O percurso de um meio de comunicação de militância política
A Rádio Campus de Lille é reconhecida como a primeira rádio livre da França. Foi fundada em 1969, época em que o Estado francês tinha o monopólio sobre o setor audiovisual. A emissora foi uma estação clandestina durante os anos 1970, e obteve autorização legal para funcionar em caráter provisório pela Alta Autoridade do Audiovisual, em 1981. Em 1983, a diretoria da emissora, cujos membros fizeram parte do Clube de Animação e Pesquisas Audiovisuais – CARAV, fundou a Associação Rádio Campus para administrar a emissora enquanto mídia associativa. A única atividade da associação consiste em administrar e organizar os programas da emissora.
Em 1993, a emissora recebeu a autorização regulamentar do CSA para conservar a sua freqüência. Situada em Villeneuve d’Ascq, com sede na Universidade de Lille 1, Campus FM preservou a sua vocação como meio de comunicação universitário. A rádio foi criada para os estudantes, mas, até hoje, alcança toda a cidade. A emissora pode ser escutada no raio de 50 Km ao redor de Villeneuve d’Asq, cidade de 64.997 habitantes, cuja taxa de desemprego era de 13,2%, em 1999. Na aglomeração de Lille existem 1,5 milhão de habitantes e a Campus tem uma zona de cobertura que a diretoria estima ser capaz de alcançar 10% dessa população.
O fundador da emissora era estudante de engenharia elétrica e instalou um emissor em Villeneuve d’Asq. Hoje, Christian Verwaerde é engenheiro de pesquisa no CNRS. Assim, originalmente, a Rádio Campus fez parte de um projeto experimental e semi-profissional no campo do audiovisual. No entanto, a emissora era fortemente envolvida na luta contra o monopólio de Estado sobre a radiodifusão francesa. Desde o início, esse meio local se envolveu no movimento nacional a favor da liberalização das comunicações via radiodifusão na França. Após um percurso tumultuado, com momentos de repressão e interdição da estação, a emissora conseguiu sobreviver como mídia integrada ao espaço universitário, apesar de todas as dificuldades de ordem técnica e econômica. “Nós temos o mesmo objetivo e o mesmo projeto
desde o início. Resolvemos continuar como rádio associativa, sem propaganda”, disse o presidente de Rádio Campus, Pierre Glibert61.
A Campus FM não veicula propaganda. Isso faz parte das diretrizes da emissora, desde o início. A única propaganda da Campus consiste em distribuir adesivos com o símbolo da emissora aos seus convidados e ouvintes. Entre amadorismo e militância, assumidamente, de tendência política à esquerda62, a Rádio Campus permanece ligada às ações culturais locais sustentáveis e mantém a pretensão de ser vetor de desenvolvimento cultural e social em sua região. Seus programas são conhecidos por colocarem em evidência as diferentes correntes culturais produzidas pela diversidade dos estudantes que se encontram no campus universitário. Os programas são voltados, em grande parte, para estudantes, professores e pesquisadores.
Conforme a diretoria da Rádio Campus, os eventos mais importantes e marcantes da história da emissora são: 1) a comemoração a cada cinco anos do aniversário da emissora ; 2) o fato de a emissora ter parado de transmitir seus programas durante 30 dias por causa de um litígio com a aviação civil, em setembro de 2004; e, 3) a comemoração dos 35 anos da Campus FM.
O presidente da Campus FM explica que o fato de a emissora ter se instalado na universidade cria una relação privilegiada entre ela e o ambiente universitário. No entanto, ele mesmo esclarece que a estação é totalmente independente da universidade.
Nós gostamos de estar aqui e falamos da vida social, cultural da universidade. Atualmente, temos um programa que trata dos eventos universitários, das reivindicações, dos anúncios. Temos um programa específico no campus. Produzimos um programa chamado Journée Porte Ouvertes, para que os estudantes façam seus anúncios. Isto acontece uma vez por ano. No mesmo programa, recebe-se estudantes de segundo grau que fazem perguntas sobre a vida universitária, quais são os tipos de formações. Participam também de debates sobre o tema.
