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Historikk, bakgrunn og utfordringer knyttet til en nasjonal ambisjon

estudos e trabalhos foram desenvolvidos pelo CREA, para formular uma abordagem teórica educacional.

Desses trabalhos, surgiu a proposta de transformar escolas em Comunidades de Aprendizagem e, nela, diferentes práticas dialógica tais como os Grupos Interativos, que serão apresentadas a seguir.

3.2 Comunidades de Aprendizagem: um modelo comunitário de

escola

A Transformação da escola em uma Comunidade de Aprendizagem “se pauta na concepção de participação mediada pela aprendizagem dialógica, considerando-se as capacidades reflexivas e comunicativas que todas as pessoas possuem para atuarem plenamente em seus contextos” (MELLO, BRAGA e GABASSA, 2012, p.79).

O programa Comunidades de Aprendizagem e a base teórica comunicativa dialógica que lhe ampara foram criados pelo Centro Especial de Investigação em Teorias e Práticas Superadoras de Desigualdades (CREA), da Universidade de Barcelona – Espanha, com o intuito de dar respostas à ineficácia da escola tradicional e ao distanciamento existente entre a escola e a família, em favor de uma convivência respeitosa e solidária, de modo particular nos bairros populares com maior índice de defasagem escolar.

De acordo com Rodrigues (2010), o projeto surgiu e se efetivou na Escola de La Verneda de SantMartí, centro educacional destinado à educação de pessoas adultas, em Barcelona. Segundo a pesquisadora, essa escola foi criada por meio de um movimento organizado por moradores de bairro, com a finalidade de retomar a democracia depois de terem vivido muitos anos de ditadura franquista. Nela, os participantes criaram junto com seus professores um modelo de ensino mais adequado e respeitoso com as classes populares: as decisões sobre a gestão da escola e do ensino nas aulas são tomadas mediante assembleias. O objetivo maior dessa escola é de oferecer às pessoas adultas o maior contato possível com as atividades relacionadas à educação: formação básica, atividades culturais,

atividades sociais (tais como: estímulo à participação, integração social, melhoria do bairro, etc.).

Segundo Rodrigues (2010, p. 61), “a prática educativa e organizativa da escola de La Verneda de SantMartí advém da teoria da ação dialógica de Freire e da teoria da ação comunicativa de Habermas”. As teorias desses autores propõem “uma educação que colabora na formação de pessoas livres, democráticas,

participativas e solidárias” (ELBOJ et al., 2002, p. 58). Nos anos seguintes, a

transformação de escolas em Comunidades de Aprendizagem se estendeu a escolas de ensino fundamental, educação infantil e ensino médio, na Espanha. Atualmente, o trabalho de Comunidades de Aprendizagem vem sendo desenvolvido na Espanha, e em vários países Sul Americanos como Brasil, Argentina, Colômbia, Venezuela, México, Peru e Chile.

A transformação de escolas em comunidades de aprendizagem, segundo Rodrigues (2010, p. 61), “é pautada na possibilidade de mudança, tanto das pessoas, quanto das estruturas educativas internas de uma escola, ou externas: de um sistema educativo”. Portanto, Comunidades de Aprendizagem implica dois tipos de transformação: a transformação social e a transformação cultural.

Nessa proposta, possibilita-se que toda a comunidade escolar, professores, funcionários, alunos, pais, moradores do entorno, decidam juntos o que querem e o que desejam da escola, visando sempre a melhoria da qualidade da aprendizagem dos alunos, porque Comunidades de Aprendizagem é também um projeto de centro educativo e de entorno (ELBOJ et al., 2002).

Ainda de acordo com ELBOJ et al. (2002), toda a concepção de participação, de aprendizagem dialógica, de relação com a sociedade, destina-se a qualquer centro educativo, mas na proposta de Comunidades de Aprendizagem prioriza-se o trabalho em centros educativos, em escolas que apresentem dificuldades, que apresentem problemas de maior desigualdade: população de baixa renda que comumente vive à margem da sociedade, que convive com o desemprego e com tantas outras necessidades básicas (saúde, alimentação, etc.), uma vez que o trabalho tem caráter social igualitário.

