3 Brukermediert utvikling og designteknikker
3.1 Historisk perspektiv
Faremos neste tópico a análise das questões dissertativas que procuravam investigar as visões dos alunos sobre a disciplina de Libras.
Sobre a questão 23: Você descobriu algo que superou o senso comum em
relação aos surdos na disciplina de Libras? O quê? Porquê?
O gráfico de colunas abaixo apresenta as respostas dadas pelos pesquisados a partir de categorias que foram levantadas.
Para esta análise dividimos as respostas dos alunos em quatro categorias: Alteridade, Libras, Comunicação e Geral.
Vimos que o que superou a visão de senso comum de ambas as universidades foi a alteridade. A alteridade envolve a quebra de preconceitos em relação ao outro, como: entender o surdo enquanto uma pessoa comum, capaz, independente e respeita-lo em sua cultura e identidade que são próprias. Destaco duas respostas; identificando com “M” (Universidade Presbiteriana Mackenzie) e “U” (Universidade Nove de Julho): “Entendi que o surdo não tem problema cognitivo,
0% 10% 20% 30% 40% 50% 60% 70%
Pergunda 23
Uninove Mackenzieque é capaz de fazer e aprender tudo” (M) e “Para aqueles que não são surdos, foi possível conhecer melhor o surdo”. (U)
A Libras, que ficou em segundo lugar na pesquisa, abarca a importância de se utilizar o canal visuo-gestual como via de comunicação e o respeito pela língua de sinais e o seu reconhecimento enquanto língua. Aponto uma resposta “o que achei interessante foi conhecer a língua de sinais, e compreender que é um idioma como qualquer outro”.(M)
A comunicação, que ocupa o terceiro lugar, além de envolver a língua de sinais também se refere a entender a forma de comunicação diferenciada do surdo e ao mesmo tempo a possibilidade de comunicação entre surdos e ouvintes. “Que eles tem a Libras como primeira língua”. (M)
O aspecto geral mencionado está ligado a uma resposta abrangente como, por exemplo, informações que não imaginavam em aprender, sem especificações.
Ao observarmos o gráfico, podemos perceber que, tiveram respostas bastante parecidas das quais a que mais se destacou, foi a questão da alteridade, já que um dos objetivos principais destacados nos planos de ensino de ambas as universidades é que os estudantes de Pedagogia reconheçam o surdo como uma pessoa capaz e que possui uma cultura diferenciada. Sendo assim, os resultados apontam que os objetivos das disciplinas têm sido alcançados.
Sobre a questão 24: “O que você considera mais importante na disciplina de Libras em seu curso?”
Para análise desse gráfico, dividimos as respostas da pesquisa em quatro categorias: inclusão, formação geral, língua e ensino.
A inclusão envolve, o trabalho como o surdo em sala de aula na Educação Básica, o saber lidar com as diferenças, a comunicação e interação social, o conhecimento da cultura surda, romper as barreiras da ignorância e preconceito e o respeito pelo surdo. Ressalto a resposta de um pesquisado “Acredito que tudo o que aprendemos vai nos ajudar muito na sala de aula, na inclusão do surdo, mas ainda assim precisamos nos dedicar mais para atender as necessidades e dificuldades do surdo”. (U)
A formação geral abarca os conhecimentos de forma abrangente destaco aqui a fala de um pesquisado “Os conhecimentos de forma geral”. (M)
A língua compreende a aprendizagem dos sinais, o contato com a língua e o rompimento de barreiras pela comunicação entre surdos e ouvintes. Enfatizo a resposta de um pesquisado: “Acredito que a aprendizagem da Libras possibilita a comunicação entre as pessoas. E para os professores é importante a comunicação para efetivar a aprendizagem do aluno”. (U)
O ensino inclui o trabalho docente em sala de aula com surdos em relação a adaptações de atividades em língua de sinais, a utilização da Libras, a dedicação para o ensino dos surdos. Destaco a resposta de um pesquisado: “O direito ao ensino de qualidade sem transpor a culpa a barreira linguística”. (U) Acredita-se que
a “culpa” mencionada no comentário refere-se à possibilidade de proporcionar aos 0% 10% 20% 30% 40% 50% 60% 70%
Pergunta 24
Uninove Mackenziealunos surdos qualidade na educação sem colocar a culpa na ausência uma língua incomum para a comunicação.
A resposta que mais se sobressaiu foi a inclusão, atingindo o objetivo dos planos de ensino onde diz que a disciplina pretende capacitar profissionais que contribuam com a inclusão.
