2. A Brief Overview of The History of Oranges
2.3 The Emergence of the Citrus Industry
2.3.1 Citrus Producers Beyond the Scope of This Research
A autora do presente estudo avaliou que os riscos a integridade física moral ou psicológica dos pacientes e/ou responsáveis envolvidos no estudo foram mínimos, visto que em nenhuma hipótese ocorreu a utilização dos dados dos mesmos para fins não científicos ou a identificação dos indivíduos envolvidos na pesquisa.
Os benefícios do estudo envolveram a aprendizagem, expansão e aplicação de conhecimento nas áreas de pesquisa em infectologia, microbiologia e saúde pública, enquanto para a universidade, assim como para a comunidade científica, o presente estudo poderá gerar novas publicações, estimular novas pesquisas que envolvam o tema abordado, enriquecendo os conhecimentos acerca do assunto.
Como benefício para os sujeitos da pesquisa, os resultados encontrados poderão contribuir na elaboração de propostas mais eficazes de diagnóstico e tratamento da hanseníase, possibilitando, assim, o diagnóstico precoce, bem como o acompanhamento e tratamento adequado aos adolescentes acometidos por hanseníase, visando melhoria na qualidade dos serviços prestados a esses jovens.
Para a comunidade geral, espera-se que estes dados possam ser utilizados na promoção da prevenção, rastreamento e diagnóstico precoce da doença. Para que sejam evitadas complicações incapacitantes e haja diminuição dos custos em saúde do poder público em tratamento, hospitalizações e reabilitação dos adolescentes sequelados pela hanseníase.
6 RESULTADOS
A população do estudo foi constituída de fichas de notificação de casos de hanseníase em menores de 15 anos, com diagnóstico clínico realizado entre janeiro de 2001 a dezembro de 2010, totalizando 478 casos notificados, onde, na distribuição por gênero, predominou o sexo masculino, com 53,76% dos casos novos no período estudado, quanto à faixa etária, a que apresentou maior acometimento pela doença foram os indivíduos com idade entre 10 e 14 anos, representando 303 casos (63,38%) de todos os registros avaliados no período. O número de casos de hanseníase predominou em pessoas da raça parda, com 221 (46,23%) casos, seguidos pela raça branca com 111 (23,22%) casos, onde cabe ressaltar que foram notificadas 03 pessoas da raça indígena nos 10 anos analisados.
Das 478 fichas de notificação analisadas, foi visto que 44,76% (214) casos ocorreu em pessoas que tinham o ensino fundamental completo, seguidos de 27,19 (130) casos de indivíduos que cursavam o ensino fundamental. Quanto à procedência, de acordo com os distritos sanitários de Imperatriz – MA, o maior percentual de casos ocorreu no Distrito do Santa Rita com 26,35% (126) dos casos, como também no Distrito da Vila Nova e Bacuri, respectivamente, com 110 (23,01%) e 102 (21,33%) do total de casos do período estudado (TABELA 1).
Tabela 01 - Característica da população de menores de 15 anos com hanseníase no município de Imperatriz – Maranhão, no período de 2001 – 2010.
VARIÁVEL N % SEXO Masculino 257 53,76 Feminino 221 46,24 478 100 IDADE 0 - 4 anos 24 5,02 5 - 9 anos 151 31,58 10 – 14 anos 303 63,38 478 100 RAÇA Branca 111 23,22 Preta 72 15,06 Amarela 23 4,81 Parda 221 46,23
Tabela 01 - Características da população de menores de 15 anos com hanseníase no município de Imperatriz – Maranhão, no período de 2001 – 2010. (Continuação) Indígena 03 0,62
Ingnorado 48 10,04
478 100
ESCOLARIDADE
Analfabeto 11 2,30
1ª a 4ª série Ens. Fund. Incompleto 130 27,19
5ª a 8ª série incompleto. 20 4,18
Ens. Fund. Completo 214 44,76
Ens. Médio Incompleto 02 0,41
Ens. Médio Completo 33 6,90
Ignorado 12 2,51 Não se aplica 56 11,71 478 100 DISTRITO DE NOTIFICAÇÃO Vila Lobão 90 18,82 Vila Nova 110 23,01 Bacuri 102 21,33 Nova Imperatriz 39 8,15 Santa Rita 126 26,35 Zona Rural 11 2,30 478 100
Fonte: SINAN, Secretaria Municipal de Saúde de Imperatriz – Maranhão, 2012.