Segundo Rodrigues (2010), a transformação que este projeto propõe está pensada especialmente para este tipo de escolas, com a finalidade de romper com as dinâmicas negativas que muitas vezes encontramos nestes espaços.

A proposta de Comunidade de Aprendizagem está fundamentada no conceito de Aprendizagem Dialógica elaborado por Flecha (1997) e possui caráter comunitário, igualitário, visa à transformação social dos sujeitos que nela estão e que dela participam, implicando altas expectativas, ou seja, potencializando o sujeito a aprender (aceleração da aprendizagem) e contribuindo para a superação da exclusão social.

De acordo com Mello, Braga, Gabassa (2012, p. 43) “a aprendizagem dialógica é um conceito que diz respeito a uma maneira de conceber a aprendizagem e as interações”. É formada por princípios que se articulam nas formulações teóricas para permitir descrever o que, na prática, se dá como uma unidade.

Ainda segundo Mello, Braga, Gabassa (2012, p. 43), entre várias produções do (CREA), “os princípios da aprendizagem dialógica podem ser encontrados em Flecha (1997), Valls (2000), Elboj et al. (2002) e Albert et al. (2008)”. São eles: diálogo igualitário, inteligência cultural, transformação, dimensão instrumental, criação de sentido, solidariedade e igualdade de diferenças.

A proposta de Comunidades de Aprendizagem não atinge apenas a escola, pois a transformação não fica restrita aos que convivem entre os muros da escola. Esta transformação ocorre em toda a comunidade e, de modo especial, as famílias, se envolvem na organização e gestão da escola por meio de comissões de trabalho e outras atividades como biblioteca tutorada e grupos interativos.

Rodrigues (2010) afirma que, com base nas investigações realizadas pelo CREA, as atuações educativas dão melhores resultados no que diz respeito à aprendizagem instrumental e também no que se refere ao convívio, pois as práticas educativas desenvolvidas neste projeto são inclusivas e desta forma superam as práticas segregadoras.

Conforme Rodrigues (2010), as bases teóricas utilizadas para a realização destas investigações são relevantes e respeitadas perante toda a comunidade científica internacional. De um modo geral, este trabalho visa:

• Gerar maior diálogo entre todas as pessoas, superando as hierarquias inibidoras do diálogo;

• Superar quaisquer expectativas negativas;

• Transformar as resistências e dificuldades encontradas em soluções, objetivando à superação do fracasso escolar, da violência, de qualquer tipo

de discriminação racista ou sexista, no intuito de promover a igualdade entre todos.

Diferente de outras propostas, Comunidades de Aprendizagem e suas práticas educativas configuram um projeto transformador, sua finalidade maior é possibilitar acesso à educação para todos e lutar contra a exclusão social das pessoas no contexto da sociedade do conhecimento ou sociedade da informação.

O programa Comunidades de Aprendizagem, conforme Rodrigues (2010) tem como meta responder de forma igualitária às necessidades dos coletivos com base na Aprendizagem Dialógica, mediante uma educação participativa de toda a comunidade.

Conforme afirmam Valls (2000), Elboj (2001), Garcia (2004) e Mello (2003), o processo de transformação de uma escola em Comunidades de Aprendizagem envolve oito fases que se dividem em duas grandes etapas: o processo de implantação e o processo de consolidação.

A primeira etapa envolve cinco fases: sensibilização, tomada de decisão, sonhos, seleção de prioridades e planejamento. A segunda fase é composta por três fases: investigação, formação e avaliação.

De acordo com Rodrigues (2010, p. 64), “antes de dar início à primeira fase do processo de transformação, é importante que a escola se disponha a elaborar um dossiê sobre sua realidade escolar, com o intuito de conhecer melhor as suas particularidades e necessidades”. Realizado isso, tem início o projeto.

3.3 Grupos Interativos: organização diferenciada da sala de aula