• No results found

Hindringer for økt effektivitet i operasjonsvirksomheten

In document Dokument nr. 3:4 (2004–2005) (sider 40-44)

4.3 Om organiseringen av operasjonsvirksomheten

4.3.3 Hindringer for økt effektivitet i operasjonsvirksomheten

Os autores norte-americanos, Tharp & Tharp (2015), consideram que a área do design que é subjacente a todas as definições até aqui elencadas não é o design crítico de Dunne (2005) que lidava, especificamente com produtos eletrónicos, mas sim o design discursivo. O design discursivo, incide sobre "(...) o intelecto (…) o objetivo principal é promover a reflexão, espoletar a imaginação e fomentar a contemplação, para (...) fazer com que o cidadão pense" (Tharp & Tharp, 2015). Sendo dos principais impulsionadores desta área do design, os autores ainda acrescentam uma visão mais incisiva acerca da taxonomia que este tipo de design deve acarretar, ao criarem uma metáfora acerca dos géneros e espécies no mundo animal, aclamando que o design discursivo é um género de design, e que as restantes temáticas (design crítico, design especulativo, design fiction, etc.) são espécies, ou subcategorias do design discursivo. Tharp & Tharp (2015) consideram

(...) que o "design discursivo" representa o núcleo de todas estas formas e opera de forma mais eficaz se for considera como um género (...) o designer concebe um produto capaz de comunicar ideias. Mas estas não são quaisquer ideias, acarretam um peso psicológico, sociológico ou ideológico (...) (Tharp & Tharp, 2015).

Os autores norte americanos enfatizam ainda que, como parte integrante do género design discursivo,

(...) cada espécie partilha a mesma filosofia geral de uma conceção expandida do design de produto. Todas utilizam os artefactos [para chegar] ao intelecto, mas cada espécie difere de alguma forma, [quer seja] no método, na postura abordagem ou no efeito (Tharp & Tharp, 2015).

A categorização que Tharp & Tharp (2015) criam é a que consegue plasmar com maior precisão todas as diferentes nomenclaturas conferidas à prática do exercício crítico, no entanto, a problemática que envolve a terminologia correta, continua.

Para Bardzell & Bardzell (2013), o design crítico e especulativo fundaram as normativas éticas do design ao ambicionarem a emergência de valores ocultos à área, que poderiam reformar os ideais, as formas e os valores que estão alicerçados ao design dito “tradicional”. Mitrović (2015) introduziu esta abordagem ao conferir outra dimensão no espectro de atuação do design, contrapondo o design tradicional com o design especulativo, tal como se pode constatar na figura 13.

32

Para Mitrović (2015) o design especulativo, é também uma prática discursiva que objetiva o pensamento crítico e o diálogo, cujo o fundamento principal é questionar a prática do design. Para o designer croata, esta abordagem dilata a área de ação inerente ao exercício crítico, justamente porque imagina e visiona possíveis cenários de utilização (Mitrović, 2015, p.13). Tharp & Tharp (2013) contribuem para circunscrição desta definição, ilustrando um quadro que introduz as diferentes definições que os produtos provenientes do design discursivo podem conter (figura 14).

Figura 13 - Design Tradicional vs. Design Especulativo (Retirado de Mitrović, 2015, p. 9).

Figura 14 – “Tipos de produtos discursivos” (Retirado de Tharp & Tharp, 2013, p. 409).

33 Para Johannessen (2017), o eixo “Terminal” diz respeito aos “produtos discursivos”

utilizados como catalisadores para debate, isto é, o trabalho do designer está terminado quando o produto é apresentado; já o eixo “InstrumentaI”, conta com a introdução de um

produto que vai servir de ferramenta provocativa e que não necessita propriamente de ser funcional, pode apresentar-se como um produto conceptual, um produto (na sua aceção mais funcional) “inacabado” ou que transmite um conceito disruptivo, uma provocação. Qualquer uma destas definições pode operar na esfera pública (“External”) ou no debate entre

designers (“Internal”), o também aclamado “design for designs sake”20(pp. 4-6).

Com a pretensão que as abordagens até aqui ilustradas possam ser colocadas e alinhadas no espectro operacional do design, recorre-se ao diagrama de Sanders & Stappers (2014), correspondente à figura 15.

Os autores explicam os segmentos constituintes do diagrama, ao esclarecerem que

no segmento da direita, design de serviço e design social são usados como manifestações da intenção de servir a comunidade. No meio, o "user experience", incorpora interação para conseguir chegar às pessoas. O segmento da esquerda, design interventivo e design crítico, pretende provocar ou “mexer” com as pessoas (Sanders & Stappers, 2014, p.13).

No que concerne às camadas que constituem o diagrama, a central (de cor preta) refere-se ao design tradicional, a que lhe está mais próxima diz respeito ao “(…) mundo como ele é, [enquanto que] a seguinte camada refere-se ao futuro mais próximo e a última ao futuro especulativo” (Sanders & Stappers, 2014, p.14). Assumindo que que a camada exterior é o local onde o design especulativo opera, surge a necessidade de classificar e explicitar as

20 Este tipo de postura desenvolve abordagens preconcebidas no design que continuam em concordância com os

parâmetros estabelecido, estagnando a possibilidade de o design sair da sua área de atuação. Figura 15 – “Movimentos do Design” (Adaptado de Sanders & Stappers, 2014, p. 13).

