O Curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (CAU/UFRN), criado pela Resolução CONSUNI-58/73 de 13 de agosto 1973, foi originalmente vinculado ao Curso de Engenharia, sendo seu primeiro vestibular realizado no ano de 1974 e a primeira turma formada no final de 1978. Logo após, o curso foi reconhecido pelo MEC, através do Decreto Lei n° 83208/79, datado de 28 de fevereiro de 1979. Ainda antes da conclusão da primeira turma, o CAU desmembrou-se do curso de Engenharia (em maio de 1977), quando foi criado o Departamento de Arquitetura (DArq), inserido no Centro de Tecnologia. Neste mesmo ano também foi elaborado o seu primeiro currículo como curso independente, o currículo A1. Até então a formação era de Engenheiro-Arquiteto.
A elaboração do A1 tomou como base os currículos da Universidade de Brasília (UNB) e da Universidade Federal do Ceará – UFC. O resultado foi um currículo que primava pelas disciplinas de perfil tecnológico, as quais podiam ser cursadas em outros cursos da UFRN. Nesta compartimentação do conhecimento, os vínculos entre disciplinas não ficavam claros, e o ensino era direcionado para uma formação basicamente técnica (APÊNDICE F). No ano de 1981, aconteceu a 13 O texto deste teve como base o trabalho apresentado pela autora no II Seminário Projetar no ano de 2005.
primeira alteração curricular, o novo currículo A2, caracterizou-se pela diminuição do peso das disciplinas relacionadas com matemática e física (APÊNDICE G), contudo permaneceu o distanciamento entre as disciplinas e falta de relação entre os conteúdos e as áreas de conhecimento do curso, esta ausência repetia-se também no tocante à profissão em si. Tais aspectos eram uma característica dos cursos de arquitetura criados nos anos 70 e a busca por um maior vínculo entre os conteúdos culminou no atual conceito de integração que permeia os currículos posteriores a este período.
Diante da necessidade de estreitar a ligação entre os conteúdos e as áreas de conhecimento do curso, no ano de 1987 a Coordenação realizou em conjunto com o Centro Acadêmico de Arquitetura e Urbanismo (CAAU) avaliações que evidenciaram os problemas do CAU/UFRN. A partir disto, os anos de 1987 e 1988 foram caracterizados pelas discussões em torno da nova proposta curricular, que culminaram no currículo A3 (APÊNDICE H). Diferente dos anteriores, ele foi subdividido em cinco áreas de conhecimento (Representação gráfica, Projeto de arquitetura, Estudos urbanos, Teoria e história, e Tecnologia), dentro das quais as disciplinas foram distribuídas, e este conjunto estava submetido à integração horizontal de conteúdos e produtos. O currículo integrado A3 foi implantado em 1989 e passou a ser indicado como referência nacional, principalmente pela ênfase na integração. Sete anos depois de implantado, o currículo A3, apesar das inovações, requeria algumas mudanças, pois existia concentração de disciplinas em alguns períodos, havia também muitas cadeiras com poucos créditos, a carga horária era muito superior à média nacional, algumas ementas precisavam ser ajustadas e o princípio da integração encontrava obstáculos em algumas situações. Somando-se a isto, a portaria no1770 de 21 de dezembro de 1994, do Ministério da Educação e do Desporto, estabeleceu diretrizes curriculares de conteúdo e carga horária mínimos14, exigências que tornaram mais urgente a re-estruturação do CAU-UFRN.
Assim, nova discussão entre professores (efetivos e aposentados) e alunos definiu o currículo A4 (APÊNDICE I), que entrou em vigor no ano de 1997, ficando estabelecida uma revisão no prazo de cinco anos, a qual começou a ser
14 Na ocasião, a carga horária de um CAU era definida a partir de dois parâmetros. De acordo com o MEC não poderia ser inferior a 3600 horas-aula, e de acordo com a CEEAU (Comissão de Especialistas de Ensino de Arquitetura e Urbanismo) não seria superior a 4 500 horas-aula, com um máximo de 30 horas-aula por semestre.
realizada apenas em setembro de 2000, quando foi criada a Comissão Permanente para Elaboração do Projeto Político Pedagógico do curso, reestruturada no ano de 2003 e formada por cinco professores, um de cada área. Este novo projeto, currículo A5 (APÊNDICE J), almejava reforçar a integração intervindo nos conteúdos, flexibilizar a carga horária – conforme recomendação da ABEA15, contabilizando nos créditos do curso as disciplinas obrigatórias, optativas e as atividades complementares. Este novo currículo foi implantado no ano 2007.
