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2. Housing prices, building costs and land prices

A interpretação sobre “o que é” ou “quem é” Babalon é uma discussão comum entre os thelemitas119. Enquanto alguns a identificam como uma Deusa, outros a vêem mais como uma essência, uma energia que possui representações em imagens de mulheres fortes, poderosas, independentes. Em outras palavras, um símbolo da liberdade thelêmica, condicionada pela Vontade. Apesar de haver a discussão sobre se ela é uma entidade objetiva ou um princípio energético, Crowley sempre a representava na imagem de uma “prostituta sagrada”, indo contra o conceito da “mulher virgem”, pregada, segundo ele, como modelo feminino ideal pelo cristianismo. Essa prostituta teria uma de primeiras representações mais significativas no livro do Apocalipse de João, que Crowley tanto admirava, na figura da prostituta da Babilônia que montava a Besta.

A passagem mais clara do Livro da Lei sobre esse desejo de ruptura da imagem da mulher virgem pela da prostituta encontra-se em seu terceiro capítulo, no verso 55, em que se lê “Que Maria inviolada seja despedaçada sobre rodas: que por amor a ela todas as mulheres castas sejam desprezadas entre vós”120.

Fora as questões místicas implícitas em toda a formulação sobre BABALON, que foram extensamente trabalhadas em livros como The Vision and the Voice121 dele mesmo, ou no The Book of Babalon de Jack Parsons122, ou ainda mais recentemente por Peter Grey

118 (Tradução nossa) “He is a Person, a macrocosmic Individual. (We do not know about his birth and so on;

but that is because he is, so to speak, a private God; he only appears to the world at all through some reference to him by his client; for instance, the genius or Augoeides of Socrates).” (CROWLEY 1991, 465).

119

Como exemplo, http://www.lashtal.com/nuke/PNphpBB2-viewtopic-t-608-highlight-babalon.phtml - último acesso em 10 de Fevereiro de 2010.

120 Livro da Lei, Capítulo III, versículo 55 (CROWLEY 1997a, 112). 121

A Visão e a Voz – até o presente sem tradução para o Português. (CROWLEY 1998b)

122 O Livro de Babalon (em Português) é o resultado de uma operação mágicka de Jack Parsons – um

em seu livro The Red Goddess123, Crowley sempre deixou claro que BABALON representava a postura que as mulheres desta nova Era, a Era de Hórus, deveriam seguir. Sobre isso, dizia ele:

As mulheres no cristianismo são mantidas virgens para o mercado da mesma forma como os gansos de Strasbourg são pregados a quadros até que seus fígados apodreçam. A natureza da mulher tem sido corrompida, sua esperança de uma alma impedida, seu prazer próprio não aceito, e sua mente envenenada, para excitar os paladares entediados de banqueiros e embaixadores senis.

[...]

A mulher moderna não será mais enganada, escrava e vítima; a mulher que se entrega livremente para seu próprio prazer, sem pedir por recompensa, merecerá o respeito de seus irmãos, e desprezará abertamente sua “castidade” ou irmãs subornadas, assim como homens agora desprezam “covardes”, “mariquinhas” e “lagartos de tango”. O Amor deve se divorciar completa e irrevogavelmente de acordos sociais e financeiros, especialmente do casamento. Amor é um esporte, uma arte, uma religião, como preferir.124

É importante então deixarmos claro aqui que, apesar da conotação pejorativa que a palavra “prostituta” parece trazer, podendo soar ofensiva para muitas mulheres, na doutrina thelêmica tal título é utilizado como forma de indicar o estado de mulher verdadeiramente livre, a mulher ideal do Novo Aeon125. Babalon é considerada a “Grande Prostituta” porque não nega ninguém – todo aquele que deseja adorá-la seria bem recebido. Contudo, o preço a pagar seria caro. Em linguagem simbólica, o adepto de Babalon deve doar-lhe todo o sangue de seu Ego para satisfazê-la.126

entrar em contato direto com essa entidade no ano de 1946. Parsons ficou conhecido também por ter realizado trabalhos esotéricos com L. Ron Hubbard, o fundador da Igreja da Cientologia. Morreu em um acidente de laboratório em 1952. Parsons dizia que o seu Livro de Babalon era o quarto capítulo do Livro da Lei thelemita. Thelemitas em geral não o aceitam como o quarto capítulo, mas acreditam que é um interessante resultado de uma operação mágicka. Não existe versão editada em formato de livro impresso, mas pode ser encontrado facilmente na internet, como em http://www.hermetic.com/wisdom/lib49.html - último acesso em 10 de Fevereiro de 2010.

123 GREY 2008. 124

(Tradução nossa) “Women under Christianity are kept virgin for the market as Strasbourg geese are nailed to boards till their livers putrefy. The nature of woman has been corrupted, her hope of a soul thwarted, her proper pleasure balked, and her mind poisoned, to titillate the jaded palates of senile bankers and ambassadors”

[...]

The modern woman is not going to be dupe, slave, and victim any more; the woman who gives herself up freely to her own enjoyment, without asking recompense, will earn the respect of her brothers, and will openly despise her ‘chaste’ or vernal sisters, as men now despise ‘milksops’, ‘sissies’, and ‘tango lizards’. Love is to be divorced utterly and irrevocably from social and financial agreements, especially marriage. Love is a Sport, an art, a religion, as you will;”. (CROWLEY 1996a, 172).

125 CROWLEY 1996a, 174. 126 CROWLEY 1998b, 148-153.

O conceito de Babalon é por demais complexo, e nos desviaríamos dos objetivos do presente trabalho caso adentrássemos em tais discussões. Contudo, é interessante apontarmos que ela é também representada pelos thelemitas como “A Mulher Escarlate” do Livro da Lei127, e que esse seria um ofício a ser assumido por mulheres thelemitas durante o trabalho mágico – ou seja, da mesma forma que cristãs teriam Maria como modelo de conduta, as thelemitas teriam Babalon, a mulher escarlate, que visa ser a representação da mulher que quebra todas as barreiras impostas pelo pensamento repressor do Aeon de Osíris.