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Nonlinear Finite Element Analysis of Beam Structures

5.3 History Concepts

O estudo de Cancellier (2001) teve como objetivo geral compreender o processo de elaboração de estratégias de pequenas empresas industriais. Ele é resultado de sua dissertação de mestrado, tendo sido realizado em sete empresas de pequeno porte, de diferentes tipos de indústria, em Santa Catarina, no Brasil. O estudo elencou seis principais conclusões a respeito de como os dirigentes destas empresas percebem o modo como conduzem o seu processo de formulação de estratégia.

A primeira conclusão desse estudo apontou que o estrategista da pequena empresa é o grupo dirigente, que detêm e concentra o poder de decisão da organização. Segundo Cancellier (2001), para formular as estratégias empresariais, esse grupo dirigente define os objetivos a serem alcançados, realiza avaliações constantes do ambiente externo e interno e depois identifica quais são as estratégias mais adequadas à realidade da empresa. A análise ambiental é feita com o auxílio de informações obtidas com funcionários-chave, que são estimulados a auxiliarem nesse processo. No entanto, a tomada de decisões está sempre a cargo do grupo dirigente, que pela posição ocupada na estrutura da organização consegue visualizar os fenômenos externos e seus efeitos no ambiente interno, sendo responsável pela sobrevivência da empresa, bem como pelo seu sucesso ou fracasso em atingir os objetivos organizacionais. Além deles definirem as estratégias a serem implantadas, são os responsáveis pela sua implantação, execução das atividades selecionadas e controle e avaliação. A pesquisa revelou também que o grupo dirigente embora não faça uso de técnicas sofisticadas de análise e planejamento, tão pouco se parece com o modelo de formulação de estratégia da escola empreendedora, intuitivo e arrojado. Para Cancellier (2001), ele é um

sujeito envolvido nas questões-chave e particularidades que determinam o sucesso ou fracasso do seu empreendimento, estando mais próximo da Ilustração do artesão descrita por Mintzberg (1987).

A segunda conclusão da pesquisa foi que a definição de objetivos nas empresas pesquisadas é feita de forma bastante genérica e pouco precisa, não sendo um processo formalizado. Apenas em algumas unidades estudadas eles geraram metas que representassem um desdobramento maior dos objetivos. No entanto ele é considerado um fator de grande importância para a organização e a escolha da estratégia é feita também com base na sua convergência e adequação ao conteúdo dos objetivos definidos. Ele é definido pelo grupo dirigente, estando sujeito a modificações a qualquer momento que os mesmos acharem conveniente, o que demonstra um grande poder de flexibilidade e adaptação. O objetivo mais frequentemente identificado na pesquisa foi à busca pelo crescimento organizacional.

Em terceiro lugar a pesquisa revelou que o ambiente externo é objeto de análise constante do grupo dirigente, pois eles procuram continuamente informações sobre as mudanças que podem influir na organização, mas isso ocorre no que tange a busca por oportunidades. As ameaças não são um alvo da preocupação dos empreendedores, que segundo Cancellier (2001) demonstraram estarem mais voltados a busca do crescimento da empresa, do que com a solução de possíveis problemas. Os dirigentes, na análise ambiental consideram aspectos gerais do macroambiente e buscam se aproximar de grupos de indivíduos ou instituições com maior poder de influência no sucesso da organização.

Como quarta conclusão foi verificado que na busca por oportunidades, as pequenas empresas do estudo buscam identificar e se aproximar dos stakeholders externos, que julgam serem as pessoas que detém informações que possam influenciar no desenvolvimento de suas empresas. Esses stakeholders foram identificados como sendo: clientes, governo, concorrentes, representantes de vendas, bancos, profissionais de outras organizações e instituições de apoio. Conforme Cancellier (2001), a análise dos dados gerais do macroambiente, mais as informações obtidas com os stakeholders, permite a empresa ter um quadro razoável do meio que a rodeia, fornecendo um campo de referência que é crucial para a tomada de decisões estratégicas.

Em quinto lugar, concluiu-se que na análise do ambiente interno, identificam-se as principais competências e habilidades da empresa, que servem de referência para a seleção de oportunidades do ambiente externo, e das quais as empresas do estudo evitam se distanciar. Dessa forma, a capacidade da empresa de explorar uma oportunidade ambiental depende das habilidades que a organização domina e conhece. Verificou-se também que existe uma busca por parte dessas empresas, em concentrar esforços, em um número reduzido de habilidades, objetivando ganhar experiência e aumentar o aprendizado.

A última descoberta dessa pesquisa foi de que os dirigentes das pequenas empresas buscam identificar pessoas-chave dentro da organização, com as quais eles partilham idéias, informações e experiências, que vão auxiliar na análise do ambiente interno. Em geral essas pessoas estão ligadas a importantes áreas dentro da empresa, respondem pelas chamadas habilidades principais que a empresa domina e conhece profundamente e, muitas vezes funcionam como um elo entre a empresa e o cliente.

Negando os postulados de Beaver e Prince (2004), Cancellier (2001), em suas considerações finais sobre a pesquisa realizada, afirma que a análise dos dados revela um processo de elaboração de estratégias mais complexo do que os modelos reativos-intuitivos. Além disso, o autor apontou que a formulação de estratégias, principalmente no que tange a análise ambiental, mostrou-se ocorrer de forma mais veloz e econômica do que nos modelos para as grandes empresas, descritos na literatura sobre planejamento estratégico. O processo identificado na pesquisa, também se afasta dos modelos empreendedores, na qual a tomada de decisões por parte de empreendedores e dirigentes ocorre de forma intuitiva, ousada e arriscada.