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HERD expenditure in Denmark, Finland, Norway and Sweden

O ateliê de experimentos artísticos29, nesta pesquisa, consistiu em um trabalho realizado em grupo, cujas etapas foram inspiradas na proposta de Allessandrini (1996, 2004), que possui como diretriz uma sequência básica estruturante da execução da proposição artística. O ateliê inicia-se com o acolhimento/sensibilização, ocasião em que os participantes estabelecem contato com o lugar, os materiais e a proposta sugerida pelo pesquisador. Na sequência, inicia-se a experimentação artística, etapa em que os participantes têm a liberdade para experimentar os materiais expressivos e transmitir suas demandas evocadas pela temática proposta. Em seguida, ocorre a transposição de linguagem, ou seja, o momento em que os participantes, de posse de seu produto artístico, são convidados a relatar a experiência vivida, utilizando-se de outras linguagens. No caso específico desses ateliês, lançou-se mão da escrita e/ou da fala.

Por último, conclui-se com a avaliação, recomposição do vocábulo verbal das etapas do experimento artístico, momento gerador de possibilidades de tomada de consciência das experiências vividas no ateliê. Nessa etapa, os participantes foram convidados a falar da experiência de modo descritivo, e não explicativo. Os sujeitos, tendo como apoio o seu produto artístico, foram convidados a fazer uma leitura descritiva de sua própria obra (produto elaborado no momento de experimentação artística). O pesquisador sugeriu que primeiro fosse feita uma descrição da forma (do produto) com toda a riqueza de detalhes possível, através da escrita. Num segundo momento, o pesquisador sugeriu ao participante que fizesse a mesma descrição

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Essa expressão foi recriada com base nos trabalhos de Allessandrini (1996, 2004), nos quais a autora utiliza o termo “oficinas criativas”.

sobre sua (própria) obra, só que dessa vez dando voz à obra/produto, fazendo a descrição na primeira pessoa do singular do presente do indicativo, no aqui e agora30, com o propósito de estabelecer contato31 entre o sujeito, o produto e o processo de elaboração artística (criação).

O ateliê de experimento artístico e estético se caracteriza como um espaço convidativo para a criação de Arte, através de materiais expressivos, num viés que vai da criação estética do produto (a obra) à produção/criação existencial (de si).

Allessandrini (1996, 2004) aponta que os ateliês que têm como base a criação artística são constituídos na perspectiva da completude de uma proposta de criação de si (formação pessoal/profissional). Cada ação é vivida profundamente e seu encadeamento é direcionado, de modo que, a cada momento, o indivíduo possa dar continuidade ao processo de descoberta, expressão e elaboração de conteúdos pessoais e significativos. O processo inicia-se com uma sensibilização, em que o sujeito estabelece uma relação diferenciada de contato com o mundo, apoiando-se na sensibilidade e percepção de seu eu e dos objetos que o cercam.

Ao tratar da importância das oficinas que têm como base o processo criativo como propiciador da apropriação da experiência vivida, Allessandrini (1996) assinala que o instante de vivência dessas atividades, como um estado de transcendência, ajuda a enfocar o mundo interior, adentrando um canal mais intuitivo em que os sujeitos poderão se surpreender com os próprios feitos e com os significados que lhes atribuem. Portanto, viver essa experiência é: “Tocar o mundo mágico da criação. Neste contexto o pensamento se processa em diferentes níveis, como uma grande teia mental reversível, em um processo não-linear de ‘re-des-organização’, pois há uma desorganização, para depois haver uma outra reorganização.” (ALESSANDRINI, 1996, p. 35).

Este estudo recorreu também às contribuições de Ciornai (1994), que, a respeito deste assunto, postula a ideia de que todas as atividades criativas devem se iniciar com músicas, com movimentos corporais, com exercícios de deslocamentos no espaço, com o escopo de encorajar e energizar os participantes, acreditando na possibilidade de que os processos internos da pessoa se refletem na produção.

Nesta pesquisa, os ateliês, com base nos experimentos artísticos, têm como propósito gerar condições para desenvolver processos de reflexões (individuais e coletivos) sobre o ensino de Artes Visuais fundamentado no experimento artístico, ou seja, na

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Expressão utilizada na gestalt-terapia tanto para exprimir o caráter temporal do sistema self e das vivências de contato nele estabelecidas quanto para designar um “estilo” de intervenção, cujo propósito é promover a concentração (GLADYS; LIMA; ORGLER, 2007).