Na figura 3, os dados gerais de hanseníase no município de Imperatriz – MA mostram que além de hiperendêmica (Coeficiente de detecção > 4,0 casos/ 10.000 hab.), a hanseníase manteve-se estabilizada neste patamar, nos dez anos estudados.
Figura 3: Coeficiente de detecção geral e em menores de 15 anos dos casos de hanseníase em Imperatriz – MA, de 2001 a 2010.
Fonte: SINAN, Secretaria Municipal de Saúde de Imperatriz – MA, 2012. 0 5 10 15 20 25 30 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 C o ef ic ie n te d e d et ec çã o Detecção geral Detecção < 15 anos
A figura 3 mostra ainda a taxa de detecção geral em menores de 15 anos de hanseníase no município, no período de 2001 a 2010, onde houve uma variação na taxa de detecção, tendo (23,24/ 10.000) na população geral em 2001, (25,16/10.000) em 2002, (22,07/10.000) em 2003, (19,58 /10.000) em 2004, (23,28/10.000) no ano de 2005, (18,76 /10.000) em 2006, (16,76 /10.000) em 2007, (15,12 /10.000) em 2008, (12,82 /10.000) em 2009 e (10,22 /10.000) em 2010.
No que se refere à detecção em menores de 15 anos, em 2001 a detecção foi de (6,22/10.000) e (9,10), (9,12), (6,68), (7,64), (7,64), (6,05), (4,70), (4,92) e (2.69), respectivamente entre os anos de 2002 a 2010.
Tabela 02 - Distribuição dos casos notificados de Hanseníase em menores de 15 anos, comparados ao total de casos notificados, Imperatriz – Maranhão, 2001- 2010.
Anos Faixa Etária <15 anos < 15 anos Total N % N % 2001 48 10,32 417 89,67 465 2002 69 11,85 513 88,14 582 2003 72 13,87 447 86,12 519 2004 53 11,39 412 88,60 465 2005 56 10,03 502 89,96 558 2006 54 11,89 400 88,10 454 2007 43 10,61 362 89,38 405 2008 32 8,64 338 91,35 370 2009 33 10,37 285 89,62 318 2010 18 7,14 234 92,85 252
Fonte: SINAN, Secretaria Municipal de Saúde de Imperatriz- Maranhão, 2012.
Na tabela 2, o número de casos em maiores de 15 anos predominou em todos os anos do período estudado.
Na tabela 3, encontra-se a distribuição de casos de hanseníase em menores de 15 anos, da prevalência e do coeficiente de detecção por ano, no período de 2001 a 2010, no município de Imperatriz – Maranhão.
Tabela 03 - Prevalência e Coeficiente de detecção dos casos de hanseníase em menores de 15 anos no município de Imperatriz - MA, por ano de 2001 a 2010. Imperatriz – Maranhão, 2001 – 2010.
Anos Nº de casos notificados Prevalência (10.000) Coeficiente de Detecção < 15 anos 2001 48 6,22 6,22 2002 69 9,10 9,10 2003 72 9,66 9,12 2004 53 7,23 6,68 2005 56 7,78 7,64 2006 54 7,64 7,64 2007 43 6,19 6,05 2008 32 4,70 4,70 2009 33 4,92 4,92 2010 18 2,69 2,69
Fonte: SINAN, Secretaria Municipal de Saúde de Imperatriz – Maranhão, 2012.
Em relação ao número de casos de hanseníase notificados em menores de 15 anos no município de Imperatriz, houve aumento entre os anos de 2001 e 2003, tendo um decréscimo em 2004, voltando a subir em 2005, mas diminuindo consideravelmente nos anos subsequentes.
Quanto à prevalência, de acordo com a estimativa da população registrada para o ano, no ano de 2003 foi notificado (9,66 casos para 10.000 habitantes menores de 15 anos), enquanto em 2010 ocorreram (2,69 casos para 10.000 habitantes menores de 15 anos). O coeficiente de detecção mostrou-se com (9,12 e 2,69) casos para 10.000 habitantes menores de 15 anos, respectivamente para os anos de 2003 e 2010.
