A partir dos dados de emprego formal da indústria de transformação, em números absolutos, mostrados na tabela 1, vê-se que a região Nordeste apresentou uma tendência variável de empregos formais gerados na indústria de transformação. Durante os primeiros cinco anos (1990-1995) a geração de empregos formais foi negativa, apresentando uma redução de 72.678 postos de emprego. Seguindo a análise para o restante do período, verifica-se uma recuperação já em 1995 dos empregos formais na região Nordeste, passando de 530.917, em 1995, para 577.657 em 2000. Em seguida, no ano de 2005, aumentou para 764.131 e logo após para 990.781 em 2009, um acréscimo total de 387.186(mil) trabalhadores no mercado de trabalho formal.
Analisando a economia brasileira com base na mesma variável de empregos formais na indústria de transformação, para o período semelhante, também mostrado na tabela 1, tem-se que na primeira década (1990-2000) a economia brasileira apresentou redução no número de empregos formais de 643.343, o que reflete que o Brasil passou mais tempo tendo crescimento negativo nos empregos formais, diferentemente do Nordeste, que se recuperou já em 1995. O crescimento de empregos formais no Brasil só foi positivo a partir dos anos 2000, o qual passa de 4.821.093 desse ano para 7.361.084 em 2009, com um aumento de 2.539.991 superando a perda da década anterior.
Tabela 1 - Empregos Formais da Indústria de Transformação Região Natural Empregos em números absolutos
1990 1995 2000 2005 2009 Norte 137.230 122.933 145.376 225.062 249.501 Nordeste 603.595 530.917 577.657 764.131 990.781 Sudeste 3.531.237 2.994.177 2.666.989 3.162.961 3.861.863 Sul 1.090.195 1.109.832 1.232.402 1.578.293 1.868.809 Centro-Oeste 102.179 139.543 198.669 277.894 390.130 Brasil 5.464.436 4.897.402 4.821.093 6.008.341 7.361.084 Fonte: Elaboração própria, RAIS,2013
Como mostra o gráfico 1, a economia Nordestina, em termos de empregos formais na indústria de transformação, recupera seu crescimento cinco anos antes (1995) da brasileira, que só voltou a apresentar crescimento positivo em 2000.
Gráfico 1 - Empregos formais na indústria de transformação (Brasil e Nordeste) Fonte: Elaboração própria, RAIS, 2013
A tabela 2 mostra a evolução do número de estabelecimentos da indústria de transformação. O crescimento de todo o período é positivo tanto para a região Nordeste como para o Brasil, entretanto a taxa de crescimento no Nordeste (160%) é superior a do Brasil (70%). Enquanto o primeiro passa de 15.488, em 1990, para 41.324 em 2009, o Brasil passa de 191.306, em 1990, para 331.359 em 2009.
Tabela 2 - Estabelecimentos da Indústria de Transformação
Região Natural Estabelecimentos
1990 1995 2000 2005 2009 Tx. Crescimento Norte 3.728 4.399 6.196 8.014 9.668 159,3% Nordeste 15.488 19.602 26.005 31.463 41.324 166,8% Sudeste 117.996 121.201 124.141 135.146 160.350 35,9% Sul 45.964 53.539 67.619 81.554 97.462 112,0% Centro-Oeste 8.130 10.004 13.653 16.990 22.555 177,4% Brasil 191.306 208.745 237.614 273.167 331.359 73,2% Fonte: Elaboração própria, RAIS,2013
O valor adicionado da indústria como proporção do PIB é um indicador importante para verificar se há desindustrialização numa determinada economia. Diante disso, o ANEXO I desse trabalho mostra o valor adicionado dos grandes setores no PIB, a preços básicos em R$ de 2000 (mil), em nível regional e brasileiro, coletados no Ipea
Data. Com base nos números absolutos explorados de 1990 até 2009, verifica-se, ao calcular a participação dos grandes setores no PIB do Nordeste (tabela 3), que o setor agropecuário perde participação com uma tendência confirmada, passando de 12%, em 1990, para 7,4% em 2009; no setor industrial há, também, uma tendência declinante de quase 10%, o que acaba, ainda de maneira prematura, justificando a tese da desindustrialização no Nordeste, porém outras variáveis precisam ser analisadas. Por fim, o setor dos serviços no Nordeste apresenta um crescimento significativo, ocupando o espaço dos outros dois setores, passando de 54,6%, em 1990, para 68,9 em 2009.