Não podemos deixar de mencionar que uma categoria complementa a outra. Para promover a inclusão, aspecto mais pontuado nas respostas, é necessária a aprendizagem da língua, o segundo aspecto mais pontuado, assim como as reflexões acerca do ensino terceiro aspecto que deve ser considerado.
Sobre a questão 25: O que você recomendaria ao seu professor de Libras
para propiciar uma melhor formação ao pedagogo?
Vejamos o gráfico:
Para a análise desse gráfico dividimos as respostas dos alunos em seis categorias: tempo, contato com o surdo, aprendizagem da Libras, aulas práticas, palestras e sem recomendações.
O tempo envolve as respostas ligadas a solicitação de mais tempo para a ministração de aulas de Libras. Observando o gráfico podemos ver que a resposta que mais se destacou em ambas as universidades foi “mais tempo de aula”. “Eu
0% 5% 10% 15% 20% 25% 30% 35% 40% 45%
Pergunta 25
Uninove Mackenzierecomendo um tempo maior de aula, pois os professores se empenham, só que o tempo é reduzido para que nós alunos possamos aprender, pois a Libras é uma língua”.(U) Deste modo, fica evidente que um ou dois semestres para o ensino da
Libras é pouco. Não se aprende uma língua, aspectos culturais de um povo em apenas seis meses ou um ano, como é oferecido.
Por este motivo, é necessário um aprofundamento para a aprendizagem de um novo idioma. Por outro lado, não é na graduação que esse sujeito se forma especialista em Libras. As universidades deveriam pensar em um curso de extensão e/ou especialização para que o futuro professor aprenda de fato a língua.
O contato com o surdo abarca o envolvimento com os falantes da Libras, a cultura surda, eventos direcionados a educação dos surdos e vivências com surdos. A segunda resposta mais colocada foi a necessidade do contato com o surdo. É evidente que para ser fluente em língua de sinais e entender bem a cultura surda é necessário o contato com o nativo dessa língua. Saliento a resposta de um pesquisado: “propiciar ao alunos de Pedagogia o contato com surdos em um ambiente em que tenha só surdos para sentirmos a mesma sensação que eles sentem, quando estão sozinhos entre nós, para que possamos assim enxergar a importância da Libras e da inclusão dela na sociedade e nas escolas”.(M) O contato
com o surdo possibilita a imersão na língua de sinais e ao mesmo tempo apropriação e entendimento da cultura surda.
Em relação às aulas práticas, cabe aqui destacar a resposta de um pesquisado: “recomendaria mais aulas práticas, com apresentação de atividades para crianças surdas”.(U) As aulas práticas possibilitam que o aluno atrele teoria e
prática tornando-se uma ferramenta metodológica facilitadora para uma aprendizagem significativa.
A aprendizagem da Libras compreende o estimulo à aprendizagem da língua Libras e a elaboração de vídeo-aulas explicativas direcionadas a formação dos professores. As aulas práticas abrangem a questão da aprendizagem dos sinais, da gramática da Libras e a simulação de aulas pelos alunos do curso.
O item palestra, mencionado apenas pelos pesquisados da UNINOVE, está relacionado a promoção de palestras com temas que provoquem reflexões acerca da Libras, cultura surda e educação de surdos conforme aponta um pesquisado “”.
Sem recomendações, foram respostas dadas pelos alunos que não quiseram sugerir ou indicar algum aspecto à disciplina de Libras. Talvez a grande quantidade de alunos que se manifestaram nesse sentido, pode ser devido ao fato da disciplina e o conteúdo abordado nela ser viçoso.
Nos planos de ensino das duas universidades é destacada como metodologia que as aulas de Libras sejam divididas entre teorias e práticas, mas apenas a universidade Presbiteriana Mackenzie destaca a ênfase na prática.
De maneira geral, percebemos que não houve respostas em relação às três perguntas dissertativas de um número pequeno de alunos em relação às questões de aprendizagem na disciplina de Libras. Entretanto, 10% de alunos de ambas as universidades não fizeram qualquer recomendação para uma melhor formação na disciplina de Libras indicando certa satisfação com ela.
Ao analisarmos os dados das afirmações fechadas divididas em seis blocos: surdez, surdo, Libras, professor, recursos e família e das perguntas abertas podemos concluir que muito já foi superado em relação à visão clínica e em relação a atitudes que poderiam conduzir ao ouvintismo na sociedade, mas há muito ainda a ser superado.