A tabela 04 mostra a distribuição dos casos de hanseníase em menores de 15 anos quanto aos aspectos clínicos da doença.
Tabela 04: Distribuição dos casos de hanseníase em menores de 15 anos por variáveis ligadas ao quadro clínico da doença, Imperatriz – Maranhão, 2001 – 2010
VARIÁVEL n % FORMA CLÍNICA Indeterminada 187 39,12 Tuberculóide 131 27,40 Dimorfa 118 24,68 Virchowiana 42 8,78 478 100 CLASSIFICAÇÃO OPERACIONAL
Tabela 04: Distribuição dos casos de hanseníase em menores de 15 anos por variáveis ligadas ao quadro clínico da doença, Imperatriz – Maranhão, 2001 – 2010. (Continuação) Paucibacilar 319 66,73 Multibacilar 159 33.26 478 100 MODO DE DETECÇÃO Encaminhamento 126 26,35 Demanda espontânea 235 49,16 Exame da coletividade 05 1,04 Exame de contatos 81 16,94 Ignorado 31 6,48 478 100
Fonte: SINAN, Secretaria Municipal de Saúde de Imperatriz- Maranhão, 2012.
O estudo mostrou que a forma clínica mais prevalente foi a forma indeterminada, com 187 casos (39,12%), seguida da forma tuberculóide com 131 (27,40%) casos, da dimorfa com 118 (24,68%) e com menor número de casos a forma Virchowiana, com 48 (8,78%) dos casos totais do período analisado. Quanto a classificação operacional, a paucibacilar (PB) teve número superior quando comparada a multibacilar (MB), sendo 319 (66,76%) e 159 (33,26), respectivamente.
No mesmo estudo foi analisado ainda o modo de detecção mais expressivo durante a década, onde foram identificados os seguintes resultados: demanda espontânea, que ocorreu em 235 (49,16%) casos notificados, seguida dos encaminhamentos, com 126 (26,35%) dos casos e ainda através de exames de contatos e exame da coletividade, com 81 (16,94%) e 5 (1,4%) dos casos respectivamente, embora 31 (6,48%) das notificações mostraram-se com esse campo preenchido como ignorado.
Tabela 05 - Distribuição dos casos de hanseníase em menores de 15 anos quanto a avaliação de incapacidades no diagnóstico de 2001 a 2010. Imperatriz – Maranhão, 2001 – 2010.
Grau de Incapacidade no Diagnóstico
Grau 0 Grau I Grau II Não avaliado
Anos N % N % N % N % 2001 37 77,08 04 8.33 02 4,16 05 10,41 2002 44 63,76 06 8,69 06 8,69 13 18,84 2003 50 69,44 04 5,55 0 0 18 25 2004 33 62,26 0 0 03 5,66 17 32,07 2005 41 73,21 02 3,57 0 0 13 23,21
Tabela 05 - Distribuição dos casos de hanseníase em menores de 15 anos quanto a avaliação de incapacidades no diagnóstico de 2001 a 2010. Imperatriz – Maranhão, 2001 – 2010. (Continuação) 2006 45 83,33 05 9,25 0 0 04 7,40 2007 37 86,04 03 6,97 01 2,32 02 4,65 2008 24 75,00 01 3,12 0 0 07 21,87 2009 22 66,66 01 3,03 01 3,03 09 27,27 2010 15 83,33 01 5,55 0 0 02 11,11
Fonte: SINAN, Secretaria Municipal de Saúde de Imperatriz- Maranhão, 2012.
Quanto ao grau de incapacidade, em todos os anos estudados, mais de 63,76% dos casos notificados, apresentaram 0 (grau zero), não houve ocorrência de casos com grau 1 de incapacidade no ano de 2004 e nem de grau 2 em 2003, 2005, 2006, 2008 e 2010. No ano de 2004, 32,07% de todos os casos notificados não foi realizado avaliação de incapacidade.
Tabela 06 - Evolução das proporções das variáveis analisadas entre 2001 e 2010. Imperatriz – Maranhão, 2001 – 2010.