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Termo utilizado na gestalt-terapia para definir o intercâmbio entre o indivíduo e o ambiente que o circunda dentro de uma visão de totalidade, visto que organismo e meio são um todo indivisível (GLADYS; LIMA; ORGLER, 2007).

experimentação com materiais expressivos, levando o aluno a deparar-se com o que é peculiar (próprio) ao ensino dessa disciplina curricular, que é viver a experiência artística e estética.

O intuito é provocar reflexões sobre o ensino de Artes Visuais, que está fragilizado pela supervalorização da reprodução de modelos, centrado na técnica, o qual tem provocado um esvaziamento dessa linguagem artística. A Educação em Arte vislumbra a Educação dos sentidos e da percepção, de modo que facilite a compreensão e a fundamentação da função da experiência artística (ética e estética) na formação daquele que ensina (o professor) e daquele que aprende (o aluno).

A dimensão ética e estética que reside no experimento artístico diz respeito à compreensão (aprendizagem) – através da capacidade sensível (sentimento) – e à expressão subjetiva do indivíduo. O ensinar e o aprender em Artes Visuais (produção, apreciação e reflexão) não se dão apenas pela via da razão, mas intermediados pelos afetos, os quais ativam estados de emoção, brotando sentimentos e, em consequência, produzindo novas ações (atitudes) e novas experiências. Das potencialidades do ensino de Artes Visuais, as formações ética e estética têm a função de fomentar a acuidade da percepção e da sensibilidade como promotoras da qualidade na autonomia do exercício da produção, apreciação e reflexão da Arte, como informa a autora do trecho a seguir.

Quando olhamos para uma imagem, e seguimos os diversos detalhes, as linhas, cores, as formas desdobrando-se em semelhanças ou contrastes, e notamos os ritmos de cada parte interligando-se com os grandes ritmos da composição, e percebemos em tudo uma coerência e íntima razão de ser – vivemos uma experiência estética. Uma experiência artística. Ela se dá no âmbito da sensibilidade. Além do profundo prazer, ela nos transmite um sentimento de expansão de vida, e ao mesmo tempo desencadeia em nós a compreensão de certas verdades, sobre o mundo e sobre nós. (OSTROWER, 1990, p. 217).

E se o ensino de Artes Visuais fosse mais centrado nos experimentos estéticos? Adotar um ensino inclinado para a experiência estética corrobora o pensamento de Larrosa (2003), para o qual a experiência é aquilo que ocorre, acontece e toca os indivíduos. A informação não é experiência. Desse modo, é necessário separar a experiência da informação. Ele assevera que a experiência é cada vez mais rara por excesso de opinião, por falta de tempo e por excesso de trabalho.

Na expressão experiência estética, o vocábulo estética (aisthésis: percepção, sensação) é um termo adotado de uma vertente da Filosofia que tem como base o estudo da produção das emoções causadas pelos fenômenos estésicos (dos sentidos) e da percepção humana. Clarificando tal fenômeno, “A experiência se dá na fronteira entre o organismo e seu

ambiente, primordialmente a superfície da pele e os outros órgãos de resposta sensorial e motora.” (PERLS; HEFFERLINE; GOODMAN, 1997, p. 41).

Fonseca (2005, p. 68), ao referir-se ao conceito de experiência no âmbito fenomenológico, diz que o caráter da experiência “[...] funda-se numa disposição para assumir afirmativamente o vivido, e o processo hermenêutico de seu desdobramento, como referencial básico da criação, e de afirmação da vida, de avaliação e de orientação”. Portanto, o experimento estético, diferentemente da experiência, diz respeito à qualidade da percepção do contato com o fenômeno vivido através dos sentidos (visão, audição, olfato, paladar e tato/sinestésico).

A concepção de experimento formalizada por Perls, Hefferline e Goodman (1997) diz respeito à ação do sujeito se lançar no processo de aprender a criar e recriar, aprender, experiencialmente, sobre si mesmo no aqui e agora, num processo contínuo de conscientização.

[...] experimento deriva de experi-ritentar. Um experimento é a experimentação, tentativa ou especial observação feita para confirmar ou refutar ao duvidoso, especialmente aquilo sob condições determinadas pelo experimentador. Um ato ou operação empreendida a fim de descobrir algum princípio ou efeito desconhecido, ou para testar, estabelecer ou ilustrar alguma verdade sugerida ou conhecida [...] no sentido de ‘teste isso e veja o que acontece’. [...]‘experienciar’ a si mesmo. ‘experienciar’ deriva da mesma fonte latina – experiri, testar, do mesmo jeito que a palavra ‘experimento’, o dicionário dá a ela o mesmo sentido que pretendemos aqui, a saber, o viver presente por meio de evento ou eventos. (PERLS; HEFFERLIN; GOODMAN,1980, p. 16).

