5. Styring: Problemer, hindringer og arbeidsoppgaver
5.2 Hindringer og problemer: Et overblikk
2002), chegaram a propor que as Ciências Sociais deveriam abandonar o paradigma clássico que afirma que o desenvolvimento humano não estaria sujeito aos limites biofísicos. Essa proposta não foi acolhida, e a sociologia ambiental passa a analisar a construção social das questões ambientais se ocupando com “os processos pelos quais tais problemas são definidos, articulados e regulados pelos atores sociais” (OLIVEIRA, 2008: 93). O foco seria então compreender os processos sociais que influenciam a
46 definição de determinadas condições ambientais como inaceitáveis, e que “os problemas e soluções ambientais são produtos finais de um processo de definição social, legitimação e negociação dinâmica, nas esferas pública e privada” (HANNINGAN, 2009; OLIVEIRA, 2008: 93).
Desde então, a sociologia ambiental e outra vertentes de analise social que procuram inserir a natureza e o ambiente se desenvolveram nos seguintes ramos: (ALMEIDA, PREMEBIDA, 2014; ALONSO; COSTA, 2002).
Marxismo Ecológico: O marxismo é uma das filiações teóricas mais importantes nas Ciências Sociais, e embora sempre houvesse críticos marxistas do processo de modernização, estes tradicionalmente viam as questões ambientais como um desvio de atenção das questões sociais (FERREIRA, 2001). No entanto, Marx frequentemente é acusado de ser reducionista em relação a questões ambientais. A partir da analise descontextualizada de alguns trechos do Manifesto Comunista e da experiência socialista da antiga União Soviética, e seu descaso com as questões ambientais, alguns ecologistas afirmam que a visão de Marx seria antropocêntrica e reducionista tecnológica. (DUARTE, 1986; FOSTER, 2005). E por fim, acusam o marxismo de reduzir a crise ecológica a um mero reflexo do processo capitalista (DUARTE, 1986) Os marxistas acusam esta corrente do ambientalismo de ser eco- fascista. Eles não compreenderiam que mesmo um debate sobre a natureza, só pode ocorrer em um plano político. Sem uma orientação socialista, este debate só cumpriria a função de manter os privilégios dos ricos em relação ao acesso aos recursos naturais, agora mais escassos. E com relação a natureza em si, estes afirmam não ser possível englobá-la nas análises por conta das características intrínsecas da mesma (DUARTE, 1986).
No entanto, existe uma corrente chamada de neo-marxismo, que procura correlacionar os vícios do capitalismo a degradação ambiental. Para estes autores, o capitalismo, além de gerar a contradição entre capital e trabalho, também gera a contradição entre trabalho/capital e natureza, o que resulta em degradação ambiental e alienação do individuo em relação ao meio, entre outros males (ALONSO; COSTA, 2002).
Mobilização Ambientalista: outras vertentes de analise social colocam a natureza no rol de suas preocupações a partir da mobilização ambientalista. Uma dessas
47 linhas coloca a ambientalismo como uma demanda de classe media pós-materialista. Esse movimento seria encabeçado por uma geração de classe media com alto grau de instrução e altos salários. Uma vez estando satisfeitas as necessidades materiais, esses indivíduos reivindicariam ganhos pós-materiais, como liberdade, vida em comunidade, e um ambiente ecologicamente saudável. O principal expoente dessa corrente é Ronald Iglehart (1977; 1981 apud ALONSO; COSTA, 2002), e, embora tenha exercido alguma influencia nas ciências sociais, esta corrente tem sido bastante criticada por outros cientistas sociais, e teve pouca penetração no Brasil (ALONSO; COSTA, 2002).
Outra abordagem que também analisa os movimentos ambientalistas é a abordagem proposta por Lowe e Rüdig (1986 apud ALONSO; COSTA 2002) e Rootes (1997 apud ALONSO; COSTA, 2002), que credita a penetração que estas ideias têm na sociedade a partir do sucesso dos partidos verdes, em diferentes contextos nacionais (ALONSO; COSTA, 2002).
Na mesma linha, porem de forma mais abrangente, aparece também a abordagem dos “novos movimentos sociais”, derivada de Habermas (1990 apud ALONSO; COSTA, 2002) e Touraine (1978; 1982 apud ALONSO; COSTA, 2002), esta abordagem considera que ambientalismo viria na esteira dos movimentos sociais, como os que reivindicam forma de distribuição de renda, equidade racial e de gênero, etc.
