sempre (4). O protocolo possui três domínios: limitação, emocional e físico claramente definidos e com propriedades psicométricas comprovadas. A VoiSS produz quatro escores, cuja pontuação é dada pela somatória simples das respostas de cada questão: total, que reflete a alteração global da voz, e três parciais, limitação, emocional e físico, que evidenciam diminuição do uso da voz pela disfonia, reações emocionais ao problema vocal e sintomas físicos associados. Quanto maior a
pontuação nos escores, maior a percepção da alteração de voz e presença de sintomas vocais relacionados (Deary, Wilson, Carding, MacKenzie, 2003).
Em relação à caracterização demográfica da amostra, o grupo sem queixas vocais foi composto por conveniência, para que fosse semelhante ao grupo com queixas vocais em relação à idade, sexo e níveis profissionais dos sujeitos. Ambos os grupos possuem média de idades estatisticamente semelhantes, sendo o grupo com queixas vocais com 43,02 anos e grupo sem queixas vocais com 42,27 anos (p=0,702). Na distribuição por sexo, não existe diferença estatística entre os grupos (p=1,000). Porém, nota-se que existe diferença na distribuição dos sexos dentro dos grupos, sendo que em ambos os grupos possuem uma maior porcentagem de mulheres (ambos com 65,0%), o que reflete a incidência da disfonia por sexo (Putnoki, Hara, Oliveira, Behlau, 2010). Em relação à distribuição nos grupos por nível profissional, não existe diferença estatisticamente significante entre os grupos nos cinco níveis de resposta (nível I: p=1,000; nível II: p=0,774; nível III: p=0,925; nível IV: p=0,968 e nível V: p=0,823), mostrando uma distribuição semelhante entre todos os níveis profissionais para os dois grupos, sendo que em ambos os grupos o nível profissional mais prevalente foi o nível II – usuário profissionais de voz falada (Quadro 1). Nota-se ainda que a maioria dos pacientes com queixas vocais autoavaliaram suas vozes como razoável ou ruim (N=116 – 72,5%) enquanto que a maioria dos indivíduos sem queixas vocais autoavaliaram suas vozes como muito boa ou excelente (N=101 – 72,1%), o que demonstra que a queixa vocal pode ter contribuído para a procura por atendimento (Van Houtte, Claeys, Wuyts, Van Lierde, 2011).
As etapas da validação da VoiSS para o português brasileiro seguiram os critérios sugeridos pelo Comitê do Conselho Científico da Organização de Resultados Médicos (Scientific Advisory Committee of Medical Outcomes Trust, 2002). Para este estudo, foram organizadas em 4 etapas principais: tradução e adaptação linguística e cultural, validade de construto, confiabilidade e sensibilidade.
Na tradução e adaptação linguística e cultural da VoiSS, que envolveu as etapas de tradução do instrumento e avaliação da equivalência cultural, não houve necessidade de retirada ou modificação de nenhuma questão, o que mostra que o protocolo original da VoiSS, apesar de avaliar diferentes domínios, não possui nenhuma questão intimamente ligada à aspectos étnicos e/ou culturais que poderiam diferir a interpretação com a população para o qual foi originalmente proposto, do Reino Unido, e do Brasil, chegando-se a uma versão traduzida e culturalmente adaptada da
Escala de Sintomas Vocais – ESV (Figura 4) (Moreti, Zambon, Oliveira, Behlau, 2011), prerrogativa para a continuidade do processo de validação (Gasparini, Behlau, 2009).
A validade refere-se ao grau em que um instrumento realmente mede a variável que pretende medir (Martins, 2006). A etapa validade, aqui chamada de validade de construto, é dividida em três itens, a saber: validade de conteúdo, validade de construto e validade de critério. A validade de conteúdo refere-se ao grau em que um instrumento evidencia um domínio específico de conteúdo do que se pretende medir; é o grau em que a medição representa o conceito que se pretende medir (Sampieri, 1996; Scientific Advisory Committee of Medical Outcomes Trust, 2002). Sendo assim, a validade de conteúdo deste estudo pôde ser assegurada pelo processo de tradução e adaptação linguística e cultural realizado na etapa anterior. A validade de construto é definida