Para a diretoria da Rádio Campus, a emissora exerce um papel de ferramenta de comunicação que vai além da vida universitária, prestando um serviço público à população que acessa esse meio de comunicação. A emissora se define como mídia local livre que dá visibilidade aos debates e iniciativas de diferentes públicos. Explica o presidente da emissora:
61 Pierre Glibert é técnico de prevenção CRAM, tem 59 anos e nasceu na França.
62 A emissora apresenta um programa Marx est mort... mon oeil ! todas as terças das 8h00 às 9h00 onde se discute a atualidade do marxismo no meio acadêmico e da militância na França e no mundo.
Prestamos um serviço público. Somos muito próximos ao serviço público. Temos fortes laços com o serviço público. Estamos retransmitindo programas do serviço público. Assim mesmo, temos um papel de formador. Há muitos radialistas que trabalharam conosco e hoje estão nas emissoras públicas. Temos um professor de jornalismo que é também produtor de rádio pública. Rádio Campus é também escola.
O projeto radiofônico de uma emissora de esquerda
A emissora tem como objetivos centrais, enquanto mídia associativa: 1) continuar as suas atividades radiofônicas; 2) manter a sua independência frente ao “poder”; e, 3) oferecer um espaço de direito à palavra para aqueles que não o têm. A associação conta com 79 membros que pagam suas cotizações para sustentar as ações da emissora. Esses sócios são divididos em duas categorias: os assalariados, que pagam 69 euros de cotização por ano e os estudantes que pagam 46 euros. A emissora funciona com 200 voluntários e um assalariado, em tempo integral. O bureau é composto por nove membros63 do conselho administrativo, dos quais um terço é renovado todos os anos. Então, a cada ano três novos conselheiros chegam, três novatos são admitidos. O organograma da emissora pode ser assim traduzido: um presidente; dois vice- presidentes (os responsáveis pelas transmissões); um tesoureiro e uma secretária. Cada programa tem um responsável encarregado pela realização do programa, que pode contar com a participação de dois a cinco radialistas.
Para ser locutor da Campus FM é preciso apresentar um projeto de programa, evidenciando as principais linhas da iniciativa. O conselho administrativo é encarregado de analisar a proposta, observando os aspetos ideológicos, culturais e sociais do projeto. “Somos a favor da liberdade de expressão, mas nós não podemos aceitar qualquer coisa. Não se trata da liberdade de insulto. Na Rádio Campus a liberdade de expressão é total, mas dentro dos limites das regras de respeito”, explica Glibert.
O engajamento dos locutores à rádio Campus está totalmente desvinculado de possibilidades de remuneração, visto que a prática de publicidade comercial é proibida pela direção da emissora. Os estudantes universitários são, majoritariamente, o perfil dos animadores na Campus FM. O regime de engajamento à rádio é o voluntariado calcado em duas motivações fundamentais: a difusão da cultura de origem do locutor, em termos musicais, ou de outros gostos
estéticos associados a culturas estrangeiras e à militância ideológica, levando em consideração as manifestações de contra-informação, contra-cultura ou de contestação da política oficial e do status quo social. Nos termos de um dos radialistas78 da emissora, “uma rádio associativa é um meio de expressão, não manipulado, não comercial, garante a liberdade de palavra”. Para este locutor, seu engajamento à rádio está vinculado à liberdade de difusão do gênero musical Jazz, “a música é prazer de viver, inspiração no quotidiano, sublime, às vezes”, o que permite compartilhar com os ouvintes um mesmo gosto musical. “Eu considero que a Rádio Campus é um espaço aberto para a palavra de seus ouvintes e outras associações na medida em que a emissora é um lugar onde as pessoas têm o direito de vir se exprimir. Eu considero que é uma rádio de liberdade, de combate para as pessoas que têm coisas a dizer, reclamar, elas podem vir à rádio”, afirma Louis Abanda, 42 anos, camaronês, jornalista, mestrando em ciências políticas, voluntário da emissora há três anos. Para esse locutor uma das grandes motivações para seu engajamento à Campus FM está em sua paixão pela mídia rádio e o anseio de adquirir experiência como radialista. O animador realiza uma emissão às quartas-feiras, das 13h às 14h, Fênetres sur le monde, um magazine cultural que trata de arte, hábitos e costumes culturais de diferentes culturas, músicas, entrevistas com estudantes universitários sobre seus países e turismo. “Como a rádio Campus tem um lado político bem acentuado, como já têm muitos programas que discutem temas políticos polêmicos, eu escolhi um programa mais cultural. Temos janelas abertas que mostram o mundo”, explica o locutor.