Ano Nº
casos* Homens (%) PB** (%) Forma Clínica (%) Faixa etária (%) HI HT HD HV 0-4 5-9 10-14 2001 48 52,8 62,5 41,6 25,0 20,8 12,5 2,08 22,9 75,0 2002 69 65,2 57,0 36,2 24,6 28,9 10,4 5,79 37,6 56,5 2003 72 54,1 65,2 36,1 26,3 26,3 11,1 4,16 30,5 65,2 2004 53 49,5 73,5 50,9 16,9 22,6 9,4 3,77 18,8 77,3 2005 56 60,7 85,7 41,0 37,5 10,7 10,7 8,92 33,9 57,1 2006 54 50,0 66,6 38,8 29,6 25,9 5,5 3,70 37,0 59,2 2007 43 54,7 69,7 32,5 39,5 20,9 6,9 0,00 32,5 67,4 2008 32 59,3 75,0 37,5 34,3 25,0 3,12 9,37 37,5 53,1 2009 33 69,6 48,4 36,3 21,2 27,2 15,5 12,1 42,4 45,4 2010 18 44,4 50,0 33,3 16,6 50,0 0,00 0,00 16,6 83,3 Fonte: SINAN, Secretaria Municipal de Saúde de Imperatriz- Maranhão, 2012.
*Casos notificados excluindo-se os que entraram no banco de dados como recidiva ou transferência de outro município.
PB** Paucibacilar
A evolução das proporções de casos de hanseníase em menores de 15 anos mostrou um aumento 2001 e 2003, diminuiu em 2004, e voltou a aumentar em 2005, mas diminuindo nos anos seguintes. Predominou em pessoas do gênero masculino,
exceto no anos de 2004 e 2010. Quanto à classificação operacional, apenas no ano de 2009 a forma multibacilar mostrou-se mais representativa.
Dentre os casos notificados, a forma clínica indeterminada predominou entre os anos de 2001 e 2006 e ainda em 2008 e 2009, já em 2007 e 2010, as formas clínicas mais representativas foram as formas tuberculóide e dimorfa, respectivamente. De acordo com as fichas avaliadas no período de 2001 a 2010, a faixa etária mais afetada pela hanseníase foi a de indivíduos entre 10 e 14 anos, exceto para o ano de 2009.
Tabela 07 - Distribuição de casos de hanseníase em menores de 15 anos, por distrito de residência de 2001 e 2010. Imperatriz – Maranhão, 2001 – 2010.
DISTRITROS SANITÁRIOS DE IMPERATRIZ - MA
Vila Lobão Vila Nova Bacuri Nova
Imperatriz Santa Rita Zona Rural casos Total
Anos N % N % N % N % N % N % 2001 07 14,5 17 35,4 05 10,4 04 8,3 14 29,1 01 2,08 48 2002 16 23,1 14 20,2 15 21,7 06 8,6 16 23,1 02 2,89 69 2003 13 18,0 20 27,7 12 16,6 08 11,1 17 23,6 02 2,77 72 2004 08 15,0 08 15,0 14 26,4 02 3,77 21 39,6 00 0 53 2005 11 19,6 13 23,2 12 21,4 03 5,35 16 28,5 01 1,78 56 2006 13 24,0 19 35,1 11 20,3 03 5,55 08 14,8 00 0 54 2007 08 18,6 07 16,2 11 25,5 05 11,6 11 25,5 01 2,32 43 2008 05 15,6 03 9,37 11 34,3 04 12,5 09 28,1 00 0 32 2009 05 15,1 07 21,2 06 18,1 03 9,09 10 30,3 02 6,06 33 2010 04 22,2 02 11,1 05 27,7 01 5,55 04 22,2 02 11,1 18 TOTAL 90 18,82 110 23,01 102 21,33 39 8,15 126 26,35 11 2,30 478
Fonte: SINAN, Secretaria Municipal de Saúde de Imperatriz- Maranhão, 2012.
O distrito sanitário do Santa Rita apresentou o maior percentual do total de casos nos anos de 2002, 2004, 2005, 2007 e 2009, seguido do distrito da Vila Nova em 2001, 2003 e 2006 e ainda o distrito do Bacuri no ano de 2007, assemenlhando- se ao do Santa Rita e também 2008 e 2010. O distrito da Vila Lobão mostrou resultado igual ao do Santa Rita no ano de 2006, também com 23,1% dos casos notificados. (TABELA 7 e FIGURA 4)
Figura 4: Distribuição de casos de hanseníase em menores de 15 anos e percentual por distrito de residência de 2001 e 2010. Imperatriz – Maranhão, 2001 – 2010. Fonte: Secretaria Municipal de Saúde / Departamento da Atenção Básica – DAB – Imperatriz – MA, 2011.