Tabela 3 - Participação dos grandes setores no PIB do Nordeste (%)
Anos Agropecuária Indústria Serviços
1990 12,0 33,4 54,6
1995 12,8 31,9 55,3
2000 9,4 35,6 55,0
2005 8,1 25,9 66,0
2009 7,4 23,7 68,9
Fonte: Elaboração própria, Ipea Data,2013.
Para melhor ilustrar essa tendência dos três grandes setores no PIB do Nordeste, o gráfico 2 retrata um efeito parecido com uma tesoura a partir dos anos 2000. De modo que o setor serviço ascende , a indústria e o setor agropecuário declinam, este último em menor magnitude.
Gráfico 2 - Evolução dos setores no PIB do Nordeste Fonte: Elaboração própria, Ipea Data,2013
A tabela 4 reflete o resultado da participação dos grandes setores no PIB brasileiro, a qual apresenta a mesma tendência da região Nordeste, o setor agropecuário declina (8,0%, em 1990, para 5,6% em 2009), a indústria tem a mesma trajetória (40,1%, em 1990, para 26,9 em 2009) e o setor terciário apresenta crescimento firme (51,9%, em 1990, para 67,5% em 2009).
Tabela 4 - Participação dos grandes setores no PIB do Brasil (%)
Anos Agropecuária Indústria Serviços
1990 8,0 40,1 51,9
1995 8,5 37,2 54,3
2000 7,5 40,3 52,3
2005 5,7 29,3 65,0
2009 5,6 26,9 67,5
Fonte: Elaboração própria, Ipea Data,2013
Pelo gráfico 3, tem-se o mesmo efeito tesoura causado na região Nordeste, que se torna mais acentuado a partir dos anos 2000 em relação aos três setores que compõem o PIB.
Grafico 3 - Evolução dos setores no PIB do Brasil (%) Fonte:Elaboração própria, Ipea Data,2013
Depois de ter discutido a participação dos grandes setores no PIB do Brasil e do Nordeste, passou-se para a análise da participação dos grandes setores no PIB de cada estado da região. O ANEXO II traz o resultado do valor adicionado dos grandes setores
para cada estado, a preços básicos (R$ de 2000), em valores absolutos de 1990 a 2009. Com base nesse anexo, apresenta-se a tabela 5.
Tabela 5 - Participação dos grandes setores no PIB de cada Estado do Nordeste (%)
ESTADOS Indústria Serviços Agropecuária
1990 1995 2000 2005 2009 1990 1995 2000 2005 2009 1990 1995 2000 2005 2009 Alagoas 24,3 27,8 29,0 27,1 20,6 52,9 58,8 60,7 64,3 71,9 22,8 13,4 10,3 8,6 7,5 Bahia 38,0 35,2 41,1 32,2 28,7 51,5 51,3 48,2 59,2 63,6 10,4 13,6 10,7 8,6 7,7 Ceará 33,7 34,5 38,1 23,1 24,5 54,1 55,9 55,9 70,9 70,4 12,1 9,7 6,1 6,0 5,1 Maranhão 19,0 20,0 23,6 17,2 15,4 61,3 58,3 59,6 65,0 68,1 19,6 21,7 16,8 17,8 16,6 Paraíba 25,6 25,7 30,2 22,5 22,1 59,1 54,5 57,1 70,4 72,2 15,3 19,8 12,7 7,1 5,7 Pernambuco 33,6 31,9 31,2 22,1 22,0 56,8 57,8 60,3 72,8 73,2 9,6 10,3 8,5 5,1 4,8 Piauí 21,5 22,1 26,0 17,0 17,0 66,3 62,4 63,6 71,6 72,9 12,2 15,5 10,4 11,4 10,2 Rio Grande do Norte 36,3 33,6 41,7 26,0 19,9 56,2 58,9 55,7 68,4 74,8 7,5 7,5 2,6 5,6 5,3 Sergipe 44,4 34,5 37,3 33,3 27,9 44,9 54,2 55,1 62,3 66,2 10,7 11,3 7,6 4,4 5,9 Região Nordeste 33,4 31,9 35,6 25,9 23,7 54,6 55,3 55,0 66,0 68,9 12,0 12,8 9,4 8,1 7,4 Fonte: Elaboração própria, Ipea Data,2013
Analisando a tabela 5, primeiramente para o setor industrial, verifica-se a redução da participação da indústria no PIB de todos os estados, alguns em maior proporção do que outros. Diante disso surgiram três tipos de classes para os estados, quais sejam:
i. Os estados que apresentaram redução da participação da indústria menor do que 5%, porém são estados que tinham uma participação da indústria pequena já em 1990. São eles, Paraíba (25,6%, em 1990, para 22,1% em 2009), Maranhão (19,0%, em 1990, para 15,4% em 2009), Alagoas (24,3%, em 1990, para 20,6% em 2009) e Piauí (21,5%, em 1990, para 17,0% em 2009); ii. Os estados que apresentaram redução entre 9% e 12%, mas são estados que já