Para o animador Fernando Sanchez, de origem chilena, 29 anos, militante da Associação franco-chilena, CORDILLERA, voluntário da emissora há seis anos, o atributo de rádio livre postulado pela própria emissora deve pautar todas as emissões, as quais devem fomentar reflexões críticas sobre os acontecimentos da atualidade. O comunicador faz um programa semanal, La voix de l’Amérique Latine, que mescla músicas latino-americanas, debates e informações sobre a vida local os acontecimentos na América do Sul. Trata-se de uma emissão cultural e política que traz ao ar, constantemente, reflexões sobre direitos humanos, cidadania, minorias, exclusão social. É comum durante essa emissão a veiculação, pelo animador, de chamamentos públicos para mobilizações sociais em prol de causas humanitárias e para
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Laurent Outurquin tem 36 anos, está na Campus FM desde 1996. Formado em letras e literatura, esse voluntário realiza uma emissão musical Musiques aux pieds que difunde essencialmente Jazz.
engajamentos dos ouvintes em campanhas públicas, em geral, organizadas pela associação a qual está vinculada ou por outras entidades civis. “A rádio associativa é uma rádio plural, tratando tanto de temas locais como internacionais, uma rádio que deve permanecer livre na concepção de suas emissões. Isso deve ser uma escola para saber tratar a informação e se dar conta da importância da mídia”, diz o locutor.
O candidato a locutor aceito pela emissora deve cursar uma formação técnica. Os radialistas mais antigos são encarregados da formação dos novos integrantes da rádio no que se refere às ferramentas tecnológicas. Em relação aos meios técnicos, a Rádio Campus apresenta cinco ambientes, dentre os quais três são estúdios de transmissão, um é o secretariado e o outro uma espécie de sala usada como espaço de convivência, uma recepção para os ouvintes, visitantes que vão à emissora. Trata-se de um café que funciona na entrada da emissora e onde os radialistas, os ouvintes e os membros da associação se reúnem para discutir assuntos variados e sobre os programas apresentados pela Campus64.
A emissora tem um acervo musical de 20.000 títulos, além dos discos pertencentes aos radialistas. Ela tem dois emissores operando na potência autorizada pelo CSA, ou seja, de 4 KW. A Campus tem transmissão via satélite e, desde 2001, a emissora tem uma página na internet, na qual podem ser ouvidos programas da Campus FM.
Todavia, no âmbito do funcionamento da emissora, as principais dificuldades encontradas pela rádio atualmente são: 1) financiamento e manutenção; 2) motivação dos radialistas para que a emissora funcione de forma satisfatória, conforme o projeto radiofônico; e, 3) renovação dos meios técnicos. “A organização, a disciplina no espaço da emissora devem sempre ser administradas. É preciso que as regras e os horários sejam respeitados, assim como o projeto da rádio. Existe um regulamento interno e o estatuto da associação”, afirma Glibert.
A Rádio Campus tem um gasto mensal de 7 500 Euros. Ela se sustenta com recursos financeiros do Fundo de Apoio à Expressão Radiofônica, do Conselho Geral do Norte, do FASILD, da Direção Geral da Ação Cultural, da cidade de Villeneuve d’Ascq e do Ministério da Cultura e da Comunicação.