Imagino um personagem ficcional e alinhavo outras possíveis respostas às questões abertas e as respondo:
- Você descobriu algo que superou o senso comum em relação aos surdos na disciplina de Libras? O que? Porque? Sim, eu superei a barreira de comunicação
que havia entre mim e o surdo. Consigo me comunicar de forma fluente e espontânea usando a Libras como ponte para a comunicação. As pessoas até acham estranho uma pessoa ouvinte conseguir se comunicar com surdos usando a língua de sinais. A maior parte das pessoas consideram acham que a Libras só pode ser utilizada por surdos.
- O que você considera mais importante na disciplina de Libras em seu curso? Considero mais importante o entendimento acerca do surdo, sua cultura e identidade. Não basta aprender uma língua, sem entrar em contato com a cultura de onde emerge essa língua. Assim, o conhecimento acerca do surdo, da cultura e da língua é muito importante para o professor, pois por meio deles o docente poderá preparar, desenvolver e realizar a sua aula a fim de favorecer a aprendizagem e a interação do surdo.
- O que você recomendaria ao seu professor de Libras para propiciar uma
melhor formação ao pedagogo? Recomendaria o contato com o surdo no ambiente
educacional. Estágio, eventos com surdos, visitas às associações de surdos, contação de histórias em Libras, visitas orientadas nos museus com mediadores surdos. Pela interação e contato com a cultura surda é que eu conheço o outro e respeito a sua forma de viver.
Se os conteúdos e reflexões teóricas são importantes na disciplina de Libras para os pedagogos, se as respostas nos deram uma visão geral das representações que estes futuros professores têm da surdez, podemos inferir apenas uma aproximação tênue com a principal questão: uma atitude humanista de acolhimento e crença na potência de todo o ser humano, seja qual for a singularidade que o distingue.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Discutir as representações que alunos do curso de Pedagogia constroem acerca de alunos com surdez e que podem influenciar de forma positiva ou negativa na escolarização desses sujeitos no ensino básico foi o intuito maior da presente pesquisa. Investigar a concepção que o estudante de Pedagogia tem acerca dos conceitos de diferença, deficiência, surdez e cultura surda verificando se há uma transformação da concepção inicial após as aulas de Libras oferecidas pelas Universidades Nove de Julho e Presbiteriana Mackenzie ofereceu a oportunidade de perceber estes estudantes e a disciplina que ministro de um modo mais abrangente e crítico.
Este estudo compreende o surdo sob o olhar sociológico, em que o surdo é visto sob uma ótica cultural. Enquanto pesquisadora, ouvinte e professora no curso de Pedagogia, para a realização dessa pesquisa, foi necessário me colocar no lugar do surdo e dos meus alunos. Desta forma, pude compreender e aprofundar conhecimentos acerca da cultura surda e do modo que ela é vista também na vida contemporânea. O envolvimento, dedicação e estudos para a pesquisa foram fatores determinantes para que os resultados fossem alcançados. De forma conjunta, tinha também o desejo de lutar junto à comunidade surda para que seus direitos fossem garantidos e que a proposta educacional bilíngue se efetivasse, dando ao surdo a possibilidade de uma educação de qualidade com bons professores.
A formação inicial do professor para o ensino inclusivo é uma condição indispensável para uma educação de qualidade voltada aos surdos. Por este motivo, essa pesquisa tentou responder às questões: ao cursar a disciplina de Libras no curso de Pedagogia que tipo de conceito de surdez está em cena? Quais as representações que alunos da Pedagogia, que irão atuar na educação básica, criam sobre alunos com surdez na classe regular?
Por meio da coleta e análise dos dados e com embasamento teórico, foi verificada a formação do pedagogo no que se refere às contribuições da disciplina de Libras e os desafios que essa disciplina pôde oferecer aos alunos pesquisados.
Embora o Brasil tenha uma vasta legislação vigente em relação à educação dos surdos, o processo de inclusão que deveria ser sinônimo de acolher e respeitar nem sempre é aceito por todos os envolvidos, causando a exclusão do surdo. Assim, é necessário um novo olhar sobre a formação inicial do professor no curso de Pedagogia para a inclusão do surdo.
Para que isso aconteça, se faz necessário que a identidade, cultura e diferença sejam levadas em conta, deste modo, incluir não será sinônimo apenas de colocar, mas de respeito e envolvimento. Salamanca (1994) determina que surdos devem estudar junto aos ouvintes, logo os professores devem ser capacitados para tal.