em 1990 tinham participação da indústria acima de 30%. Essa classe é composta por Ceará (33,7%, em 1990, para 24,5% em 2009), Bahia (38,0%, em 1990, para 28,7% em 2009) e Pernambuco (33,6%, em 1990, para 22,0 % em 2009);
iii. Os estados com redução da participação da indústria superior a 15%, os quais tinham em 1990 também uma participação superior a 35%, a saber: Rio Grande do Norte (36,3%, em 1990, para 19,9% em 2009) e Sergipe (44,4%, em 1990, para 27,9% em 2009).
Vale salientar que os estados que apresentavam elevada participação da indústria no PIB, em 1990, foram os que mais reduziram essa participação no decorrer da análise feita até 2009, como os estados de Sergipe (-16,5%), Rio Grande do Norte (-16,4%). No entanto, o estado da Bahia que apresentava, em 1990, uma participação da indústria de 38% teve uma diminuição da participação (9,3%) inferior a do Rio Grande do Norte (16,4%), o qual apresentava, em 1990, uma participação de 36,3%.
O setor agropecuário mostra uma tendência de redução da participação no PIB de cada estado, uns mais fortemente do que outros. O estado de Alagoas apresentou a maior redução, comparado aos outros estados, de 15,3%, contudo era o estado com maior participação em 1990, por isso a queda foi maior. Os outros estados seguem a tendência que está entre 2% e 9% de redução.
Os serviços, que se tornaram expansivos nos últimos anos, é o setor que está crescendo sua participação no PIB das economias em geral e apresenta baixa
produtividade se comparado a outros setores, mas é uma tendência que acompanha o desenvolvimento das economias, principalmente no Nordeste. Um fato interessante diz respeito ao comércio, o qual é um sub-setor dos serviços, que apresenta um aumento significativo na participação do PIB, com capacidade de alavancar os serviços, tanto no Nordeste como no Brasil, graças às políticas de renda e ao aumento do salário real.
Nos estados da região Nordeste, os serviços apresentam uma trajetória de ascensão, na medida em que a participação desse setor no PIB de cada estado da região vem aumentando. No período analisado, sete estados apresentaram aumento de mais de 10% na participação dos serviços, são eles: Sergipe (21,3%), Alagoas (19%), Rio Grande do Norte (18,6%), Pernambuco (16,4%), Ceará (16,3%), Paraíba (13,1%) e Bahia (12,1%); já os estados do Maranhão (6,8%) e Piauí (6,6%) apresentaram um crescimento menor, entretanto eram estados que, em 1990, já tinham uma elevada participação dos serviços no PIB.
Sergipe (-16,5%) e Rio Grande do Norte (-16,4%) foram os estados que mais apresentaram redução da participação da indústria no PIB, no entanto mostraram aumentos significativos no setor dos serviços.
A tabela 62 traz a desagregação da indústria em seus quatro setores, mostrando a participação de cada um no PIB do Nordeste, ao longo de quase duas décadas (1990- 2009).
Tabela 6 - Participação dos setores da indústria no Nordeste (%)
Setores da Indústria 1990 1995 2000 2005 2009
Construção 23,1 35,0 32,4 24,4 28,0
Extrativa Mineral 5,8 4,7 5,9 7,3 5,1
Serviços de utilidade pública 7,3 7,6 7,7 20,3 18,2
Transformação 63,9 52,7 54,0 48,0 48,7
Fonte: Elaboração própria, Ipea Data,2013
O gráfico 4 ilustra a trajetória que cada setor da indústria seguiu ao longo da série temporal analisada.
