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Història de l’educació intercultural

In document La interculturalitat (sider 15-18)

3. DESENVOLUPAMENT DE CONTINGUTS

3.3 L’educació

3.3.1 Història de l’educació intercultural

A comunicação está ligada às experiências do cotidiano, mas como podemos definir o que são experiências? Experiências são percepções de mundo que, de acordo com Rodrigues (1999), são formadas por um conjunto de saberes formado de crenças firmes, fundamentadas nos hábitos. Essas experiências acabam por unir os sujeitos em determinados grupos, ao mesmo tempo em que eles tentam se desvincular para que a sua individualidade prevaleça.

Para o autor, a experiência é como o conjunto de saberes reunido ao longo da vida que criam o habitus, conceito cunhado por Bourdieu (1990), como o princípio estruturador de ações, percepções e comportamentos que regem ações cotidianas, dando-lhes um caráter quase automático. Não é algo engessado, são predisposições que já fazem parte do indivíduo, mas seguem sendo mutáveis à medida que as vivências vão sendo alteradas; são, portanto, predisposições que já temos e que facilitam a vida. Ilusão de naturalidade da ação, na qual desaparece o cálculo necessário à ação original, é algo que automatiza comportamentos, fazendo com que as práticas estruturadas comecem a se parecer com práticas naturais, ou seja, trata-se de experiências acumuladas ao longo da vida.

As ações adotadas não são aleatórias, mas são escolhas construídas por meio do

habitus. O habitus, para Bourdieu, deseja reagir contra o estruturalismo e sua filosofia de

ação. É a capacidade criadora, ativa e inventiva; conhecimento adquirido, um haver, um capital. “Sair da filosofia da consciência sem anular o agente na sua verdade de operador prático de construção de objeto” (BOURDIEU, 1998, p. 62).

Rodrigues (1999) aponta três domínios da experiência: domínios fundamentais e originários, domínio da experiência de si próprio e domínio do mundo natural. Para ele, os domínios vão se tornando automáticos e passam por um processo de “maturação reflexiva”:

Ao nível simbólico da linguagem, este processo traduz-se na autonomização das três pessoas gramaticais, das esferas do “eu”, do “tu” e do “ele, correspondentes respectivamente à criação das esferas da subjectividade, da intersubjectividade e da objectualidade. São as categorias que permitem designar respectivamente os domínios da experiência de si, dos outros e do mundo natural (RODRIGUES, 1999, p. 3).

A experiência se torna naturalizada nas situações cotidianas e, principalmente, pela razão e pela lógica. A experiência acumulada cria saberes que podem ser utilizados em situações novas, além de fazer aceitar os acontecimentos do mundo, também permitindo conhecer os códigos da linguagem e, consequentemente, da comunicação humana.

A comunicação enquanto experiência, de acordo com Simões (2007), é uma forma de compreender a realidade não apenas como a vivência, mas também como a interação com o mundo a partir de uma dimensão apreendida pelos sentidos e outra a partir dos sentidos construídos:

Significa um trabalho de apreensão e leitura da realidade, que ocorre em duas dimensões: uma dimensão sensível (apreensão pela percepção) e uma dimensão simbólica (apreensão pelos sentidos construídos). Esse trabalho é realizado no espaço de ação e intervenção dos homens, nesse mundo partilhado intersubjetivamente, na realidade da vida cotidiana. (SIMÕES, 2007, p. 6).

Simões (2007) compreende também a comunicação como uma forma de construir a vida social e, consequentemente, criar uma realidade. Assim, as relações de sociação, como processo básico para a vida social, são construídas a partir das relações de comunicação que também podem estar no campo da experiência:

Situar a comunicação no terreno da experiência implica pensá-la como realizada por esses sujeitos, que lêem, apreendem, experienciam e constroem o mundo, conferindo sentidos a ele. Implica também pensar a comunicação como constitutiva da vida social. Ela não é um elemento à parte na sociedade, mas sim um lugar constituidor, ela constrói a experiência dos homens no mundo através da linguagem. Todo processo comunicativo está inscrito em um contexto mais abrangente, o todo da vida social (SIMÕES, 2007, p. 5).

Simões, assim, destaca a comunicação como uma forma de construir o mundo a partir das experiências vividas por meio da linguagem, escrita ou falada. Rodrigues (1997, p. 1) trabalha com três tipos de relação próxima entre comunicação e experiência: o primeiro é chamado de “testemunhal” e “e existe entre alguém que teve a experiência directa e imediata de um acontecimento ou de um fenómeno e que a comunica a outra pessoa que não teve a mesma experiência directa e imediata”. O segundo tipo se refere a comunicar uma experiência

quando a pessoa não foi testemunha de fato, ela apenas conta o que aconteceu, reporta uma “transmissão”.

Por fim, o autor aponta para a comunicação “simbólica”, aquela “em que o destinador comunica a um destinatário uma experiência que é já conhecida de ambos” (RODRIGUES, 1997, p. 1). “Tem antes a ver com o reconhecimento por parte do destinatário, de uma experiência comum, vivida tanto pelo destinador como pelo destinatário” (RODRIGUES, 1997 p. 3-4).

Dialogamos também com Alfred Schutz, isto é, a ação como experiência social, que pode ser compreendida a partir de três noções: reserva de experiências, tipicalidade da vida cotidiana e estruturas de pertinências. Reserva de experiência diz respeito ao saber herdado do indivíduo; tipicidade refere-se a como essas experiências se acumulam em um modelo; e, por fim, as estruturas de pertinências falam sobre o controle dos indivíduos de situações sociais que podem ser de três maneiras: temática, interpretativa ou motivacional. As noções servem para compreender a teoria fenomenológica da cultura de Schutz, que procura responder ao problema colocado pelo fenômeno da intersubjetividade: “Por ter tipicalidade a experiência do mundo tida pelos indivíduos, o conhecimento não é solipsista. Por serem herdadas e transformadas na duração da vida essas tipicalidades, o conhecimento é intersubjetivo” (CASTRO, 2012b, p. 56).

Schutz toma por referência as relações intersubjetivas das experiências cotidianas dos sujeitos para compor a dimensão da sua fenomenologia social. O autor aponta para a compreensão da cotidianidade no mundo da vida, a partir dos conceitos citados anteriormente, para o entendimento da interpretação dos significados, como elemento da relação social.

Baseados em Alfred Schutz, Berger e Luckmann discutem, na obra A construção

social da realidade (2014), como a realidade se trata de uma construção social a partir da

Sociologia do Conhecimento, que tem por matéria-prima a vida cotidiana e a sua análise. Os autores discutem uma teoria da sociedade como um processo dialético entre as realidades objetivas e subjetivas, além de desenvolver as teorias das instituições, legitimações e socialização.

Momentos históricos diferentes significam temporalidades diferentes e até contraditórias no mesmo local. O espaço físico e a localização podem permanecer, mas é preciso considerar as mudanças de século, de estrutura da cidade e de significado do lugar. Atualmente, o Espaço São José Liberto é um lugar que agrega comercialização de joias e de peças de moda com lojas particulares e pontos de venda da própria administração do Espaço. Por isso, é necessário ter em perspectiva a relação de gosto, sobretudo, como uma construção

social criada por meio da experiência entre os grupos que estão inseridos no contexto do Espaço São José Liberto e que consomem os produtos encontrados no local.

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