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Já se fez anteriormente uma apresentação geral do PC. Referiu-se que este é composto por outros espaços para além da área expositiva. Contudo, esta pesquisa centra- se na área expositiva, pelo que interessa agora aprofundar a caracterização desta área. Este ponto resulta essencialmente da observação empreendida no PC e ainda de informação disponibilizada no site do PC na Internet - os mapas das exposições e portfolios sobre os módulos integrantes de cada uma10.

Como já foi também mencionado anteriormente, a área expositiva do PC é composta por exposições permanentes e por exposições temporárias. As exposições temporárias patentes no período de desenvolvimento da pesquisa eram A Física no Dia-a-Dia – O Livro Vivo de Rómulo de Carvalho e Uma Questão de Sexo(s).

A Física no Dia-a-Dia – O Livro Vivo de Rómulo de Carvalho é uma exposição interactiva sobre uma das obras de divulgação científica mais conhecidas de Rómulo de Carvalho, antigo professor, pedagogo, poeta e divulgador de ciência: A Física no Dia-a- Dia, ou A Física para o Povo, como se chamava na edição original de 1968. Nesta exposição o visitante encontra ao vivo as 73 experiências que constituem a obra. São 73 questões sobre a presença da física no quotidiano.

10 Recomenda-se aliás, se se quiser obter mais informação sobre cada exposição, o seu aspecto visual e os módulos integrantes de cada uma, a visita ao site do PC.

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Esta exposição, que foi inaugurada no centenário do nascimento de Rómulo de Carvalho, dia 24 de Novembro de 2006, aborda um leque diversificado de questões da física. Na sala que a acolhe, uma sala de dimensão reduzida relativamente às restantes, encontram-se várias mesas com experiências. Cada mesa tem, por norma, duas questões que são levantadas, correspondendo a duas experiências que os visitantes são convidados a executar.

À entrada d’A Física no Dia-a-Dia existe um placard que apresenta a exposição e explica como ela deve ser explorada. Através dessa explicação pretende-se conferir uma maior autonomia ao visitante. A abordagem utilizada tem um tom bastante apelativo, tal como em toda a exposição, reproduzindo o próprio estilo linguístico de Rómulo de Carvalho. No placard interpela-se o visitante com um conjunto de questões que remetem para a presença da física no nosso dia-a-dia - “Já pensou nestas questões? (…) Encontre a Física no seu dia-a-dia. Esta exposição é para si, meu amigo.” - e apresenta-se uma panorâmica da sala de exposição e de cada mesa de experiências, identificando-se os procedimentos que o visitante deverá tomar na exploração da exposição - “Leia as questões e saiba como fazer, experimente com espelhos, lentes, pilhas, água, balanças, copos e outros materiais quotidianos, e procure as respostas que Rómulo de Carvalho escreveu para si.”.

Cada mesa de experiências contém no canto inferior esquerdo uma questão que serve de ponto de partida para a experiência. No canto inferior direito encontra-se uma pequena explicação sobre “como fazer”. No centro da mesa estão dispostos os materiais a utilizar na experiência - materiais usuais do dia-a-dia, uma particularidade importante desta exposição. Encontra-se ainda na mesa um livrete onde o visitante deverá procurar a resposta para a questão colocada, portanto a explicação científica subjacente à experiência. A Física no Dia-a-Dia foi a primeira exposição produzida pelo próprio Pavilhão do Conhecimento. Outra particularidade desta exposição é a integração na sua bolsa de monitores de um conjunto de estudantes do núcleo de Física do Instituto Superior Técnico.

A outra exposição temporária, Uma Questão de Sexo(s), foi inaugurada em Setembro de 2006 e esteve patente ao público cerca de um ano. Portugal foi o quarto país onde esta exposição, produzida pelo centro de ciência belga Technopolis, foi apresentada.