2 Elaborada a partir dos dados de valor adicionado dos setores industriais, a preços básicos (R$ de 2000),
Grafico 4 - Participação dos setores da indústria no Nordeste (%) Fonte:Elaboração própria, Ipea Data 2013
Desta forma, o setor da construção aumentou sua participação na composição do PIB nordestino em 4,9% entre 1990 e 2009; os serviços de utilidade pública também aumentaram a participação em mais de 10%, isso se deve ao fato de maior abrangência na produção e distribuição de eletricidade, gás, água e saneamento básico; de outro lado dois setores apresentaram redução de participação, o setor extrativista mostrou uma pequena redução, pouco significativa, passando de 5,8%, em 1990, para 5,1% em 2009. Finalmente, o setor de maior dinâmica e que é a variável mais observada quando se trata do processo de desindustrialização, que é a indústria de transformação, apresentou diminuição de participação bastante significativa, 63,9%, em 1990, contra 48,7% em 2009, foi o setor com maior redução de participação no PIB da região Nordeste.
Fazendo a mesma análise para o Brasil, ou seja, a participação dos quatro setores industriais no PIB do Brasil, vê-se redução de participação somente na indústria de transformação, bastante significativa, a qual passa de 75,2%, em 1990, para 61,8% em 2009, mas inferior a do Nordeste. O setor extrativista não apresentou redução e sim um aumento significativo (4,2%), diferente da composição do Nordeste. A construção aumentou de participação (4,3%) e na mesma tendência vem os serviços de utilidade
pública, com aumento de participação (4,5%), mas bem inferior ao aumento do Nordeste (TABELA 7).
Tabela 7 - Participação dos setores da indústria no Brasil (%)
Setores da Indústria 1990 1995 2000 2005 2009
Construção 15,3 23,3 21,6 16,7 19,6
Extrativa Mineral 2,6 2,7 7,5 8,4 6,8
Serviços de utilidade pública 7,0 8,1 8,3 13,1 11,5
Transformação 75,2 65,9 62,6 61,8 62,1
Fonte: Elaboração própria, Ipea Data,2013
Essa mudança de participação pode ser vista no gráfico 5:
Grafico 5 - Participação dos setores da indústria no Brasil (%) Fonte:Elaboração própria, Ipea Data,2013
Diante desse cenário de resultados, em que a indústria de transformação está perdendo participação na composição do PIB da região Nordeste e do Brasil, faz-se a análise da participação da indústria de transformação no PIB de cada estado do Nordeste (tabela 8). Com base no valor adicionado da indústria de transformação para cada estado, em valores absolutos, a preços básicos (R$ de 2000), que está no ANEXO IV.
A tabela 8 mostra os resultados em relação à indústria de transformação, ou seja, sua participação no PIB de cada estado.
Tabela 8 - Participação da indústria de transformação nos PIBs estaduais (%) Estados 1990 1995 2000 2005 2009 Alagoas 19,0 18,9 24,8 21,6 15,8 Bahia 20,8 16,1 24,6 18,0 20,5 Ceará 21,6 16,9 20,8 17,8 22,9 Maranhão 18,9 20,0 26,4 21,0 13,8 Paraíba 19,9 16,5 25,6 17,7 20,3 Pernambuco 27,3 21,7 20,7 13,5 16,8 Piauí 21,8 17,3 20,4 17,2 23,3
Rio Grande do Norte 26,1 17,1 19,4 17,9 19,6
Sergipe 26,1 18,4 22,1 17,4 16,0
Fonte: Elaboração própria, Ipea Data, 2013
Em termos gerais, o ano 2000 representou um marco de recuperação da participação da indústria de transformação para alguns estados (Alagoas, Bahia, Maranhão e Paraíba), enquanto para o restante dos estados foi um momento de redução dessa participação (Ceará, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte e Sergipe). O ano seguinte da análise (2005), em relação a 2000, representou queda de participação para todos os estados, o que prosseguiu para o restante do período.