7 DISCUSSÃO
Conforme os dados apresentados na TABELA 1, observa-se que neste estudo, houve predomínio de indivíduos pertencentes ao sexo masculino (53,76%) entre os menores de 15 anos, achado que corrobora com a maioria dos estudos publicados, tais quais os de Alencar et. al., (2008) realizado em Fortaleza-CE e Imbiriba et. al., (2008) feito em Manaus-AM, onde observaram em seus estudos 52% e 51% dos indivíduos pertencentes ao sexo masculino, respectivamente.
Pessoas do sexo masculino mostram-se há tempos predominante nos inquéritos populacionais e quando são avaliados perfis da doença em adultos, sendo justificado por maior oportunidade de contato entre homens, onde os mesmos saem mais de casa, seja para trabalhar, estudar ou socializar, ficando assim mais suscetíveis ao contato com doentes. Contudo, em crianças e jovens observa-se um equilíbrio entre os gêneros. Ao longo da década estudada foi observada uma tendência ascendente de casos em indivíduos do sexo masculino e na faixa etária de 10 a 14 anos.
Os dados da TABELA 1 permitem demonstrar que durante todo o período analisado os indivíduos na faixa etária de 10 a 14 anos foram os mais acometidos pela doença (63,38%), seguidos pela faixa etária de 5 a 9 anos com (31,58%) dos casos notificados e ainda de menores de 4 anos com (5,02%) dos casos. Para (PONTE, 2005), a prevalência da doença vai aumentando conforme o aumento da idade e com poucos casos em crianças menores de 3 anos. Existe uma nítida relação entre a precocidade dos casos e a endemia local (CESTARI, 1999). A realização de exames em escolares é indicada por Pinto Neto et. al., 2004, quando mais de 8 % do total de casos detectados ocorrerem em menores de 15 anos. Lana et. al., 2008, destaca que em um de seus estudos realizado no Vale do Jequitinhonha em Minas Gerais, a média de idade encontrada na amostra estudada foi de apenas 11 anos. E refere ainda que esses valores justificam a adoção de medidas de prevenção e controle mais específicas voltadas para esse grupo da população, como a busca ativa em escolas e creches, a realização de palestras esclarecendo os sinais e sintomas da doença e a intensificação dos exames de comunicantes.
Ainda na TABELA 1, na avaliação da raça/cor, os pardos foram maioria, com (46,23%) dos casos, seguidos pelos brancos com (23,22%), com a raça indígena
apresentando a menor proporção de casos quando comparada às outras. Estes resultados confirmam os valores encontrados no estudo de Miranzi et. al., 2010, onde contraria apenas a raça de menor proporção, que foi a negra. Dos 478 casos, 48 tinham esse campo respondido como ignorado na ficha de notificação.
Quanto à escolaridade, 214 (44,76%) tinham ensino fundamental completo, 150 (31,37%) tinham ensino fundamental incompleto, 56 (11,71%) não se aplicavam à escolaridade, 33 (6,90%) dos casos notificados tinham ensino médio completo, 12 (2,51%) dos casos tinham esse campo ignorado na ficha de notificação, 11 (2,30%) eram analfabetos e 2 (0,41%) tinham ensino médio incompleto. Ferreira et. al., (2007), em um estudo realizado com escolares na cidade de Paracatu, Minas Gerais, descreveu que 85,3% dos menores estudados tinham ensino fundamental completo.
Ao proceder a análise do gráfico 1, os dados gerais de hanseníase no município de Imperatriz – MA mostram que além de hiperendêmica (Coeficiente de detecção > 4,0 casos/ 10.000 hab.), a hanseníase manteve-se estabilizada neste patamar, nos dez anos estudados. O gráfico 1 e a TABELA 3 nos mostra a taxa de detecção geral e em menores de 15 anos de hanseníase no município, no período de 2001 a 2010, onde houve uma variação na taxa de detecção, tendo (23,24/ 10.000) na população geral em 2001, (25,16/10.000) em 2002, (22,07/10.000) em 2003, (19,58 /10.000) em 2004, (23,28/10.000) no ano de 2005, (18,76 /10.000) em 2006, (16,76 /10.000) em 2007, (15,12 /10.000) em 2008, (12,82 /10.000) em 2009 e (10,22 /10.000) em 2010. Embora o número de casos tenha reduzido de 2002 a 2010, mostrando uma tendência decrescente, o coeficiente de detecção permaneceu classificado como hiperendêmico.