Uma Questão de Sexo(s) aborda as questões do género. Nela convida-se os visitantes a pôr a prova um conjunto de ideias e de questões sobre as diferenças entre os indivíduos dos dois sexos: “Os homens e as mulheres serão tão diferentes como pensamos? Até que ponto os genes e a cultura criam aptidões distintas nos dois sexos? O

gosto artístico, a visualização em três dimensões, a facilidade de entender o discurso escrito ou a aptidão para a matemática são algumas áreas que se considera serem específicas de cada um dos géneros. Ponha estas ideias à prova nesta exposição.”

A exposição procurava testar diferenças entre homens e mulheres ao nível de gostos, representações e competências em várias itens ou áreas temáticas, como as seguintes: artes/sensibilidade artística e rítmica; matemática/habilidade mental e percepção visual; geografia/orientação espacial; biologia/medicina; intuição; destreza/capacidade motora; e desenvolvimento físico.

N’Uma Questão de Sexo(s) apelava-se à participação activa dos visitantes. Antes da entrada na exposição, os visitantes recebiam uma pulseira com um código de barras que os identificava indicando se eram do sexo masculino ou feminino. A activação dos módulos da exposição, incorporados com um leitor óptico, era feita a partir dessa pulseira, e o resultado do visitante na tarefa em causa era automaticamente contabilizado em função do seu sexo. No final da execução de cada módulo, o visitante encontrava, para além da indicação do seu próprio resultado, também os dados estatísticos contabilizando o resultado do total de visitantes de cada sexo que tinham efectuado essa experiência no PC até ao momento. Através deste sistema, cada visitante tinha conhecimento das respostas e dos desempenhos dos outros visitantes, em função do sexo, e podia reflectir sobre as supostas diferenças existentes, assim como comparar as suas respostas com as da maioria de indivíduos do seu sexo. No final da visita à exposição, o visitante tinha ainda oportunidade de imprimir um relatório com o seu desempenho em cada desafio, no qual se encontravam também registadas as médias femininas e masculinas.

Junto a alguns módulos ou em placards independentes dessa exposição apresentavam-se também alguns dados estatísticos sobre homens e mulheres referentes à população portuguesa, e fazia-se alusão através de imagem/fotografia a casos de homens e mulheres com profissões pouco habituais entre as pessoas do seu sexo, assim como às diferentes fisionomias entre um homem e uma mulher.

A interpelação do visitante em relação à temática da exposição era constante ao longo da mesma. Junto aos módulos, para além do título e das instruções, eram apresentadas algumas questões e comentários em função da área e das competências que eles pretendiam testar: “Segundo o senso comum, as mulheres prestam mais atenção aos pormenores (...). Poderá verificar se isto é verdade. Após o jogo, poderá consultar os resultados médios de homens e mulheres.” Eram também frequentemente questionadas as

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origens de possíveis diferenças entre homens e mulheres, se seriam “inatas” e/ou definidas pela “envolvente social e cultural”.

Quanto às exposições permanentes, elas são quatro: Exploratorium, Vê, Faz, Aprende!, Matemática Viva e Casa Inacabada.

O Exploratorium foi originalmente concebido pelo físico Frank Oppenheimer em 1969 – o original é o Exploratorium de São Francisco. Esta exposição, cuja visita é aconselhada a partir dos 10 anos, centra a sua atenção na natureza tendo como tema condutor a percepção humana. Assim, os cerca de 40 módulos que a integram têm em vista permitir o contacto dos visitantes com os fenómenos naturais, “fenómenos do dia-a- dia de todos nós, por vezes aparentemente complexos, que aqui são abordados de uma forma divertida, simples, familiar, de um ponto de vista universal e científico” (PC, 2007). Esta exposição foi recentemente remodelada. “Dar outra cara” à exposição, tornando-a mais atractiva e renovando as razões de visita, foi um dos motivos que esteve na base da intervenção realizada recentemente no Exploratorium, a par com uma necessidade de reorganização conceptual dos módulos. Os interactivos encontram-se actualmente organizados na sala desta exposição em cinco zonas, que correspondem a cinco conceitos/matérias e a cinco cores diferentes pintadas no chão - ondas, luz, percepção, visão e sistemas complexos.