Observando de maneira espacial, exatamente três estados tiveram um pequeno aumento da participação da indústria de transformação no PIB, são eles: Piauí (21,8%, em 1990, para 23,3% em 2009), Ceará (21,6%, em 1990, para 22,9% em 2009) e Paraíba (19,9%, em 1990, para 20,3% em 2009). A outra parte dos estados, a maioria, teve redução da participação, algumas bastante significativas. Pernambuco teve a maior redução da participação, passando de 27,3%, em 1990, para 16,8% em 2009, a qual, em 2005, ainda era menor (13,5%); Sergipe quase se aproximou de Pernambuco, apresentando redução que passou de 26,1%, em 1990, para 16% em 2009; Rio Grande do Norte passou de 26,1%, em 1990, para 19,6% em 2009; Maranhão apresentou redução de 5,1%; Alagoas e Bahia também tiveram suas participações da indústria de transformação reduzidas, o primeiro passou de 19%, em 1990, para 15,8 em 2009, enquanto o segundo que teve menor redução entre todos os estados do Nordeste, passou de 20,8%, em 1990, para 20,5% em 2009.
Tendo em vista que o número de empregos formais da indústria de transformação, tanto do Brasil quanto do Nordeste, cresceu no período analisado de 1990 até 2009 e que valores adicionados da indústria e da indústria de transformação diminuíram, no mesmo período, para o Brasil e o Nordeste, uma hipótese é que a produtividade aparente do trabalho tanto da indústria como da indústria da transformação tenham caído.
Tabela 9 - Produtividade aparente do trabalho na indústria
Anos Brasil Nordeste
1990 54,2 44,9
1995 53 47,6
2000 64,5 54,3
2005 43,2 36,4
2009 35,9 28,9
Fonte: Elaboração própria, Ipea Data e RAIS, 2013
De acordo com a tabela 9, a produtividade aparente do trabalho na indústria caiu no Brasil e no Nordeste, contudo a diminuição do primeiro foi superior a do segundo. Enquanto a redução no Brasil passou de 54,2, em 1990, para 35,9 em 2009. O Nordeste apresentou uma queda de produtividade aparente passando de 44,9, em 1990, para 28,9 em 2009.
Dessa forma, é necessário avaliar a produtividade aparente do trabalho para a indústria de transformação, para que fique claro qual o tamanho do efeito sobre a redução da produtividade aparente do trabalho na indústria.
Tabela 10 - Produtividade aparente do Trabalho na indústria de transformação
Anos Brasil Nordeste
1990 51,3 41,3
1995 46,1 37,2
2000 53,4 44,3
2005 35,0 25,2
2009 30,5 21,8
De acordo com a produtividade aparente do trabalho na indústria de transformação para o Brasil e o Nordeste, como mostra a tabela 10, tanto a região como o Brasil apresentam redução. Sendo comparado com a tabela 9, que é a produtividade aparente da indústria, o setor indústria de transformação apresentou maior redução na variável. Na mesma tendência da análise anterior, a redução da produtividade aparente do trabalho na indústria de transformação para o Brasil é superior a do Nordeste, este passa de 41,3, em 1990, para 21,8 em 2009, enquanto o Brasil passa de 51,3, em 1990, para 30,5 em 2009.
Apesar da tendência da produtividade aparente do trabalho, aqui explorada, ser uma boa ferramenta para a análise, é uma medida que precisa de certa cautela, pois depende das fontes do valor adicionado e do número de horas trabalhadas com exatidão. Para finalizar, faz-se uma análise da participação dos setores (agropecuária, indústria, indústria de transformação e serviços) do Nordeste e de seus estados no valor adicionado bruto do Brasil, a preços básicos (%). A tabela 12 traz os resultados, os quais revelam uma redução significativa do setor primário nordestino na participação do PIB brasileiro, a maioria dos estados acompanhou essa tendência. O Ceará foi o estado que teve redução superior aos outros estados, seguindo a mesma trajetória vêm os estados de Alagoas, Paraíba, Bahia e Piauí, porém a Bahia é o estado com maior participação já em 1995. O setor agropecuário dos estados de Maranhão, Pernambuco e Sergipe tiveram um pequeno aumento da participação no valor adicionado do Brasil.
A participação do setor industrial do Nordeste cresceu, passando de 10%, em 1995, para 12,2% em 2009, podendo ser atrelado à perda de participação da região Sudeste. O estado da região Nordeste que se destacou no aumento da sua participação foi Bahia, de 3,5%, em 1995, para 4,6% em 2009; apenas Pernambuco e Alagoas estacionaram na participação; os outros estados apresentaram um pequeno aumento, em torno de 0,2% no período.