Observando a evolução dos currículos no decorrer dos anos e as mudanças realizadas, é possível perceber algumas particularidades (sintetizadas na tabela 02). De modo a facilitar esta observação as disciplinas foram agrupadas seguindo a atual divisão em áreas, salientando que na elaboração dos currículos A1 e A2 esta característica não estava presente. Portanto, tomando como referência o conteúdo das disciplinas na época em comparação com as atuais foi estabelecida a distribuições destes casos específicos. Na tabela 02 é possível verificar que as disciplinas da área de Representação e Linguagem sofreram poucas mudanças durante o processo, mas ao final tiveram um incremento na quantidade de créditos. No caso das de Projeto, a situação foi diferente, tanto a quantidade de disciplinas como a de créditos sofreram um crescimento inicial para depois diminuírem, principalmente quanto ao número de créditos, que na UFRN expressam a carga horária ministrada numa relação de 1/15, ou seja, cada crédito corresponde a 15 horas aula. Isto evidencia certa diminuição na importância relativa da disciplina dentro do curso.
Na área de Estudos Urbanos acontece um processo semelhante ao de Projeto, um crescimento cujo auge foi durante o currículo A3 para depois haver um declínio no número de créditos. Ambas as situações, de Projeto e Estudos Urbanos, refletem um momento da história do país e da profissão, quando, nas décadas de 70 e 80, os aspectos ligados ao planejamento tiveram um destaque considerável no campo profissional.
A área seguinte, História e Teoria, assemelha-se às duas anteriores. Contudo, o fenômeno da junção dos conhecimentos de Teoria, entendendo-se da arquitetura e do projeto, com os de história fica mais evidente observando as
15 A Associação Brasileira de Ensino de Arquitetura e Urbanismo – ABEA a partir de 1994 recomendou a inserção das disciplinas extraclasse (participação em pesquisa, monitoria, estágio, apresentação de trabalhos em congresso e atividades afins.) na contagem de créditos dos alunos.
disciplinas isoladamente, como disposto no Apêndice G. Sendo este acontecimento apontado por alguns autores, a exemplo de Martinez (2000), como a justificativa para a dificuldade atual em se desenvolver uma metodologia de projeto.
No caso da área de Tecnologia observou-se um crescimento tanto no número de créditos como na quantidade de disciplinas, quando se compara o currículo A1 com o A4, ou mesmo o A5, e observando as disciplinas individualmente (APÊNDICES “F”, “G”, “H”, “I” E “J”) percebe-se que a cada currículo elas estavam mais vinculadas com o projeto.
Sob a denominação “Outros” foram agrupadas, no caso dos dois primeiros currículos, as disciplinas ligadas à matemática e à física no caso dos demais as denominadas como inter-áreas, ou seja, cujos conhecimentos permeiam mais de uma das áreas em que é dividido o currículo. A observação dos extremos (currículos A1 e A5) da categoria outros, permite afirmar que a área manteve-se estável, apenas com uma variação no currículo A3, quando se identifica uma diminuição considerável na quantidade de créditos. Contudo, apresenta um novo incremento no currículo A4 até culminar com a situação apresentada no currículo A5, onde assumem um papel relevante. Um aspecto a ressaltar é que a partir do currículo A3 estas disciplinas assumem cada vez mais o papel de integrar conhecimentos das outras áreas/disciplinas, especialmente no tocante ao currículo A5, onde a quantidade delas é considerável (11 disciplinas com um total de 51 créditos). Outro aspecto que aponta para uma tendência em retirar do projeto a característica de lugar da síntese, para assumir o papel de parte dos conhecimentos ligados à arquitetura.
COMPARAÇÃO ENTRE AS ÁREAS DE CONCENTRAÇÃO NOS CURRÍCULOS DO CAU - UFRN
CURRÍCULO A1 CURRÍCULO A2 CURRÍCULO A3 CURRÍCULO A4 CURRÍCULO A5 ÁREAS DISCIP. (Qde) Cr DISCIP. (Qde) Cr DISCIP. (Qde) Cr DISCIP. (Qde) Cr DISCIP. (Qde) Cr REPR. E LINGUAG. 06 36 05 30 07 28 09 36 10 42 PROJETO 08 62 08 60 13 81 10 51 08 43 ESTUDOS URBANOS 04 30 04 30 08 47 07 35 07 33 HISTÓRIA E TEORIA 07 30 07 30 10 34 07 29 07 31 TECNOLOGIA 10 40 10 40 16 55 13 50 13 48 OUTROS 08 49 07 40 06 29 06 40 11 51 TOTAL 43 247 41 230 60 274 52 241 56 248
OBS.: Estes números dizem respeito apenas as disciplinas caracterizadas como obrigatórias
TABELA 02 – Comparação entre as áreas de concentração nos currículos do CAU – UFRN. Fonte – Elaboração da autora.