34

etapas em que a sua prática se baseia. Apesar de Johannessen (2017) criar apenas um processo relativo à prática do design crítico e especulativo ao invés de criar duas distintas, a sua abordagem é bastante clara. A Speculative and Critical Design (SCD) practice21 é

configurado em três fases distintas: a) Definir um contexto para debate; b) Idealizar e encontrar problemas e criar um cenário; c) Materializar o cenário para provocar a audiência (Johannessen, 2017, pp.9-10).

a) definir um contexto para debate

Tencionando que o exercício seja frutífero no seu estado final, importa definir o seu contexto. Por norma, os tópicos que envolvem esta etapa são atuais e costumam estar relacionados com problemas éticos criados pela indústria ou pela sociedade. A questão “(…) de que forma a sociedade está dependente da tecnologia?” é um exemplo de um potencial ponto de partida (ibid.).

b) idealizar e encontrar problemas e criar um cenário

O próximo passo é encontrar uma problemática. Para se explorar um tópico, a SCD practice utiliza várias questões “e se?” como tentativa de extrapolação, como servem de exemplo as perguntas “como é que este tópico se vai apresentar no futuro?” ou “de que forma se apresentariam os problemas inerentes ao tópico “X” se os paradigmas que os envolvem fossem alterados?”. Outra das formas de extrapolar uma problemática é através de argumentos do tipo reductio ad absurdum22 (ibid.). Pretendendo desenvolver estes

problemas, o designer deverá adaptar as técnicas ao design especulativo, quer seja através da ferramenta brainstorm ou do método de design “Double Diamond” (ibid.). Esta etapa vai culminar na utilização de um de dois tipos de cenários possíveis: a criação de um presente

alternativo ou a especulação de um futuro (ibid.).

c) materializar o cenário para provocar a audiência

A última etapa do processo é a materialização de um cenário de utilização, quer seja através de uma narrativa, de um objeto ou de ambos (Johannessen, 2017, pp.9-10). Se for utilizado um objeto, há que atentar ao seu formato, pois este pode apresentar-se como físico ou digital, mas não necessita de ser real ou funcional desde que aparente características de veracidade (ibid.). No entanto, para que atinja o realismo pretendido ele deve apresentar um nível de detalhe suficientemente forte para conseguir arrebatar uma reação pública (ibid.). Por outro lado, se a narrativa for escolhida, ela deve adotar pelas técnicas encontradas nos filmes e séries que reúnem as condições necessárias para cativar a atenção do público (ibid.).

21 Traduzido para a língua portuguesa refere-se à prática de design crítico e especulativo.

22 Este tipo de argumento foi largamente explorado por Jonathan Swift na sua obra A Modest Proposal (1729) onde o

satirista anglo-irlandês sugere que se comam crianças pobres em resposta às elevadas despesas que o governo e os pais das crianças tinham em relação a esta faixa etária.

35 Estas narrativas podem tomar a forma de documentários, vídeos comerciais, vídeo-blogs entre outros (ibid.).

Por forma a mapear os conceitos elencados até aqui Johannessen (2017) apresenta um mapa, presente na figura 16, que ajuda a compreender e localizar as práticas inerentes ao design crítico e especulativo, independentemente da configuração final apresentada (objeto ou narrativa) ou e em que hiato temporal se insere (presentes alternativo ou futuros especulativos).

Ao longo deste subcapítulo foram várias as denominações, metodologias e práticas conferidas ao termo design especulativo. Os anexos 1 e 2 podem auxiliar a cimentar as ideias principais inertes ao design crítico, especulativo e associativo. Malpass (2017) criou uma taxonomia que ilustra a relação entre os tipos de prática, os métodos mais indicados de utilização, o tipo de ambiguidade, de racionalidade para com o objeto e o género de sátira de cada tipo de design (p. 118).Para Malpass (2017) existem dois tipos de sátira: a Juvenalian e a Horatian (p.113). A juvenalian satire é frequentemente política, selvagem e direcionada; opera através de antítese, obscenidade e violência (ibid.). Já a Horatian satire é mais calma, atua através de técnicas paradoxais do coloquialismo, exagero e anticlímax (ibid.). A sátira, portanto, é outra das ferramentas que o designer tem à sua disposição, apesar de ser um atributo difícil de imprimir no seu trabalho. Ainda assim, os designers têm sempre disponível a utilização da

(...) sagacidade como um instrumento que proporciona uma reflexão crítica e faz espoletar a audiência através do humor. Desta forma, a prática do design critico evidencia os vícios, abusos e as deficiências no design de produto ortodoxo, enquanto ridiculariza os desenvolvimentos científicos ou as condições socioculturais (Malpass, 2017, p.113).

36

In document Dokument nr. 3:4 (2004–2005) (sider 40-44)