Analisando a indústria de transformação, como variável mais indicativa de desindustrialização, tem-se que a participação desse setor no valor adicionado do Brasil aumentou, mostrando crescimento de 1,7% no período 1995-2009, enquanto a região Sudeste mostra redução na sua participação. Destacando-se, novamente, a indústria de transformação da Bahia que apresentou o maior crescimento, se comparado aos outros
estados da região, também Paraíba, Rio Grande do Norte, Ceará e Piauí cresceram, só que em menor proporção. As reduções de participação do sub-setor indústria de transformação dos estados nordestinos no Brasil ficaram por conta de Pernambuco, Maranhão, Alagoas e Sergipe.
O setor dos serviços do Nordeste evoluiu sua participação no PIB do Brasil, vale a pena salientar que o comércio foi dos pioneiros desse resultado, por conta das políticas de aumento do salário mínimo e de transferência de renda, as quais estimulam bastante o comércio. Todos os estados seguiram essa tendência com exceção apenas de Sergipe que se manteve estável em 0,6% de participação no PIB do Brasil.
Portanto, o Nordeste está ganhando espaço na participação desses setores no Brasil, mencionados anteriormente, só apresentando redução de participação na agropecuária, tendo como destaque estadual o estado da Bahia. O aumento de participação foi semelhante nos setores da indústria de transformação e serviços (1,7%).
Tabela 13 - Participação do Nordeste e Estados no valor adicionado bruto a preços básicos, por atividade econômica - 1995-2009 Região e Estados
Participação no valor adicionado bruto a preço básico (%)
1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 Agropecuária Brasil 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 Nordeste 22,9 23,4 21,0 17,8 17,3 18,8 17,7 17,6 17,0 17,4 18,9 19,3 18,7 19,6 18,2 Maranhão 3,2 4,4 4,1 2,7 3,0 3,0 3,1 2,7 2,8 3,1 3,9 3,8 4,1 5,0 3,8 Piauí 1,4 1,3 1,1 0,9 1,0 1,1 1,0 0,7 1,0 1,0 1,1 1,0 0,8 1,1 1,1 Ceará 4,0 4,3 3,1 2,7 2,6 2,7 2,1 2,2 2,2 2,0 2,1 2,6 2,1 2,4 1,9 Rio Grande do Norte 0,9 0,9 0,7 0,9 0,5 0,4 0,3 0,9 0,9 0,9 0,8 1,0 0,8 0,7 0,8 Paraíba 1,8 1,7 1,4 0,9 1,2 1,3 1,2 1,0 1,1 0,9 1,0 1,2 0,9 0,9 0,9 Pernambuco 2,0 2,2 2,0 1,8 1,6 1,8 1,8 1,8 1,7 1,7 2,1 2,2 2,0 2,1 2,1 Alagoas 2,1 1,4 1,5 1,8 1,6 1,9 1,9 1,3 1,0 1,0 1,0 1,0 0,9 0,9 0,9 