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5. EN SAMMENLIKNING AV POLITISK KULTUR I JUGOSLAVIA OG VEST-EUROPA PÅ

5.3 S AMMENLIKNING AV DEMOKRATISK VERSUS AUTORITÆR HOLDNING I DE VESTEUROPEISKE LANDENE OG

5.3.1 Holdningen til om de militære bør styre landet 58

crianças” no Brasil. Graduada em filosofia pela Universidade de São Paulo – USP e pós-graduada pela PUC-SP, fez seus estudos de mestrado em filosofia para crianças na Montclair State University (WUENSCH, 2003). De regresso ao Brasil, em 1984, Catherine Y. Silva obteve de Lipman os direitos para traduzir e adaptar os materiais, assim como para formar professores e desenvolver o trabalho nas escolas.

Catherine Y. Silva formou um pequeno grupo de professores, do qual faziam parte os professores Elizeu Cintra, Ana Luiza Falcone e Silvia Hamburguer Mandel, todos da PUC-SP, e com o apoio de Marcos A. Lorieri, que tinha sido seu professor de Filosofia da Educação, deu-se início ao trabalho de tradução e adaptação da novela A descoberta de Ari dos Telles, tendo sido editado em quatro volumes: dois manuais de instrução para os professores, e dois livros-textos destinados aos alunos.

A primeira experiência com o programa deu-se com um grupo de crianças que se reuniam numa sala do Instituto de Idiomas Yazigi (Santos, 1994). No ano seguinte ocorreu a implantação do programa em algumas escolas públicas e privadas da cidade de São Paulo. Em janeiro de 1985, este grupo criou CBFC, entidade civil, sem fins lucrativos, que passou a se dedicar à tradução dos materiais – divulgação desta proposta – e formação de professores para o desenvolvimento do programa nas escolas (WUENSCH, 2003).

Marcos A. Lorieri era também técnico da Secretaria Estadual de Educação e graças a esta dupla inserção, acadêmica e profissional, aliada à sua curiosidade e abertura para examinar a nova proposta, bem como seu compromisso em desenvolvê-la junto à escola pública, acabou tornando-se uma referência necessária dentro do movimento de filosofia para crianças no Brasil.

Catherine Y. Silva apresentava uma nova abordagem em termos de educação, e um caminho para uma prática mais prazerosa e gratificante da filosofia, em outros níveis de ensino que não o da graduação, enquanto Marcos A. Lorieri representava a abordagem crítica acadêmica aberta ao novo, que buscava integrar as exigências acadêmicas com uma nova possibilidade de trabalho com a filosofia. Junto com as professoras Sílvia H. Mandel e Ana Luiza Falcone, que além de

traduzir os materiais também participavam ativamente dos inúmeros cursos, palestras e oficinas realizados pelo CBFC, este grupo formou novas gerações de professores e monitores que disseminaram esta proposta pelo Brasil

Em 1985, o professor Lipman esteve no Brasil pela primeira vez, e realizou uma série de palestras e conferências sobre o tema "Filosofia para crianças, isto é possível?", na PUC-SP, USP-SP, UNICAMP-SP, UFES-ES, UFRGS-RS e UFMA- MA. Em 1988, ele retornou junto com Ann M. Sharp, sua colaboradora, e 15 representantes de centros de filosofia para crianças de países como Portugal, México, Espanha, Chile, Austrália, e Canadá. O grupo veio participar do II Congresso Internacional de Filosofia para Crianças e do I Seminário Nacional de Filosofia, Desenvolvimento do Raciocínio e Educação: Uma Relação Possível.

Os eventos reuniram cerca de 400 pessoas, em Maringá-PR, na Universidade Estadual de Maringá, e contou com o apoio do Colégio Platão, que vinha desenvolvendo o programa em sala de aula. Na 38ª reunião da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, de 1986, em Curitiba, convidado pela Sociedade Brasileira de Psicopedagogia, o CBFC apresentou dois trabalhos. (WUENSCH, 2003).

Os filósofos universitários brasileiros que tomaram conhecimento do programa manifestaram suas reservas. Daqueles que vieram a público expor suas desconfianças, nem todos demonstraram o pleno entendimento da proposta.

Em uma entrevista concedida à TV Cultura de SP, no programa "Tempo de Debate", em 1985, João Paulo Monteiro, professor da USP, deixou clara tanto sua simpatia pela apresentação da filosofia de forma lúdica, quanto sua reserva à abordagem filosófica de Lipman, e às conseqüências políticas e educacionais deste programa. Neste mesmo ano, o então presidente do Núcleo Regional da Sociedade de Estudos e Atividades Filosóficas (SEAF), de São Paulo, professor Henrique Nielsen Neto, conhecido pelo seu empenho na volta do ensino da filosofia ao ensino secundário, declarou que era necessário suspeitar desta proposta e investigar cuidadosamente seus pressupostos e bases ideológicas, ressalvando que o programa parecia bem estruturado, mas o que poderia ser bom para as crianças norte-americanas talvez não o fosse para as crianças brasileiras. No entanto, os dois

professores não esclarecem os aspectos intimamente ligados à cultura norte americana que poderiam conflitar com a cultura brasileira.

Na época, o professor Marco A. Lorieri havia sido convidado para um debate com um grupo de filósofos da SEAF, num encontro que seria realizado no Espírito Santo, para estudar e debater a proposta. Infelizmente o encontro não aconteceu, e com o falecimento posterior de Henrique Nielsen Neto, este debate nunca mais ocorreu (WUENSCH, 2003).

Segundo Castro (2007), Lipman propõe um trabalho com crianças de cinco a dezesseis anos que, por serem crianças, ainda não têm uma capacidade de investigação para podermos extrapolar as informações vigentes. Por outro lado, o autor chama atenção para que se traga o que há de mais importante e significativo dentro da realidade desses alunos. A leitura de Platão para crianças pode ser algo pouco significativo, descontextualizado e sem vida. Para Castro (2007), são diversas as transformações que necessitam acontecer, como o papel do professor, a postura dos alunos e o envolvimento de todos na responsabilidade; daí o professor passa a assumir o papel de mediador do diálogo, dando assim oportunidade a esses alunos de participação no grupo.

Olgária (2000) entende que é um desafio atualíssimo a maneira a partir da qual se deve pensar e agir com as crianças na escola pública que, segundo ela, são criadoras de solidariedade, tolerância e amizade.

Para Castro (2007), Lipman não despreza a terminologia própria da filosofia. Para Lipman, a criança e o adolescente não devem ser forçados a uma linguagem fora do seu contexto. Castro acredita que Lipman, ao propor a democratização das relações, deu um passo à frente quanto à abertura nas questões do diálogo e da crítica, até então negados aos alunos, e em especial às crianças. Castro (2007), ao se remeter a Kohan (2007), frente às polêmicas em torno do tema filosofia para crianças diz que Kohan entende as preocupações de Lipman no sentido de postular que crianças e adolescentes não necessitam aprender os conteúdos de filosofia propriamente ditos, mas precisam aprender a filosofar, ressaltando-se aqui o caráter essencial quanto ao fornecimento, ao estudante, das bases principais para a prática

do exercício de filosofar. O foco das discussões se coloca em torno do que é pensado, e não em torno do pensador. Há que provocar a criança a pensar no que foi pensado pelos filósofos sem, no entanto, haver necessidade de apresentar o filósofo naquele momento.

CAPÍTULO III