O coeficiente de detecção do Maranhão na faixa etária de 0 a 14 anos, no período de 2001 a 2008, apresentou classificação “hiperendêmica”. A distribuição espacial dos casos em menores de 15 anos, em 2008 demonstra que houve notificação de crianças em 90 (41,5%) municípios do Estado, que estão cercados por áreas silenciosas ou sem casos. Vale salientar que os municípios desse estado estão inseridos nas dez áreas de maior risco de detecção de casos de hanseníase, definidos pelo estudo de clusters (BRASIL, 2009a).
Braga (2010) destaca que em um estudo realizado em Igarapé Açú – PA, foi encontrado um coeficiente geral de detecção anual de casos de hanseníase na área entre 2000 e 2009 de 7,40 casos por 10.000 habitantes (7,40/10.000 hab), tendo
variado bastante neste período, sendo o maior valor em 2003 (17,66/10.000 hab) e o menor em 2000 (2,32/10.000 hab), valores que mostram ser o município hiperendêmico para a moléstia, exceto no ano de 2000, quando sua endemicidade foi considerada muito alta, corroborando com os resultados deste estudo. Tais dados são superiores ao coeficiente geral de detecção do país, que entre os anos de 2001 e 2007 estiveram sempre entre 2 e 3 casos para cada 10.000hab, mas se assemelham aos dados da região Norte, que no mesmo período variaram entre 5,5 e 7,9/10.000hab (BRASIL, 2008a).
No que se refere à detecção em menores de 15 anos, em 2001 a detecção foi de (6,22/10.000) e (9,10), (9,12), (6,68), (7,64), (7,64), (6,05), (4,70), (4,92) e (2.69), respectivamente entre os anos de 2002 a 2010, onde também se observou que embora tenha mostrado uma tendência decrescente no número de casos, isso não determinou a diminuição do coeficiente, pois o mesmo manteve-se hiperendêmico para casos em menores de 15 anos. Figueiredo e Silva (2003) em um estudo de tendência realizado em São Luis do Maranhão, encontrou níveis hiperendêmicos permanentes, com taxa de detecção variando entre 2,2 e 3,7 por 10.000, em menores de 15 anos, resultados semelhantes aos deste levantamento, demonstrando então semelhanças de detecção entre as regiões, onde Cunha et al., (2007) em um estudo semelhante em Duque de Caxias (RJ) mostrou flutuação do coeficiente de detecção em menores de 15 anos entre 0,1 em 1995 a 1,3 em 2003, inferiores aos achados neste trabalho.
Oliveira (2008), destacou em um de seus estudos realizado em Teresina – PI, um coeficiente de detecção hiperendêmico para hanseníase, nos menores de 15 anos. Braga (2010), também realizou um estudo em Igarapé Açú – PA, e quando o coeficiente de detecção foi calculado entre os menores de 15 anos, obteve-se hiperendemicidade, pois resultou em 3,06/10.000 habitantes no período estudado, com variação entre 6,66/10.000 habitantes em 2005 e 0,0/10.000 habitantes no ano de 2009. Observou-se, portanto, que provavelmente os dados de 2009 não condiziam com a realidade local, haja vista que era impossível um município que nos últimos 10 anos vinha sendo apontado como hiperendêmico para a moléstia zerar a detecção de casos em menores de 15 anos em apenas um ano, devendo-se esse número a subnotificação ou mesmo a ineficácia e inefetividade das ações do programa de controle local da doença, que não estavam mais conseguindo identificar tais doentes.
Os resultados desta pesquisa revelam proporções bem acima dos valores de referência indicados na literatura, tidos como valores aceitáveis. Isso representa uma possibilidade de haver dificuldades no processo de alcance do controle da endemia no município. Além disso, refletem a exposição precoce das crianças e o aumento da cadeia de transmissão do bacilo, e sugerem uma deficiência na vigilância e no controle da doença (FERREIRA & ALVAREZ, 2005; SILVEIRA et. al., 2009).