Sergipe 0,6 0,6 0,6 0,6 0,5 0,5 0,5 0,5 0,6 0,4 0,5 0,6 0,6 0,6 0,7 Bahia 6,8 6,6 6,6 5,4 5,3 6,2 5,9 6,6 5,8 6,4 6,4 5,8 6,5 5,9 6,0 Indústria Nordeste 10,0 10,2 10,8 11,4 11,5 11,0 11,2 12,0 11,6 11,2 11,8 11,7 11,6 11,6 12,2 Maranhão 0,5 0,6 0,6 0,7 0,7 0,6 0,7 0,7 0,8 0,7 0,7 0,9 0,8 0,8 0,7 Piauí 0,2 0,3 0,3 0,3 0,3 0,3 0,3 0,3 0,3 0,3 0,3 0,3 0,3 0,3 0,4 Ceará 1,6 1,7 1,7 1,9 1,9 1,7 1,6 1,7 1,5 1,6 1,5 1,6 1,6 1,7 1,9 Rio Grande do Norte 0,5 0,6 0,6 0,6 0,7 0,8 0,8 0,8 0,7 0,7 0,8 0,8 0,8 0,8 0,7 Paraíba 0,5 0,5 0,6 0,6 0,6 0,6 0,7 0,8 0,7 0,6 0,6 0,7 0,7 0,7 0,8 Pernambuco 2,0 1,9 2,0 2,0 2,0 1,8 1,9 1,9 1,9 1,7 1,8 1,8 1,8 1,8 2,0 Alagoas 0,5 0,5 0,6 0,6 0,6 0,5 0,5 0,7 0,7 0,7 0,6 0,6 0,6 0,6 0,5 Sergipe 0,5 0,5 0,6 0,6 0,6 0,5 0,7 0,8 0,8 0,8 0,7 0,7 0,7 0,8 0,7 Bahia 3,5 3,6 3,8 4,0 4,2 4,1 4,0 4,4 4,2 4,2 4,7 4,3 4,2 4,1 4,6
Indústria de transformação
Nordeste 7,9 8,2 8,3 8,8 9,2 9,0 9,0 9,7 9,4 8,7 9,2 9,2 8,8 8,8 9,6 Maranhão 0,4 0,4 0,4 0,4 0,4 0,4 0,4 0,5 0,6 0,5 0,5 0,7 0,6 0,5 0,3 Piauí 0,2 0,2 0,2 0,2 0,2 0,2 0,2 0,2 0,2 0,2 0,2 0,2 0,2 0,2 0,3 Ceará 1,5 1,5 1,5 1,6 1,6 1,6 1,5 1,6 1,4 1,4 1,3 1,4 1,4 1,5 1,6 Rio Grande do Norte 0,3 0,4 0,4 0,4 0,4 0,3 0,4 0,4 0,3 0,3 0,3 0,4 0,4 0,4 0,4 Paraíba 0,4 0,4 0,4 0,5 0,5 0,5 0,5 0,5 0,6 0,5 0,5 0,5 0,5 0,5 0,6 Pernambuco 1,8 1,6 1,6 1,6 1,7 1,5 1,5 1,6 1,6 1,4 1,4 1,5 1,5 1,6 1,6 Alagoas 0,4 0,5 0,5 0,5 0,6 0,5 0,5 0,6 0,6 0,6 0,5 0,5 0,5 0,4 0,3 Sergipe 0,4 0,5 0,5 0,5 0,5 0,5 0,4 0,5 0,5 0,4 0,4 0,4 0,4 0,4 0,3 Bahia 2,6 2,8 2,8 3,0 3,4 3,4 3,5 3,9 3,5 3,5 4,0 3,7 3,4 3,2 4,2 Serviços Nordeste 12,4 12,8 12,8 12,7 12,8 13,0 13,1 13,3 13,2 13,4 13,6 13,6 13,6 13,7 14,1 Maranhão 1,0 1,0 1,0 1,0 1,0 1,1 1,1 1,1 1,1 1,2 1,2 1,2 1,2 1,2 1,3 Piauí 0,6 0,6 0,6 0,6 0,6 0,6 0,6 0,6 0,6 0,6 0,6 0,6 0,6 0,6 0,7 Ceará 2,0 2,1 2,0 2,0 2,0 2,0 2,0 2,1 2,1 2,1 2,1 2,1 2,0 2,1 2,2 Rio Grande do Norte 0,8 0,8 0,8 0,8 0,8 0,8 0,9 0,9 0,9 0,9 0,9 0,9 0,9 0,9 1,0 Paraíba 0,8 0,8 0,8 0,9 0,9 0,9 0,9 0,9 0,9 0,9 0,9 0,9 0,9 1,0 1,0 Pernambuco 2,5 2,6 2,5 2,6 2,5 2,6 2,6 2,7 2,6 2,6 2,6 2,6 2,6 2,6 2,6 Alagoas 0,6 0,6 0,7 0,6 0,6 0,7 0,6 0,7 0,7 0,7 0,7 0,7 0,7 0,7 0,7 Sergipe 0,6 0,6 0,6 0,6 0,6 0,6 0,6 0,6 0,6 0,6 0,6 0,6 0,6 0,6 0,6 Bahia 3,6 3,8 3,8 3,7 3,8 3,7 3,8 3,8 3,8 3,8 3,9 3,8 3,9 3,9 4,1 Fonte: IBGE, Contas regionais, 2013