A emissora mantém relações com instituições culturais e sociais, com a população, as organizações não-governamentais, as igrejas, os templos, os grupos radiofônicos, outras rádios associativas e a prefeitura local. A importância do relacionamento da emissora com o ambiente
social externo, com outras instituições de seu meio consta no seu projeto de rádio associativa. A emissora faz parte da Confederação Nacional das Rádios Associativas – CNRA, do Sindicato Nacional das Rádios Livres – SNRL e da Federação das Rádios Associativas do Norte da França – FRANF. “Comunicamos com as outras rádios Campus da França. Mas nos não temos os mesmos interesses. No que tange à programação, temos mais magazines que os outros, tanto em número de radialistas quanto de programas que vão ao ar”, esclarece René Lavergne, diretor de programação da Campus.
No que diz respeito ao projeto radiofônico, as orientações que predominam são culturais, laicas, generalistas, educativas e de política universitária. Na emissora são debatidos assuntos sobre imigração, combate ao racismo, à discriminação, mas, de fato, a Campus não tem programas essencialmente destinados à população imigrada. Não faz parte dos seus objetivos. Todavia, a direção da rádio procura tornar os espaços mais diversificados, acrescentando projetos de programa que podem representar diferentes culturas.
A emissora propõe informações locais, nacionais e internacionais, conferências, espetáculos, promove artistas regionais e músicas. De fato, a Rádio Campus FM é uma emissora generalista com vocação musical. Porém, ela abre um espaço importante para debater assuntos políticos. Isto faz com que Campus FM seja reconhecida como uma emissora que participa dos debates e eventos políticos.
A Rádio Campus FM desenvolve projetos culturais, políticos, sociais, educativos, de desenvolvimento local nos campos da arte e da literatura, assim como iniciativas voltadas para os seus ouvintes. Essas ações são amplamente desenvolvidas por meio de parcerias ou cooperação com organismos governamentais e associações do seu meio. Segundo o presidente da Campus,
A cada ano, tentamos organizar a semana da cultura francesa. Temos outros eventos que são iniciativas dos radialistas, os quais apresentam projetos que são aceitos ou não. Isto depende do interesse do projeto em relação aos objetivos da emissora, das possibilidades financeiras e do quadro dos funcionários, pois esse tipo de iniciativa requer muita gente. Participamos de noites de poesia e literatura.
Na emissora existem horários específicos para que as associações locais tenham direito à palavra pública, mas há programas feitos por membros da rede associativa ambientalista local. Então, a emissora oferece um espaço para programas realizados por membros de associações, que convidam atores sociais e culturais locais. Eles organizam debates ao vivo. É o caso do programa
La voix de l’Amérique Latine, desenvolvido por um membro da associação franco-chilena Cordilheira.
Entre 2003 e 2005, a emissora conduziu pelo menos três projetos radiofônicos de caráter sócio-cultural: 1) um programa desenvolvido em parceria com a Universidade Católica de Lille, com duração de uns 20 minutos; 2) um projeto com o Ministério da Educação Nacional, sobre a cultura francesa; e, 3) um projeto com a cidade de Villeneuve d’Ascq, sobre a agenda dos eventos da cidade.
A programação de Campus
A Rádio Campus tem transmissões 24 horas por dia, dentre as quais 23 horas são de programas próprios e uma hora de programa de fora (EPRA e rádios associativas membros do FRANF). De acordo com a grade de programação implementada em 2004, a emissora apresenta 89 programas produzidos pelos radialistas, por semana. No conjunto desses programas, 47 são essencialmente musicais e de diferentes origens, mas com intervenções dos radialistas. Nesse quadro dos programas musicais, existem 16 programas temáticos: um de ópera, um de músicas da Europa, um de títulos jamaicanos, um de músicas italianas, três de músicas das África, um das Antilhas, cinco de músicas francesa e três de títulos da América Latina. Os 31 outros programas desse gênero são programas dedicados às músicas do mundo. A músicas são internacionais (rock, Jazz, hip-hop, reggae, techno).