Na TABELA 2 ao verificar a proporção de casos na população geral e em menores de 15 anos, é visto que em todos os anos da série histórica, mais de 86% dos casos ocorreram em maiores de 15 anos, contudo, para Pinto Neto et. al., 2004, quando a população de menores de 15 anos representa mais de 8% do total de casos por ano é um sinal muito preocupante. Fato que foi observado neste estudo, onde apenas no ano de 2010 os casos em menores de 15 anos não superaram os 8% do total de casos gerais, contrariando a afirmação de Pinto Neto (TABELA 6). Oliveira (2008) relata que as notificações de menores de 15 anos analisados em seu estudo, como casos novos de hanseníase, demonstraram um padrão de casos proporcionais acima de 10% dos casos totais, percentual que não se distanciou de outros estudos já realizados. Alvarez (2005) relata um percentual de 9% de casos novos em menores de 15 anos em Paracatu – MG, no período de 1994 a 2001. A magnitude da hanseníase em outro estudo demonstra uma tendência de estabilização da doença. No entanto, há evidências de transmissão recente, pela proporção de casos novos em menores de 15 anos, uma vez que 8,1% dos casos situavam-se na faixa etária de 0 a 14 anos (LANA et. al., 2007).
Brasil (2005) destaca que a Amazônia Legal e os estados do Mato Grosso, Goiás, Pernambuco, Piauí e Bahia concentram 72,4% da carga da doença no país. Além das altas taxas de prevalência da endemia e da detecção de casos novos em municípios destes estados, os percentuais elevados de casos entre os menores de 15 anos mostram a fragilidade no sistema de vigilância epidemiológica da doença.
De acordo com a TABELA 3, este estudo revela que a hanseníase no município de Imperatriz - Maranhão, conforme o coeficiente de detecção foi considerada hiperendêmica, já que a os parâmetros do ministério da saúde confirmam que a mesma é considerada hiperendêmica quando tem-se mais de um caso para cada dez mil habitantes (BRASIL, 2009a), tal afirmação corrobora com o resultado deste estudo, onde mesmo tendo mostrado uma tendência decrescente no número de casos no decorrer dos anos analisados, ainda em 2010 o coeficiente de
detecção apontou 2,69/10.000 habitantes menores de 15 anos. Imbiriba et. al., 2008 também encontrou coeficiente de detecção em nível hiperendêmico quando realizou um estudo em Manaus com menores de 15 anos, no período de 1998 a 2003, fator que preocupa, já que a detecção de casos novos em crianças e adolescentes tem significado epidemiológico importante, pois indica precocidade de exposição e persistência da transmissão da doença, constituindo um indicador de grande relevância do nível de endemia (BRASIL, 2008a).
Barbieri et. al., (2009) destaca que a prevalência da doença em menores de 15 anos e em crianças é maior em países endêmicos, revelando persistência na transmissão do bacilo e as dificuldades dos programas de saúde para controle da doença, tal afirmação está em consonância com a descrição da TABELA 3, onde observou-se que a taxa de prevalência manteve-se alta entre os anos de 2001 e 2007 e passando para média nos anos de 2008, 2009 e 2010, a prevalência encontrada é ascendente e é tendência em todo o país.
Em relação à forma clínica, na TABELA 4 e TABELA 6, nas fichas de notificação analisadas, houve predomínio da forma Indeterminada (39,12%), seguida da Tuberculóide (27,40%), depois da Dimorfa (24,68%) e por último a forma Virchowiana (8,78%). – dado não frequente na literatura – contrariando o resultado deste estudo, várias pesquisas mostraram a ocorrência maior da forma Tuberculóide (ALENCAR et. al., 2008; IMBIRIBA et. al., 2008). Já em outros estudos de áreas endêmicas, foram encontrados o predomínio da forma Dimorfa (ARAÚJO et. al., 2004, ALVAREZ et. al., 2005). É válido enfatizar que neste estudo, nos anos de 2007 e 2010, as formas clínicas mais representativas foram as formas tuberculóide e dimorfa, respectivamente, pois apresentaram tendência ascendente na década estudada.
Quanto à classificação operacional para efeito de tratamento, neste estudo predominaram as formas paucibacilares (62,73%) em concordância com Lana et. al.,