Modernização Ecológica: a tese da modernização ecológica, ao contrario da neo-marxista, apresentada anteriormente, não vê a economia capitalista como necessariamente oposta a preservação ambiental. Haveria, no entanto, a necessidade da economia capitalista se reestruturar, pois os autores dessa linha afirmam que o desenvolvimento econômico, nos moldes em que tem ocorrido, seriam intrinsecamente degradadores. Sendo assim, os processos produtivos deveriam se moldar para a transição rumo a uma economia verde. Os principais expoentes dessa tese são Mol & Spargeen, (2000 apud ALONSO E COSTA, 2002), mas Ignacy Sachs teve mais penetração em outros contextos (como o brasileiro), com sua tese do “ecodesenvolvimento” (1986 apud ALONSO E COSTA, 2002).
Naturalista: esta ainda é uma vertente social. Mas analisa as questões ambientais a partir de um viés naturalista. O ambiente enquanto questão se torna questão a partir da constatação de escassez de recursos e da poluição. Passam então a
48 analisar e questionar os processos de gestão que levaram a estas situações (ALMEIDA E PREMEBIDA, 2014).
Sociedade de Risco: essa vertente de analise, diz respeito à sociedade de risco, em especial, na obra de Ulrich Beck (2011). O livro “Risk Society” fora escrito na década de 1980, quando o debate ambiental já começava a ganhar a sociedade como um todo, aliciando movimentos sociais. O desastre nuclear de Chernobyl fora um marco do período. (FERREIRA, 2001) Neste trabalho Beck questiona alguns pilares da modernidade. O risco social, ambiental e político modificariam comportamentos clássicos, como a estrutura da família burguesa, participação social e legitimidade da ciência (BECK, 2011). O conceito de risco repousa na incerteza. As projeções seriam sempre feitas para o futuro, e se baseariam em parâmetros incertos. A ciência, no entanto, ainda é a instancia legitima de construção de conhecimento, e mesmo na definição dos riscos. Mas já não pode mais operar a parte de outras esferas da sociedade, pois passa a ser constantemente questionada por movimentos sociais, pelas mídias e dentro da própria ciência (BECK, 2011).
Para Hanningan (1995 apud ALONSO; COSTA, 2002) a abordagem da sociedade de risco teria sido mais bem-sucedida do que as anteriormente apresentadas, pois Beck teria conseguido colocar a questão ambiental na gênese e definição de processos sociais.
Construtivismo: esta vertente insere a natureza em suas analises radicalizando o conceito de “socialmente construído”. Para estes autores, não haveria uma separação entre questões naturais e questões sociais, sendo que a separação só existe em teoria, não sendo observada no mundo empírico (ALONSO; COSTA, 2002; LATOUR, 1994).
Há aqui também um questionamento da modernidade, pois esta seria em grande medida fruto da ciência, a qual teria se desenvolvido a partir da separação cultura x natureza. As questões e os riscos ambientais, no entanto, evidenciariam a artificialidade da construção (LATOUR, 1994; 2004).
A proposta então passa a ser o tratamento de fatores humanos e não-humanos em posição de simetria (LATOUR, 1994; 2004). Assim, por exemplo, no caso da discussão da presente tese, para Latour, os colaboradores do IPCC, a instituição IPCC e até as manifestações climáticas teriam a mesma importância na analise.
49 cosmologias ameríndias e de outros povos seriam uma espécie de “outra versão” da realidade, e não meras interpretações ou mesmo erros. Na verdade estes pesquisadores iriam mais além, buscando compreender os princípios filosóficos e ontológicos que formariam as visões de natureza destes povos. Esta vertente vem tendo considerável influencia na antropologia, em especial (mas não somente) no Brasil, como evidenciam diversos trabalhos da área9.
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De fato existem diversas teorias em ciência sociais que se dedicam a questões ambientais, com diferentes focos. Nem todas as teorias apresentadas são referencias para as questões do presente trabalho, apenas pretendemos demonstrar que existem possibilidade de abordagem das questões ambientais por parte das ciências sociais. No entanto, a cooperação interdisciplinar vem de fato ocorrendo? É o que discutiremos no próximo capitulo. No caso, mais especificamente em relação à questão climática.