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Neste item é feita uma descrição da metodologia utilizada para a quantificação e regionalização da vazão Q7,10 .
3.3.1 Determinação da vazão Q7,10
Como já foi apresentado neste trabalho, o Estado de Minas Gerais utiliza a Q7,10 como
vazão de referência para emissão de outorga. Esta vazão pode ser entendida como o valor anual da menor média de 7 vazões diárias consecutivas que pode ser repetido, em média, uma vez a cada dez anos (período de retorno de 10 anos). Assim, em cada ano da série histórica, procede-se à análise das 365 médias diárias de vazão. Seleciona-se, em cada ano, o período de 7 dias consecutivos que resulta na menor média de 7 valores. Esta é uma média móvel para 7 termos (dias 1 a 7, dias 2 a 8, dias 3 a 9, etc.) (VON SPERLING, 2007).
Sendo assim, a estimativa da Q7,10 foi realizada através do programa computacional
SisCAH 1.0 - Sistema Computacional para Análises Hidrológicas (SOUSA, 2009), e utilizou-se os dados da estação fluviométrica 61794000, com base na série histórica de 29 anos (compreendida entre 1977 a 2006), considerando-se para o cálculo o início do ano hidrológico em janeiro e descartando-se os anos com 5% ou mais de falhas na série histórica. Utilizou-se apenas esta estação, pois a mesma localiza-se nas proximidades da foz da APA.
Segundo Sousa (2009), para obtenção das vazões mínimas, o programa computacional SisCAH utiliza as distribuições de densidade de probabilidade Logpearson 3, Pearson 3,
Normal, Lognormal 2 e Weibull, sendo que, para estas distribuições, a estimativa da magnitude de um evento com determinado período de retorno é dada pela Equação (1).
M = + k (1)
Na qual: M é a magnitude do evento para o período de retorno estabelecido; é a média dos eventos; k é o fator de frequência e é o desvio padrão dos eventos.
Para a estimativa dos valores de Q7,10 mensais, seguiu-se os mesmos procedimentos da
estimativa da Q7,10 anual, porém desta vez foram obtidos os valores de Q7 para cada mês,
de cada ano do período base, e o conjunto de todos os valores de Q7 em cada mês
constituiu-se uma nova série de eventos. Para as séries de eventos de Q7, tanto anual
quanto mensal, aplicou-se a análise das distribuições de probabilidade.
A melhor estimativa dos valores de Q7,10 corresponde a distribuição de densidade de
probabilidade que apresenta menor amplitude do intervalo de confiança dentre as estimativas obtidas por cada distribuição. A melhor estimativa é indicada automaticamente pelo programa computacional SisCAH 1.0.
3.3.2 Regionalização da vazão Q7,10
De acordo com Tucci (2013), a regionalização de vazão é um conjunto de ferramentas que exploram ao máximo as informações existentes, visando a estimativa das variáveis hidrológicas (como por exemplo as vazões mínimas) em locais sem dados ou com dados insuficientes.
A vazão Q7,10 neste estudo foi determinada apenas na estação fluviométrica existente nas
proximidades de jusante da foz da APA, porém foi necessário estimar essa vazão nas diversas sub-bacias de interesse por meio da regionalização.
Dentre as metodologias utilizadas para regionalização da vazão mínima, merece destaque as equações de regressões regionais, as quais utilizam dados climáticos e fisiográficos de bacias hidrograficamente homogêneas (TUCCI, 2013; EUCLYDES et al., 2001). A
utilização de regressão regional para regionalização de vazão mínima leva a erros que, de acordo com Stedinger et al. (1992 apud Chaves et al., 2002), são justificados pela incapacidade dessas equações de coletar informações ou características superficiais e sub- superficiais das bacias hidrográficas.
Sabendo que os Sistemas de Informações Geográficas (SIG) auxiliam satisfatoriamente na caracterização fisiográfica das bacias hidrográficas, Chaves et al. (2002) propuseram métodos para regionalização de vazão mínima, em regiões com limitação de dados históricos de vazão, nos quais são utilizadas técnicas de interpolação e extrapolação em ambiente SIG. Nesta metodologia a vazão mínima é interpolada e extrapolada com base na razão da área de drenagem, no inverso das distâncias entre o ponto de monitoramento da vazão e o ponto onde se quer estimar a vazão e, para finalizar, a combinação da razão de área de drenagem e o inverso das distâncias
Na metodologia proposta por Chaves et al. (2002), para uma situação onde existe apenas um posto de monitoramento a jusante da região de interesse, mas ainda dentro da mesma bacia hidrográfica com pequenas dimensões, aplica-se o método de razão de área de drenagem, originalmente proposto por Stedinger et al. (1992).
Este método da razão de área de drenagem também pode ser chamado de método da vazão específica. De acordo com Silva (2009), este método é uma alternativa em que se utiliza o cálculo das vazões tendo como base as áreas de drenagem de postos fluviométricos localizados a montante e/ou a jusante do local onde se deseja estimar a vazão, sendo mais apropriado para a estimativa da vazão média de longo prazo Qmlp. Esta metodologia viabiliza a sua aplicação em pequenas bacias hidrográficas com número reduzido de postos hidrométricos. Também, de acordo com Silva et al. (2009), esta metodologia não fornece resultados satisfatórios nos casos em que a diferença entre a área total de contribuição ao posto fluviométrico monitorado e a área de drenagem do local onde se pretende estimar a vazão mínima for grande.
A configuração no alto curso do rio Uberaba, conforme ilustra a Figura 16, apresenta a mesma configuração descrita por Chaves et al. (2002), uma vez que a APA possui apenas uma estação fluviométrica monitorada.
Figura 16 - Localização do alto curso do rio Uberaba (APA) juntamente com a localização da estação fluviométrica
Fonte: O autor (2014).
Nesse sentido, as vazões mínimas nas diversas sub-bacias hidrográficas existentes na APA foram estimadas através de regionalização via vazão específica, de acordo com a Equação (2), de modo que considerou-se alguns aspectos favoráveis a utilização desta metodologia, como área de estudo ser considerada pequena e homogênea do ponto de vista de uso e ocupação do solo. A homogeneidade de uso e ocupação do solo na APA é observada e discutida no item 3.1.1.
Q7,10 i = (Ai /Atotal). Q7,10alto curso do rio Uberaba (2)
Na qual: Q7,10i é a vazão estimada na sub-bacia i (m³/s); Q7,10 alto curso do rio Uberabaé a vazão Q7,10 obtida no alto curso do rio Uberaba (m³/s); Atotal é a área total da bacia de
contribuição da estação fluviométrica (km²); Ai é a área de contribuição da sub-bacia i (km²).