Essa grade de programação apresenta nove programas de entretenimentos (informações locais, entrevistas e músicas); dois programas de divertimento (músicas, piadas); três programas de arte e literatura; onze magazines sociais, políticos e culturais (informações locais, espaço aberto para as associações, músicas, agenda dos eventos locais); oito magazines temáticos de acordo com as regiões e paises do mundo, África (Congo), Madagascar, Argélia, Palestina, Marrocos, América Latina, Flandres (música, atualidade política, cultural e social); quatro magazines educativos e científicos e um magazine sobre o desenvolvimento sustentável; um magazine social, cultural, de atualidades locais dirigidos aos detentos de penitenciária, com dedicatórias das famílias e amigos (La voix sans maître); um magazine sobre a vida universitária (Infos Campus); um programa sobre as demandas sociais de deficientes físicos preparado e apresentado por um deficiente (Handilong); um magazine político realizado junto a
um coletivo de luta contra as idéias da Frente Nacional (Ras le Front); e um programa que apresenta perfis de pessoas comuns da região (Des voix in and out).
De modo geral os temas presentes nos programas de caráter informativo são: ciência & tecnologia; relacionados com a cidade; política; memória da região; relação com o meio ambiente; imigração; educação; ciências humanas; temas sociais; território; turismo; arte; cultura e economia.
As principais fontes de informações da Rádio Campus são as agências de imprensa, outras mídias, ouvintes, associações, instituições culturais e educativas, encontros com o público, centros sociais, redes sociais e locutores. Os convidados dos programas de entrevistas são, em geral, membros de associações; profissionais liberais; funcionários públicos, artistas, professores, produtores culturais; moradores da região e intelectuais. Explica o presidente da Campus FM:
Temos boas relações com os ouvintes, pois aqueles que nos escutam estão interessados pela nossa programação. Também, quando temos problemas, os ouvintes nos apóiam. No ano passado, quando tivemos problemas técnicos e ficamos um mês sem fazer transmissões, recebemos bastante correspondências, e-mails, telefonemas de ouvintes que perguntavam o que estava acontecendo. Havia uma associação de ouvintes, criada pela FRANF, que deu muito apóio.
No conjunto dos programas transmitidos pela Campus podemos observa-se dois programas interativos com ouvintes locais e alguns localizados em outros países, fora do raio de difusão da emissora. O contato se dá via Internet. No programa L’heure de l’mettre há contatos com ouvintes do exterior, permite que pessoas que estão na Palestina façam ligações. Trata-se de um programa aberto a debates sobre a situação política e social das populações ligadas ao território palestino. Nesse campo, correspondentes voluntários (jornalistas ou estudantes) fazem reportagens ao vivo para a emissora. O radialista da Campus transmite o programa e os correspondentes falam da situação social e política local. Em geral, os correspondentes voluntários já foram estudantes da Universidade de Lille I e também passaram pela emissora Campus como locutores e hoje contribuem com a rádio a partir de seus países.
Em outro programa, La voix de l’Amérique Latine, o radialista entra em contato com pessoas da América Latina que vivem nos seus países ou estão na Europa. É um programa musical com forte conotação informativa. O radialista faz as suas próprias análises sobre a atualidade política, cultural e social da América Latina. “As pessoas ligam e nós pagamos as ligações. Nos outros programas, os radialistas convidam as pessoas a se expressarem por
telefone, enfim são ouvintes”, diz o locutor. Os ouvintes participam dos programas por e-mail, telefone, realizando também programas junto com o animador. Nos termos do locutor do programa,
Na nossa emissora existem programas como a voz da América Latina, da África Negra, os magrebinos, o Japão, a Turquia, e os programas das outras associações que têm direito à palavra. Fora isto, temos magazines, todas as quartas-feiras e sábados reservados, a pedido dos ouvintes. Isto pode ser um cantor, uma associação ou outra coisa. É a diversidade! Temos espaços de liberdade dentro da grade.
No entanto, a diretoria da emissora explica que a participação ao vivo dos ouvintes não é sempre possível por causa de limitações técnicas. Existe também o problema do nível de preparo dos radialistas no que tange ao controle das situações delicadas, dos debates sobre assuntos polêmicos, durante os seus programas. “Há programas que solicitam intervenções ao vivo (por telefone) dos ouvintes. Esses telefonemas são difíceis de administrar. Não é fácil!”, explica Pierre Glibert.
No âmbito da grade de programação da Rádio Campus, todos os programas são escolhidos pelo conselho de administração da associação. Dentro desse conselho, duas pessoas