O experimento é um dispositivo usado na gestalt-terapia para obter uma condição de awereness32 de si mesmo e criar condições adequadas ao sujeito para ampliar o contato consigo, propiciando processos de autoavaliação. O experimento artístico e estético em Artes Visuais

É uma forma de pensar em voz alta, uma conscientização da própria imaginação, uma aventura criadora. [...] o experimento criativo, se funciona bem, ajuda a pessoa a arriscar uma nova maneira de expressar-se, ou pelo menos a leva aos limites, a fronteira ou ponto a partir da qual ela necessita crescer. (ZINKER, 2007, p. 106). Os ateliês de experimentos artísticos e estéticos propiciarão condições aos professores participantes desta pesquisa a atitude de arriscarem-se a entrar em contato com suas reais condições de aprender e ensinar Artes Visuais. Nesta pesquisa, esses ateliês foram realizados segundo as descrições das três etapas seguintes.

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É uma forma de experienciar; é o processo de estar em contato vigilante com o evento mais importante do campo sensório-motor, emocional e cognitivo (YONTEF, 1998).

Primeira etapa: ateliê de experimentos em Artes Visuais (mediado pelo pesquisador). Essa etapa consistiu em ateliês de experimentos em Artes Visuais organizados e ministrados pelo pesquisador, nos quais foram trabalhados com os educadores participantes elementos teóricos e vivenciais relacionados ao processo do fazer artístico, através de materiais expressivos (produção), e à reflexão sobre a experiência vivida em Artes Visuais. As atividades desses ateliês foram voltadas para o experimento e reflexão da “práxis artística”, em direção da poética artística e pessoal (existencial) de cada um dos membros da pesquisa.

Os ateliês foram acompanhados de discussões e reflexões sobre a maneira como cada sujeito vivenciou a sua experiência de aprendizagem no contexto de “ateliê” e de leitura do produto, a fim de ampliar a percepção objetiva e subjetiva do produto e de si. Os ateliês dessa etapa foram programados com vistas a possibilitar aos participantes (professores de Artes Visuais do 6º ao 9º anos do Ensino Fundamental) a elaboração de um planejamento para futuras proposições a seus alunos em sala de aula. Essas sessões dos ateliês foram denominadas de “Fazendo Arte na escola”.

Segunda etapa: ateliê de experimentação artística e estética em Artes Visuais: “Fazendo Arte na escola”. Essa etapa consistiu na mediação por parte dos partícipes do estudo na organização de ateliês de criação artística com seus educandos. A proposta foi para que os sujeitos mediassem ateliês com seus estudantes, tendo como base suas experiências adquiridas nos experimentos vivenciados nos encontros/formação. Esses ateliês foram objeto de observação por parte do pesquisador. Em seguida, após cada ateliê, os participantes realizaram, juntamente com o pesquisador, sessões de avaliação dialógica reflexiva sobre a experiência vivenciada no ensino de Artes Visuais.

Terceira etapa: sessões reflexivas sobre avaliação (participantes e pesquisador). Nessa última etapa, após a experiência de aprendizagem e de ensino nos ateliês de experimentos artísticos em função da identificação da poética artística pessoal, os participantes vivenciaram as sessões reflexivas mediadas pelo pesquisador sobre processos de avaliação do ensino de Artes Visuais, fazendo um paralelo entre os conhecimentos que já dispunham, suas preconcepções sobre o ensino de Artes Visuais e os novos conhecimentos adquiridos, ou seja, suas concepções acerca do ensino de Artes Visuais nos encontros/formação, com foco nos experimentos artísticos e estéticos baseados na poética artística pessoal.

O processo de aquisição de dados se deu a partir das experiências dessas etapas. Todas as sessões reflexivas e o diário de campo resultante da observação do pesquisador fizeram parte dos dados que constituíram o corpus empiricus da investigação.

Para assegurar a fidedignidade da análise a ser empreendida, recorreu-se à triangulação analítica entre pesquisador, participantes e instrumentos de aquisição de dados. Com isso, foi possível verificar a validade de conteúdo dos dados adquiridos.