Os resultados deste trabalho mostram que com os conteúdos abordados na disciplina de Libras de ambas as universidades possibilitaram aos alunos conhecer um pouco sobre o surdo, a surdez, os recursos, a cultura surda e a sua função enquanto futuro professor da educação básica, já que é sabido que uma das funções do professor é o de ser facilitador no processo de inclusão.
É importante lembrar que o currículo do curso de Pedagogia deve incluir também aspectos culturais, o multiculturalismo e a alteridade possibilitando reflexões, críticas e intervenções no ensino de surdos. Assim, esta pesquisa pode ampliar a percepção da disciplina pelos professores que nela atuam com atenção a alguns aspectos que são menos enfatizados. No momento em que há mudanças com a nova proposta de oferta da disciplina à distância na UNINOVE, fato que se apresentou durante o desenvolvimento deste projeto, a pesquisa pode ampliar o pensar sobre como mediar o processo de aprendizagem utilizando os recursos tecnológicos como ferramenta norteadora para uma formação peculiar. Será um grande desafio, pois acreditamos na interação entre alunos e professores, entretanto a pesquisa nos moverá em busca dos aspectos aqui apontados como fundamentais.
Concluimos afirmando há necessidade de uma análise mais intensa a respeito da formação do professor para a educação de surdos nos cursos de Pedagogia visando uma formação sólida além de fortalecer a estreita relação entre teoria e prática. O pedagogo em formação deve considerar a cultura surda, sua diferença e o contexto social do aluno surdo para que o processo de inclusão seja
bem conduzido. Esta atitude, entretanto, refletirá as representações que este futuro profissional vai construindo ao longo de sua formação.
Ao investigar a formação do pedagogo no curso de graduação em Pedagogia, percebemos que a formação que possibilita uma nova postura do professor referente à singularidade do surdo ainda há de ser alcançada, pois alguns pesquisados ainda precisam migrar do conhecimento de senso comum para um conhecimento científico e humanista cabendo às instituições de ensino superior analisar os pontos que precisam ser reforçados. Por exemplo, em relação à categoria analisada “surdo”, as afirmações fechadas como: “Os surdos apresentam dificuldades na língua escrita porque não ouvem a língua oral” a maior parte dos alunos deu respostas diversificadas e superficiais. Mesmo sendo trabalhados tais aspectos, conforme estão apontados nos planos de ensino das duas instituições, é preciso aprofundar a compreensão para que a formação inicial do professor corrobore para fazer a inclusão acontecer de forma significativa, dando a oportunidade aos surdos de serem considerados como sujeitos autênticos, autônomos e protagonistas de sua própria história, que na verdade são.
Além da contribuição que esta pesquisa pode oferecer aos professores que atuam com a disciplina de Libras nos cursos de Pedagogia, este trabalho foi importante para o meu conhecimento e aprofundamento sobre este tema e minha atuação como professora e pesquisadora. Aprofundar a teoria e refletir sobre ela, lidar com questionários, categorias e gráficos e escrever foram desafios constantes que marcam a minha atuação futura, olhando também para a contemporaneidade no processo movente de uma comunidade surda que também vai encontrando outros meios de interação e de escuta.
A formação de professores conscientes em relação à cultura, à identidade e às particularidades de alunos com surdez pode contribuir com as políticas e práticas de inclusão em nossa sociedade e possibilitará reflexão acerca do currículo que forma o professor para a inclusão, assim como as políticas referentes ao currículo universitário.
Os desafios a serem superados ainda são muitos, há, portanto, necessidade de trabalhos acadêmicos que levem a ampliação de conhecimentos acerca das
visões distintas que permeiam ainda na contemporaneidade a educação dos surdos: a sociológica e a clínica. É preciso romper com o olhar clínico, ampliando a visão sociológica para que os surdos sejam respeitados e incluídos de fato.
Ao finalizar, percebo que escolhi a Pedagogia para a pesquisa por acreditar no potencial desses profissionais, pois é na infância que se inicia a construção da identidade de um sujeito e é lá onde contribuímos para a construção de uma sociedade melhor e inclusiva. E me pergunto: será que as respostas dadas por alunos de outras licenciaturas seriam outras? Talvez essa seja a porta para que surjam mais pesquisas como esta, já que Libras faz parte do currículo de todas as licenciaturas, o que demonstra que a preocupação que fez nascer esta pesquisa se estende à formação de qualquer professor. Assim, também enfatizo a importância dos teóricos usados neste trabalho, pois com o estudo de seus pontos de vista pude ampliar meu olhar e acreditar que na aprendizagem da Libras há muita esperança por um mundo mais humano e inclusivo.
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