Uma particularidade da sala que acolhe o Exploratorium é o facto de ser uma sala a meia luz, uma vez que as experiências sobre óptica exigem uma menor luminosidade. Quanto aos textos associados a cada módulo, estes integram um título, uma frase resumo, os itens “Vê e faz”, referentes às instruções de utilização, e “O que acontece”, com as explicações científicas inerentes a cada experiência e que, por vezes, são ainda prolongadas com um “E então?”.

Vê, Faz, Aprende! (VFA) é outra exposição permanente. Aconselhada a partir dos 6 anos, esta é a exposição mais colorida. Como se diz na apresentação da exposição no site do PC, “observar, experimentar, tocar, mexer, sozinho ou em grupo, repetir, concluir” são actividades que se pretende que os visitantes realizem nesta exposição, que integra cerca de 65 módulos interactivos dedicados a uma diversidade de fenómenos científico-naturais. Estes módulos têm origem em dois centros de ciência europeus – o Techniquest, no País de Gales, e o Heureka, da Finlândia.

Os textos associados aos módulos desta exposição são relativamente pequenos e incidem em dois itens – “Vê e faz” e “O que acontece”. No centro da sala, bastante ampla,

existe um posto de “informações”, onde são disponibilizadas explicações mais alongadas sobre cada um dos módulos.

Note-se ainda a presença, junto à entrada do VFA, do módulo “Bicicleta Voadora”, que se encontra isolado pelas suas características particulares (encontra-se a 6 metros do chão) e que chama bastante a atenção dos visitantes. Este módulo integra um monitor permanentemente.

Passando agora para a Matemática Viva, esta é uma exposição interactiva sobre matemática, que pretende demonstrar a presença dessa área científica no nosso quotidiano e a sua utilidade. Esta exposição pretende também dar a conhecer o lado divertido da matemática, oferecendo “60 maneiras diferentes de aprender matemática a brincar, ou de aprender a brincar com a matemática”. A Matemática Viva foi concebida em Portugal, pela Associação Atractor, e a sua visita é aconselhada a partir dos 12 anos (ainda que alguns módulos se adeqúem a crianças com idade mais reduzida).

Os textos dos módulos desta exposição incorporam o título e as respectivas instruções de utilização. Mais informações sobre as experiências são fornecidas através dos computadores situados no início dos corredores da exposição.

Por último, a Casa Inacabada. Trata-se de uma exposição dirigida exclusivamente a crianças dos 3 aos 6 anos e que recria um estaleiro de construção civil à escala destas crianças, às quais se incumbem várias tarefas com vista à construção de uma casa. Esta exposição veio da Cité des Sciences et de l’Industrie.

Em termos de localização, as exposições A Física no Dia-a-Dia, Exploratorium e VFA situam-se no piso superior do PC, por onde se processa a entrada dos visitantes, e Uma Questão de Sexo(s), Matemática Viva e Casa Inacabada localizam-se no piso térreo. Note-se, contudo, que a primeira exposição indicada situa-se junto à zona de acesso livre, sendo a entrada não sujeita a pagamento, contrariamente ao que acontece com as outras exposições.

Indo de encontro a medidas que visam uma maior acessibilidade económica à cultura, o PC determina tarifas reduzidas para públicos jovens e estudantes, professores, públicos seniores ou pessoas com deficiência. Os grupos e as famílias (neste caso através do bilhete de família) usufruem também de preços especiais.

Com vista à fidelização do público e à premiação dos visitantes regulares, foi criado o Clube Pavilhão do Conhecimento – Ciência Viva. Os aderente/sócios deste Clube usufruem de condições especiais a nível do preçário de entrada no Pavilhão e noutros Centros da Rede Ciência Viva.

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2.2 O público não-escolar entre o conjunto de públicos do Pavilhão